domingo, 2 de maio de 2010

alicerce do paraíso vol 01

ÍNDICE
INTRODUÇÃO
O que é a Igreja Messiânica Mundial.....................................................9
Doutrina da Igreja Messiânica Mundial...............................................10
Formação do mundo novo....................................................................11
O primeiro mundo..............................................................................12
Capítulo 1
CARACTERÍSTICAS DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL
O que é a verdadeira salvação.............................................................17
Características da salvação pela Igreja Messiânica Mundial..............18
Igreja abrangente.................................................................20
Ultra Religião.....................................................................21
Religião ativa...............................................................23
Religião criadora depessoas felizes................................................26
Religião que revela Deus..........................................................29
Eliminação da tragédia............................................................30
A Luz de Deus e a doutrina.....................................................32

Capítulo 2
VERDADE
Concretização da Verdade..........................................................37
Verdade, Bem e Belo..............................................................39
Verdade e Pseudoverdade.......................................................42
Eu escrevo a Verdade..............................................................44
A dialética da harmonia..........................................................46
Capítulo 3
CRIAÇÃO DA CULTURA
Palestra ao público em Tóquio......................................................49
Daijo, Shojo, Izunome..............................................................59
O Bem e o Mal são relativos........................................................61
Criação da Cultura................................................................61
A transição da Velha Cultura para a Nova Cultura............................63
A construção do Paraíso e a eliminação do Mal.................................66
O Bem e o Mal.....................................................................72
A época semicivilizada e semi-selvagem.............................................75
Era semicivilizada............................................................77
Materialismo e Espiritualismo..............................................79
O materialismo cria o homem mau..........................................80
A Ciência cria as superstições.............................................82
Inadequação do estudo.........................................................84
A respeito do ateísmo..........................................................88
A Cultura de “Su”..........................................................90

Capítulo 4
TEMPO
O Juízo Final..........................................................95
Ciclos Cósmicos........................................................98
A grande transição do mundo..............................................99
Concretização da profecia do Reino dos Céus
– o Paraíso Terrestre..........................................................100
Capítulo 5
JOHREI
Transição da Noite para o Dia.............................................105
Sou um cientista em Religião.............................................109
O espírito precede a matéria.............................................113
Medicina espiritual...............................................115
Princípio do Johrei...........................................................117
A força absoluta..................................................................124
Sermão, Johrei e felicidade............................................127
O Johrei é tratamento científico (1)....................................129
O Johrei é tratamento científico (2).....................................131

Capítulo 6
O FUNDADOR MEISHU-SAMA
6.1 – Sua personalidade
Deus existe?................................................................137
O valor do homem reside no seu espírito de justiça.........................139
Está errado dizer que os honestos saem perdendo.............................141
Minha natureza...............................................................144
Ostentação religiosa..................................................................145
Minha maneira de pensar....................................................147

6.2 – Sua força de Salvação
Eu e a Igreja Messiânica Mundial.........................................150
Estado de união com Deus.............................................156
Minha Luz.............................................................157
Quem é o Salvado.......................................................160
O Herói da Paz..................................................161

O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.
Não há dúvida de que “Paraíso Terrestre” é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O “Mundo de Miroku”, anunciado por Buda, a chegada do “Reino dos Céus”, profetizada por Cristo, a “Agricultura Justa”, proclamada por Nitiren, e o “Pavilhão da Doçura”, idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da “Destruição da Lei”, prevista por Buda, e do “Fim do Mundo” ou “Juízo Final”, profetizado por Cristo.
Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável – e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.
Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:
a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou do sofrimento da pobreza;
c) um homem que ama a paz e detesta o conflito.
Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará, como entes preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como poderemos obtê-las?
Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmi¬tir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais condições.
25 de janeiro de 1949



DOUTRINA DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o início da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada época, Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua missão.
Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade. Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz, perfeitamente consubstanciado na Verdade-Bem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor, erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam este mundo.
11 de março de 1950



FORMAÇÃO DO MUNDO NOVO

Conforme venho esclarecendo, a nossa Igreja é uma religião que abarca todos os campos da atividade humana e que poderia ser denominada Empresa Construtora do Novo Mundo. Entretanto, como isso pareceria fachada de alguma construtora civil, o jeito é chamá-la, por enquanto, Igreja Messiânica Mundial. O objetivo dessa organização religiosa é o progresso e desenvolvimento da civilização conciliando a ciência material e a ciência espiritual.
Sabemos que o conhecimento científico caminha velozmente, ao passo que o espiritual, baseado na Religião, caminha desesperadamente lento. A religião conservou seu estado inato, sem alcançar muito progresso, desde o início da civilização, há milhares de anos. Isso explica a grande distância entre ela e a Ciência. Esta última veio a destacar-se, e a parte espiritual distanciou-se a ponto de desaparecer da nossa vida. Por fim, o homem tornou-se indiferente ao espírito, chegando a confundir Ciência com Civilização. Ele se ajoelha diante do trono da Ciência e se satisfaz na sua condição de escravo. Este é o aspecto do mundo moderno. Por acaso o homem não prova isso entregando nas mãos da Ciência o que ele tem de mais precioso, que é a vida? Embora ela não consiga garantir a vida humana, os homens modernos não o percebem e continuam depositando-lhe cega confiança.
Deus compadeceu-se dessa cegueira e está procurando orientar o homem através de nossa Igreja. Por meio da realidade, o Todo-Poderoso revela que a vida não pertence à matéria, que apenas ela é invisível aos olhos humanos, mas possui existência absoluta sob Sua direção. A melhor prova consiste no fato de que pessoas desenganadas pela medicina são salvas freqüentemente pelo Poder Divino.
Surge, então, a seguinte pergunta: “Por que uma questão de vital importância, como a vida, permaneceu na obscuridade?” Efetivamente, isso ocorreu pela necessidade de impulsionar a cultura científica até certo ponto. Tal acontecimento faz parte da Providência Divina; é um fenômeno passageiro, proveniente da época e, na sua fase transitória, levado ao exagero. Mas Deus corrigirá tal exagero. Como Ele esclarece, nitidamente, o limite entre a ciência material e a ciência espiritual, esta acertará os passos com a primeira, progredindo e desenvolvendo-se até constituir-se um mundo realmente civilizado. Em resumo, o mundo presente termina aqui para dar origem a um novo mundo.
30 de julho de 1952



O PRIMEIRO MUNDO

Ao analisarmos a civilização atual, percebemos que a base de sua estrutura é a ciência da matéria. Escreverei sobre isso a seguir, mas, em primeiro lugar, explicarei a constituição do Universo. Serão dispensados os detalhes que não se relacionam diretamente com o homem, abordando-se apenas os pontos mais importantes.
O Universo é constituído de três elementos fundamentais: Sol, Lua e Terra. Esses elementos são formados respectivamente pela essência do fogo, da água e da terra, que constituem o Mundo Espiritual, o Mundo Atmosférico e o Mundo Material, os quais se fundem e se harmonizam perfeitamente. Até agora, no entanto, só eram conhecidos o Mundo Atmosférico e o Mundo Material; desconhecia-se a existência de mais um mundo, isto é, o Espiritual, que a ciência da matéria não conseguiu detectar. A cultura atual formou-se com o progresso obtido naqueles dois mundos, razão pela qual ela abrange apenas dois terços. Na realidade, porém, o Mundo Espiritual, justamente o terço considerado inexistente, é mais importante que os outros dois juntos, constituindo a fonte da força fundamental. Ignorando-se a sua existência, jamais surgirá a civilização perfeita. O fato do homem, apesar do considerável avanço da cultura baseada no Mundo Material e no Mundo Atmosférico, não conseguir realizar o seu maior desejo – a felicidade – comprova muito bem o que estou afirmando.
Examinando-se atentamente a origem dessa contradição, descobrimos que há uma profunda razão para ela. Se a humanidade, desde o começo, conhecesse a existência do Primeiro Mundo, ou seja, o Mundo Espiritual, a civilização material não teria alcançado o maravilhoso progresso que vemos hoje. Isso porque do desconhecimento do Mundo Espiritual é que nasceu o pensamento ateísta, que deu origem ao mal. Atormentada pelo sofrimento decorrente da luta entre o mal e o bem, a humanidade só teve um recurso: desenvolver a cultura material. Portanto, pensando bem, que representa isso senão o profundo Plano de Deus? Há um perigo, contudo: ocorrer um colapso da cultura material se ela progredir além de certo limite. A invenção da bomba atômica é uma das facetas desse progresso, mas, atingido esse nível, é chegado o tempo determinado pelos Céus de haver uma grande mudança no desenvolvimento da cultura. Como primeiro passo, está sendo revelada a toda a humanidade a existência do Primeiro Mundo, do qual não se tinha conhecimento; tratando-se, porém, de uma existência invisível, logicamente não se poderá comprová-la pelos métodos científicos. Daí a manifestação de uma grandiosa força jamais experimentada pela humanidade, isto é, o Poder de Deus. Como o homem contemporâneo há longo tempo está obstinado na concepção materialista, é muito difícil convencê-lo. Entretanto, em nossa Igreja existe o único método para se conseguir isso: o milagre do JOHREI. Por mais ateísta que seja, o indivíduo não poderá deixar de aceitar e se submeter. Assim, à medida que o JOHREI se tornar conhecido por toda a humanidade, haverá inevitavelmente uma mudança de cento e oitenta graus no rumo da cultura, surgindo, então, a Verdadeira Civilização, comum ao mundo todo.
Resta, no entanto, um problema: como a cultura atual foi erigida ao longo de milhares de anos, não se sabe quanto mal foi praticado até agora. Por “mal” refiro-me obviamente ao pecado e, conseqüentemente, às máculas espirituais, cujo grande acúmulo constituirá um obstáculo para a construção do mundo novo. É como se durante a construção de uma casa houvesse sujeira espalhada por todo lado, como pedaços de madeira, tijolos quebrados, etc., tornando-se indispensável uma ação de limpeza. Deve ser isto o Juízo Final profetizado por Cristo.
Os maravilhosos e incontáveis milagres manifestados pela nossa Igreja não poderão ser senão o plano de Deus para mostrar a existência do Primeiro Mundo. E Deus me encarregou desta grandiosa missão.
4 de julho de 1951



O QUE É A VERDADEIRA SALVAÇÃO

Hoje em dia, a crítica mais freqüente em relação à nossa Igreja é que, tratando-se de uma entidade religiosa, não deveria empenhar-se na cura de doenças. Entretanto, se pensarmos bem, concluiremos que não há nada tão sem sentido como essa observação. Ela provém do pensamento limitado dos críticos, segundo os quais a Religião deve ocupar-se apenas da salvação do espírito, não lhe cabendo a salvação da matéria. Para eles, a cura de doenças é uma questão material, e por isso acham que ela não compete à Religião. Excluem das atribuições religiosas a salvação material, limitando a essência da Religião à parte espiritual. Logicamente, de acordo com o seu conceito, a salvação espiritual, em síntese, consiste na renúncia. Não tendo o Poder da Salvação para eliminar materialmente o sofrimento e não encontrando outro recurso, as religiões, pelo menos, tentam diminuí-lo espiritualmente, através da renúncia. Essa é a maneira como muitas pessoas têm encarado a Religião até agora.
Não obstante, se a Religião excluir a matéria e preocupar-se unicamente com a salvação do espírito, ela não estará promovendo a verdadeira salvação, pois a crença na possibilidade da solução dos problemas materiais é que nos permitirá obter a verdadeira tranqüilidade espiritual. Quando sentimos fome, por exemplo, só podemos ficar tranqüilos se tivermos certeza de que alguém nos trará comida; se soubermos que ninguém o fará, é natural que fiquemos desesperados, temendo morrer de inanição. O mesmo acontece em relação à doença, dificuldades financeiras e outros problemas. Só pelo reconhecimento de que tudo será solucionado através da Fé teremos tranqüilidade absoluta. Dessa forma, a salvação das duas partes – a material e a espiritual – é que nos fará sentir-nos salvos, alcançando o estado de verdadeira paz e segurança.
A base da salvação material e espiritual – aquela que é a mais perfeita – consiste, portanto, unicamente, em eliminar a doença, tornando as pessoas sadias. Por maior que seja a nossa fortuna ou a quantidade e variedade dos mais saborosos alimentos, provenientes do mar e da terra, em nossas refeições, por maiores honrarias e por mais elevada posição social que tenhamos, isso de nada adiantará, se estivermos sofrendo com doenças. A primeira condição para salvação da humanidade é, antes de mais nada, alcançar a saúde. Por esse motivo, a meta de nossa religião é formar indivíduos e sociedades saudáveis.
24 de dezembro de 1949



CARACTERÍSTICAS DA SALVAÇÃO
PELA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A missão da nossa Igreja é tirar as pessoas das torturas do Inferno e conduzi-las ao Céu, transformando a sociedade num paraíso.
Para que o homem seja conduzido ao Céu, é necessário que ele próprio se eleve, tornando-se um ente celestial, a fim de que, por sua vez, possa salvar o seu semelhante. Isso significa pendurar a escada do Céu até o Inferno e estender as mãos para puxar o homem, degrau por degrau. É nesse ponto que nossa religião difere das demais, sendo antes o seu oposto.
Todos sabem que os antigos religiosos contentavam-se com o mínimo necessário à sua subsistência. Eles se entregavam a penitências e procuravam salvar o próximo colocando-se numa situação miserável. Isso significa que estavam usando a escada em sentido contrário. O salvador empurrava os necessitados de baixo para cima, ao invés de puxá-los lá do alto; é fácil calcular o duplo esforço exigido. Mas não havia alternativa, visto que, nessa época, ainda não existia a noção do plano do Paraíso.
Naturalmente não havia chegado o tempo, pois a noite cobria o Mundo Espiritual. Entretanto, a partir de 1931, o Mundo Espiritual vem gradualmente se transformando em dia, facilitando a construção do Paraíso na Terra. Sendo Deus o construtor, a obra progride à mercê do tempo, bastando ao homem agir de acordo com a Vontade Divina. Deus traçou o plano, fiscalizando e utilizando livremente um número considerável de criaturas.
A idéia exata que se pode ter da minha função, é a de mestre-de-obras local. Os nossos fiéis sabem perfeitamente que estou construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, como parte dessa função. Aparecem-me, então, vendedores que me oferecem terrenos em momentos e locais inesperados. Assim que percebo a Vontade Divina de adquirir determinado terreno, surge a quantia requerida, sem que eu empregue o mínimo esforço. Logo a seguir consigo, infalivelmente e à vontade, não só os mais adequados projetistas, engenheiros e construtores, como também o material necessário. Até mesmo uma árvore aparece oportunamente, já existindo lugar apropriado para ela. Às vezes eu me sinto perplexo ao receber árvores às dezenas, de uma só vez. Planto-as estudando o espaço, interpretando a Vontade Divina, e verifico que elas se encaixam maravilhosamente no jardim, sem falhas nem excesso. Sempre que isso acontece, não posso deixar de sentir, claramente, a Vontade de Deus em tudo. Se desejo colocar uma pedra ou uma planta em determinado lugar, recebo-as dentro de um ou dois dias no máximo. O que vêm a ser todas essas ocorrências senão milagres? Caso eu começasse a enumerá-los, não acabaria mais. E o que estou dizendo não passa de uma pequena parte do que pretendo expor com o tempo.
Escrevi este capítulo com o objetivo de ajudar os leitores a compreenderem que o homem nada empreende, que ele apenas age sob a Orientação Divina. Pelos fatos relatados, fica bem claro que Deus pretende formar o protótipo do Paraíso como início do advento do Paraíso Terrestre. Mas isso não é o bastante. Compete a cada homem tornar-se um ente celestial, e é chegado esse momento. Naturalmente, seu lar será paradisíaco e todos os componentes da família virão a ter uma vida celestial. Somente assim poderão ser salvas as pessoas que sofrem no “inferno”.
Daí a razão por que aconselho os fiéis a criarem uma vida sem sofrimentos, que é a Vontade do Altíssimo. Enquanto o homem não conseguir eliminar as três desgraças – doença, pobreza e conflito – não poderá ser salvo. Isso era impossível na Era das Trevas, mas hoje é possível. Terminou a época de sofrimento a que se referiu Sakyamuni. Se os leitores compreenderem o sentido desta verdade, sentir-se-ão dominados por uma alegria infinita, ainda desconhecida na experiência da humanidade.
5 de outubro de 1949



IGREJA ABRANGENTE

Poderão compreender melhor a nossa Igreja, se a compararmos com uma loja de departamentos. A comparação talvez não seja muito apropriada, mas considero-a a mais adequada e de mais fácil compreensão. Eis os motivos:
Sempre tenho afirmado que a Igreja Messiânica Mundial abrange o cristianismo, o xintoísmo, o budismo, o confucionismo, a Filosofia, a Ciência, a Arte, enfim, todas as expressões da cultura. Entre elas, dedicamos especial atenção aos problemas concernentes à doença, à saúde e à agricultura, no campo da Ciência, e também às artes.
Logicamente, como o seu nome está mostrando, a nossa Igreja tem por objetivo empreender a grandiosa obra de Salvação do Mundo. É natural, portanto, que apontemos as falhas existentes em todos os setores relacionados com a vida do homem, dispensando a este a mais elevada orientação.
Não obstante o maravilhoso progresso da cultura contemporânea, as falhas apresentadas por ela são tão numerosas que causam espanto. As falhas superficiais não são muito graves, porque a própria sociedade as percebe e pode corrigi-las; as falhas interiores, no entanto, por não serem divisadas a olho nu, só podem ser corrigidas por um meio: desvelando-as através da Luz de Deus. Por essa razão, estamos dissecando todos os setores da cultura atual, a fim de que, trazendo à tona a verdadeira natureza de cada um deles, possamos planejar a concretização de um mundo melhor. Somente dessa forma poderemos alimentar esperanças quanto ao advento da era da Civilização Celestial.
Eis, em breves palavras, o sentido da expressão “Igreja Abrangente.”
28 de março de 1951

ULTRA-RELIGIÃO

Qualquer pessoa tomará por um sonho descabido o objetivo da nossa Igreja – construir um mundo sem doenças, pobreza e conflitos, ou seja, o Paraíso Terrestre, que corresponde ao “Advento do Reino dos Céus”, pregado por Cristo, ou à “Vinda do Messias”, da religião judaica. Sakyamuni disse que, depois de sua morte, surgiria um mundo perfeito. Não afirmou, entretanto, que esse mundo estivesse iminente; ao contrário, disse estar infinitamente longe: 5.670.000.000 de anos.
Todas essas profecias foram de grande utilidade. Se não houve referência a um plano de execução, devemos interpretar que ainda não era chegado o tempo, mas sabemos que a aceitação e a prática dos ensinamentos pregados pelas religiões antigas tornaram-se o alicerce das religiões atuais. Naturalmente, cada religião criou e divulgou os seus protótipos, formas e métodos, adaptáveis aos diferentes povos e países. Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de Deus, para serem condicionadas a determinadas épocas, localidades, povos, tradições, costumes, etc. Graças a essa força, a cultura alcançou o deslumbrante progresso que hoje apresenta. Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê de Satanás, ou talvez, destruído.
Ao refletirmos sobre esses assuntos, não podemos deixar de levar em consideração os grandes méritos dos fundadores de religiões. Todavia, embora estas últimas hajam evitado a destruição do mundo, é duvidoso que o seu poder seja eficiente para o mundo atual ou para o futuro. Isto porque a humanidade padece de um sofrimento infernal, o que comprova a deficiência das Igrejas, as quais não conseguem conduzir os sofredores ao estado celestial. Só um número restrito de povos participa dos benefícios da civilização moderna. Presentemente, a humanidade carece muito do espírito de paz.
Uma observação sobre o mundo atual faz com que as pessoas prudentes sintam a necessidade do aparecimento de uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, o poder salvador de uma Ultra-Religião. Nesse sentido, consciente da responsabilidade que lhe cabe como sendo esta Ultra-Religião, nossa Igreja vem apresentando resultados surpreendentes.
20 de julho de 1949



RELIGIÃO ATIVA

Os leitores poderão estranhar quando eu disser que há religiões ativas e religiões inativas. É justamente o que pretendo explicar agora.
Religião ativa é aquela que está relacionada com a vida prática, e a inativa ou morta, exatamente o oposto. Infelizmente, é raro encontrar uma religião, dentre as muitas existentes, que esteja perfeitamente entrosada com a vida prática.
As doutrinas são elaboradas com perfeição, mas não podemos esperar muito do seu poder doutrinário. No período da fundação de muitas religiões, há centenas ou milhares de anos, talvez suas doutrinas estivessem de acordo com a situação social da época, exercendo sobre ela grande influência. Sabemos, no entanto, que esse poder foi enfraquecendo com o passar do tempo, até atingir o estado em que hoje se encontra. Lamentavelmente, esta é a ordem natural das coisas; tudo sofre essa mudança, que acabou ocorrendo também no âmbito da Religião. O surto de novas religiões adaptadas à época no decorrer destes anos, é um fato inegável, observado em todos os países. Mas essas religiões acabam sempre desaparecendo, por faltar-lhes poder suficiente para superar as anteriores.
Exemplifiquei as mudanças ocorridas nas religiões; agora desejo falar sobre as características das religiões modernas.
É do conhecimento geral que o desenvolvimento da Ciência, a partir do século XVIII, vem constituindo uma verdadeira ameaça para as religiões, e não se pode negar que ele tenha contribuído para a sua decadência. A Ciência dominou a tal ponto a mente humana, que o homem só aceita aquilo que tem explicação científica. O fato ainda seria desculpável, se não tivesse dado origem ao pensamento ateísta e à corrupção moral sem fim, criando confusão social e transformando este mundo num verdadeiro caos. Ainda há religiões antigas que se esforçam para doutrinar o povo com ensinamentos, os quais foram sendo aperfeiçoados após sua elaboração, centenas de anos atrás. Mas falta poder doutrinário a essas religiões, distantes da atualidade, e a carência de realismo torna sua existência equivalente à das antigüidades. Na época em que surgiram, elas foram úteis, mas hoje seu valor não vai além de uma preciosidade histórica e cultural. Dentre as novas religiões, há algumas que se aproveitam dessas preciosidades históricas adornando-as ricamente, para atrair as pessoas; mas, com certeza, terão seus dias contados.
Diante de tudo isso, é admissível que a Religião tenha ficado abandonada por muito tempo, sendo superada pelo maravilhoso progresso da cultura. Exemplificando, é como se quiséssemos usar carro de bois numa época em que nos servimos de aviões, automóveis e telégrafo. A nossa Igreja respeita a História, mas não se prende a ela, progredindo de acordo com a Vontade Divina e através dos seus próprios métodos.
As atividades relativas à obra que estamos realizando, abrangem a reforma da agricultura e da medicina, apontam as falhas de todas as culturas e adotam, como princípio orientador, o ideal de uma nova civilização. Uma de suas principais realizações vem a ser a construção do protótipo do Paraíso Terrestre e do Museu de Arte. Além de servir-se dessas construções como recintos sagrados, onde os espíritos maculados e exaustos possam se sentir reconfortados, a Igreja pretende, visando o enobrecimento do caráter do homem, torná-las um baluarte contra os divertimentos fúteis e pecaminosos de hoje em dia.
De acordo com o exposto acima, a atividade da Igreja Messiânica Mundial, no plano individual, consiste em salvar o homem da pobreza e contribuir para sua saúde física e mental; no plano social, sua finalidade é construir uma sociedade sadia e pacífica. Sentimo-nos imensamente felizes ao saber que, ultimamente, o nosso trabalho está sendo reconhecido pelos eruditos e tornando-se alvo de suas atenções. Embora, no momento, seja uma obra insignificante, no dia em que ela for ampliada e difundida no mundo inteiro, surgirá em todos os países a idéia de um mundo ideal, repleto de paz e felicidade. Afianço que isso não é um sonho.
Que vem a ser, portanto, uma religião ativa, viva, senão a nossa, com todos esses exemplos? Infelizmente, a sociedade atual olha as novas religiões com indiferença e desprezo, e isso se acentua principalmente na classe dos intelectuais, que assumem uma atitude cautelosa perante o povo, mesmo quando se referem à nossa Igreja. Entretanto, eu compreendo perfeitamente a razão dessa atitude. As religiões antigas geralmente contam com espantoso número de adeptos, mas estes, na maioria, são pessoas de pouca cultura. Entre as religiões novas, há algumas que não despertam nenhum interesse, devido às suas palavras e práticas excêntricas; outras, possuem elementos supersticiosos em grande proporção, que o bom senso nos leva a repelir. Creio que isso não durará por muito tempo, mas desejo que os responsáveis por essas religiões usem de reflexão.
Há, também, teólogos que, para adaptá-las à época, reproduzem e vestem de uma nova roupagem as doutrinas dos antigos santos, sábios e mestres. Isso confere a elas uma aparência progressista e de fácil aceitação pela classe intelectual, mas resta dúvida quanto à sua validade em relação à vida prática.
O assunto me faz recordar o pragmatismo de William James, o famoso filósofo americano. Essa doutrina filosófica preconiza a “filosofia em ação”, e eu pretendo estendê-la também à Religião, isto é, a Religião deve ser prática e ativa.
4 de novembro de 1953



RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES

A Religião não é nada mais do que a cristalização do amor de Deus para guiar os infelizes ao caminho da felicidade. Ninguém ignora que muitos lutam em vão para conseguir a felicidade almejada; raras são as pessoas que a conseguem, depois de uma vida inteira de lutas.
É de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi legada através da instrução e de biografias e leituras referentes aos exemplos de grandes personagens. A teoria bem formada merece admiração, mas todos sabem, por experiência própria, que é difícil pô-la em prática.
Tem-se como crédulo ou simplório aquele que age com honestidade; entretanto, se a pessoa procede diferente, cai no descrédito social e nas malhas da Lei. Por fim, o indivíduo não sabe como agir. O que os homens consideram bem-viver e se apressam por adotar, é a vida desonesta sob a capa da honestidade. Os melhores adeptos dessa filosofia tornam-se os campeões dos bem-sucedidos, razão por que as pessoas tendem a seguir tais exemplos e o mal social não diminui.
Dizem que os honestos levam desvantagem, e tudo nos faz chegar a tal conclusão, a julgar pelo aspecto do mundo, de modo que quanto mais honesto for o indivíduo, tanto mais ele se arrisca a cair no conceito de “antiquado”. Observa-se com freqüência que os homens que proclamam a justiça são repelidos e fracassam na sociedade.
É enorme o meu esforço para manter constantemente o conceito de justiça diante de semelhante mundo. O homem comum escarnece das minhas palavras, que ele considera crendices. Julga-me caprichoso e covarde, porque não sou interesseiro. Sente-se importunado por enfrentarmos o mal e destemidamente escrevermos a respeito, e também pelo nosso rápido progresso. Ultimamente, porém, em vista da firmeza de atitude com que nos temos mantido, apesar de todas as pressões – atitude que visa unicamente o bem – está despertando certa consideração por nós no espírito das pessoas. Alegra-nos, acima de tudo, que a situação tenha abrandado, facilitando o nosso trabalho. Isso se deve à resistência que oferecemos a todas as perseguições, tendo Deus por nosso apoio, e ao fato de a Igreja Messiânica Mundial possuir o Johrei, inexistente nas demais religiões.
Felizmente, alcançamos a liberdade religiosa com o advento da democracia. O ambiente ficou favorável, em comparação com o do Japão anterior à Guerra, tornando possível, através da justiça, eliminar o mal e caminhar ao encontro do bem.
A seguir, tratarei do problema concernente à felicidade do homem.
Naturalmente, o bem constitui a base da felicidade, sendo óbvio insistir sobre a necessidade de ele ter força suficiente para vencer o mal. Até agora, entretanto, na sua maioria, as religiões careciam dessa força; por conseguinte, não proporcionavam a felicidade desejada. Sendo assim, tiveram de pregar a Iluminação para satisfazer o povo, no seu desejo de atingir, pelo menos, a paz espiritual, uma vez que não conseguiam obtê-la na sua totalidade, isto é, espiritual e materialmente. Ou então pregaram a resignação, através do espírito de expiação e do princípio de não-resistência contra o mal. Criaram, portanto, a teoria da negação da graça na vida presente, o que explica ser classificada de superior a religião que visa a salvação do espírito, e de inferior aquela que consegue obter, também, os benefícios do mundo. Mas essa teoria não passou de um recurso para determinada época. Darei exemplos.
Há pessoas que, embora torturadas por uma doença prolongada, dizem-se alegres, alegando estarem salvas quando na realidade estão apenas resignadas, sufocando seus verdadeiros sentimentos. Isso é uma espécie de auto-traição. Por natureza, a verdadeira satisfação nasce com o restabelecimento da saúde, se for esse o caso.
Em todos os tempos houve famílias que, não obstante o ardor de sua fé, não foram agraciadas materialmente, permanecendo vítimas de desgraças. Dessa forma, acabaram por se iludir, julgando que a essência da Religião só objetiva a salvação espiritual.
A Igreja Messiânica Mundial salva tanto o espírito como a matéria. Podemos afirmar que vai além disso. As obras de construção dos protótipos do Paraíso Terrestre em diversas localidades, assim como a construção de museus de arte que estamos realizando dependem inteiramente dos donativos dos fiéis. A Igreja abomina a exploração, contando apenas com recebimento do donativo espontâneo. Apesar disso, é realmente milagroso o fato de se conseguir a quantia necessária para o empreendimento de uma obra de tal envergadura. Isso prova a prosperidade dos fiéis. O donativo, longe de ser temporário, tende a aumentar, razão por que nunca me preocupei com dinheiro.
Na época em que apareceram as religiões antigas, os ensinamentos podiam ser de caráter limitado, de Fé “Shojo”, mas hoje a realidade é outra. Tudo adquiriu caráter universal, de modo que é preciso uma organização grandiosa, para salvar a humanidade. Quanto maior a organização, maior o número de pessoas salvas. Por isso, ao tomar conhecimento dos seus objetivos, ninguém deixará de reconhecer a importância da nossa Igreja.
10 de junho de 1953



RELIGIÃO QUE REVELA DEUS

Quando incentivamos as pessoas descrentes a crerem em Deus, a maioria reage, pede que provemos com clareza a Sua existência, e assume uma atitude intelectual, dizendo não poder perder tempo com superstições.
Essa tendência é notadamente acentuada entre as pessoas cultas. Mas não podemos criticá-las, porque elas têm suas razões. Sua atitude explica-se pelo fato de que a maior parte das religiões é anticientífica, sendo raras as que não estão afetadas por superstições. Muitas não conseguem dar provas claras da existência de Deus e criam hesitação entre a Sua existência ou inexistência. Portanto, não é de se estranhar que haja tantas pessoas indiferentes à Fé.
A Igreja Messiânica Mundial mostra claramente a existência de Deus. Todos aqueles que entram em contato com ela, sentem-se maravilhados ante a constatação dessa verdade. A melhor prova está nos inúmeros milagres e graças alcançados, através da Igreja, pelos seus fiéis. Infelizmente, são pouquíssimas as pessoas que crêem por meio da simples leitura ou explanação oral das experiências de fé dos fiéis. A maioria acha-se impedida de aceitar os fatos como realmente são, por professarem uma fé de baixo nível. Em parte, isso se entende, mas não deixa de ser deplorável. Costumo sempre afirmar que a nossa Igreja não é uma religião, e sim uma Ultra-Religião, uma grandiosa obra salvadora.
Os novos fiéis costumam dizer que, no início, quando leram as nossas publicações pela primeira vez, não conseguiram crer integralmente no que elas expunham, achando a doutrina messiânica muito diferente não só das doutrinas professadas por outras Igrejas, como também das teorias científicas. Considerando que nenhuma experiência é perdida, eles começaram a receber Johrei cheios de desconfiança. Assombrados com o fato de ele consistir apenas no levantar das mãos, pensaram em desistir, julgando impossível a cura por meio de um ato tão simples. Entretanto, sentindo-se mais dispostos no dia seguinte, continuaram a recebê-lo e melhoraram rapidamente. Esse é o testemunho unânime dos que relatam sua experiência.
É justamente porque a nossa Igreja evidencia graças imediatas, pouco comuns, que os intelectuais cometem um engano, chamando a isso de superstição. Esse modo de interpretar e pensar não deixa de ser um grande obstáculo; contudo, dentre os que se têm na conta de eruditos, há muitas pessoas de mente sã que se tornam felizes por ingressarem na Fé, aceitando plenamente a realidade evidenciada. Tanto os mais obstinados, como os devotos da Ciência, acabam se dando por vencidos diante das provas da existência de Deus apresentadas pela Igreja Messiânica Mundial através de milagres sem conta, nunca manifestados antes.
9 de janeiro de 1952


ELIMINAÇÃO DA TRAGÉDIA

Entre todas as coisas do mundo, o que o homem mais detesta é a tragédia. Eliminá-la totalmente é impossível, mas, de certo modo, não será tão difícil diminuí-la. Passemos a estudar sua natureza.
A realidade evidencia que a maioria das tragédias é causada pela doença. Entretanto, elas também são geradas por problemas sentimentais e pela desonestidade proveniente de interesses materiais. Através de uma pesquisa acurada, no entanto, descobri que todas as tragédias têm sua raiz na enfermidade espiritual. Dizem que um espírito são habita um corpo são, e isso é uma grande verdade. Verifiquei, após longos anos de pesquisa, que a imoralidade, a injustiça, a impaciência, o alcoolismo, a preguiça e a corrupção de jovens existem quase sempre em físicos doentes.
Infelizmente, ainda não se descobriram métodos positivos para solucionar o problema da doença e restabelecer a saúde física e espiritual, nem mesmo apelando para a medicina ou para outros meios. Ainda que se tivesse encontrado a causa das doenças, não existiria uma forma para resolver o problema verdadeiramente. Há quem se orgulhe de ter descoberto a origem delas e o processo de cura; a maioria dos processos, contudo, não passa de paliativos. É realmente desolador. Todavia, dentre os casos milagrosos relatados em nossas publicações, encontramos muitos exemplos da cura de doenças gravíssimas, e a alegria e gratidão dos agraciados nos comovem até as lágrimas.
A verdadeira solução das doenças e de outras desgraças depende de uma força invisível, e só aos que a experimentaram é dado reconhecer o incomensurável Poder Divino. Os homens modernos não se convencem senão através da realidade ou de provas; portanto, sem a apresentação de resultados concretos, é inútil pregar princípios elevados e divulgá-los. Para esses homens, a salvação da humanidade e a obra em prol da sociedade não passam de um sonho.
A essência da verdadeira Fé consiste em mover o que é visível por ação de um poder invisível. Esse poder maravilhoso está sendo manifestado pela nossa Igreja e, por essa razão, creio eu, poderíamos dizer que ela é a Religião do Poder.
Como a maioria das religiões hoje existentes se limita a pregar doutrinas, suas forças agem do exterior para a alma. Mas o ato purificador empregado pela Igreja Messiânica Mundial – o Johrei – projeta a Luz Espiritual diretamente na alma, despertando-a instantaneamente. Isto é, a Igreja converte a pessoa sem a intervenção humana, deixando os sermões para segundo plano. Os que nela ingressam, alcançam rapidamente uma percepção superficial, e, em seguida, uma percepção mais profunda. Além de superarem as suas próprias tragédias, tornam-se aptos, também, a eliminar as tragédias alheias.
11 de junho de 1949


A LUZ DE DEUS E A DOUTRINA

Não é a doutrina mas sim a Luz de Deus que transforma o homem. As pessoas que consideram a Igreja Messiânica Mundial uma religião comum, muitas vezes se perguntam por que ela não possui uma doutrina. Não penso que ela seja importante. A doutrina é um conjunto de regras e preceitos; não pode salvar o homem. Desde os tempos antigos quase todas as religiões tiveram algumas de suas doutrinas bem elaboradas e consideradas. Conseguiram elas aperfeiçoar o mundo?
Numa novela que li recentemente, o autor faz um dos seus personagens contar o seguinte: “Quando eu era jovem assistia a aulas de religião e, um dia, comentamos os milagres narrados na Bíblia. Alguns acreditaram neles, enquanto que outros não. Os comentários transformaram-se em inflamado debate. Já que eu próprio não acreditava em milagres, ao voltar para casa, procurei arrancar as páginas da Bíblia que a eles se referiam. Mas, quando voltei a ler, já sem essas passagens, constatei que a Bíblia era apenas um livro de Moral”.
Isto é bastante interessante. E é verdade. Se a religião consistisse apenas em doutrina, não ofereceria mais do que padrões morais. Eles não bastam. Fundamentando os princípios de moral, a religião deveria dar a consciência do grandioso poder místico e operador de milagres em ação no Universo, e que não pode ser explicado pela lógica. A força da religião está na apresentação deste poder místico. Quanto maiores milagres uma religião evidenciar, tanto mais valiosa poderá ser considerada.
Vou explicar. Os mandamentos são como leis decretadas para evitar os crimes. As leis são feitas para manter a ordem estabelecida pela sociedade e impor penalidades nos casos de violação. Muitas religiões são fundamentadas em mandamentos. Os mais antigos, dos conhecidos, são os Dez Mandamentos dados a Moisés os quais, durante a Era das Trevas foram fundamentais. Mas: “Você deve fazer isto...” ou “Você não pode fazer aquilo...” implicam penalidades — penalidades espirituais e não físicas.
As ameaças e os castigos não são os melhores meios para evitar que o homem pratique maldades. Um alcoólatra provavelmente não deixará de beber apenas porque lhe dizem que o álcool lhe faz mal. Um meio muito melhor é dissolver as máculas do seu corpo espiritual, elevando-o a um nível onde a sua Divina natureza possa ser despertada, o que o levará a sentir uma natural repugnância pelo álcool, ou pela maldade, conforme o caso.
É a tendência para fazer o mal ou agir desonestamente que deve ser eliminada, pois a pessoa inclinada à prática de ações corruptas, têm preferência por elas. Por exemplo, a essas pessoas parece, por vezes, que ganhar dinheiro por meios desonestos é mais fascinante do que adquiri-lo honestamente. Em tais casos, a natureza Divina ou primária encontra-se num estado enfraquecido, enquanto que a natureza animal ou secundária está fortalecida, o que significa que a alma está num nível baixo. Quando a alma está em plano mais elevado, a pessoa é incapaz de tais ações.
Até que a sociedade supere esse baixo nível de consciência, é perigoso ficar sem regulamentos legais e instituições penais. A despeito da forte ação coercitiva das leis reguladoras, existirão muitas pessoas inclinadas a transgredi-las. Entre elas podem ser incluídos homens que ocupam altas funções e que têm responsabilidade social, homens que são vistos como grandes personagens. Posição social e cargos políticos não indicam necessariamente desenvolvimento espiritual.
Abster-se de fazer o mal, apenas pela ameaça das penalidades ou da crítica, não é o bastante. Somente quando o homem atinge um nível onde não sente mais o desejo de fazer o mal, onde não são as leis e regulamentos que o impedem, quando realmente encontrou a alegria de fazer o Bem, é que ele desperta para a sua verdadeira natureza.
O homem pode não atingir subitamente os níveis mais altos, mas deve alcançá-lo degrau por degrau. Os dogmas são necessários de certo modo, mas o supremo objetivo é muitíssimo mais elevado. A Igreja Messiânica Mundial empenha-se em elevar o indivíduo ao mais iluminado estado de consciência.
A invisível Luz de Deus, canalizada através do Johrei, alcança as profundezas do espírito e o ilumina, mesmo quando o Johrei é recebido com atitude cética. O Johrei desperta a natureza Divina do homem, colocando-o em contato com a sua alma. Por isso a nossa religião não é uma religião comum.
Do ponto de vista material, esta compreensão pode ser difícil. Mas quando se experimenta o efeito do Johrei, intui-se a Luz de Deus. Mesmo aqueles que dão excessiva importância ao intelecto serão despertados para o poder do Espírito sobre a Matéria, e curvarão a cabeça reverentemente.
Extraído do livro “Os Novos Tempos”


CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE

O verdadeiro objetivo da Religião é a concretização da Verdade.
Mas que é a Verdade?
A Verdade é o próprio estado natural das coisas. O Sol desponta no nascente e desaparece no poente; o homem inevitavelmente caminha para a morte (essa morte a que o budismo se refere com as expressões “tudo que nasce está sujeito a desaparecer” e “todo encontro está condenado à separação”). O homem manter-se vivo através da respiração e da alimentação também é Verdade. A mente humana anda tão confusa, que preciso insistir sobre assunto tão óbvio.
Observando os revoltantes acontecimentos deste mundo, o caos reinante na sociedade, os conflitos, a desordem, o pecado, é impossível negar que tudo contribui mais para a infelicidade do que para a felicidade do homem. Precisamos, pois, conhecer a razão de tais coisas. Tudo se baseia no fato de estarmos longe da Verdade – isso é evidente. O problema é que não temos consciência disso.
Vou explicar meu ponto de vista.
Vejo que o homem moderno perdeu a noção da Verdade. Parece que a vida se mostra tão difícil para ele, que lhe falta tempo para refletir sobre o assunto. A Religião, também, até hoje não tinha condições para esclarecer o que é a Verdade, e transmitia noções falsas acreditando serem verdadeiras. Se a Verdade pudesse ter sido revelada tal qual é, a situação humana seria muito melhor. Talvez até tivéssemos construído algo semelhante ao Paraíso Terrestre.
Mas é chegado o tempo de revelar a Vontade de Deus e pregar a Verdade, para que esta possa se concretizar. E a Vontade de Deus é que ela seja transmitida claramente. Se aqueles que lerem minhas palavras tiverem a mente livre de preconceitos, certamente hão de obter a correta visão da Verdade.
Gostaria de dar uma explicação que todos compreendessem.
O homem adoece porque se distancia da Verdade e por motivo idêntico não consegue curar-se. Política errônea, má ideologia, aumento de crimes, crise financeira, inflação e deflação, tudo isso se deve, também, ao fato de o homem desviar-se da Verdade.
Tudo que desejamos logo se realizaria se estivéssemos de acordo com a Verdade; foi com esse propósito que Deus criou a sociedade humana. Eis por que não é difícil a formação de uma sociedade ideal, nem é impossível ser feliz. Nisto reside a possibilidade do advento do Paraíso Terrestre.
Alguns, talvez, achem estranhos os meus pontos de vista, mas não há razão para isso. Tudo que estou dizendo tem muita lógica. Minhas idéias só parecerão estranhas a quem não estiver voltado para a Verdade. Quanto mais absurdas elas parecerem, mais evidente se tornará a distância do mundo em relação à Verdade.
Deus concedeu ao homem a liberdade infinita. Eis a Verdade. As outras criaturas, como os animais e os vegetais, gozam de liberdade limitada. Aqui se percebe a superioridade do homem. Falar da sua liberdade, é dizer que ele ocupa o ponto médio entre os dois extremos – o animal e o Divino.
Quando ele se eleva, torna-se Divino; quando se corrompe, equipara-se ao animal. Se desenvolvermos esse princípio, veremos que basta o homem querer para que o mundo se converta em paraíso. Caso contrário, ele faz do mundo um inferno. Esta é a Verdade. Não há dúvidas quanto à escolha: a não ser uma pessoa de espírito satânico, ninguém desejará ocupar a extremidade animal.
De acordo com o que acabamos de expor, a formação do Paraíso Terrestre vem a ser o objetivo final do ser humano, e o único recurso para atingi-lo é a concretização da Verdade. Sendo esta a missão básica da Religião, eu prego a Verdade e me esforço e trabalho incessantemente para concretizá-la.
16 de julho de 1949


VERDADE, BEM E BELO

Conforme tenho dito, o Paraíso Terrestre que idealizamos é um mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. Mas gostaria de escrever a respeito com maiores detalhes.
Para seguir a ordem, começarei explicando o que entendemos por VERDADE. Evidentemente, referimo-nos à manifestação concreta da Verdade, isto é, a própria realidade, autêntica, expressa corretamente, sem o mínimo erro, impureza ou obscuridade. A cultura desenvolvida até o presente vinha confundindo e considerando como verdade muita coisa que não o era, e por isso muitos conceitos falsos eram tidos como verdadeiros. Entretanto, ninguém percebeu isso, porque, obviamente, a cultura era de baixo nível.
Basta observarmos a sociedade atual para percebermos que a maioria dos homens são forçados a trabalhar desde a manhã até a noite para ganhar o pão de cada dia, fazendo-o sem nenhuma parcela de ânimo, alegria e esperança, mas apenas para se manterem vivos. Embora estejam se afogando num lamaçal de preocupações, motivadas pela doença, pelas dificuldades financeiras e pelo medo da guerra, eles insistem em dizer que este mundo em que vivemos é avançado, civilizado. Não obstante, observando com rigorosa imparcialidade, percebemos que quase todos os homens lutam entre si, odeiam-se e entram em choque, tal como os animais, agonizando num redemoinho de insegurança e ansiedade; é como se estivéssemos olhando o próprio Inferno. E este é justamente o resultado da cultura da pseudoverdade, à qual me referi há pouco. Os próprios intelectuais não percebem isso e, acreditando tratar-se de um mundo civilizado, continuam a enaltecê-lo. Coitados, são dignos de nossa compaixão...
O mesmo acontece com a doença, por exemplo. Justamente porque a Medicina está em desacordo com a Verdade, todos os lugares estão repletos de pessoas doentes. É tuberculose, é disenteria infecciosa, é meningite, é derrame cerebral, é paralisia infantil, enfim são inúmeras espécies de doenças. E eis a justificativa que dão para isso: “Antigamente também existiam várias enfermidades, só que a Medicina não estava desenvolvida a ponto de descobri-las; hoje, porém, ela adquiriu essa capacidade”. Insistindo sobre o assunto, o que nós desejamos é que o número de doentes diminua e o número de homens realmente saudáveis aumente. Apenas isso. Vejamos.
Os homens contemporâneos temem exageradamente a doença. Por essa razão, as autoridades e os especialistas preocupam-se com a higiene e empenham-se na prevenção das doenças. O mais engraçado nisso é a vacina preventiva: ela mesmo é que não cura; não passa de simples paliativo. Dessa forma, a Medicina nem ao menos sabe distinguir a cura temporária da cura verdadeira e radical. E, mesmo que soubesse, não adiantaria nada, pois desconhece o método para erradicar a doença. Além do mais, como ignora completamente que ela é uma Providência de Deus para aumentar a saúde, empenha-se tão simplesmente em deter sua marcha, pensando que isso é progresso. Outrossim, por total desconhecimento de que esse método se torna origem da doença – como mostra a realidade – quanto mais a Ciência progride, mais se multiplicam as enfermidades e o número de doentes, diminuindo cada vez mais a resistência física. Por isso, os homens sofrem de cansaço e insônia, não têm persistência, não podem fazer qualquer excesso; caso pratiquem um exercício um pouco pesado, acabam sentindo-se “quebrados”. Por quê? Isso não é incompreensível? A realidade mostra-nos, porém, que, seguindo-se o princípio da doença ensinado pela nossa Igreja e recebendo-se Johrei, as doenças desaparecem e as pessoas tornam-se verdadeiramente saudáveis.
A seguir, escreverei a respeito do BEM, que, evidentemente, é o contrário do MAL. Mas o que é o MAL? Ele é causado pelo ateísmo nascido do pensamento materialista, e o Bem é o seu oposto: nasceu do teísmo. Esta é a Verdade. Entretanto, como a razão da Ciência consiste na negação do teísmo, que é a Verdade, quanto mais ela progride, mais aumenta o Mal; sendo assim, o progresso da cultura não passa de superficial. Dessa forma, reconhecemos os méritos da Ciência, mas não podemos deixar de levar em conta o Mal que ela produz. Sem perceber isso, os homens enaltecem apenas os seus pontos positivos e, elaborando habilidosas teorias para ocultar-lhe os pontos negativos, subjugam as classes dirigentes e levam-nas a concluir que, sem a Ciência, nada terá solução. Assim, acabaram por afastar-se da felicidade espiritual.
Em seguida, analisemos o BELO, que também constitui um problema.
De fato, acompanhando o desenvolvimento da cultura, os elementos representativos do Belo multiplicaram-se e, individualmente, estão em nível satisfatório, mas o povo não consegue usufruir deles. Somente uma parte – a classe privilegiada – desfruta de boas roupas, boa alimentação e boas moradias, enquanto a classe popular mal consegue alimentar-se, não tendo condições para pensar no Belo. Talvez isso ocorra apenas no Japão, mas essas pessoas dispõem de alimento simplesmente para matar a fome; de casa, para dormir; de ruas, para passagem e condução, e onde têm de enfrentar os empurra-empurras. Da mesma forma, a sociedade não consegue gozar das belezas naturais, que são dádivas de Deus, tal como as montanhas, as águas, as plantas e as flores, nem das belezas artísticas criadas pelo homem. Assim, não obstante o grande desenvolvimento da civilização, uma vez que toda a humanidade não pode usufruir de tais dádivas, o mundo contemporâneo é realmente o paraíso dos ricos e o inferno dos pobres. A causa disso é a existência de uma grande falha em algum lugar da civilização; quando essa falha for corrigida e a felicidade desfrutada eqüitativamente, o mundo será de fato civilizado. Essa é a missão da Igreja Messiânica Mundial.
Por tudo que aqui foi exposto, creio que puderam entender o verdadeiro significado da Verdade, do Bem e do Belo, mas o mais importante é o poder de concretizá-los. De nada adiantarão as palavras se elas constituírem apenas um lema pintado num quadro. Todavia, devemos alegrar-nos, pois este sonho tão almejado está para se tornar uma realidade em nosso planeta.
25 de setembro de 1953

VERDADE E PSEUDOVERDADE

Desde tempos remotos fala-se a respeito da Verdade, mas parece que sobre a Pseudoverdade, ou melhor, sobre a verdade aparente, ninguém fala. Entretanto, para analisarmos qualquer problema, é necessário saber diferenciá-las, pois essa distinção exerce enorme influência no resultado da análise. Muitas vezes a Pseudoverdade passa por Verdade e as pessoas comuns não o percebem.
A Verdade e a Pseudoverdade existem na Religião, na Filosofia, na Arte e até na Educação. A Pseudoverdade desmorona com o passar dos anos, porém a Verdade é eterna. Quando surge uma nova teoria ou se faz alguma descoberta, as pessoas acreditam tratar-se da maior de todas as verdades; todavia, com o aparecimento de novas teses e descobertas, é comum que aquelas venham a ser superadas. Da mesma forma, por mais notável que seja uma religião, quem pode garantir que ela não se extinguirá após centenas ou milhares de anos? Não seria uma extinção total, e sim a extinção de sua parte falsa; é óbvio que se preservaria a parte verdadeira. Contudo, mesmo que não houvesse algo a preservar, essa religião não seria alvo de críticas, pois cumpriu sua missão para o progresso da cultura. Quanto mais próxima da Verdade estiver a Pseudoverdade, mais longa será sua vida; quanto mais distante, vida mais curta. Isso é inegável.
Apesar da distinção entre a Verdade e a Pseudoverdade caber aos intelectuais e aos dirigentes de cada época, raros são aqueles que têm esse poder de discernimento. Às vezes, a Pseudoverdade pode ser mantida por longo tempo. O absolutismo e o feudalismo usaram-na como Verdade. O mesmo se pode dizer em relação ao fascismo de Mussolini, ao nazismo de Hitler e ao “hakkoiti-u” (“fazer do mundo uma só casa”) de Tojo, que tiveram pouca duração. É interessante que, na época, o fato passou despercebido, e momentaneamente os povos acreditaram tratar-se da Verdade. Por causa dessa crença, até se sacrificaram vidas humanas levianamente, e não podemos esquecer quantas pessoas foram vítimas de tais enganos. Diante disso, percebemos como é terrível a Pseudoverdade.
A respeito da Verdade e da Pseudoverdade, não podemos deixar de observar que elas, como já dissemos, também existem na Religião. Quantas religiões já surgiram e já desapareceram! Apesar de terem sido gloriosas no início, tiveram vida curta, não deixando qualquer vestígio. Isso ocorreu por serem religiões falsas. Entretanto, se for uma religião com valor idêntico ao da Verdade, mesmo que por algum tempo sofra uma forte perseguição, um dia, sem dúvida alguma, conseguirá expandir-se e tornar-se uma grande religião. Podemos fazer essa afirmativa observando as grandes religiões da atualidade.
30 de janeiro de 1950


EU ESCREVO A VERDADE

Comecei a escrever há mais de dez anos; naturalmente, apenas sobre assuntos relacionados à Fé. Ao contrário de outros fundadores de religiões, procurei eliminar formalidades e palavras difíceis, utilizando uma linguagem que todos pudessem compreender facilmente.
De modo geral, as religiões são boas. Entretanto, se por um lado elas possuem o que poderíamos chamar de característica peculiar a toda religião, por outro lado têm um certo mistério que ora julgamos entender, ora nos parece incompreensível, e talvez seja por isso mesmo que elas exercem atração. Sendo difícil compreendê-las, as religiões podem ser interpretadas de várias maneiras, dependendo da pessoa, o que facilita a formação de seitas. Além disso, quanto mais adeptos tiver uma religião, mais probabilidade ela terá de subdividir-se. A História nos mostra a luta que travaram entre si essas facções. Assim, não conseguindo captar a essência da Fé, os fiéis sentem freqüentes dúvidas, tornando-se difícil alcançarem a verdadeira paz e iluminação espiritual.
Através dos métodos utilizados até agora, não conseguiremos obter a unificação harmoniosa nem mesmo de uma só religião. Conseqüentemente, a unificação de todas elas torna-se uma utopia. Esse deve ser, também, o motivo do aparecimento de novas religiões a cada ano que passa. Observando somente o Japão, notamos que a tendência atual é aumentar o número de religiões proporcionalmente ao aumento da população.
Jeová, Deus, Logos, Tentei, Mukyoku, Amaterassu-Okami, Kunitokotati no Mikoto, Cristo, Shaka, Amida e Kannon constituem o alvo da adoração de diversas religiões. Além destes, que são os principais, poderíamos citar Mikoto, Nyorai, Daishi e inúmeros outros. Sem dúvida alguma, não levando em conta Inari, Tengu, Ryujin e mais alguns, que pertencem a crenças inferiores, todos eles são divindades de alto nível.
Remontando às origens, é óbvio que só existe um deus verdadeiro, isto é, DEUS. Até hoje, contudo, cada religião se considera mais elevada que as demais, havendo, também, certa dose de discriminação entre elas. Dessa forma, é impossível promover-se a união de todas. Apesar disso, o objetivo final de todas as religiões é o mesmo; não há uma sequer que não deseje o Céu ou o Paraíso neste mundo, ou melhor, a concretização do Mundo Ideal, um mundo onde todas as criaturas sejam felizes.
Mas o que é preciso para que esse mundo se concretize?
É preciso que surja uma religião universal, que englobe o mundo inteiro. Deverá ter as características de uma Ultra-Religião, ser tão grandiosa que toda a humanidade possa crer nela incondicionalmente. Não quero dizer que essa religião seja a Igreja Messiânica Mundial, mas a missão de nossa Igreja é ensinar o meio que possibilitará a realização do Mundo Ideal, ou seja, mostrar como elaborar o plano, o projeto para a construção desse mundo. Na medida em que aumentar, em cada país, o número de intelectos conscientes disso, estaremos marchando passo a passo para atingir nosso objetivo.
Em síntese, será a concretização da Verdade. Através dela, todos os erros se tornarão claros e serão corrigidos, surgindo o Mundo de Luz, claro e límpido. Naturalmente, a humanidade se libertará do Mal; o Bem, que estava subjugado por ele, triunfará, e o homem alcançará a felicidade. Portanto, em primeiro lugar, é fundamental que a Verdade seja conhecida pelas pessoas do mundo inteiro. O empreendimento que agora estou realizando – um grande esforço para revelar a Verdade através de explanações escritas – constitui uma fase importantíssima para a concretização desse mundo.
25 de setembro de 1951


A DIALÉTICA DA HARMONIA

Harmonia é um velho termo que impressiona bem e sugere um princípio da Verdade. Contudo, não deve ser aceito cegamente, pois, embora essa interpretação não esteja errada, é muito superficial. Sendo assim, precisamos aprofundá-la.
Tudo que há no Universo acha-se em perfeita harmonia. Só há desarmonia para quem vê as coisas superficialmente – é um erro de ponto de vista. A desarmonia que se apresenta aos olhos do homem, é apenas aparente. Isso porque ela é criada pelos homens, e a sua causa é a ação antinatural. Ou seja, do ponto de vista da Grande Natureza, a desarmonia decorrente da ação antinatural é a verdadeira harmonia. Essa é a Verdade Absoluta.
Neste sentido, basta que o homem obedeça às Leis do Universo, para que todas as coisas se harmonizem e progridam normalmente. Assim, quando se provoca desarmonia, surge a desarmonia; caso contrário, surge a harmonia. Nisto consiste a Grandiosa Harmonia da Natureza. Para ser feliz, o homem precisa aprofundar seu conhecimento sobre este assunto. Temos tido freqüentes provas de que, com o tempo, a desarmonia momentânea se transforma em harmonia, e vice-versa. Essa é a realidade da vida, e reclama profunda reflexão.
Sintetizando: a desarmonia é produto da visão estreita (“Shojo”); a harmonia, produto da visão ampla (“Daijo”).
1º de outubro de 1952


PALESTRA AO PÚBLICO EM TÓQUIO

Creio que minha palestra é bastante original. Pretendo tratar de assuntos que nunca foram tratados antes.
Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que muita gente, confundindo cultura com civilização, diz que a cultura da atualidade é avançada, ou que estamos na Era da Cultura. Na verdade, porém, cultura e civilização são coisas diferentes. Civilização é um mundo ideal, sem nenhuma selvageria; a isso nós chamamos de mundo civilizado. Já a cultura é o estágio intermediário entre a selvageria e a civilização. Portanto, o que se chama BUN-NO-KE, ou seja, BUNKA (Cultura), é uma sombra, é um fantasma.
Observando o estado atual da humanidade, notamos que os homens estão apaixonados por essa sombra, achando que ela é o que há de melhor e que, com o seu progresso, o mundo se tornará aprazível. Mas o mundo civilizado a que eu me refiro é diferente daquilo que as pessoas têm em mente.
O que é a verdadeira civilização? Em palavras simples, é sinônimo de vida. Deve ser a época em que a humanidade possa viver com segurança. Mas, como o Sr. Suzuki disse há pouco, hoje há coisas realmente temíveis, como a bomba atômica, a bomba bacteriológica, o Juízo Final, etc. São temíveis porque põem em risco a segurança da vida. Isso não é um mundo civilizado. É a cultura; a Era da Cultura. Isto é, estamos na fase de transição entre a selvageria e a civilização. O que vou falar agora não é sobre a cultura, e sim sobre a civilização.
As doenças e as guerras são o que mais põe em risco a vida. Se não tivéssemos guerras nem doenças, teríamos garantia de vida, e este seria o verdadeiro mundo civilizado. Já chegamos à época em que precisamos ir até aí. Daí a razão de ser do lema da Igreja Messiânica Mundial: o mundo absolutamente isento de doença, pobreza e conflito. Como a guerra é um conflito em maior escala, propomos a construção do mundo sem doença, pobreza e guerra.
Todos os infortúnios são decorrentes da doença. Costuma-se entender como doença aquilo que provoca dores, coceira ou outras reações; interpreta-se sempre no sentido físico. Mas não é bem assim. Há dois tipos de doenças: doenças físicas e doenças do espírito. Dizem que este ano a tuberculose e outras doenças contagiosas, a disenteria, etc. aumentaram bastante e por isso as pessoas estão receosas. Entretanto, se hoje não se conseguir encontrar solução para esse problema, jamais se formará um mundo civilizado, nem mesmo daqui a centenas ou milhares de anos.
Quanto à pobreza, sua origem é a doença do corpo. Basta escolher uma pessoa pobre e procurar saber a causa da sua pobreza. É invariavelmente a doença. São casos como a perda de emprego devido à enfermidade, ou a impossibilidade de trabalhar pelo mesmo motivo. A doença, acrescida do fato de não se receber salário, constitui uma dose dupla de sofrimento. Isso se reflete negativamente não só no próprio doente como em seus parentes e amigos.
A causa das guerras também é a doença. Trata-se da doença mental. É comum utilizar-se a expressão “fabricantes de guerras”, para aqueles que as causam. Observando-se a História, encontramos inúmeros exemplos. E eles recebem o nome de heróis. Esses indivíduos importantes têm força e inteligência, mas no fundo sofrem de uma espécie de doença nervosa. Por isso torna-se necessário erradicar não só a doença do corpo como também a do espírito. Quanto à do corpo, as pessoas acreditam que é possível curá-la através da Medicina e se esforçam nesse sentido, mas não há nada que resolva a doença espiritual. Para isso, só existe um meio: a Religião.
Na teoria pode ser assim, mas surge a dúvida: conseguir-se-á, na prática, erradicar ambos os tipos de doenças? Aí é que entra o JOHREI, ao qual se referiu há pouco o Sr. Suzuki: ele irá erradicar a doença da mente e a do corpo. Dessa forma, surgirá o mundo civilizado.
Observando o estado em que se encontra a humanidade e a cultura, concluo que de maneira alguma isto é civilização. Pelo contrário, é até um estado extremamente bárbaro. As guerras de hoje são mais terríveis que as da época selvagem. Sendo assim, podemos afirmar que a cultura ou civilização da atualidade não passa de aparência; a humanidade está iludida com essa aparência, e as pessoas se sentem gratas. Analisando seu conteúdo, veremos que ele é selvagem; ou melhor, meio civilizado e meio selvagem. A cultura contemporânea assemelha-se a uma bela mulher, vestida com um bonito quimono, com a qual todos ficassem impressionados, mas que, quando tirasse a roupa, se mostrasse corroída pela sífilis, toda coberta de pus.
Acredito, por conseguinte, que a nossa Igreja Messiânica Mundial não é uma religião. Se fosse possível resolver os problemas do homem com a Religião, eles já teriam sido resolvidos, pois até o presente apareceram importantes líderes e fundadores de religiões, filósofos, moralistas, etc. É verdade que selvagens nus e de rosto pintado restam poucos. Conseguiu-se, também, que tudo assumisse um aspecto bonito, culto. Mas ainda não foi possível garantir a vida humana, porque as religiões que surgiram até hoje não tinham força suficiente. Tiveram força para tornar cultos os selvagens, mas não para ir além, ou seja, para tornar os homens civilizados.
Há, ainda, inúmeros inventos que não são utilizados no bom sentido; muito pelo contrário. Dizem que a bomba atômica pode matar vinte milhões de pessoas de uma só vez; entretanto, se essa energia for aplicada para o bem, com uma pequena porção do tamanho da ponta de um dedo, poder-se-á fazer rodar trens ou automóveis por muitos dias. O avião, sendo utilizado como meio de transporte, não existe nada mais rápido e útil; utilizado para lançar bombas, não há máquina mais temível.
Esta é a cultura científica de hoje. Chegamos até aqui com o progresso da cultura científica, mas falta algo – algo muito importante. Devido a essa falta tende-se a fazer mau emprego das coisas. Eis o motivo da aflição da humanidade. Para utilizar as coisas em sentido positivo, torna-se necessário ir às raízes, isto é, ao Espírito. Mudando o Espírito das criaturas do mal para o bem, elas saberão utilizar tudo no bom sentido e assim se conseguirá um mundo maravilhoso. Cristo referiu-se a isso com a expressão “É chegado o Reino dos Céus”. Sakyamuni, por sua vez, disse: “Após a extinção do Budismo, aparecerá Miroku Bossatsu, e surgirá o Mundo de Miroku”. Só que Sakyamuni falou que seria após 5,67 bilhões de anos. Acredito, entretanto, que ele quis apenas se referir aos números 5, 6, 7. Se realmente estivesse profetizando algo para daí a 5,67 bilhões de anos, Sakyamuni não estaria bom da cabeça, pois não há nenhum sentido em profetizar algo para um futuro tão distante. Nessa época, a humanidade e a Terra já teriam passado por uma mudança tão grande que nem se poderia imaginar.
Os messiânicos conhecem bem o significado dos números 5, 6, 7. Caso eu fosse explicá-lo, isso me tomaria bastante tempo e aí eu não poderia falar de coisas importantes.Com relação à profecia de Cristo, ao invés de dizer “E chegado o Reino dos Céus”, ele poderia ter dito “Vou construir o Reino dos Céus”. Mas naquela época o mundo ainda não havia alcançado o estágio necessário para isso, ou seja, o progresso da cultura ainda era insuficiente para a construção do verdadeiro mundo civilizado.
No entanto, a cultura material progrediu, chegando ao estágio em que se encontra atualmente; o progresso foi tal, que se estendeu ao mundo todo. O que eu estou dizendo pode ser ouvido, através dos modernos meios de comunicação, nos quatro cantos do mundo. Os meios de transporte se desenvolveram tanto, que é possível ir de avião até os Estados Unidos num dia. Dessa forma, o progresso da cultura material já atingiu o ponto em que estão preenchidas quase todas as condições necessárias ao mundo civilizado. O primordial dessa questão é que a alma humana ainda não se evoluiu o suficiente para utilização do progresso no bom sentido. Sobre essa alma, é imperativo empenhar-nos para que as pessoas a utilizem positivamente e, ao mesmo tempo, para que a humanidade tome conhecimento disso. Em várias oportunidades falei sobre o assunto, e os fiéis já têm alguma noção a respeito.
A propósito, comecei a escrever, há cerca de seis meses, um livro intitulado “A Criação da Civilização”. Meu objetivo é esclarecer que a civilização atual não é a verdadeira civilização e que, nesta, a Medicina, a Política, a Educação, a Arte, etc. serão bem diferentes. A parte que se refere à Medicina já está quase pronta, mas tenciono escrever, ainda este ano, a parte referente às outras áreas. Quando o livro estiver concluído, pretendo traduzi-lo para o inglês e tomar providências para que ele seja lido por professores universitários, cientistas, enfim, por intelectuais do mundo inteiro. Vou enviá-lo, também, à Comissão Examinadora do Prêmio Nobel, mas acredito que, no início, não o receberão bem, pois a Comissão é integrada por eminentes personalidades da cultura material. Todavia, como se trata de um livro que aborda justamente aquilo que as pessoas eminentes estão buscando, acredito que os integrantes da Comissão não deixarão de entendê-lo e exclamar: “É isto!” Assim, poderiam conceder-me dez ou vinte Prêmios Nobel. Quando esse livro for publicado, eu gostaria que todos os povos o lessem.
Dessa forma, ao mesmo tempo que mostramos como estará constituída a verdadeira civilização, damos a conhecer o JOHREI. Com o JOHREI as doenças saram milagrosamente, mas ele não se destina a curar doenças. Em resumo, o JOHREI cura o espírito, ou seja, o mal que existe nele. Em termos mais claros, o mal é o caráter selvagem, e este não pode ser removido, pois não se pode viver sem espírito. O que se pode fazer é mudar a maneira de pensar das pessoas, ou seja,diminuir-lhes as partes más, fazendo com que as partes boas aumentem. Assim, todos farão apenas coisas boas, isto é, acharão que devem fazer o bem.
Costumo dizer aos fiéis que os homens da atualidade estão sempre pensando em praticar o mal. Mesmo que não queiram fazê-lo, acham que é bobagem praticar o bem, que isso só traz prejuízos, que se deve fazer as coisas de maneira mais “fácil”. Entretanto, essa forma de pensar é o oposto da verdade. Faço tal afirmativa porque já houve época em que eu também pensava assim. Gradativamente, porém, comecei a ter melhor compreensão sobre Deus, através da Fé, e vi que estava totalmente do “avesso”. Aí passei a querer praticar o bem e sempre buscava um meio para isso. Estava sempre procurando fazer algo em benefício das outras pessoas, algo que as deixasse felizes, satisfeitas. Com essa atitude, minha sorte melhorou. Mesmo antes de me dedicar inteiramente à Fé, aconteciam-me coisas boas quando eu ficava nesse estado de espírito. Assim, pensei como seria bom se as pessoas soubessem os benefícios que nos advêm quando procuramos fazer a felicidade do próximo.
À medida que eu ia acumulando tais experiências da vida real, comecei a ter plena compreensão de que realmente Deus e o demônio existiam. A partir daí passei por uma fase de aprimoramento espiritual. Com a ocorrência de vários milagres, pude compreender a grande missão que me era destinada. Foi assim que instituí a Igreja Messiânica Mundial e estou desenvolvendo minhas atividades.
Outro ponto que eu gostaria de abordar é o “Juízo Final”, do cristianismo, e o “Fim do Budismo”, profetizado por Sakyamuni. Apesar de muitos líderes e fundadores de religiões terem feito profecias semelhantes, vou tratar, aqui, apenas destas duas.
Que vem a ser o Juízo Final? Os homens estão imaginando que virá um deus para fazer o julgamento neste mundo, mas isso não corresponde à verdade. É um ponto de difícil entendimento para os não-fiéis, mas o Mundo Espiritual é uma realidade. O mundo em que vemos e sentimos a matéria é o Mundo Material; além deste, há o Mundo Espiritual e, no meio dos dois, o Mundo Atmosférico. Este último já é conhecido, mas ainda não se conhece o Mundo Espiritual. É como a ordem em que se dispõem a era do barbarismo, a era da cultura e a era da civilização. Da mesma forma, o Universo obedece a uma constituição tripla: Mundo Material. Mundo Atmosférico e Mundo Espiritual.
Há, ainda, os ciclos do mundo: assim como existe transição entre o claro e o escuro, entre o dia e a noite no espaço de um dia, há a mesma transição no espaço de um ano. O claro e o escuro em um ano podem ser comparados ao verão e ao inverno, respectivamente. Os raios solares são mais furtes no verão e mais fracos no inverno, ocasionando o contraste entre o claro e o escuro. E existem períodos idênticos no espaço de dez e de cem anos. A História registra épocas de paz e de guerra, que correspondem ao claro e ao escuro. Refiro-me, portanto, a esse ritmo. Igual período existe também no espaço de mil e de dez mil anos.
Estávamos até agora na escuridão, no período das trevas; vamos passar para o período da claridade. Passando-se para o período da claridade, tudo que existia no período das trevas sofrerá uma seleção. Esses ciclos do mundo, nós os designamos com as expressões Mundo da Noite, Mundo do Dia, Cultura da Noite, Cultura do Dia. Assim, desaparecerá uma série de coisas que não serão mais necessárias. Durante o dia, por exemplo, não é preciso lâmpadas. Tudo aquilo que pertence à Era da Noite e se tornar desnecessário será eliminado.
O Juízo Final representa a separação do que é do Dia e do que é da Noite. Oque for inútil ficará inativo ou será destruído. A partir de agora, as coisas do Dia irão sendo construídas gradativamente.
O que acontecerá quando o Mundo Espiritual se tornar claro? Vejamos o homem. Nele, entre a matéria e o espírito existe a água, que corresponde ao ar. Ela existe em grande quantidade no corpo humano. Assim, o homem apresenta uma constituição tripla; dela, faz parte o espírito a que também se poderia chamar alma. O espírito está subordinado ao Mundo Espiritual. Tornando-se claro esse mundo, aqueles cujo espírito não corresponder a essa claridade terão de ter as suas máculas removidas. Não significa que elas serão arrancadas, mas ocorrerá naturalmente a purificação, para limpar o que está sujo. À medida que o Mundo Espiritual vai clareando, as pessoas possuidoras de máculas no espírito passam por uma limpeza, que é o sofrimento. O princípio da doença obedece a essa explicação. Através dela pode-se compreender perfeitamente o que é a doença.
Até agora não se conhecia o espírito. Desprezava-se a sua existência. Como o Sr. Tokugawa disse há pouco, é uma questão de alma. A ação da alma é muito grande.
Ontem fui visitado por uma pessoa que eu não via há cerca de um ano. Anteontem eu tinha pensado: “Como estará ele passando?” No dia seguinte ele apareceu. Aí eu disse para mim mesmo: “Ah, o espírito dele veio aqui antes!” Digamos, por exemplo, que o Sr. Tokugawa pense: “O Sr. Matsunami está escrevendo com afinco.” Então este pensamento vai até o Sr. Matsunami, penetra no seu corpo e se aloja na sua cabeça. Aí, ele se lembra do Sr. Tokugawa. É como se a pessoa chegasse, após ter avisado. Nessas ocasiões, as criaturas se comunicam através dos elos espirituais. O trabalho desses elos, no caso do relacionamento amoroso, é muito interessante. Mas o meu objetivo, no momento, não é o problema do amor. O assunto se tornará claro, para os senhores, quando abraçarem a Fé. O amor é muito bom, mas quase sempre acaba em tragédia. Para entender melhor esse fim trágico, é necessário conhecer o lado espiritual, a existência dos elos espirituais. Isso não pode ser menosprezado. Em vários problemas da vida há mulheres; dizem mesmo que por trás dos crimes existe sempre uma mulher, ou melhor, o amor. Com a compreensão das causas, é possível eliminar as tragédias e os males sociais. Mas vamos deixar este assunto por aqui.
Como eu estava falando há pouco, as máculas do espírito irão sendo eliminadas para ele corresponder à claridade do Mundo Espiritual. Se isso terminar numa simples doença, está tudo bem, mas pode acontecer que a pessoa fique gravemente enferma e acabe falecendo. A doença chega aos poucos, e por isso é que se chama doença. Se vier de uma vez, a pessoa morre. Juízo Final é isso. Com o clarear do Mundo Espiritual, a transformação pode ocorrer repentinamente e aí as criaturas não resistiriam. Haveria mortes em massa. Deus quer evitá-las e por isso manda avisos. E vontade de Deus que a humanidade seja avisada, para que ela se salve. E Ele me incumbiu dessa tarefa. Estou, portanto, avisando.
Tanto Sakyamuni como Cristo profetizaram o advento do Paraíso, a chegada do Novo Mundo. Eles foram os profetas, e eu sou o concretizador. Deus me ordenou que concretizasse essas profecias, ou seja, que eu construísse o Paraíso Terrestre, livre de doença, pobreza e conflito. Entretanto, eu não me canso, pois não sou eu quem planeja. Tudo é planejado por Deus. Apenas dou forma às coisas. Isso realmente é fácil, mas de enorme responsabilidade. Provavelmente não houve ninguém com responsabilidade maior que a minha em toda a história da humanidade. Dessa maneira, as profecias de Cristo e Sakyamuni começam a ter sentido; se elas não tivessem possibilidade de ser concretizadas, seriam falsas profecias. Falsas profecias significam mentiras. Mas não seria possível pessoas tão importantes terem mentido. Por conseguinte, era preciso haver alguém que tornasse realidade tais profecias, e o escolhido fui eu. Na verdade, me é penoso afirmar um empreendimento de tamanha grandeza. Não falei nisso até agora justamente por ser uma missão demasiado grande. Mas o tempo se aproxima, já é chegada a Era do Dia. Para salvar a humanidade, preciso avisar rapidamente o maior número de pessoas, e é por isso que estou hoje falando aos senhores.
O Sr. Suzuki falou há pouco sobre o Dilúvio e a Arca de Noé, mas isso é algo semelhante ao Juízo Final. Há duas versões a respeito: uma diz que choveu quarenta dias seguidos, outra diz que foram cem dias. Fossem quarenta ou cem, o que interessa é que choveu durante muitos dias consecutivos. A água foi subindo cada vez mais e se tornou um dilúvio, salvando-se apenas os que estavam na arca. Aqueles que estavam em barcos comuns ou que subiram às montanhas acabaram perecendo; estes últimos, devorados por animais que também haviam subido. Apenas oito pessoas se salvaram, e dizem que os representantes da raça branca são seus descendentes. Acredito que, em linhas gerais, essa história não está errada.
No Japão, conta-se a história de Izanagui-no-Mikoto e de Izanami-no-Mikoto. Estes dois deuses, de cima da ponte flutuante dos Céus, empunhando uma espada, mexeram algo semelhante a espuma, e daí surgiram as ilhas e os continentes. Essa deve ter sido a causa do Dilúvio. De acordo com a tese xintoísta, houve ação da maré alta e da maré baixa. A maré baixa é o recuo das águas, e Izanagui-no-Mikoto encarregou-se disso. O nascimento das ilhas e das nações significa que se jogou fora a água do Dilúvio, fazendo emergir aquilo que estava submerso. Penso que essa ocorrência corresponde à época do Dilúvio.
Com relação ao cristianismo, dizem que João fez o batismo pela água e Cristo fará o batismo pelo fogo. Agora está para vir o batismo pelo fogo, o extraordinário acontecimento que promoverá a eliminação do Mal. Isso tem muitos outros sentidos, mas, como já está se esgotando o tempo, vou parar por aqui.
Palestra de Meishu-Sama
no “Hibiya Public Hall”, Tóquio
22 de maio de 1951

DAIJO, SHOJO, IZUNOME

“Daijo” ilustra o aspecto horizontal da vida; “Shojo”, o vertical. A atividade de “Daijo” é semelhante à da água, que se estende perpetuamente em nível horizontal. “Shojo” é a atividade do fogo. Restrito, queima em profundidade e dirige suas chamas para o alto; une o homem a Deus. “Daijo” une irmão com irmão.
O princípio de “Shojo” é estrito e intransigente. A vida das pessoas com temperamento “Shojo” é regida por padrões freqüentemente rígidos e restritos. O indivíduo “Shojo” tende a ser mais crítico do que os outros e a classificar as coisas como “boas” ou “más”.
Os indivíduos de temperamento “Daijo” são geralmente liberais e estão sempre dispostos a mudar. Por outro lado, podem tender a um liberalismo excessivo, faltando-lhes uma orientação espiritualmente profunda.
Izunome simboliza a cruz equilibrada, indicando a perfeita harmonia entre os princípios horizontal e vertical.
Até agora, o Leste se manteve no nível vertical e o Oeste no nível horizontal. Durante a Era da Noite, foi assim que a Providência Divina estabeleceu o plano espiritual.
Os povos orientais mostram-se mais inclinados a reverenciar o culto aos ancestrais, a virtude da lealdade e a piedade filial. Por isso, mantêm um estrito sistema hierárquico.
No Oeste, enfatiza-se a afeição entre marido e mulher, expandindo o amor ao próximo e a toda a humanidade.
O Cristianismo é “Daijo” e, assim, difundiu-se pelo mundo inteiro. Nele se acentua a importância do amor fraterno, atividade em nível horizontal.
O Budismo é “Shojo”; sua essência fica restrita a grupos específicos. Acentua-se a importância da meditação, com o fim de alcançar a sabedoria e a auto-realização. Essa atividade é vertical — profunda e dirigida para o alto — e induz seus discípulos a viverem retirados do mundo.
Como o Leste representa o nível vertical e o Oeste o nível horizontal, há muito pouca compreensão entre ambos, o que freqüentemente tem dado margem a conflitos.
É chegado, contudo, o momento de os princípios vertical e horizontal se harmonizarem para formar a cruz equilibrada — Izunome. O resultado será uma feliz união das civilizações oriental e ocidental. Só então a humanidade poderá viver o Paraíso na Terra. A Igreja Messiânica Mundial nos dá a consciência de que esse Paraíso pode tornar-se uma realidade através da Luz de Deus.
Devemos ser flexíveis e agir de acordo com as situações, ora aderindo ao princípio de “Shojo”, ora aplicando o método “Daijo”, mas sempre voltando ao ponto central, Izunome. “Daijo” é abrangente incluindo tudo, inclui também “Shojo”. De modo geral, é bom agir conforme as circunstâncias, mas nunca esquecendo o princípio sobre o qual baseamos a nossa ação. Mesmo tendo “Shojo” como princípio orientador, convém agir à maneira “Daijo”.
Não obstante, seria perigoso empregarmos somente “Daijo”. Os jovens, especialmente, poderiam tender a uma demasiada auto-indulgência. “Shojo” estabelece o princípio vertical, no qual tudo deve ser baseado, antes de adotar o princípio “Daijo”, de expansão horizontal. Assim, pode-se atingir o perfeito equilíbrio entre ambos, ou seja a cruz equilibrada Izunome.
Extraído do livro “Os Novos Tempos”


O BEM E O MAL SÃO RELATIVOS

Há leis naturais no Universo que regem todos os processos e mutações. Essas leis também governam a Religião, a Filosofia, a Ciência, a Política, a Educação, a Economia, as Artes, a paz e a guerra, o Bem e o Mal.
Quando nos adaptamos a essas leis naturais e reguladoras, o nosso caminho se torna mais suave. Quando fazemos resistência a elas, surgem as dificuldades.
As criaturas de pensamento “Daijo” falam menos no Bem e no Mal ou nos erros alheios do que as criaturas de pensamento “Shojo”. Como o Bem e o Mal são termos relativos de uma determinada situação, verdadeiramente não podemos julgar os atos alheios. Deveríamos, portanto, aplicar a tolerância do pensamento “Daijo” em todos os nossos relacionamentos.
Quando pensamos e agimos de acordo com as imutáveis Leis Divinas, que regem toda a criação e todas as ações, os resultados são benéficos. A despeito da opinião dos homens, o que importa é o resultado final.
Extraído do livro “Os Novos Tempos”


CRIAÇÃO DA CULTURA

A nossa religião é denominada Igreja Messiânica Mundial. Naturalmente, tendo ela surgido para promover a última salvação do mundo, não há disparidade entre seu nome e sua missão, mas também poderíamos chamá-la de Igreja Criadora. Explicarei por quê.
Durante dezenas de séculos, a humanidade veio empregando todas as suas forças para o progresso e desenvolvimento cultural, e, como podemos constatar, atingimos uma cultura notável e exuberante, que chega a deixar-nos maravilhados. Não haveria palavras suficientes para enaltecer esse mérito. O ideal da humanidade, obviamente, era promover a felicidade do homem; entretanto, graças à descoberta da desintegração do átomo, a realidade foi bem diferente daquilo que se esperava. O adjetivo “pavoroso” ainda seria fraco para qualificar tal descoberta, pois ela é capaz de ceifar milhares de vidas num instante.
Indubitavelmente, o sonho de felicidade foi traído, mais do que se possa imaginar. Quem poderia prever tão grande desgraça? Haverá existido maior desencontro que esse em toda História? A humanidade – ou pelo menos os homens cultos – precisa descobrir a verdadeira causa do problema, pois, enquanto ela não for descoberta e solucionada, o progresso da cultura obtido de agora em diante não terá nenhum sentido. A própria energia atômica, no entanto, torna-se demoníaca porque é utilizada como arma de guerra; se não o for, logicamente torna-se um maravilhoso anjo da paz. De acordo com esse princípio, não há motivo para fazermos alarde contra a bomba atômica, pois o problema está na guerra em si; conseqüentemente, não existe problema mais importante que o da sua extinção. Há milhares de anos, com efeito, a humanidade vem empregando todos os seus esforços para fugir desse horror; é um fato que todos estão fartos de conhecer. Não obstante, ao invés de ele estacionar, a realidade mostra o seu incremento, a cada guerra que é travada. Talvez isso também seja motivado pelo crescimento demográfico, mas a causa principal é o aperfeiçoamento das armas, que culminou com a invenção da bomba atômica. O que mais poderia estar indicando esse acontecimento senão a aproximação da hora de colocar-se um ponto final nas guerras? Acredito que este é o “Fim do Mundo” profetizado por Cristo.
Pensando dessa forma, podemos considerar que a civilização atual seja um sucesso, mas também não podemos deixar de admitir a existência de uma falha tão grande que anula esse sucesso. Analisando desse ângulo, o certo seria despertar das falhas da cultura, as quais descrevi acima, e partir para a criação de uma cultura nova e inédita. Em outras palavras, seria o reinício da cultura.
E como se criaria essa nova cultura? Eis o grande desafio que a humanidade vive atualmente. Acredito que a Igreja Messiânica Mundial foi criada para corresponder a esse propósito. Portanto, com tão importante missão, ela visa a desenvolver, de acordo com a Ordem de Deus, a grandiosa obra de construção do Paraíso Terrestre. Como condição básica para atingir esse objetivo, propomo-nos, antes de tudo, a eliminar a doença da humanidade. Julgo desnecessário falar muito a esse respeito, dados os maravilhosos resultados que vimos obtendo. Obviamente, a verdadeira causa da guerra é a doença; não somente a doença física, mas também a espiritual – a dos doentes do espírito que ainda não são considerados loucos ou insanos. Fazer deles pessoas verdadeiramente saudáveis, deverá ser a base para solucionar o problema da guerra. Acredito que as demais soluções apontadas não passam de palavras vazias.
13 de setembro de 1950


A TRANSIÇÃO DA VELHA CULTURA PARA A NOVA CULTURA

A cultura atual, comparada à cultura primitiva, de milhares de anos atrás, alcançou um progresso assombroso e está se expandindo cada vez mais. Todavia, o homem muito sofreu e lutou para chegar a esse ponto, enfrentando catástrofes naturais, guerras, doenças e outros males. A história da humanidade mostra-nos as terríveis batalhas que viemos travando contra esses sofrimentos.
É desnecessário dizer que, por trás dos objetivos do progresso, havia um plano no sentido de proporcionar a todos os homens um mundo mais feliz, de eterna paz. Para a concretização desse ideal, no entanto, os homens promoveram apenas o progresso da cultura material e consideraram a Ciência como única verdade, não dando atenção a nada mais. Toda vez que havia uma descoberta ou invenção, a humanidade as aplaudia, achando-as maravilhosas, crente de que, através delas, a felicidade aumentaria e, passo a passo, aquele ideal estaria mais próximo. Foi assim que os homens viveram correndo atrás do sonho de alcançar a felicidade.
Entretanto, o progresso da Ciência atingiu o ponto de se descobrir a desintegração do átomo. Essa grande descoberta deveria ser digna de comemoração, mas, ao contrário do que se esperava, foi uma descoberta aterradora. O caminho que percorríamos pensando ser o caminho para o Céu, na verdade era o caminho indesejável para o Inferno. Inventou-se um material que, num segundo, pode acabar com milhares de vidas. Talvez a História ainda não tenha registrado nenhum acontecimento tão contrário à previsão dos homens.
A humanidade ou, mais especificamente, os povos civilizados que inventaram esse terrível material, acabaram criando, também, o problema de precisarmos fugir, a todo custo, da ameaça que paira sobre as nossas cabeças. É realmente paradoxal. Contudo, pensando bem, trata-se de uma invenção que, em si mesma, nada tem de temível; pelo contrário, é uma maravilha que vem contribuir para a felicidade do homem. Ela é temida porque pode ser empregada como instrumento de guerra, mas, se for utilizada para a paz, será realmente uma grande aquisição para a humanidade. No primeiro caso, seu emprego está baseado no mal; no segundo caso, está baseado no bem. Logo, tanto pode se tornar um instrumento benéfico como maléfico. Nesse sentido, se a pessoa que o manipula estiver do lado do bem, não haverá nenhum problema.
Mas o caso não é tão simples assim. Em termos concretos, é preciso transformar o mal em bem. Torna-se desnecessário dizer que esta é a sagrada missão da Religião. Até agora, a Religião, a Moral, a Educação e a Lei contribuíram para isso de certa forma, conseguindo alguns bons resultados, porém, ainda hoje, ao contrário do que se esperava, o bem está sendo subjugado pelo mal. A preocupação existente de que o material atômico venha a ser utilizado por este último, é uma prova do que dizemos. Entretanto, precisamos aprofundar outro aspecto da questão. Se o ato diabólico e destruidor representado pelo lançamento da bomba atômica for permitido, obviamente advirá o fim da humanidade. Sendo assim, é inadmissível que o Criador do Céu e da Terra e de tudo que neles existe, e também arquiteto do progresso atingido pela civilização, consinta passivamente essa catástrofe.
Interpretando desse modo, que mais poderia ser isso senão o “Fim do Mundo” profetizado por Cristo? Caso não houvesse nenhuma outra profecia, a humanidade nada mais teria a fazer do que aguardar seu fim, mas Cristo também disse: “É chegado o Reino dos Céus”. Torna-se evidente, portanto, que essas duas grandes profecias estão indicando o futuro do mundo, ou seja, que virá o Fim do Mundo e se estabelecerá o Céu na Terra.
Foi previsto, ainda, o Retorno de Cristo e a Vinda do Messias. A propósito, também devemos pensar que, para ficarmos absolutamente livres da destruição atômica, é necessário transformar o mal em bem, conforme já explanei. E quem poderia ter força ou poder para isso senão o próprio Messias? Não obstante, mesmo ocorrendo essa grande transformação, haverá muitos que não se converterão ao bem. A estes, para os quais não é possível esperar mais nada, só poderá acontecer o pior dos piores. Cristo referiu-se a esse acontecimento com a expressão “Juízo Final”.
Com base no que acabo de expor, os homens devem conscientizar-se de que estamos na fase imediatamente anterior à efetiva transição do Mal para o Bem, da Destruição para a Construção, da Velha para Nova Cultura. O plano para a Nova Cultura já está muito bem preparado. Não foi elaborado pela inteligência nem pela força humana; há milhares de anos Deus o vem preparando com toda a meticulosidade. Estou vendo tudo isso de forma muito clara, e não apenas espiritualmente, mas inclusive através de fenômenos de ordem material. Vejo realmente com tanta clareza que, sem vacilação, posso afirmar que não há, em absoluto, nenhuma parcela de erro no que estou dizendo.
6 de setembro de 1950



A CONSTRUÇÃO DO PARAÍSO E A ELIMINAÇÃO DO MAL

Para que este mundo se transforme em Paraíso – objetivo de Deus – existe uma condição fundamental: eliminar a maldade que a maioria dos homens traz no mais profundo recanto de suas almas. Pelo senso comum, as criaturas desaprovam o mal e temem o contato com ele. A Moral, a Ética e a Educação procuram reprimi-lo. A Religião, também, tem por ensinamento básico recomendar a prática do bem e combater o mal. Observando a sociedade, vemos que os pais repreendem os filhos; os maridos, as esposas; as esposas, os maridos; os patrões, os empregados. A tudo isso, acrescentam-se as leis, que, por meio de sanções, tentam impedir o mal. Entretanto, apesar de todo esse esforço, a quantidade de pessoas más é incalculavelmente maior que a de pessoas boas; para termos uma idéia mais precisa, entre dez, pessoas, talvez nove sejam más.
Falando em homens maus, devemos lembrar-nos de que existem vários níveis de mal: os grandes, os médios e os pequenos. Citemos alguns exemplos: o mal premeditado, praticado conscientemente; o mal que cometemos inconscientemente, sem perceber que o estamos cometendo; o mal que praticamos por não haver outro recurso; o mal que fazemos acreditando ser um bem. O primeiro não necessita de maiores esclarecimentos; o segundo é o que mais se vê; o terceiro, em termos de povos, é praticado pelos selvagens, e, em termos individuais, pelos loucos e pelos retardados, conseqüentemente não é tão grave; já o quarto, isto é, o mal que se faz pensando ser um bem, é o mais prejudicial, pelo empenho com que as pessoas o praticam, sem o esconder.
Deixarei os detalhes para o fim; agora quero mostrar a forma como geralmente se encara o mal, do ponto de vista do bem.
Observando o mundo contemporâneo, constatamos que o predomínio do mal é tão grande, que podemos perfeitamente dizer que ele é o mundo do mal. A História nos dá inúmeros exemplos de homens bons que foram atormentados pelos perversos; da situação inversa eu nunca ouvi falar. Como o mal possui mais adeptos que o bem, enquanto os malvados vivem burlando as leis e agindo como bem entendem, os bons ficam subjugados, vivendo constantemente sob terror. Esta é a situação do mundo atual. Por serem mais fracos, os bons são sempre atormentados e maltratados pelos maus.
A democracia surgiu em contraposição a esse absurdo estado de coisas e por isso tem uma origem natural. O Japão, que viveu sob o domínio do pensamento feudal, insistiu em manter uma sociedade onde os fracos são vítimas dos fortes, mas, felizmente, com a ajuda do exterior, conseguiu implantar o regime democrático. Por esse motivo, ao invés de dizermos que, no Japão, a democracia teve uma origem natural, devemos dizer que ela foi um resultado natural. Eis um raro exemplo da vitória do bem sobre o mal. Contudo, a democracia japonesa ainda não está muito firme; em vários setores há resquícios de feudalismo. E talvez eu não seja a única pessoa a perceber isso.
Vejamos, também, a relação entre o mal e a cultura.
O aparecimento daquilo a que se costuma chamar cultura pode ser explicado da seguinte maneira:
Na era subdesenvolvida e selvagem, os fortes pressionavam os fracos tolhendo-lhes a liberdade, impondo-lhes a força, cometendo assassinatos e agindo como bem entendiam. Como resultado, os fracos inventaram vários meios de defesa: fabricaram armas, construíram muralhas, facilitaram os transportes, etc. Em grupos ou mesmo sozinhos, eles se esforçavam de todas as maneiras possíveis. Isso, naturalmente, serviu para desenvolver a mente humana. Com o correr do tempo, para garantir a segurança dos fracos, fizeram-se contratos entre grupos, os quais, possivelmente, deram origem aos acordos internacionais de hoje. Socialmente, foi criado algo semelhante às leis, com o objetivo de limitar o mal; transcrito em forma de códigos, isso deu origem às modernas legislações.
Entretanto, com métodos tão superficiais, não foi possível eliminar o mal que há no ser humano. Conforme podemos ver, da era primitiva até hoje os homens vêm lutando contra o mal, em defesa do bem. E quanto a humanidade tem sofrido com isso! Quantas pessoas boas foram sacrificadas! Para aliviar tão grande sofrimento, apareceram vários religiosos de grande porte. Como os fracos eram sempre atormentados pelos fortes e não tinham forças suficientes para se defender, esses religiosos pelo menos tentaram amenizar espiritualmente suas aflições e dar-lhes esperança. Ao mesmo tempo, para combater o mal, pregaram a Lei da Causa e Efeito, na tentativa de obter o arrependimento e a conversão dos perversos. É inegável que obtiveram alguns resultados positivos, mas não conseguiram mudar a maioria.
Por outro lado, materialmente, instituíram-se os estudos, desenvolvendo-se a cultura material como uma tentativa para combater, através do seu progresso, a infelicidade acarretada pelo mal. O progresso dessa cultura foi muito além do que se podia imaginar; entretanto, não só ela foi inútil no sentido de evitar o mal – seu primeiro objetivo – mas acabou sendo usada para fins maléficos, gerando atos de crueldade cada vez maiores. Essa foi a razão pela qual as guerras passaram a ser realizadas em grande escala, até que acabou se inventando a monstruosa e terrível bomba atômica. Atingindo esse ponto, podemos dizer que chegamos a uma época em que se tornou impossível fazer a guerra. Falando sem reservas, é realmente uma ironia a cultura material ter progredido com a ação do mal e, através deste, ter se chegado a um tempo em que a guerra é impraticável. Naturalmente, no fundo de tudo isso está o milenar e profundo Plano de Deus.
Tanto os espiritualistas como os materialistas desejam um mundo de paz e felicidade, mas isso não passa de um ideal, porque a realidade que nos cerca é bem diferente. Assim, os intelectuais vivem cercados por um mar de dúvidas, batendo a cabeça contra as paredes. Entre eles, existem os que procuram a Religião, a Filosofia e outros meios para decifrar esse enigma; a maioria, no entanto, acredita que o progresso científico resolverá todos os problemas O fato é que a humanidade continua sofrendo, sem perspectivas de uma situação melhor.
A seguir, descreverei como será o futuro do mundo.
Se o mal é a causa fundamental da infelicidade humana, conforme dissemos, levanta-se a seguinte questão: por que Deus o criou? Esta é a pergunta que mais tem atormentado o homem até os dias de hoje. Eis, porém, que finalmente Deus esclareceu a Verdade, que eu passo agora a anunciar.
O mal foi necessário até o momento porque, através do conflito entre ele e o bem, a cultura material pôde progredir até chegar ao ponto em que se encontra. É surpreendente! Embora nem em sonho pudéssemos imaginar que o motivo fosse realmente esse, é a pura verdade. A propósito, falarei primeiramente sobre a guerra.
A guerra ceifou milhares de vidas e, por ser tão trágica, os homens a temem mais do que tudo. Para fugir a essa catástrofe, usaram todos os recursos da inteligência humana, e nem precisamos falar o quanto isso contribuiu para o progresso da cultura. Entre outras coisas, a História nos mostra claramente que, após as guerras, tanto os países vencedores como os vencidos progrediram enormemente. Todavia, se elas chegassem ao extremo ou se prolongassem demasiadamente, os países seriam totalmente aniquilados, o que representaria a destruição da cultura. Sendo assim, Deus as detém num certo ponto, fazendo com que retorne a paz. Através dos relatos históricos, vemos que sempre houve alternância de períodos de guerra e períodos de paz.
Na sociedade, a situação é idêntica. Os criminosos e as autoridades vivem fazendo competição de inteligência. Os desajustes de relacionamento entre as pessoas também são decorrentes da luta entre o bem e o mal. Podemos entender, no entanto, que essas divergências contribuem para o desenvolvimento da inteligência humana.
Ora, se até hoje a cultura progrediu graças aos atritos entre o bem e o mal, é lícito afirmar que este foi imprescindível. Contudo, precisamos saber que não é uma necessidade eterna, ou seja, há um limite para ela. A esse respeito, devo dizer que, atrás de tudo isso, está o objetivo de Deus, que comanda o Universo. Em termos filosóficos, a expressão seria Ser Absoluto, ou Vontade Universal.
A começar por Cristo, todos os fundadores de religiões fizeram profecias sobre o “Fim do Mundo”, mas essa expressão, em verdade, significa o fim do mundo do mal e o advento de um mundo ideal – o Paraíso Terrestre, isento de doença, pobreza e conflito, o Mundo de Verdade, Bem e Belo, o Mundo de Miroku, o Reino dos Céus, etc. Os nomes diferem, mas o significado é um só.
A construção de um mundo tão maravilhoso requer um preparo à altura; um preparo completo, que preencha todas as condições, tanto do ponto de vista espiritual como do ponto de vista material. Deus determinou que primeiro se efetuasse o progresso material, pois o progresso espiritual não está preso ao tempo, podendo ser efetuado de uma só vez, ao contrário daquele, que necessita de muitos e muitos anos. Para preencher a primeira condição, fez com que, inicialmente, os homens ignorassem Sua existência, concentrando-se apenas nas coisas materiais. Foi assim que surgiu o ateísmo, condição básica para a criação do mal. Assim fortificado, o mal impingiu maiores sofrimentos ao bem e, prosseguindo na luta, atirou o homem ao abismo do sofrimento. Mas o homem sempre se debateu, na ânsia de sair desse abismo, o que desencadeou a força geradora de um grande impulso no progresso da cultura. Foi trágico, porém inevitável.
Com tudo que dissemos, creio que puderam ter uma noção básica sobre o bem e o mal. Tendo finalmente chegado o tempo em que o mal não será mais necessário, ou seja, o tempo presente, a questão é seriíssima. Não se trata de previsão nem sonho; é a pura realidade. Acreditando ou não, o fato já está saltando aos nossos olhos, através do extraordinário progresso da ciência nuclear. Por conseguinte, se estourasse uma nova guerra, não seria uma simples guerra e sim a destruição total, a extinção da humanidade. Não obstante, esse progresso é uma forma de extinguir o mal e, por isso, torna-se motivo de alegria. Como resultado, a cultura, que até hoje foi aproveitada pelo mal, sofrerá uma reviravolta, ficando à inteira disposição do bem. Daí surgirá o tão almejado Paraíso Terrestre.
13 de agosto de 1952


O BEM E O MAL

O mundo apresenta um aspecto multiforme, com a mescla do bem e do mal. Tragédia e comédia, desgraça e felicidade, guerra e paz, tudo é impulsionado pelo bem ou pelo mal. Há homens bons e homens maus. Precisamos, portanto, ser esclarecidos sobre a existência de uma causa básica, determinante desses dois elementos. No momento, parece-me indispensável conhecê-la, e por isso desejo explicá-la.
Por uma inclinação normal, o homem odeia o mal e procura o bem. Com raras exceções, tanto os governos, como a sociedade ou a família, amam o bem, porque sabem que o mal não gera paz ou felicidade.
Há dois pontos a salientar na definição do bem e do mal. “Homem bom é aquele que crê no invisível; mau é o que não crê.” O primeiro crê em Deus: é espiritualista; o segundo, pelo fato de não O ver, não crê: é materialista.
A boa ação parte do amor, da compaixão ou da justiça social, isto é, do amor à humanidade. Há pessoas que praticam o bem por saberem que a boa ação produz bom fruto, e a má ação, mau fruto. Outras socorrem o próximo impelidas pela compaixão. Os quatro princípios do budismo – evitar o desperdício, ser moderado, fazer economia e tudo poupar – são práticas do bem. O desejo de ser simpático, gentil, fiel à profissão, almejar o benefício e a felicidade do próximo, render graças, manifestar gratidão e esforçar-se no sentido de agradar a Deus, também são práticas do bem. Ainda existem várias outras práticas, mas creio que essas sejam as mais comuns.
A má ação, produto do pensamento destrutivo fechado à existência Divina, justifica o delito, contanto que se consiga ludibriar os outros. Então, a fraude é praticada como ação perfeitamente normal; torturam-se inocentes, não importando se isso desgraça os homens e a sociedade, e chega-se até ao cúmulo da prática do homicídio.
A guerra é um homicídio coletivo. Desde a antigüidade, os ho¬mens considerados heróis provocaram guerras para conseguir poderes e satisfazer desatinadas ambições. Diz um provér¬bio: “O vitorioso domina o mundo, mas este o subjuga quando read¬quire seu equilíbrio.” A História nos mostra o fim, quase sem¬pre trágico, desses “heróis” que brilharam apenas tempora¬riamente, como conseqüência natural do mal que cometeram.
Se fosse certo o conceito popular de que “não importa enganar, contanto que não se seja descoberto”, seria até mais vantajoso e inteligente praticar toda espécie de maldades e viver luxuosamente.
O mal surge, ainda, da crença de que, após a morte, o homem retorna ao Nada; é a negação da vida após a morte, isto é, da vida no Mundo Espiritual.
Embora a sorte o favoreça durante algum tempo, a realidade evidente é que o faltoso está fadado à ruína. Aquele que comete delitos vive inquieto e atormentado pelo receio de ser preso. Sob a tortura da sua consciência acusadora, é induzido ao arrependimento, sendo freqüente o caso de criminosos que se entregam ou se alegram em cumprir a pena, porque assim adquirem tranqüilidade. Isto significa que sua alma, através do elo espiritual, está sendo censurada por Deus, seu Criador. Portanto, ao praticar o mal, mesmo que consiga enganar os outros, a pessoa não pode enganar a si mesma e muito menos a Deus Onisciente, ao qual todo homem está ligado por um elo espiritual. Por essa razão, jamais o crime compensa.
Existem pessoas que deixam de praticar ações condenáveis, entre outros motivos, por estes dois: por autodefesa, pois, apesar de pretenderem o mal, temem o descrédito da sociedade, e por covardia, não obstante desejarem os seus proveitos. Por outro lado, muitos praticam o bem por conveniência, sabendo que as boas ações conquistam simpatia e são compensadoras; ou melhor, praticam o bem na esperança de retribuição. Isso não passa de uma transação, pois essas pessoas vendem favores para comprar gratidão. Tais ações não oprimem o próximo nem afetam a sociedade, sendo melhores que as más, porém, não são verdadeiramente benéficas. Portanto, perante Deus, cujo olhar penetra no íntimo do homem, nelas não há honestidade. A dúvida quanto a isso é decorrente da superficialidade do ponto de vista humano. Essas atitudes são perigosas, próprias dos que não crêem no Ser Invisível; os que as praticam são levados, no momento oportuno, a cometer algum mal que possa passar desapercebido na sociedade.
Ao contrário, quem realmente crê em Deus, não se deixa lu¬di¬briar por “brilhantes perspectivas”. Ainda que seja considerado um homem de bem, do ponto de vista terreno e objetivo, se o indivíduo não crê em Deus, situa-se na esfera do mal, visto estar propenso a transformar-se num mau elemento a qualquer instante. Por isso eu insisto: ter fé, crer naquele Ser Invisível, é o atributo essencial do autêntico homem de bem. Estou convencido de que nada, além da Fé, nos poderá salvar dos conceitos excessivamente desmoralizadores que caracterizam a época atual.
Embora o homem continue criando leis, polícia, tribunais e prisões para impedir a ocorrência de crimes, tudo isso é como ele construir jaulas de ferro para animais ferozes, a fim de proteger-se do perigo. Dessa forma, os criminosos não estão recebendo tratamento apropriado a seres humanos. E haverá maior infelicidade para alguém do que terminar a vida descendo às condições de animal, quando foi criado como um ser superior a todos os demais?
“O homem se tranforma em animal quando se corrompe, e em ser Divino, quando se eleva.” Esta é uma verdade secular. O homem é realmente um ser intermediário entre Deus e a besta. De acordo com esta verdade, o verdadeiro civilizado é aquele que se libertou do instinto animal. Creio que se pode conceituar o progresso da civilização como a evolução do homem animal para o homem Divino. E o lugar onde se reúnem homens Divinos poderá ser outro que não o PARAÍSO TERRESTRE?
25 de janeiro de 1949

A ÉPOCA SEMICIVILIZADA E SEMI-SELVAGEM

Talvez todos pensem que a época mais próspera da civilização mundial seja a época contemporânea. Entretanto, quando analisamos bem seu conteúdo, observamos que ela apresenta muitas falhas, como podemos constatar todos os dias através dos jornais, que estão repletos de artigos sobre criminosos e criaturas desventuradas. Analisando com justiça, verificamos que as coisas ruins são muito mais numerosas do que as coisas boas. Há pouco tempo, por exemplo, tivemos um caso de corrupção que se tornou um problema muito sério. Quando as autoridades começaram a investigar, o caso se diversificou tanto que nem podemos imaginar até onde se multiplicará. Portanto, ele também não seria uma pequena parte de um “iceberg”? Aliás, se investigarmos as coisas profundamente, quantas pessoas íntegras encontraremos no mundo político e econômico? Poderíamos arriscar-nos a dizer que nenhuma.
Pensando bem sobre o assunto, existe algo difícil de se entender. Se as pessoas relacionadas ao caso em questão fossem camponeses de instrução primária, ainda seria compreensível. Mas todas elas são pessoas civilizadas, que receberam educação esmerada. Em geral, acredita-se que, quando as pessoas recebem educação apurada, sua mente se desenvolve e elas se tornam criaturas civilizadas, de modo que, assim, os crimes tendem a diminuir. Entretanto, vendo fatos como o que ora se nos apresenta, ficamos desapontados, só podendo dizer que tudo isso é realmente incompreensível. Portanto, como eu disse no título deste artigo, a época em que vivemos é semicivilizada e semi-selvagem, e acho que, analisando a realidade que temos diante dos nossos olhos, ninguém conseguiria fazer o contrário.
Que devemos fazer então? A solução do problema não é absolutamente difícil; pelo contrário, é muito fácil. Como sempre tenho explicado, basta despertar as pessoas da educação materialista que receberam para a educação espiritualista. Em termos mais claros, destruir o pensamento errôneo de que se deve acreditar somente nas coisas que possuem forma e desacreditar daquelas que não a possuem. A única maneira de se conseguir isso é fazer com que seja reconhecida a existência de Deus através do poder da Religião.
Estendendo-se esse entendimento das classes dirigentes a todas as pessoas, corrigir-se-á o conceito errado de que se pode cometer crimes, contanto que eles não cheguem ao conhecimento de terceiros. Assim, não haverá mais criminosos e, conseqüentemente, formar-se-á um mundo onde impere o bem e a alegria. Parece, no entanto, que ninguém entende um princípio tão simples e claro como este, visto que só se procura controlar o mal por meio de fortes redes e prisões chamadas leis. Isso, porém, é tratar os homens como se fossem animais, não sendo à toa que o método não surte resultados positivos.
Ora, se não se consegue manter a disciplina da sociedade nem mesmo com as malhas da lei, torna-se necessário descobrir onde está a causa do problema. Mas ninguém a percebe. A sociedade continua sendo uma coletividade constituída de seres que são meio-homens e meio-animais. Por esse motivo, está demasiado claro que já não é possível eliminar o caráter animalesco do homem através da educação materialista. O ensino ministrado até hoje, como se pode ver pelos seus resultados, não passa de uma técnica para encobrir esse caráter. Dessa maneira, não podemos sequer imaginar quando se edificará uma sociedade verdadeiramente civilizada. Portanto, para solucionar o problema, é fundamental eliminar as características animalescas da alma do homem. Não há método mais eficiente.
Eis a missão da Religião. Mas é estranho que, quanto mais elevada é a educação que se recebe, mais se despreza a Religião. Por quê? Talvez seja esta a grande falha da civilização. A causa está no caráter animalesco existente no interior dos homens, o qual recusa a Religião. Ou seja, é porque o mal não gosta do bem. Daí podermos dizer que a educação da atualidade forma as “inteligências” do mal. Entretanto, chegou a hora em que tal coisa não mais será permitida, porque surgiu a Igreja Messiânica Mundial, que prova a existência de Deus e consegue fazer com que as pessoas O alcancem. Talvez achem impossível algo tão maravilhoso, mas, na realidade, pode-se conseguir isso sem nenhuma dificuldade. Pelo simples contato com a nossa Igreja, a pessoa obtém a certeza da existência de Deus, através do milagre. A melhor prova do que dizemos são as inúmeras bênçãos maravilhosas manifestadas por ela. Creio que isso representa a manifestação da Grandiosa Providência de Deus, que finalmente corrigirá essa civilização falha, semicivilizada e semi-selvagem, fazendo com que Espírito e Matéria caminhem lado a lado, para a construção do verdadeiro mundo civilizado.
14 de abril de 1954


ERA SEMICIVILIZADA

É consenso geral que estamos vivendo um momento em que a civilização atingiu um nível nunca antes alcançado. Se compararmos a época atual com a selvageria e o subdesenvolvimento da era primitiva, veremos que houve de fato um grande progresso. Entretanto, foi um progresso apenas no sentido material, pois espiritualmente permanecemos no estado de semi-selvageria.
Desde tempos remotos, continuamente os povos vêm desperdiçando a maior parte de suas energias com a guerra, a maior de todas as violências. Eles em nada diferem dos animais ferozes, que lutam mostrando suas presas e garras. É verdade, também, que existem os pacifistas, os quais não medem esforços para evitar a guerra. Podemos dizer que os primeiros são seres animalescos, e os pacifistas são seres humanos realmente. Cada uma dessas duas espécies contrastantes de homens procura satisfazer seus próprios desejos. É um dualismo que a História veio registrando através dos tempos e perdura em nossos dias. Logicamente, existe essa dualidade de pensamento também a nível individual, mas a violência está sendo evitada pela Lei, e vem sendo mantida, ainda que precariamente. Os bons e justos, no entanto, são sempre pressionados pelos maus, dos quais se tornam vítimas constantes.
Vejamos outro aspecto da questão.
Atualmente, graças ao progresso da Ciência, são feitas grandiosas invenções e descobertas, as quais, dependendo da vontade das pessoas que as manipulam, podem ter resultados funestos ou, ao contrário, contribuir para o aumento do bem-estar da humanidade. O atrito entre esses dois pensamentos opostos – o selvagem e o civilizado – podem tornar-se causa da guerra, na qual essas invenções e descobertas também poderiam ser empregadas para fins maléficos.
Analisando o assunto sob outro prisma, constatamos que os povos belicosos não são religiosos, ao contrário dos povos pacifistas; daí a necessidade da Religião. Portanto, não seria demais dizer que, apesar de apregoarem que estamos numa era de elevado nível cultural, na verdade estamos vivendo um período de semi-selvageria, ou semi-civilização, de modo que precisamos elevar seu nível, transformando a semicivilização em civilização total, com perfeita unidade espírito-matéria. Assim, a missão dos religiosos, daqui por diante, é realmente importantíssima.
25 de junho de 1949


MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO

A maioria dos comentários que fazem sobre a nossa Igreja é que se trata de uma religião supersticiosa. Mas qual a razão dessa afirmativa? A verdade é que o ponto de vista daqueles que tecem tais comentários difere do nosso. Eles analisam as questões espirituais tomando por base a matéria. Material, como o próprio nome está indicando, é aquilo que podemos perceber claramente através da visão ou dos demais sentidos, e por isso qualquer pessoa consegue compreender. O espírito, todavia, não é visível, conseqüentemente torna-se fácil negar a sua existência. Assim, se fizermos uma simples comparação, teremos de concordar que o espiritualismo encontra-se em situação desvantajosa em relação ao materialismo.
A visão materialista está limitada pelos cinco sentidos; tem, portanto, uma existência pequena, ao passo que a visão espiritualista não tem limites. É como se fosse o tamanho da Terra comparado com o tamanho do Universo, que é um espaço sem fim. Daqui onde estou só consigo ver até o Monte Fuji, e olhe lá... Não passam de algumas dezenas de quilômetros. O pensamento, entretanto, que não podemos ver, num instante pode estender-se até o infinito. Diante dele, a imensidão da Terra é insignificante. É como se a visão espiritualista fosse o oceano, e a visão materialista fosse o navio que nele flutua. Baseados nisso, podemos comparar o materialismo com o macaco Songoku, o qual, tentando fugir dos domínios espirituais de Buda, percorreu milhares de milhas, mas, quando percebeu, ainda estava na palma da mão de Buda, e se arrependeu do que fizera. Entre outros conceitos espiritualistas sobre o materialismo, podemos citar: “Tudo é nada”, “Tudo que nasce está condenado à extinção” e “Todo encontro está fadado à separação”, de Sakyamuni, ou, segundo o zen-budismo: “As coisas que possuem forma infalivelmente desaparecerão”.
Pela exposição acima, acredito que entenderam como está errado analisar as coisas espirituais do ponto de vista da matéria, pois esta é finita, enquanto aquelas têm vida eterna e são infinitas. É a mesma coisa que querer colocar um elefante dentro de um pote ou ver todo o céu através de um orifício, ou seja, é ter uma visão limitada das coisas.
Materialistas! Depois de conhecerem esta verdade, ainda têm algo a dizer? Pensem no que farão!
20 de dezembro de 1949

O MATERIALISMO CRIA O HOMEM MAU

Talvez estas palavras pareçam demasiado fortes, mas não posso evitá-las, pois correspondem à pura verdade. Segundo nosso ponto de vista, o materialismo, ou seja, o ateísmo, pode ser considerado o pensamento mais perigoso que existe. Vejamos. Se Deus não existisse, eu também ganharia dinheiro enganando o próximo habilmente, de modo que não fosse descoberto; faria o que bem entendesse e, além de viver uma vida de luxo, estaria ocupando uma posição de maior destaque na sociedade. Entretanto, consciente da existência de Deus, de forma alguma sou capaz de proceder assim. Tenho de percorrer o caminho mais correto possível e tornar-me um homem que deseja a felicidade das outras pessoas. Caso contrário, jamais poderia ser feliz e levar uma vida que vale a pena ser vivida.
O que eu estou dizendo não é mera teoria ou algo parecido. Como podemos ver através de inúmeros exemplos que a História nos mostra desde os tempos antigos, por mais que a pessoa prospere por meio do mal, essa prosperidade não dura muito, acabando por desmoronar. É um fato que deveria ser percebido facilmente, mas parece que isso não acontece. A sociedade continua assolada pelos crimes. Crimes horripilantes, como assaltos, fraudes e assassinatos; casos de corrupção de pessoas que ocupam posições elevadas, os quais se tornam objeto de comentários sociais; incontável número de crimes de pequeno e médio porte, etc. Tudo isso é uma conseqüência do pensamento ateísta; por conseguinte, podemos dizer que esta é a verdadeira causa dos crimes. Está, pois, mais do que claro que só há um meio de eliminar os crimes deste mundo: destruir o ateísmo. Atualmente, porém, os intelectuais, as autoridades e os pedagogos estão confundindo pensamento teísta com superstição e tentando obter bons resultados com apoio nos regulamentos da lei, no ensino, nos sermões, etc. Dessa forma, por mais que eles se esforcem, é natural que nada consigam. As notícias publicadas diariamente nos jornais mostram-no claramente.
Assim, para criar uma sociedade limpa e pura, é preciso estimular intensamente o pensamento teísta. Por infelicidade, o Japão encontra-se em tal situação que, quanto mais instruída é a classe, maior o número de pessoas ateístas. Além disso, é comum acreditar-se que esta é uma qualificação dos intelectuais e dos jornalistas, de modo que, quanto mais a pessoa enfatiza o ateísmo, mais progressista ela é considerada. Por esse motivo, se não houver uma mudança radical, no sentido de que os ateístas sejam vistos como ultrapassados, e os teístas, como vanguarda intelectual da época, a sociedade não se tornará alegre e feliz.
7 de maio de 1952


A CIÊNCIA CRIA AS SUPERSTIÇÕES

De uns tempos para cá, alguns jornalistas do Japão vêm tachando as religiões novas de supersticiosas e trapaceiras. Dizem eles que, após a Segunda Guerra Mundial, o povo japonês passou a viver uma situação muito confusa, e que, aproveitando-se disso, começaram a aparecer religiões trapaceiras e supersticiosas, confundindo ainda mais as pessoas. Assim eles se expressam a respeito, mas não tentam descobrir as causas do fato. Acham que as religiões novas são todas iguais e formulam definições baseadas apenas no seu entendimento pessoal e nos boatos.
Não podemos deixar de nos sentir decepcionados com a superficialidade do julgamento desses jornalistas, e achamos que é responsabilidade nossa orientá-los e ensiná-los a pensar de modo correto. Entretanto, não queremos negar totalmente sua atitude, pois, como a base de seu raciocínio é materialista, é natural que eles definam como superstição tudo aquilo que não vêem. Se estivéssemos em seu lugar, obviamente agiríamos da mesma forma. Negando-se, porém, a existência do invisível, como ficaria o mundo? Talvez o materialismo o levasse a uma situação calamitosa. As relações de amizade e amor entre as pessoas, inclusive o relacionamento entre pais e filhos ou entre irmãos, passariam a ser meros cálculos de vantagens e desvantagens. A sociedade seria fria como um cárcere de pedra, e nem mesmo os materialistas poderiam suportá-la. Vemos, pois, que o modo de pensar dos jornalistas a que nos referimos encontra-se entre duas posições, sem definição precisa.
Analisemos, a seguir, a situação real do mundo em que vivemos.
É considerável o número de pessoas supersticiosas entre os intelectuais. Há tempos, li uma estatística dos diferentes tipos de superstições que existem em cada país; a Alemanha, considerada uma das nações mais avançadas no ensino das ciências, acusava o maior número. Desse modo, notamos que as superstições crescem proporcionalmente ao progresso científico. Eis como interpretamos o fato:
Durante longo tempo, recebemos, nas escolas, um ensino materialista cuja base é a lógica; entretanto, quando terminamos os estudos e nos integramos na sociedade, encontramos uma realidade diferente, que está em desacordo com a lógica. Em conseqüência, a maioria das pessoas começa a ter dúvidas, porque, quanto mais age em conformidade com ela, piores são os resultados. Os mais inteligentes pensam, então, em estudar uma nova sociologia que esteja de acordo com a realidade social em que vivem. Como não existe esse tipo de curso, começam a estudar sozinhos. Se forem rápidos, conseguirão atingir seu objetivo em pouco tempo; alguns, todavia, levam muitos anos. Trata-se, em verdade, de um segundo aprendizado, completamente diferente do primeiro, que custou tanto sacrifício. Contudo, é um aprendizado real, seguro, e pode ser aplicado no dia-a-dia. Os mais bem dotados, tendo enfrentado as amarguras e doçuras da vida, adquirem larga experiência, tornando-se “doutores” nessa sociologia. A maioria deles, quando se acham a um passo disso, já estão velhos, sendo que muitos acabam a vida como pessoas comuns. Existem, no entanto, aqueles que sobressaem, como por exemplo o Sr. Yoshida, primeiro-ministro do Japão, o qual se destacou pela sua superioridade e habilidade política.
Com essa explicação, penso que entenderam a causa das superstições. Em resumo, se falhamos quando tentamos aplicar os conhecimentos adquiridos na escola – nos quais acreditávamos piamente – é fatal cairmos na dúvida. Nesse momento, torna-se muito fácil as pessoas ingressarem em religiões supersticiosas e trapaceiras. Podemos dizer, entretanto, que nenhuma das religiões existentes realmente esclarece dúvidas. Assim, compreendemos que a culpa de tudo cabe ao ensino ministrado nas escolas, o qual está muito distanciado da realidade, e concluímos que, em parte, as superstições são criadas por certo aspecto da Educação contemporânea.
Para finalizar, quero dizer que reconhecemos serem numerosas, atualmente, as religiões supersticiosas e trapaceiras, como dizem os jornalistas, mas achamos errado generalizar, porque, sem dúvida, existem algumas às quais não cabem tais designações. Ora, chamar de superstição aquilo que não o é, também constitui uma espécie de superstição. Nesse sentido, queremos prevenir aos jornalistas que escrevam sobre as religiões supersticiosas e trapaceiras, mas que não definam com esses termos qualquer religião, pois esse procedimento representa um obstáculo para o progresso da cultura.
30 de janeiro de 1950


INADEQUAÇÃO DO ESTUDO

Costumamos referir-nos ao estudo como se só houvesse uma modalidade. Entretanto, existe o estudo vivo e o estudo morto. Parece estranho, mas vou esclarecer o que isso significa. Aprender por aprender é estudo morto, enquanto aprender algo para ser utilizado na sociedade é estudo vivo. O estudo para pesquisar a Verdade é diferente, e muito importante. Mas, vejamos, em primeiro lugar, o que é estudo.
Atualmente, nas escolas primárias, secundárias e superiores, utilizam-se os livros didáticos, ou melhor, a teoria, como linha vertical; o que é ensinado pelo professor, constitui a linha horizontal. Esse método de ensino foi elaborado após grandes esforços e inúmeras experiências feitas por didatas. Logicamente, novas descobertas e novas teorias surgiram e desapareceram; algumas surgiram e foram ultrapassadas por outras mais recentes, as quais aproveitaram daquelas apenas o que tinha validade para ser incorporado. Aquilo que em outra época era considerado verdade e respeitado como regra de ouro, foi desaparecendo sem deixar nenhum vestígio, na medida em que aparecia algo que o superava. Existem, contudo, algumas teorias descobertas que se mantêm vivas até hoje, concorrendo para tornar a sociedade mais feliz.
É o tempo que determina o valor de todas as coisas. Por esse motivo, embora tenhamos plena certeza de que uma teoria seja absolutamente verdadeira, inalterável e eterna, não podemos saber quando aparecerá outra que a destrua, nem quem o fará. Vários exemplos podem ser citados, desde tempos antigos. Quando aparecem novas descobertas, é natural que elas não se encaixem nos moldes das tradicionais; quanto menos se encaixam, maiores são os seus valores. Resumindo, é uma ruptura das formas enraizadas; na medida em que for mais intensa, maior a sua validade. Desse modo, é evidente que as velhas teorias são afastadas devido ao aparecimento de teorias novas, superiores a elas. Se a verdade em que acreditávamos é ultrapassada, é porque surgiu outra de maior Luz. É assim que se processa o desenvolvimento cultural.
Analisemos mais profundamente. O ensino tradicional foi sedimentando-se através dos anos, mas o progresso cultural faz com que ele se dissocie dessa forma estática numa rapidez incrível. Um dia destes, ouvi do presidente de uma empresa o seguinte comentário: “Embora seja muito inteligente, uma pessoa que saiu da universidade há mais de dez anos não consegue situar-se, em face dos problemas reais do presente. Isso acontece por não haver correspondência entre o que ela aprendeu naquela época e o tempo atual, especialmente no que se refere aos técnicos.” Essas palavras vêm ao encontro daquilo que eu explanava, porque, pela sua própria natureza, os conteúdos das matérias estudadas devem se referir à época do estudo, mas, se eles não acompanharem o progresso cultural, fatalmente o estudo perderá sua validade. Exemplifiquemos.
Dizem que os políticos contemporâneos tornaram-se muito “pequenos”, o que significa dizer que é difícil encontrar políticos de grande envergadura. Os ministros de hoje não são nada hábeis; o máximo que eles conseguem é resolver problemas do momento. Isso ocorre porque, na atualidade, os estadistas de nível ministerial são formados pelas Universidades Federais e deixam-se levar facilmente pelas velhas teorias aprendidas. Racionais em tudo, eles não sabem que existe algo além da lógica. É a mesma coisa que utilizar o cavalo como meio de transporte numa rodovia, ou aprender a dirigir charrete ao invés de carro.
O estudo destina-se ao desenvolvimento do cérebro humano. É para edificar uma base, como se fosse o alicerce de uma casa. Sobre essa base, precisamos fazer uma nova construção, ou seja, utilizar o estudo, desenvolvê-lo e com ele criar coisas novas. Isso significa ajustar os passos ao contínuo progresso cultural. E não é só isso. O verdadeiro estudo vivo é aquele que avança ainda mais, desempenhando a função de orientar a cultura. Recentemente, o presidente Truman, dos Estados Unidos, declarou que, por volta de 1921, ele era um simples comerciante de variedades. Não se pode imaginar o quanto lhe foi benéfica essa experiência na realidade social.
Há mais de dez anos, proclamei uma nova teoria relacionada com a Medicina; tão logo, porém, eu a publiquei em livro, este foi apreendido. Como isso aconteceu três vezes, sem que eu pudesse fazer nada, desisti. O motivo da apreensão é que a minha tese é contrária aos princípios da Medicina atual. Em relação à porcentagem de curas alcançadas por meio desta, os efetivos resultados obtidos através do meu método comprovam que ele é dez vezes mais eficaz. Além disso, não se trata de cura temporária, mas definitiva. O que estou dizendo constitui a pura verdade, sem o mínimo alarde. No prefácio do livro, eu até escrevi: “Estou pronto para comprová-lo a qualquer hora.” Entretanto, como as autoridades e os especialistas não deram a mínima atenção, nada mais pude fazer.
O objetivo da Medicina é curar os doentes, preservar a saúde do homem e prolongar-lhe a vida. Que objetivo poderia ter além deste? Por mais que se preguem teorias, que se aperfeiçoem instalações e que haja aparelhagens super-sofisticadas, tudo isso será inútil se não corresponder ao referido objetivo. Baseadas apenas na diferença entre a minha teoria e as da medicina tradicional, as autoridades e os especialistas ignoraram-na sem ao menos tentar discuti-la, revelando-se, portanto, verdadeiros traidores do progresso da cultura. Como os governantes são crédulos e não levantam nenhuma dúvida, só posso dizer que os homens de hoje não passam de ovelhas indefesas.
Mas qual será a finalidade da minha arrojada teoria? Eu não sou nenhum louco. Se não tivesse absoluta certeza da sua veracidade, não faria tanto empenho em divulgá-la.
Na Medicina, tão orgulhosa do progresso que alcançou, eu descobri uma grande falha. Entre as grandes descobertas efetuadas até o presente, nenhuma se compara à descoberta que eu fiz, porque ela é de importância radical para a solução de todos os problemas relacionados à vida humana. Enquanto os homens não despertarem para essa grande falha, as doenças jamais serão eliminadas. Prevejo, entretanto, que, num futuro próximo, quando a Medicina alcançar um progresso maior, minha teoria será confirmada.
Voltando nossa atenção para a sociedade, todos nós poderemos ver como é elevado o número de criaturas que estão sofrendo, acometidas de doenças graves ocasionadas pela medicina errada. Diante disso, não podemos ficar tranqüilos. No momento, porém, nada nos resta fazer senão orar: “Ó Deus, Todo-Poderoso! Fazei, por favor, com que a Medicina abra os olhos, o quanto antes, para as suas falhas e, assim, torne saudáveis todos os homens!”
25 de junho de 1949


A RESPEITO DO ATEÍSMO

Parece regra geral desenvolver o raciocínio do ponto de vista religioso, quando se escreve sobre ateísmo, mas eu pretendo discorrer sobre esse tema sem tocar em Religião, colocando-me a mim próprio na posição de ateu.
Quando uma criança nasce, o seio materno lhe fornece o leite para sua nutrição. A criança cresce normalmente e os pais ministram-lhe alimentação adequada à primeira dentição. Assim, ela vai vencendo várias fases de seu desenvolvimento, até atingir a adolescência. A alimentação, portanto, é a base do crescimento. O homem se nutre suficientemente de calorias ao ingerir alimentos com prazer, graças ao paladar. Creio ser esse o maior de todos os prazeres humanos.
O físico e também a inteligência vão se desenvolvendo gradualmente através da instrução e, na mocidade, o ser humano está apto a exercer as funções normais de um adulto. Surgem-lhe, então, diversas ambições, como a ânsia de poder, o espírito de competição e de progresso e, no plano físico, em forma de diversões, folguedos e namoros.
Dessa maneira, o homem está pronto para participar da vida social, característica de um ser superior, com os sofrimentos e alegrias que nascem da razão e do sentimento.
Consideremos, agora, a Natureza.
No Universo, não só os fenômenos visíveis, como o sol, a lua, as estrelas, a via-láctea, a temperatura, o vento, a chuva, os animais, os vegetais e os minerais, que estão diretamente relacionados com o ser humano, mas também os fenômenos invisíveis, tudo está sob a ação e controle do poder da Natureza. Esta é a própria figura do mundo. Observando-a calmamente e sem idéias preconcebidas, qualquer pessoa – a menos que seja insensível – fica embevecida com seu encanto misterioso.
A Natureza é dotada de mistério profundo e insondável. Grandioso é o Céu que contemplamos e ilimitada é a sua extensão. Como se apresenta o centro da Terra? Qual o número certo de estrelas, o peso exato do globo terrestre, a quantidade das águas marítimas? Se começarmos a enumerar coisas e fatos, não acabaremos nunca.
A especulação nos deixa abismados com o movimento metódico dos astros, a formação da noite e do dia, o fenômeno das estações, o sentido esotérico dos 365 dias do ano, a evolução de todas as coisas, o progresso ilimitado da civilização, etc. Quando surgiu este mundo? Qual a sua extensão? Ele é finito ou infinito? Qual o limite da população mundial? E o futuro da Terra?
Tudo permanece envolvido em mistério. Tudo caminha silenciosamente, sem a mínima falha ou atraso, obedecendo a uma ordem determinada.
Ainda nos deparamos com os seguintes problemas: Por que viemos a este mundo e que papel devemos desempenhar? Até quando poderemos viver? Voltaremos ao Nada, após a morte, ou existe o desconhecido Mundo Espiritual onde iremos habitar em paz? As reflexões sobre o assunto nos deixam ainda mais confusos, permanecendo tudo na obscuridade. Não há outro qualificativo a não ser o que dizem os bonzos: “A Realidade é um Nada, e o Nada é uma Realidade.”
Vasta, ilimitada e infinita é a existência do mundo. O ser humano, com a pretensão de desvendar este mundo misterioso, vem empregando todos os meios, principalmente a pesquisa; apesar de seus esforços, só consegue conhecer uma pequena parcela dos fenômenos infinitos. Daí atinarmos com a insignificância da inteligência humana em relação à Natureza. É significativa a expressão “sombrio vazio”, também citada pelos bonzos. Entretanto, a vaidade humana, em sua tola presunção, excede-se a ponto de querer subjugar essa mesma Natureza. Sábio é o homem que, antes de mais nada, procura conhecer a si mesmo, submete-se a ela e participa das suas graças.
Analisando a Natureza sob o aspecto da vida humana e do ambiente que a rodeia, subsiste um enigma que sobrepuja todos os outros: “Quem construiu este mundo maravilhoso e o governa à sua vontade?” Ninguém poderá deixar de refletir sobre o seu Criador, nem sobre o propósito com o qual foi construído um mundo tão esplendoroso. Procuremos imaginar esse Criador.
Um lar é governado pelo chefe da família; um país, pelo rei ou presidente. Logicamente, este mundo deve ser dirigido por alguém. E quem poderia ser senão o Ente conhecido como Deus? Não encontro outra conclusão. Por conseguinte, negar Deus significa negar o mundo em si mesmo. Tal lógica não permite dúvidas; se alguma pessoa duvidar, coloca-se num plano de obstinado preconceito. Nesse caso, assemelha-se aos irracionais: é desprovida de inteligência.
Nossa missão é extirpar do homem essa irracionalidade, transformando-o em verdadeiro ser pensante, numa verdadeira obra de reforma humana. Até mesmo o ateu deve convir que a grandiosidade do Universo e a perfeição cósmica só podem partir de um princípio perfeito: DEUS.
6 de janeiro de 1954


A CULTURA DE “SU”

Para falar desse tema, começarei por explicar o significado da forma (“su”). Como se pode ver, é uma circunferência () com um ponto () bem no centro. Se fosse apenas isso, não teria um significado muito importante; entretanto, nada é tão significativo.
A circunferência expressa a forma de todas as coisas no Universo. A Terra, o Sol, a Lua e até mesmo os espíritos desencarnados e as divindades tomam esse formato para se moverem de um lugar para outro. Isso está bem comprovado pela conhecida expressão “Bola de Fogo”. A “Bola de Fogo” das divindades é uma esfera de luz; a dos espíritos humanos desencarnados não possui luz, é apenas algo embaçado ou desfocado, de cor amarela ou branca. Tratando-se de espírito masculino, é amarela, e de espírito feminino, branca, correspondendo respectivamente ao Sol e à Lua.
Mas vamos ao mais importante. Naturalmente, este mundo também tem o formato circular; mas não passa de um círculo, pois o seu interior está vazio. No caso do ser humano, significa não ter alma; assim, colocar-lhe um ponto no centro, ou seja, colocar-lhe alma, é torná-lo um ser vivente. Só dessa maneira ele pode desempenhar atividades. Por conseguinte, a circunferência com um ponto no centro simboliza uma forma vazia na qual se pôs alma. Isso equivale à expressão “colocar espírito”, usada pelos pintores antigos. Com base no que acabamos de dizer, podemos afirmar que até agora o mundo era vazio, não possuía alma. Eis, portanto, o que significa “Cultura Superficial”, sobre a qual já escrevi em outra oportunidade.
A prova do princípio exposto acima evidencia-se em todos os setores da cultura. O tratamento alopático das doenças, como sempre digo, também é uma manifestação desse princípio. As dores e a coceira são adormecidas por meio da aplicação de injeções ou de remédios passados no local; a febre, baixa-se com gelo; corta-se, também, a purificação tomando-se remédios. Dessa forma, o doente livra-se dos sofrimentos durante algum tempo, mas, como não se atingiu a raiz da doença, a cura completa é impossível; com o tempo, a doença retorna. Em verdade, o que acontece é apenas o seu adiantamento. Sendo assim, também a causa das enfermidades está na alma, porém até agora não se compreendeu isso.
O mesmo se verifica em relação a outros males, como os crimes, por exemplos. Atualmente, eles são evitados de uma só maneira: fazendo-se o criminoso cumprir uma pena dolorosa. Trata-se de um processo idêntico ao tratamento alopático empregado pela Medicina. Por isso é que, quando alguém comete um crime, geralmente vem a cometer outros. Existe quem pratique dezenas deles, e até mesmo quem os cometa a vida inteira, passando mais tempo preso do que em liberdade. A causa disto está na falta do ponto, ou seja, da alma.
Sobre a guerra pode-se dizer a mesma coisa. Aumentando-se o poderio militar, o inimigo sentirá que não tem condições de vencer e desistirá da luta por algum tempo. Mas isso não passa de um meio de adiar a guerra; a História tem demonstrado que um dia, inevitavelmente, ela recomeçará. Assim, podemos entender que a cultura existente até agora era apenas uma circunferência sem um ponto no centro.
Eu sempre falo sobre a teoria dos noventa e nove por cento e do um por cento. Se numa circunferência entrar um ponto, significa que por meio de um por cento modificam-se noventa e nove por cento. Em outras palavras, representa destruir noventa e nove por cento do mal com a força de um por cento do bem. Seria o mesmo que tornar branca uma circunferência preta unicamente com a força desse um por cento. Relacionando isso ao mundo, significa colocar conteúdo, ou melhor, colocar alma numa civilização vazia. Assim, estamos vivificando a civilização que até agora só apresentava forma, como se fosse um objeto inerte. É o nascimento de um novo mundo.
10 de setembro de 1952


O JUÍZO FINAL

Os cristãos e todas as pessoas em geral devem estar muito interessados em saber quando e como virá o Juízo Final, profetizado por Cristo. Visto que está se aproximando a hora, vou esclarecer a questão parcialmente. Não se trata de interpretação minha, e sim de um conhecimento que me veio totalmente por intuição espiritual. Por isso, quero que tomem minhas palavras apenas como mais uma referência ou teoria.
Em primeiro lugar, é necessário definir se realmente haverá um Juízo Final. Ora, um ser Divino como Cristo, que hoje é alvo da fé de milhares de seguidores no mundo inteiro, entre os quais se contam povos de nações superdesenvolvidas, não profetizaria algo que não acontecerá. Caso sua profecia não se concretize, ele não passará de um simples mentiroso. Portanto, embora não sejamos cristãos, acreditamos nela piamente. As palavras do fundador da Religião Oomotokyo: “O que Deus diz não tem qualquer margem de erro, nem sequer da largura de um fio de cabelo”, sem dúvida alguma podem ser aplicadas à profecia sobre o Juízo Final.
Sobre o bem e o mal também existem as seguintes profecias: “Destruirei o mal pela raiz e construirei o Mundo do Bem”; “O Mundo do Mal já acabou”; “O Mundo do Mal atingirá o seu ápice aos noventa e nove por cento, e, com a ação de um por cento, será transformado no Mundo do Bem”; “Finalmente está chegando a hora da transição do mundo”. Todas elas, creio eu, não podem dizer respeito a outra coisa senão ao Juízo Final. É aquilo a que estamos nos referindo constantemente como sendo a Transição da Noite para o Dia. Há uma frase também relacionada a essa transição: “O momento crítico deste mundo está prestes a chegar; por isso, nosso espírito precisa estar polido”. Tais palavras significam que é impossível o ser humano transpor esse período estando cheio de máculas.
Tomando a Bíblia como base e analisando o sentido das profecias citadas, podemos afirmar que nos encontramos na iminência de um grande perigo; para ultrapassá-lo, precisaremos estar com o espírito purificado. Isso quer dizer que o homem mau será eliminado para sempre. Se assim for, torna-se imprescindível purificarmos nosso espírito através de uma fé correta, a fim de que possamos transpor essa fase com segurança.
Os materialistas podem não acreditar, podem dizer que é um absurdo, que Deus é apenas fruto da imaginação do homem; entretanto, quando chegar o momento decisivo e, aflitos, eles quiserem voltar-se para Deus, já será tarde demais. Isso é mais claro que a luz do dia. Naturalmente, o amor de Deus é infinito e Seu desejo é salvar o maior número possível de criaturas. Nós, que seguimos Sua Vontade, estamos repetidamente advertindo os homens, através da palavra oral e escrita.
Sobre o mesmo assunto existe outra advertência: “Deus está querendo salvar os homens, mas, se eles não tomarem cuidado e não derem importância a tantos avisos, encarando-os simplesmente como o canto do galo que estão acostumados a ouvir, chegará a hora em que, prostrados, terão de pedir perdão a Deus. No entanto, quando chegar essa hora, Deus não poderá ficar se ocupando dos homens. Assim, eles terão de resignar-se ante a situação criada pelas suas próprias mãos.” Acho que essas palavras têm exatamente o mesmo sentido daquilo que eu acabei de explicar.
A propósito, falarei resumidamente sobre o Dilúvio e a Arca de Noé.
O fato deve ter acontecido há milhares de anos, num antigo país europeu, onde viviam dois irmãos de nome Noé. No estado que hoje chamamos de “transe”, o mais velho foi avisado sobre a iminência de um dilúvio e por isso deveria alertar seu povo. Muito apreensivos, eles anunciaram aos homens o perigo iminente, mas ninguém acreditou em suas palavras. Passados alguns anos, finalmente eles conseguiram convencer seis pessoas. Então Deus lhes ordenou que construíssem uma arca, e os oito entraram nela.
Pouco tempo depois, começou a chover ininterruptamente. Uns dizem que choveu durante quarenta dias; outros dizem que cem. O certo é que foi um longo período de fortes chuvas. As águas subiam cada vez mais, inundando as casas; apenas o cume das montanhas ficava de fora. Os homens tentavam entrar na arca ou refugiar-se nas montanhas, mas os animais ferozes e as cobras venenosas, querendo salvar-se, faziam o mesmo. Como a arca possuía tampa, ninguém conseguiu entrar. Famintos, os animais devoravam todos os homens; salvaram-se apenas as oito pessoas que estavam na arca. Elas são consideradas antepassados da raça branca.
No Novo Testamento, existe uma passagem na qual se diz que João faria o batismo pela água e Cristo faria o batismo pelo fogo. Se o Dilúvio representou o início do batismo pela água, o batismo pelo fogo, atribuído a Cristo, só poderá ser o Juízo Final que está prestes a chegar. Acontece que a água é material, e o fogo é espiritual. Por isso, aquilo que estamos realizando atualmente – a purificação do espírito através do espírito – nada mais é que o batismo pelo fogo. Como o espírito se reflete na matéria, a influência que esse batismo exercerá sobre ela deverá produzir uma mudança extraordinária. Mas precisamos saber que existe perigo apenas para o mal, e não para o bem.
Este artigo, eu o ofereço às pessoas descrentes.
20 de janeiro de 1950


CICLOS CÓSMICOS

O homem vive num ilimitado e misterioso mas ordenado Universo, que evolui e reevolui em ciclos. Um ciclo é um período de tempo durante o qual certos aspectos ou movimentos de corpos celestes se realizam e ao fim do qual irão ser repetidos em novo ciclo — um período de anos ou idades — no qual certos fenômenos ocorrem, os quais, por sua vez, se inter-relacionam com toda a vida. Há ciclos de órbitas nos céus, ciclos das estações na Terra, ciclos do dia e da noite. Existem também, os ciclos das idades.
As mudanças ocorrem em pequena, média e ampla escala. Ciclos menores ou maiores podem ocorrer cada dez, mil, três mil, dez mil anos e assim por diante, repetindo-se continuamente dentro da eterna marcha do tempo. Na verdade, o Universo é infinitamente misterioso — tão misterioso, que o entendimento do homem atual ainda não pode compreendê-lo.
Após uma Era de aproximadamente três mil anos de relativa obscuridade, encontramo-nos agora no alvorecer de uma nova Era de Luz. A mutação é tão sem precedentes, que se torna difícil a compreensão de sua integral importância. É uma mudança que nenhum dos nossos antepassados teve o privilégio de experimentar. Como somos afortunados, nós que vivemos neste período de tempo, por podermos entender ainda que parcialmente, o verdadeiro significado desta mutação, adquirir os meios — através do Johrei — a fim de tornar esta transição mais fácil para cada um, e servir a Deus e à Humanidade.
Extraído do livro “Os Novos Tempos”


A GRANDE TRANSIÇÃO DO MUNDO

Vou explicar detalhadamente como nasceu o JOHREI criado por mim e a razão pela qual ainda não se descobriu a causa das doenças e os erros de quase todos os tratamentos.
No Grande Universo, a começar do espaço, que se estende infinitamente, até as mais minúsculas existências, impossíveis de serem detectadas mesmo com uso de microscópios, todas as matérias, sejam elas grandes, médias ou pequenas, cada qual obedecendo à Lei da Concordância, nascem, crescem, unem-se e separam-se, aglomeram-se e espalham-se, destroem-se e constroem-se, numa seqüência infinita na cadeia da evolução. Além disso, existe o positivo e o negativo em tudo, a diferença entre o frio e o calor durante o ano, entre o dia e a noite no espaço de um dia e num período de dez, cem, mil, dez mil anos, e assim por diante. Por essa razão, em vários milhares ou milhões de anos também há, naturalmente, períodos de transição da noite para o dia. Atualmente está se aproximando esse tempo. Encontramo-nos no momento correspondente ao alvorecer. E provável que, fixados na idéia da existência do dia e da noite no espaço de um só dia, muitos leitores estranhem o que estou dizendo. Dessa forma, a explicação torna-se muito difícil, mas creio que ela poderá ser compreendida por qualquer pessoa.
O mundo em que vivemos, como já expliquei minuciosamente, é constituído de três planos: o Mundo Espiritual, o Mundo Atmosférico e o Mundo Material. Poderíamos também separá-lo em dois planos, pois o elemento água, do ar, e o elemento terra, do globo terrestre, são materiais, ao passo que o espírito, ou seja, o elemento fogo, é totalmente imaterial. Se distinguirmos o espírito da matéria, teremos o Mundo Espiritual e o Mundo Material.
Para mostrar a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, é importante entenderem que todo acontecimento ocorre primeiramente no Mundo Espiritual e depois se reflete no Mundo Material. Fazendo uma comparação, é como se aquele fosse o filme, e este, a tela de projeção. Essa é a absoluta Lei do Céu e da Terra. Quando o homem movimenta os braços ou as pernas, por exemplo, a vontade, invisível aos olhos, é que age primeiro e, pelo seu comando, os membros se movimentam. Analogamente, o Mundo Espiritual representa a vontade, e o Mundo Material, os membros.
A transição da noite para o dia, que, segundo dissemos, advém em vários milhares ou milhões de anos, é um fenômeno ocorrido no Mundo Espiritual. Assim, o mundo até hoje encontrava-se num longo período noturno, mas agora está iminente a transição para o Mundo do Dia. Isso está simbolizado na abertura da Porta da Rocha do Céu, que consta no “Kojiki” (coletânea de histórias antigas do Japão). O aparecimento do deus Amaterassu Omikami também constitui uma grande profecia do advento desse mundo. Acredito que a expressão “Luz do Oriente”, usada no Ocidente desde a antigüidade, refere-se à mesma profecia.
23 de outubro de 1943


CONCRETIZAÇÃO DA PROFECIA DO REINO DOS CÉUS – O PARAÍSO TERRESTRE

Creio que, para o momento atual, os pontos mais importantes da Bíblia estão resumidos nestes três: “Juízo Final”, “Advento do Reino dos Céus” e “Segunda Vinda de Cristo”. Um estudo sério sobre tais fatos leva-nos a crer que o Juízo Final é obra de Deus, que a Segunda Vinda de Cristo ocorrerá no seu devido tempo, dispensando, portanto, qualquer explicação, e que somente o Reino dos Céus será construído com a força do homem. Nesse caso, é indispensável que alguém se torne o arquiteto e execute a construção. Quanto ao tempo, segundo o nosso conceito, trata-se do presente; quanto ao construtor, a nossa Igreja. A obra já foi iniciada por nós. Referi-me diversas vezes, neste livro, ao protótipo do Paraíso, que está sendo construído atualmente.
A profecia de Cristo se realizará com a construção do Paraíso Terrestre, efetuada pela nossa Igreja. Mas não pretendo que, desse fato, advenha orgulho, pois a concretização da profecia bíblica se deve ao Amor Universal de Deus, que utiliza Seus escolhidos para a construção do Mundo Ideal, segundo a necessidade da época. Portanto, como a obra que estamos efetuando foi profetizada há dois mil anos por Cristo, considero cada um de nossos fiéis como participante da missão de concretizar tal profecia.
20 de março de 1950


TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA

Conforme dissemos no capítulo anterior, explicando a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, tudo o que acontece no Mundo Material é reflexo do Mundo Espiritual. Neste último, está ocorrendo atualmente uma grande transição; conhecendo esse fato, tudo se torna claro aos nossos olhos.
Todas as coisas existentes no Universo nascem e crescem, são criadas e destruídas, numa evolução infinita, pela ação dos dois mundos. Se observarmos com visão ampla, veremos que o Universo, ao mesmo tempo que é macroinfinito, também é o Mundo Material, um corpo constituído de microinfinitos. Por sua contínua transformação, há uma ininterrupta evolução da cultura. Meditando sobre isso, não podemos deixar de sentir a “vontade” do Universo, isto é, o objetivo e os planos de Deus. Em tudo há positivo e negativo, claro e escuro; assim, também, há diferença entre noite e dia. Quando observamos a mudança das quatro estações do ano, o progresso e declínio de todas as coisas, notamos que isso se encaixa perfeitamente à vida humana. Existe diferença entre o grande, o médio e o pequeno em tudo. Com relação ao tempo, temos o contraste entre o dia e a noite não só no espaço de um dia, mas também em intervalos de um, dez, cem, mil, milhares ou milhões de anos. É um fenômeno que ocorre no Mundo Espiritual; no Mundo Material, entretanto, só notamos essa diferença no espaço de vinte e quatro horas.
No Mundo Espiritual, é chegada a hora da transição que se processa em intervalos de milhares ou milhões de anos. Trata-se de um fato extremamente importante, cujo conhecimento, além de nos permitir entender o princípio do JOHREI, torna possível a previsão do futuro do mundo e nos dá paz e tranqüilidade. Explicarei, a seguir, como essa mudança está se refletindo no Mundo Material.
Até agora era noite no Mundo Espiritual. Nele, da mesma forma que no Mundo Material, a noite é escura, e só periodicamente há luar. Como conseqüência, predomina o elemento água. Quando a lua se esconde, resta apenas a luz das estrelas; se estas forem encobertas pelas nuvens, a escuridão será completa. Observando-se os fatos do Mundo Material, que são a projeção do que ocorre no Mundo Espiritual, isso se torna muito claro. Pelas marcas deixadas até os nossos dias, os períodos de guerra e paz, de ascensão e queda das nações, podem ser comparados às fases crescentes ou minguantes da lua. É chegada, portanto, a hora de se iniciar mais um ciclo, ou seja, encontramo-nos na iminência da mudança para o dia. Estamos justamente na fase do seu alvorecer.
A transição da noite para o dia no Mundo Espiritual ocasionará uma experiência inédita para a humanidade. Uma grande, espantosa, temível e ao mesmo tempo feliz mudança está para ocorrer, e seus sinais já estão aparecendo. Vejamos.
O dia, no Mundo Espiritual, é como no Mundo Material: primeiro aparecem pinceladas de luz do sol no horizonte, a leste. Atentem, por exemplo, para a grande transformação ocorrida no Japão, o País do Sol Nascente. Nele já se iniciou o colapso da cultura da noite, ou seja, da cultura já formada. Observem, também, o desmoronamento das grandes metrópoles da cultura, a situação calamitosa da economia industrial, a queda dos superpoderes, das classes privilegiadas, etc. Tudo isso é conseqüência da mudança a que nos referimos. Logo virá a construção da Cultura do Dia, que também já está raiando, representada, no Japão, pelo desarmamento total, seguido da ascensão da democracia. Esses dois fatos, absolutamente imprevisíveis desde a instituição do país como Nação, há dois mil e seiscentos anos, será o primeiro passo para o estabelecimento da eterna paz mundial.
O Mundo da Noite é um mundo de trevas, caracterizado pelas lutas, pela fome, pelas doenças. Em contraposição, o Mundo do Dia é um mundo de luz, caracterizado pela paz, pela abundância e pela saúde. O Japão atual expressa bem a fase de transição entre esses dois mundos. O sol que desponta no leste deverá atingir o zênite. E o que significa isso? Significa o colapso total da Cultura da Noite; ao mesmo tempo, ouvir-se-á o brado do nascimento da Cultura do Dia. Pode-se mais ou menos ter uma idéia disso pelos fatos ocorridos no Japão, os quais, em pequena escala, já mostram um modelo da nova cultura. Assim, aproxima-se o momento decisivo para toda a humanidade, e ninguém poderá escapar. Resta ao homem apenas esforçar-se para tornar os efeitos dessa ocorrência o mais brandos possível. Para isso, ele só tem um meio: conhecer o princípio do JOHREI e unir-se ao trabalho de construção da cultura do dia.
Há um trecho da Bíblia que diz que seria pregado o Evangelho do Paraíso ao mundo inteiro e depois viria o fim. Que quer dizer isso? Acredito firmemente que essa missão será cumprida pelos meus Ensinamentos.
Para explicar o princípio do JOHREI, eu tive de avançar até o destino do mundo. Todavia, era sumamente importante que o fizesse, pois tanto a descoberta dos erros da Medicina como o princípio do JOHREI apóiam-se fundamentalmente neste ponto: a Transição da Noite para o Dia.
Se a causa das doenças, como já expliquei, são as máculas do espírito, e se a única maneira de acabá-las é a eliminação dessas máculas, resta uma grande dúvida: por que não se descobriu isso antes da descoberta do JOHREI?
O princípio do JOHREI está baseado na misteriosa luz invisível emanada do corpo humano. E qual é a natureza dessa luz? Ela é uma espécie de energia espiritual, peculiar ao corpo humano, e seu componente principal é o elemento fogo. Portanto, na ministração do JOHREI, necessita-se de grande quantidade desse elemento; à medida, porém, que se aproxima o Mundo do Dia, ele aumenta gradativamente, pois sua fonte de irradiação é o Sol. Assim, além de ser eficiente na eliminação das doenças, o elemento fogo possui mais um fator de importância decisiva: seu incremento no Mundo Espiritual acelera o processo de purificação do corpo material, porque a transformação ocorrida naquele mundo causa influência direta no corpo espiritual. O aumento do elemento fogo tem a função de auxiliar a intensificação da energia purificadora das máculas espirituais. Por isso, ao mesmo tempo que se torna mais fácil surgirem doenças, o tratamento solidificador empregado pela Medicina atual terá efeitos cada vez menores, acabando por se tornar impraticável. No Mundo da Noite, era preciso que transcorressem vários anos para haver uma nova liquefação das toxinas anteriormente solidificadas, mas esse período irá diminuindo para um ano, meio ano, três meses, um mês, até ser impossível a solidificação.
Pelo exposto, os leitores poderão entender que pouco a pouco está se processando a Transição da Noite para o Dia. No Mundo da Noite, para o tratamento das doenças era mais vantajoso solidificar as toxinas que derretê-las, pois não havia quantidade suficiente do elemento fogo para promover sua liquefação. Assim, era inevitável adotar-se provisoriamente o método de solidificação. Eis, portanto, o grave erro que se tornou a causa dos sofrimentos da humanidade, como as guerras, a fome, as doenças, a abreviação da vida, etc.
5 de fevereiro de 1947


SOU UM CIENTISTA EM RELIGIÃO

Se eu, um religioso, disser que sou também cientista, todos estranharão, mas estou certo de que, ao término desta leitura, hão de concordar comigo.
Sempre digo que a Ciência atual ainda está num nível muito baixo, nem podendo ser considerada como Ciência. Sua importância reside, sem dúvida, na descoberta e no estudo de corpos microscópicos. É claro que isso se deve ao aperfeiçoamento do microscópio, graças ao qual o avanço nesse estudo é impressionante. Conseguem-se distinguir corpúsculos extremamente pequenos, frações da ordem de um milésimo, milionésimo ou bilionésimo. Trata-se de um avanço contínuo, chegando-se ao extremo do microscópico; atualmente se está quase prestes a entrar no mundo do infinito. A palavra espírito, muito empregada ultimamente, deve estar indicando esse mundo.
É evidente que o conhecimento do mundo do infinito não se deve a experiências de natureza científica; entretanto, ao aprofundar-se nos estudos científicos, o homem levantou uma tese hipotética sobre ele, baseada na dedução. Se não fosse assim, acabar-se-ia num beco-sem-saída. Ora, o mundo a que nos referimos é justamente o Mundo Espiritual, o que significa que a Ciência, finalmente, está chegando ao lugar certo. Dessa maneira, deixando de lado os subterfúgios, ela, que por tanto tempo insistiu em negar a existência do espírito, acabou derrotada. Caso venha a apreendê-la com precisão, elevar-se-á a um nível mais alto e terá dado mais um passo em busca da Verdade. Sendo assim, tomará como objeto de seus estudos o espírito e não mais a matéria, de modo que a ciência que até agora raciocinava com base na matéria será considerada como ciência da primeira fase, e a ciência baseada no espírito, como ciência da segunda fase. Com isso haverá uma mudança de cento e oitenta graus no rumo da Ciência. Em termos mais claros, será traçada uma linha demarcatória no mundo científico: a ciência da matéria ficará situada abaixo, e a ciência do espírito acima. Esta é uma visão no sentido vertical; no sentido horizontal, a primeira seria a parte externa, e a segunda, a interna ou conteúdo. Em outras palavras, significa que haverá uma evolução da ciência do concreto para a ciência do abstrato, o que é realmente motivo de alegria.
Mas aqui se apresenta um problema: não adianta apenas conhecer a existência do Mundo Espiritual; é necessário apreender sua natureza e colocá-lo a serviço da humanidade. A ciência da matéria não tem meios para isso, pois, para o espírito, o meio deve ser o espírito; todavia, é possível superar esta dificuldade. Aliás, ela já foi superada: tenho obtido resultados admiráveis na resolução de problemas espirituais através do espírito. Refiro-me justamente à questão das doenças. Explicando de forma sucinta, a causa de todas as doenças são as impurezas acumuladas no espírito, tornando-se evidente que, se eliminarmos tais impurezas, as doenças serão erradicadas, de acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria. Meu método consiste na irradiação de um espírito específico que pode ser considerado como a bomba atômica espiritual para queimar as impurezas. Esse método, denominado JOHREI, constitui uma fórmula científica de alto nível. Não se limitando apenas ao campo da Medicina, ele consegue resolver problemas que nenhuma religião ou ciência conseguiu. Se isso não é uma superciência, o que será?
A ciência que trata da matéria ainda se encontra em baixo nível, evidenciando-se que, através dela, é impossível resolver problemas vitais de um ser de tão elevado nível como o homem. Isso se torna claro ao observarmos que doenças graves, consideradas incuráveis pela Medicina, estão sendo vencidas facilmente, por meio do JOHREI. Dessa forma, a ciência do espírito pode ser considerada como o suporte da ciência da matéria.
A natureza do Mundo Espiritual é constituída pela essência do Sol, da Lua e da Terra, que, na Ciência, correspondem, respectivamente, ao oxigênio, ao hidrogênio e ao nitrogênio. O Mundo Espiritual, segundo a doutrina messiânica, é a junção do elemento fogo, do elemento água e do elemento terra. A Terra é a natureza da matéria; o Sol é a natureza do espírito, e a Lua é a natureza do ar. O elemento fogo e o elemento água controlam a atmosfera que preenche o espaço terrestre. Embora o elemento fogo seja o mais forte, por ser extremamente rarefeito, não foi possível detectar, através da ciência da matéria, a não ser suas propriedades de luz e calor, razão pela qual sua natureza como espírito ainda não é conhecida. Assim, a Ciência tomou como objeto de estudo apenas os elementos água e terra, e por isso a cultura está baseada nesses dois elementos, o que constitui a maior falha da civilização atual.
Agora devo falar sobre um acontecimento extraordinário. Como já explicamos, os fenômenos do Mundo Material são produzidos pela união dos elementos Sol, Lua e Terra. A distinção entre o dia e a noite é decorrente da alternância do Sol e da Lua. Acontece que no Mundo Espiritual também existe dia e noite. Evidentemente, a ciência da matéria não consegue compreender isso, mas a ciência espiritual o consegue. O acontecimento extraordinário a que me refiro é a grande mudança que está para ter início no mundo. Um acontecimento surpreendente, jamais imaginado pela humanidade, isto é, um fenômeno histórico: a Transição da Noite para o Dia. Para entendê-lo, torna-se necessário um estudo do ponto de vista Tempo.
No Mundo Espiritual há transição da noite para o dia em períodos de dez, cem, mil ou milhões de anos. Portanto, assim como a Terra é formada pelos três elementos fundamentais – o fogo, a água e a terra – o número três é a base de todo o Universo. Isso constitui uma lei imutável. Mesmo o dia e a noite são formados de três, trinta, trezentos, três mil anos e assim por diante. É claro que, dependendo do caráter das coisas e da sua grandeza – maior, média ou menor – elas se refletem do espírito para a matéria com maior ou menor rapidez, mas o essencial move-se com precisão. Agora está justamente ocorrendo a transição de um período de três mil anos; estamos no alvorecer de um novo período. Já me referi a isso antes, e até a data acha-se bem definida. Foi a 15 de junho de 1931 que o Mundo Espiritual começou a se transformar em dia. A mudança se processará até certo tempo e gradualmente se refletirá no Mundo Material. Gostaria de dar uma explicação mais profunda, mas vou abreviá-la, porque teria de entrar no campo da Religião. Entretanto, é preciso acreditar no que estou dizendo, pois se trata da verdade absoluta.
O fato de o Mundo Espiritual estar se tornando dia significa que há uma intensificação do elemento fogo. Apesar de ser uma mudança gradativa,já está se projetando no Mundo Material. Assim, o mundo em que a água predominava sobre o fogo, tornar-se-á o mundo em que o fogo predominará sobre a água. Através da ciência da matéria não se pode perceber tal fenômeno, mas as pessoas dotadas de alta espiritualidade conseguem percebê-lo plenamente. Com essa mudança, todos os problemas para os quais não se encontrava solução, serão resolvidos de maneira clara e precisa. Com base no que acabo de expor, vou criar a Verdadeira Civilização elevando o nível da Ciência atual.
7 de abril de 1954


O ESPÍRITO PRECEDE A MATÉRIA

Vou tecer considerações sobre a relação entre o Mundo Espiritual e a doença.
O homem é constituído pela união do corpo e do espírito. O corpo é uma matéria visível, e por isso todos podem compreendê-lo; o espírito é invisível, mas existe, sendo uma espécie de éter. Assim como o corpo é uma existência do Mundo Atmosférico, o espírito é uma existência do Mundo Espiritual. O Mundo Espiritual, conforme já expliquei, é transparente, mais rarefeito que o ar, comparando-se ao nada. Na realidade, porém, ele é a fonte geradora da força infinita e absoluta, que por ora chamaremos de força cósmica. É um mundo fantástico, impossível de ser imaginado, cuja natureza está formada pela fusão das essências do Sol, da Lua e da Terra. Com a força cósmica tudo nasce, tudo se transforma e cresce, mas ao mesmo tempo acumulam-se impurezas, que são submetidas à purificação. É como o acúmulo de sujeira no corpo humano, que necessita de banho. Portanto, quando se juntam impurezas na atmosfera, elas são concentradas num determinado ponto e aí surge uma ação purificadora denominada “baixa pressão”, que executa a limpeza. Os raios e os incêndios causados pelo homem têm a mesma explicação. Se houver aglomeração de impurezas, surgirá a ação purificadora, que tem início no espírito.
As sujeiras, ou seja, as máculas acumuladas no espírito humano, que é transparente, são opacidades surgidas em alguns pontos. Há dois tipos de máculas: as que se originam no próprio espírito e as que são reflexo do corpo. Vejamos o primeiro tipo.
O interior do espírito está constituído de três camadas dispostas de forma centrípeta. Analisando-o a partir do centro, seu núcleo é a alma, a partícula do homem que se instala no ventre da mulher e que resultará no nascimento de outro ser. A alma está envolta pela consciência, e esta, pelo espírito. O que acontece na alma se reflete na consciência e, daí, no espírito, e vice-versa. Assim, a alma, a consciência e o espírito estão interrelacionados, constituindo uma trilogia. Naturalmente, todas as pessoas, assim como praticam o bem, também praticam o mal durante sua vida. Se o mal é maior que o bem, a diferença entre eles constituirá o pecado, que, refletindo-se na alma diminui-se o brilho; por esse motivo, a consciência ficará maculada e, em seguida, o espírito. Através da ação purificadora, é realizada a eliminação das máculas. Durante o processo, o volume delas diminui provisoriamente; com isso, elas se tornam mais densas, concentrando-se em determinadas parte do corpo. O interessante é que, dependendo do pecado, o local da concentração é diferente. Por exemplo: os pecados da vista, nos olhos; os pecados da cabeça, na cabeça; os pecados do tórax, no tórax, e assim por diante, tudo enquadrado na concordância.
Passemos, agora, ao segundo tipo de máculas, isto é, as que se refletem do corpo para o espírito. Neste caso, primeiro o sangue se suja e, como conseqüência, o espírito fica maculado. Originariamente, o sangue é a materialização do espírito e, reciprocamente, o espírito é a espiritualização do sangue. Isso mostra a identidade do espírito e da matéria. Assim, quando as máculas se tornam densas e se refletem no corpo, transformam-se em sangue sujo, e este, concentrando-se mais, transforma-se em toxinas solidificadas. Estas, depois de dissolvidas e liquefeitas, são eliminadas por diversos pontos do corpo. O sofrimento decorrente desse processo constitui aquilo a que se dá o nome de doença.
Mas por que o sangue se suja? A causa é bastante surpreendente: são os remédios, que paradoxalmente ocupam a posição de maior destaque nos tratamentos médicos. Como todo remédio é veneno, só de ingeri-lo o sangue já se suja e os fatos são a maior prova do que estamos dizendo. Portanto, não há nada de estranho em que, estando a pessoa sob tratamento médico, a doença se prolongue ou piore, ou que até surjam outras doenças.
Se o sangue sujo existente no corpo se reflete no espírito em forma de máculas e estas se tornam a causa das doenças, o próprio processo de cura das doenças acaba se tornando o meio de provocá-las. Não se obterá a erradicação completa se primeiramente não forem removidas as máculas do espírito, de acordo com a Lei Universal do Espírito Precede a Matéria. Como o JOHREI é a aplicação dessa lei, purificando-se o espírito as doenças saram pela raiz. É por isso que ele tem esse nome JOHREI – que significa “purificação do espírito”. Desconhecendo tal princípio, a Medicina despreza o espírito e tenta curar apenas o corpo. Assim, por mais que ela progrida, as curas serão sempre efêmeras.
15 de agosto de 1951


MEDICINA ESPIRITUAL

Mostrei, sob diversos ângulos, que a Era do Dia é o mundo em que o espírito precede a matéria. Aplicando isso ao corpo humano, as toxinas – causa de todas as doenças – são matérias estranhas acumuladas no corpo. Mas, nesse caso, como se encontra o espírito da pessoa? Nos locais do corpo espiritual correspondentes aos pontos onde se encontram as toxinas, estão as máculas. Quando se procura anular as toxinas promovendo apenas a sua eliminação do corpo, isso terá um efeito temporário; com o passar do tempo, elas surgirão novamente, de acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria. Assim, para eliminá-las radicalmente, devemos eliminar as máculas do corpo espiritual.
Como todos os métodos utilizados até agora basearam-se unicamente na eliminação das toxinas ou então na sua solidificação, tomando apenas o corpo como objeto do tratamento, é óbvio que eles propiciassem uma cura passageira, mas jamais a cura radical, o que está bem caracterizado pelo uso da palavra recaída. Conforme já explanei, os métodos empregados pela Medicina são dois: a solidificação e a remoção cirúrgica. Entre as formas populares de tratamento existe a solidificação por meio de banhos de luz ou eletricidade e a queima através da moxa, método este que consiste em queimar determinados pontos para concentrar neles o pus e eliminá-lo. O nosso JOHREI, todavia, fundamenta-se na eliminação das máculas do corpo espiritual. O método consiste em irradiar, pela palma da mão, uma espécie de ondas espirituais, que têm como agente principal o elemento fogo. Por ora, vou chamar essas ondas de raios misteriosos. Todas a pessoas os possuem em determinada quantidade, ou melhor, esses raios existem em número ilimitado no espaço aéreo acima do Planeta, isto é, no Mundo Espiritual. Mas por que será que ninguém descobriu antes esse método que consiste na eliminação das máculas através das ondas espirituais? Foi porque, conforme já dissemos, era noite no mundo, ou seja, o mundo estava às escuras. Como luz, existia apenas uma claridade semelhante à da Lua, e por isso era impossível obter-se a força para curar as doenças, ou seja, raios misteriosos em quantidade suficiente para apagar as máculas. Não é que eles fossem totalmente nulos, tanto assim que alguns religiosos e ascetas procediam ao tratamento das doenças e até certo ponto tinham êxito. Como é do conhecimento de todos, os fundadores de algumas religiões ganharam considerável fama. Acontece, porém, que o principal componente da luz da Lua é o elemento água, e por essa razão a força para curar as doenças limitava-se a algumas espécies ou a efeitos temporários. Com base no elemento água, essa luz é de natureza fria, e por isso sua aplicação torna-se um tratamento solidificador. No JOHREI, entretanto, o principal agente é o elemento fogo, capaz de queimar qualquer mácula; por conseguinte, ele apresenta efeitos extraordinários. O principal motivo que me levou a descobri-lo foi o conhecimento sobre a Transição da Era da Noite para a Era do Dia e o conseqüente aumento de partículas do elemento fogo, que, concentrando-os no corpo produz-se uma poderosa luz purificadora. Irradiando-a, então, no local afetado, há um efeito extraordinário.
23 de outubro de 1943


PRINCÍPIO DO JOHREI PRIMEIRA PARTE

O princípio do JOHREI é um assunto por demais difícil para a compreensão das pessoas da atualidade, dado o seu nível de instrução. Isso é inevitável, já que a educação está totalmente baseada no materialismo. Por outro lado, através de documentos escritos e da tradição oral, constatamos que invariavelmente os fundadores de diversas religiões realizaram milagres. O fato é mais evidente nas grandes religiões. No entanto, pelo nível cultural daquela época, era possível convencer o povo apenas pela concessão de benefícios e pela realização de milagres, pois ele não buscava esclarecimentos sobre a teoria ou o conteúdo das religiões. O lamentável é que, se não tivesse havido a redenção, Cristo, quem mais milagres realizou, talvez conseguisse, durante a sua vida, salvar uma grande parte da humanidade e ampliar muito mais a sua doutrina. Seu período de atuação foi bastante curto, sem dúvida por causa da força de Satanás, que, na época, era inegavelmente mais forte, em virtude da prematuridade do tempo no Mundo Espiritual. Entretanto, finalmente o tempo amadureceu e adveio a grande transição naquele mundo. Através da nossa percepção espiritual, podemos ver claramente que a força de Satanás está enfraquecendo dia a dia.
Por Revelação Divina foi-me esclarecida a causa de vários fatos até hoje considerados mistérios do mundo. Assim, me é possível distinguir o justo e o satânico, determinar a raiz do bem e do mal, corrigir o erro de todas as coisas. Em face do desequilíbrio do mundo contemporâneo, decorrente do progresso unilateral da cultura, ou seja, o progresso apenas da cultura material, vou incrementar extraordinariamente a cultura espiritual e, com o desenvolvimento paralelo de ambas, fazer surgir o mundo perfeito: o Paraíso Terrestre.
Como eu disse anteriormente, diferindo dos homens primitivos e dos homens de épocas de baixo nível cultural, o homem da atualidade não consegue confiar apenas em milagres, mesmo que estes sejam manifestados concretamente. Ele não se convence sem uma explicação teórica dos fatos. Uma das causas da decadência das religiões tradicionais é justamente elas negarem a cultura material e não conseguirem proporcionar benefícios concretos aos fiéis.
Vou explicar agora o princípio do JOHREI, um dos métodos pelos quais os fiéis da nossa Igreja vêm obtendo magníficos resultados, expressos sob a forma de surpreendentes milagres. Quando se estende a mão em direção à pessoa enferma, as doenças mais difíceis e os enfermos mais graves começam a melhorar. Mesmo as dores mais fortes são aliviadas ou extintas em curto espaço de tempo. Portanto, só podemos dizer que se trata de “milagre”.
A Medicina atual é o resultado de milhares de anos de estudo e prática constante realizada por renomados estudiosos de vários países, e suas terapias minuciosas e refinadas são dignas de elogio. Entretanto, um indivíduo comum obtém resultados notáveis ministrando JOHREI em doentes que não conseguiram se restabelecer com o trabalho das autoridades médicas, formadas à custa de elevadas despesas com estudos e pesquisas durante dezenas de anos. É realmente um fato que está além da razão. Não seria, pois, exagero definir o JOHREI como a maravilha do século. Todavia, pelo simples conhecimento dos seus resultados reais através de notícias, as pessoas não o aceitam facilmente. Mais do que isso: vêem-no pela ótica da superstição ou da anormalidade psíquica, o que talvez seja uma reação natural.
O aparecimento do JOHREI é um grande acontecimento, inédito na História. A afirmação, feita por nossa Igreja, de que irá construir um “mundo livre de doença, pobreza e conflito” não seria possível se ela não estivesse absolutamente convicta do que está dizendo. Se não tivesse competência para isso, ela estaria enganando o mundo e cometendo um delito imperdoável. Para nós, no entanto, como eu disse anteriormente, milagres como os que citamos, não são milagres. Eles possuem uma base totalmente fundamentada na explicação científica e ocorrem porque devem ocorrer. Vou, a seguir, explicá-los mais profundamente.

SEGUNDA PARTE

Para explicar o princípio do JOHREI, torna-se indispensável o conhecimento de um fato: todas as coisas existentes no Universo são constituídas não apenas da parte material, mas também de uma parte espiritual, invisível aos nossos olhos. O homem, logicamente, também está constituído de matéria e espírito. Numa classificação sumária, o espírito é a essência do Sol; o corpo físico, a essência da Lua e da Terra. Em termos mais compreensíveis, o espírito é fogo, positivo, masculino, frente, vertical e dia; o corpo, por sua vez, é água, negativo, feminino, verso, horizontal e noite. Entretanto, a Ciência não admite a existência do espírito, objetivando somente a matéria. Ora, se o homem fosse desprovido de espírito, não passaria de um simples objeto. Seria uma matéria como o pau e a pedra, sem vida e sem atividade mental. Não compreender essa teoria tão simples constitui o erro fundamental da Ciência até hoje. Para os cientistas, no espaço só existe o ar, nada mais. Mas a verdade é que, além do ar, existe um número incalculável de elementos invisíveis; lamentavelmente a Ciência ainda não progrediu a ponto de detectá-los. Por felicidade eu descobri a natureza desses elementos, tendo dado aos conhecimentos obtidos o nome de Ciência Espiritual. Com essa descoberta, evidentemente, chegou-se à época em que terá início a eliminação das doenças, o maior sofrimento da humanidade.
A seguir, vou mostrar a causa do aparecimento das doenças. Conforme eu já disse, o homem é constituído de duas partes – a material e a espiritual. O fato dele estar vivo e se movimentar acha-se relacionado à estreita união entre o espírito e a matéria, ou seja, esta é movida pelo espírito. O espírito possui a mesma forma do corpo físico, e dentro dele localiza-se a consciência, no centro do qual, por sua vez, está a alma. A atividade dessa trilogia manifesta-se como vontade-pensamento, a qual é invisível. Essa vontade-pensamento é que governa o corpo; portanto, o espírito é o principal, e a matéria, o secundário, isto é, o espírito precede a matéria. Quando uma pessoa movimenta os braços e as pernas, eles não se movem livremente, por si próprios, mas sim obedecendo à vontade da pessoa. Todas as partes do corpo, sem exceção, inclusive a boca, o nariz, os olhos, etc., movimentam-se dessa forma. Até a doença obedece ao mesmo princípio. Para que possam entender bem, vou exemplificar com o furúnculo, do qual todo mundo tem experiência.
O furúnculo surge como uma pequena protuberância e vai inchando gradualmente e tomando uma cor avermelhada. Normalmente vem acompanhado de febre, e a pessoa começa a sentir dores e coceiras no local. Esse fenômeno constitui uma atividade de eliminação das toxinas do corpo físico, por ação fisiológica natural. As toxinas acumuladas em determinada parte do corpo são dissolvidas pela febre e liquefeitas, para que sua eliminação seja mais fácil. É a atuação da força de recuperação natural. Para formar um orifício de saída, a pele fica muito fina e flácida. Portanto, a coloração avermelhada é o sangue impuro, visível através da pele, que se tornou fina e transparente. Depois, abrindo-se um pequeno orifício, o sangue purulento começa a sair imediatamente; com essa eliminação de pus, termina a purificação.
A explicação acima diz respeito ao corpo. Mas em que condições se encontra o espírito nessa ocasião? Ele apresenta uma espécie de nebulosidade igual ao furúnculo; em outras palavras, máculas. Quanto mais grave a doença, mais densas são as máculas. E por que motivo elas ficam concentradas numa parte do espírito? E pela ação purificadora constante. Depois que as máculas espalhadas por todo o espírito se reúnem em determinado local, surge a ação eliminatória. Isso constitui a doença. Existe, pois, uma relação inseparável entre o espírito e o corpo.
Falei há pouco sobre o princípio do Espírito Precede a Matéria, mas ele não se aplica apenas ao ser humano; todas as coisas do Universo, sem exceção, obedecem a esse princípio. Por conseguinte, o objetivo do JOHREI é eliminar as máculas espirituais. Através dele, as máculas ficam no estado de morte. Em outras palavras, o JOHREI tira-lhes a vida. Mortas, obvia- mente elas perdem toda a sua força e deixam de pressionar os nervos. Esta é a razão do desaparecimento das dores.

TERCEIRA PARTE

O método do JOHREI que tenho empregado atualmente, consiste em outorgar às pessoas um papel onde está escrita a palavra HIKARI, ou seja, LUZ. Os efeitos se manifestam quando esse papel é usado no peito, pendurado ao pescoço. Isso acontece porque da palavra HIKARI se irradiam poderosas ondas de Luz, as quais são transmitidas através do corpo, do braço e da palma da mão do fiel que ministra o JOHREI.
E por que motivo se irradiam ondas de Luz da palavra HIKARI? Essas ondas são emitidas do meu corpo e, pelo elo espiritual, transmitem-se instantaneamente à palavra em questão. É muito semelhante às ondas de rádio. Todavia, se as ondas de Luz são emitidas do meu corpo e transmitidas através do elo espiritual, surge a seguinte pergunta: que segredo existe no meu espírito? Quando compreenderem isto, a dúvida desaparecerá. No meu ventre há uma bola de Luz que normalmente mede uns 6 cm de diâmetro; ela já foi vista por algumas pessoas. Dela, as ondas de Luz irradiam-se infinitamente. A fonte dessa bola está no “Nyoi-no-Tama” de Kanzeon Bossatsu, no Mundo Espiritual; daí me é fornecida uma Luz infinita. Esse é o PODER KANNON, também conhecido como Poder Incognoscível ou Poder da Inteligência Superior. A bola que Nyoirin Kannon traz consigo é igual à de Kanzeon Bossatsu.

QUARTA PARTE

Convém falar aqui a respeito de Kanzeon Bossatsu. Dentre muitos budas, Ele era considerado o mais oculto. Há nisso um profundo mistério, mas não posso divulgá-lo totalmente, pois ainda não chegou o tempo certo. Pretendo fazê-lo tão logo Deus me permita. Sendo assim, escreverei apenas sobre o mistério relacionado com o JOHREI.
A atuação de Kanzeon Bossatsu vem desde o advento do budismo, mas daquela época até pouco tempo atrás Ele promovia tão somente a salvação do espírito. Evidentemente, através da oração conseguiam-se graças, mas estas eram extremamente limitadas. A razão disso está no fato de que a Luz era formada pela união do elemento fogo e do elemento água, mas faltava o elemento terra. Como havia apenas dois elementos, a força era insuficiente. Entretanto, chegou a hora de uma grande mudança no Mundo Espiritual: é o Final dos Tempos, o Juízo Final citado na Bíblia. Tornou-se necessária, portanto, uma força poderosa e absoluta que salvasse toda a humanidade. Essa força é constituída pela união do fogo, da água e da terra; a força da terra é o elemento da matéria e corresponde ao corpo humano. Ao passar pelo corpo, a Luz é acrescida do elemento terra e daí nasce a força da trilogia, ou seja, o PODER KANNON. Explicando de maneira mais acessível, a Luz emitida pelo “Nyoi-noTama” de Kanzeon Bossatsu, passando pelo meu corpo, manifesta-se como PODER KANNON, o qual, através do corpo do messiânico, torna-se a força purificadora.
Exemplificarei o que acabo de dizer. É sabido, desde a antigüidade, que orar diante da imagem de Kanzeon Bossatsu traz como benefício a solução das doenças e dos infortúnios, mas os fiéis da nossa Igreja têm obtido resultados várias vezes mais poderosos com o JOHREI. Isso porque as ondas de Luz emitidas pelas imagens ou estátuas de Kanzeon Bossatsu são constituídas apenas pela força dos elementos fogo e água; nelas não está incluída a importante força do corpo. Outra razão é a grande transição a que eu já tenho me referido várias vezes, ocorrida no Mundo Espiritual. Ela teve início em meados de junho de 1931. Até essa data havia muito elemento água e pouco elemento fogo no Mundo Espiritual, mas a partir daí a quantidade deste último começou a aumentar gradativamente. É verdade que a grande transição já havia se iniciado dezenas de anos antes dessa data, mas o elemento fogo ainda estava bastante rarefeito. Se a Luz é forte, significa que há maior quantidade de elemento fogo. Da mesma forma, no caso das lâmpadas elétricas, quanto mais intensa é a luz, maior é a quantidade de calor emitido.
Outro exemplo é a existência de uma massa de elemento fogo em meu ventre. As pessoas falam que minha temperatura é bem mais alta que a das pessoas comuns. Praticamente todas as noites fazem-me massagens nos ombros, e todos dizem que de mim emana muito calor. No inverno, sempre acabo tirando um ou dois agasalhos. Se permaneço num cômodo durante algum tempo, as pessoas acham que ele ficou aquecido, e muitas vezes brinco dizendo que substituo o aquecedor. Mesmo em dias de frio costumo ficar uma ou duas horas de pijama, após o banho. Além disso, gosto especialmente de banhos mornos. Isso obedece ao princípio do aumento de calor quando se joga água no fogo, e do frio mais intenso nos dias ensolarados de inverno.
30 de maio de 1949


A FORÇA ABSOLUTA

Seria desnecessário dizer que a fonte de todas as atividades e de todos os fenômenos do Universo é a Força de Deus. Todos os nascimentos e transformações são a manifestação da Força, e a ela se deve o movimento ou a inércia de todas as coisas. Começando pelo homem, todos os animais e mesmo as bactérias nascem e morrem graças à Força. Em suma, ela é o Senhor Absoluto e Infinito. Vou deter-me aqui, pois o assunto é inesgotável, mas, resumindo, o Universo em si é a própria Força. Assim, tecerei considerações a respeito sob diversos ângulos.
Analisemos o espírito da palavra TIKARA (força): TI significa sangue, espírito; KARA significa vazio, corpo, matéria. A formação do termo mostra-nos, portanto, que a força nasce da união do espírito e da matéria. Analisando agora a palavra HITO (pessoa), HI é espírito e TO é parar; por conseguinte, HITO é “espírito parado no corpo”.
Para se escrever o ideograma correspondente à palavra força (TIKARA), faz-se um traço vertical e, em seguida, um traço horizontal, formando uma cruz; a partir do fim do traço horizontal puxa-se um traço um pouco inclinado, com a ponta virada para cima e para dentro (*** tikara.tif ***). Isso quer dizer que logo que se verifica o cruzamento do horizontal e do vertical ocorre a atividade e começa a rotação da esquerda para a direita, isto é, a ação da força. Assim, pode-se perceber que tanto o espírito das palavras como as letras foram criadas por Deus.
Vamos agora analisar na prática. Em sentido amplo, isso está representado pelas duas grandes correntes ideológicas: o pensamento teísta e o pensamento ateísta, ou seja, o espiritualismo e o materialismo, a cultura espiritual e a cultura material. Vejamos do aspecto religioso, pois assim é mais fácil compreender.
O budismo e o cristianismo, as duas grandes religiões do mundo, são a manifestação desses dois pensamentos. O budismo é oriental e, como sempre digo, constitui o aspecto vertical, espiritual, enquanto o cristianismo é ocidental e representa o aspecto horizontal, material. Até agora o vertical e o horizontal estavam separados e por isso não conseguiam produzir a verdadeira força. A prova é que, como não foi possível realizar a unificação universal, a humanidade não foi salva.
O objetivo das principais religiões era, sem dúvida, a concretização de um mundo ideal, mas, como podem ver, a situação do mundo se apresenta caótica, cheia de conflitos e problemas sem fim, havendo uma grande distância entre o sonho e a realidade. Assim, aquele objetivo está demasiadamente fora do nosso alcance. É inegável que a causa dessa situação seja a falta de força, que, por sua vez, se deve à falta de cruzamento do vertical e do horizontal. Mas isso também era uma questão de tempo e, do ponto de vista do Plano Divino, não havia outra alternativa.
Explicando minha missão, creio que entenderão melhor o que acabei de expor. A atividade que agora estou realizando, está centralizada no JOHREI. Meus discípulos sabem muito bem que basta colocar no peito o OHIKARI (Luz Divina), que contém um papel escrito por mim, para ser-lhes concedida uma força capaz de gerar milagres, até mesmo no caso de doentes desenganados pelos médicos. Já outorguei milhares de OHIKARI, mas mesmo que seu número aumente infinitamente, não haverá nenhuma alteração nessa força. E os milagres do JOHREI não se limitam à doença; há uma reforma do espírito humano, a personalidade se eleva, e a pessoa é salva de perigos iminentes. Dessa forma, graças aos inúmeros milagres ocorridos a cada dia, aumenta significativamente o número de pessoas felizes. E tudo isso se deve à força emanada do OHIKARI. Não tenho a pretensão de vangloriar-me de tais feitos, mas, como se trata da pura verdade, creio que não há problema em divulgá-la. É desnecessário dizer que até agora a História não registrou o aparecimento de uma pessoa com força tão poderosa quanto a minha. Os inúmeros milagres a que nos referimos são registrados como experiências de fé; logo, não há do que duvidar. Essa é a força gerada pelo cruzamento do horizontal com o vertical. Em termos budistas, é o PODER KANNON ou Poder da Inteligência Superior; em termos cristãos, é o Poder do Messias.
Atualmente, a força manifesta-se mais no sentido espiritual, mas um dia atuará no sentido material. Nessa ocasião, será alcançado o objetivo de Deus, nascendo a verdadeira cultura, resultante do cruzamento da cultura espiritual do Oriente e a cultura material do Ocidente. Essa é a Vontade Divina. Será, portanto, executada a maior obra de salvação da humanidade desde a criação do mundo.
16 de janeiro de 1952


SERMÃO, JOHREI E FELICIDADE

Desde os tempos antigos, as religiões sempre se basearam em dogmas, transmitindo-os através de sermões. Em nossa Igreja – os messiânicos o sabem – quase não se utiliza esse recurso. Vou explicar por quê, levando em conta que alguns fiéis ficam embaraçados quando estranhos lhes fazem perguntas sobre o assunto.
A finalidade da Religião é eliminar erros e incentivar a prática das virtudes. Contudo, essa prática só é realmente possível quando as máculas espirituais são eliminadas. Uma vez que o espírito esteja purificado, cessarão os atos condenáveis e a pessoa se tornará honrada, útil ao seu meio social e a toda a humanidade.
Os sermões são processos purificadores que agem através do sentido da audição. Os livros sagrados, como a Bíblia, a sutra budista, e os ensinamentos de várias religiões, agem mediante o sentido da visão e o espírito das palavras. A Igreja Messiânica Mundial também se utiliza desses meios, mas possui ainda o processo purificador denominado Johrei.
O Johrei não visa curar doenças; é, antes, um método de criar felicidade. Ele não pode ter como objetivo a cura das doenças, porque estas são formas de purificação; sua finalidade é eliminar as máculas do espírito. O resultado da erradicação dessas máculas é a extinção dos sofrimentos humanos.
Costumo ensinar que a doença, a pobreza e o conflito são processos purificadores. A doença é o principal, porque afeta a própria base da vida. Quando conseguirmos vencê-la, também solucionaremos o problema da pobreza e do conflito. Portanto, a base da felicidade é a eliminação das máculas espirituais. O Johrei é o método mais simples e infalível para erradicá-las. É, pois, evidente que ele não visa a própria doença, e sim as suas causas.
Como já escrevi em outras oportunidades, o corpo material do homem vive no Mundo Material, e o espírito, no Mundo Espiritual. Sendo assim, a situação do Mundo Espiritual influi sobre o espírito e se reflete sobre o corpo, de modo que o destino do homem se origina no Mundo Espiritual.
O Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior, Intermediário e Inferior. Cada plano é constituído de três níveis, e cada nível se subdivide em vinte camadas. Ao todo, são cento e oitenta camadas, mais uma – acima de todas – ocupada por Deus. Temos, pois, cento e oitenta e uma camadas. Qualquer entidade, por mais elevada que seja, acha-se numa das cento e oitenta camadas.
Essa explicação tem por base o sentido vertical. Horizontalmente, a extensão de cada plano varia no sentido do Inferno até o Céu.
Suponhamos que um espírito se encontre no nível inferior do Plano Inferior; isto significa que ele se acha no fundo do Inferno. Como nesse local o sofrimento do espírito é muito intenso, há terrível reflexo sobre o corpo físico, que passa a ser espantosamente atormentado. No nível médio do Plano Inferior, o reflexo é menos danoso. Então o sofrimento se torna mais suave, mais tolerável. E assim por diante. Os padecimentos variam de acordo com a posição do espírito nas várias camadas do Mundo Espiritual.
Ultrapassando-se as sessenta camadas do Plano Inferior, atinge-se o Plano Intermediário, que corresponde à vida na Terra. Acima do Plano Intermediário está o Plano Superior, o Reino dos Céus, onde se acham os anjos e onde se pode desfrutar uma vida de felicidade.
Como se vê, a posição em que se acha o espírito de uma pessoa reflete-se no seu destino. Por isso, devemos esforçar-nos para elevar o nosso nível espiritual, o que significa reduzir os nossos sofrimentos e, proporcionalmente, aumentar a nossa felicidade. Assim, não mais serão necessários os sofrimentos purificadores. É inútil apelar para a inteligência e envidar esforços enquanto o espírito estiver no Plano Inferior, porque esta é a Lei de Deus. E a Lei do Espírito Precede a Matéria também é inviolável.
Concluímos, portanto que, para ser feliz, é necessário crer em Deus Absoluto, adorá-Lo, compreender e praticar a Sua Vontade, somar méritos e purificar o espírito de modo que o seu habitat espiritual se eleve ao Céu. Não há outro processo para alcançarmos a felicidade, e nisso reside o profundo significado do Johrei.
25 de março de 1952

O JOHREI É TRATAMENTO CIENTÍFICO

(...) Desde os tempos antigos está determinado que a doença deve ser curada pelos médicos e pelos remédios. Como o homem da atualidade, que confia somente na Ciência e tornou-se fiel ao princípio da Ciência Superior, sofre para entender, é lógico que ele tenha vontade de fazer perguntas. A propósito disso, é de suma importância, antes de tudo, conhecer a relação entre a Medicina e a Ciência.
Realmente, todas as coisas podem ser solucionadas através da Ciência, com exceção da Medicina, que está por demais fora do alvo. Isto porque o homem e todas as coisas além do homem são fundamentalmente diferentes. Antes de mais nada, o homem é um ser de nível superior entre todas as criaturas. Realmente é um grande mistério, absolutamente incompreensível por meio da inteligência humana. Entretanto, como a Ciência desconhece totalmente a profundidade desse ponto, considera o homem um animal. Ela veio objetivando apenas o corpo físico, que é matéria; portanto, entende que a doença é prejudicial ao corpo físico. Sua maneira de pensar é extremamente simples, pois tenta curar a doença por meio de medicamentos e de máquinas. Mas a realidade não é tão simples assim. No homem existe, espiritualmente, um corpo sólido muito mais importante que o corpo físico, denominado força de vida. Esta, encontra-se numa relação muito íntima com o corpo físico, por isso o homem consegue viver e trabalhar. Todavia, como o espírito equivale quase ao nada, a Ciência material não conseguiu detectá-lo. Dessa forma, ao observar, por exemplo, a dissecação de um cadáver, podemos compreender muito bem que a Ciência veio se dedicando somente à pesquisa do corpo físico. Embora se diga que ela progrediu, como se trata de progresso unilateral, ele é coxo, de modo que todos os esforços serão em vão.
Como dissemos, o homem está constituído de espírito e matéria. O espírito é primordial, e a matéria, secundária. Essa é a lei universal. Quanto à doença, as toxinas existentes no corpo físico refletem-se no corpo espiritual e transformam•se em máculas. Aí surge a purificação natural, e as máculas são eliminadas. Ao mesmo tempo, elas se refletem novamente no corpo físico. Conseqüentemente, as toxinas são dissolvidas e eliminadas. A isso se denomina doença. A primeira é ação horizontal, baseada na Lei de Identidade Espírito-Matéria, e a segunda, ação vertical, baseada na Lei do Espírito Precede a Matéria. É importante que se compreenda bem essa teoria.
Mas qual é a verdadeira essência da mácula? Denomina-se mácula uma opacidade surgida no espírito, a qual é incolor e transparente. Ela é a verdadeira causa da doença; por isso, eliminando-se a mácula, evidentemente a doença será curada. Esse método é o Johrei. De acordo com os ideogramas que compõem a palavra, é um método de purificar as máculas do espírito. E esta é a verdadeira Medicina. Portanto, devem compreender que, além do Johrei, todos os outros tratamentos são uma antimedicina.
O que acabamos de expor é o princípio fundamental da origem da doença e o seu tratamento. Em suma, a doença é o sintoma que se manifesta na parte externa, e a causa da doença está nas máculas localizadas na parte interna. A eliminação das máculas vem a ser o verdadeiro método de tratamento da doença. No entanto, por desconhecer esse princípio, a Medicina considera que basta eliminar o sintoma que se manifesta. Mesmo que haja um efeito, é temporário, e disso, os médicos têm tido experiência constante. (...)
13 de janeiro de 1954

O JOHREI É TRATAMENTO CIENTÍFICO

Nem é preciso dizer que a energia do Sol, da qual já falei, é, naturalmente, o espírito do Sol. Entretanto, por que até agora ele não se manifestou na Terra? Existe um motivo profundamente misterioso, que eu vou explicar minuciosamente.
Como eu já disse, o homem está constituído de espírito e matéria. Da mesma forma, a Terra está constituída pelos Mundos Espiritual e Material. O Mundo Espiritual, por sua vez, está constituído por dois elementos. O primeiro é o Mundo da Essência Espiritual, e o segundo, o Mundo da Essência Atmosférica. A característica do primeiro é “o fogo precede a água”, e a do segundo, “a água precede o fogo”, ou seja, o positivo e o negativo.
De acordo com esse princípio, todas as coisas são criadas pelas energias do Sol e da Lua, que, juntas, as envolvem. É como se fosse o pai e a mãe, os quais, pela colaboração mútua, educam os filhos. Dessa maneira, a força da natureza surge por meio da trilogia Sol, Lua e Terra e, através dela, todas as coisas nascem e se desenvolvem; esta é a situação real do Universo.
O homem é o senhor, é o centro de tudo; depois de Deus, ele é a existência máxima. Por esse motivo, todas as outras coisas existem em função do homem, para sua sobrevivência.
Tudo que eu falei, representa a relação entre o homem e o Universo, mas agora se aproxima uma grande e surpreendente mudança. Trata-se de um fato sem precedentes na História. Até o presente, o mundo era noturno, mas está prestes a se tornar um mundo diurno. A aurora deste mundo é a época atual; portanto, as pessoas certamente estão perdidas, sem saber o que está ocorrendo. Talvez elas riam, dizendo: “O dia e a noite só existem no espaço de um dia. Ligar isso às épocas é absurdo demais”. E eu lhes dou toda a razão. O mesmo poderia ocorrer comigo; se eu não tivesse conhecimento dessa realidade, evidentemente pensaria assim. Todavia, desde que eu a conheci através da Revelação Divina, não posso deixar de acreditar. Trata-se de uma verdade; portanto, se lerem atentamente o presente artigo, com certeza hão de compreender.
Assim, a Terra está envolvida pelo Mundo Atmosférico, constituído pelo Mundo da Essência Espiritual, cuja característica é “o fogo precede a água”, e pelo Mundo da Essência Atmosférica, cuja característica é “a água precede o fogo”. O dia e a noite perceptíveis pelos nossos cinco sentidos correspondem ao dia e à noite materiais, mas precisamos conhecer o dia e a noite espirituais, que transcendem o tempo. Isso tem um significado sumamente importante e constitui um grande mistério do Universo. É como se fosse a ampliação infinita do dia e da noite, assemelhando-se ao vazio, por isso não pode ser percebido pelo homem. Mas o fato é que está ocorrendo uma constante mudança, de forma bem ordenada. Essa mudança ocorre a cada dez, mil, dez mil anos, em escala pequena, média e ampla. Cada período está subdividido em 3, 6 e 9, cuja soma é 18; esta é a situação real do mundo. O ensinamento de Buda diz que o Mundo de Miroku viria dali a 5.670.000.000 de anos, mas, se interpretarmos literalmente, é distante demais e na realidade não tem sentido. Trata-se apenas de uma alusão aos números citados.
Voltando ao que dissemos no início, o mundo noturno era presidido pela Lua, e, como esta é água e matéria, houve o progresso da cultura material. Ao contrário, o mundo diurno será presidido pelo Sol. O Sol vem a ser o fogo, que por sua vez é espírito. Se classificarmos em Bem e Mal, o espírito é o Bem, e a matéria é o Mal. Esta é a Verdade. No mundo de até agora o Mal precedia o Bem. Daqui para frente, ele se transformará no mundo civilizado em que o Bem precederá o Mal. Devido ao predomínio do Mal sobre o Bem, surgiu o mundo que vemos atualmente, semelhante ao Inferno. Se isso continuar por muito tempo, evidentemente chegará a época em que a humanidade será extinta. A descoberta da bomba atômica também não passa de um dos indícios dessa ocorrência. Por conseguinte, a parte profunda do Plano de Deus, não pode, em absoluto, ser entendida pela inteligência humana.
Com o que acabamos de dizer, creio que puderam entender, de modo geral, a mudança que ocorrerá no mundo daqui para frente. O “Fim do mundo” e o “Advento do Reino dos Céus”, profetizados por Cristo, referem-se a essa mudança. A extinção da doença, da pobreza e do conflito, proclamada por mim, também é uma condição básica para isso. E a extinção da doença, por sua vez, é a condição fundamental. Como Deus me concedeu a chave, tenho por objetivo principal, atualmente, a solução do problema da doença.
Analisando o que expusemos acima, vemos que este grandioso Plano é uma obra sem precedentes. Em conseqüência, a civilização será revolucionada e, logicamente, surgirá a Segunda Era. Por se tratar de uma teoria por demais maravilhosa, acho que a simples leitura deste artigo deixará as pessoas atônitas, com dificuldade para compreender. Mas a verdade é sempre verdade, e, como essa época está bem próxima, desejo que se conscientizem disso o quanto antes.
Existe, no entanto, um ponto muito importante. Como eu já tive oportunidade de falar, trata-se da sedimentação dos pecados cometidos no longo período de predomínio do Mal sobre o Bem, durante o transcurso do desenvolvimento da cultura material. Relacionando isso ao homem, materialmente, são as toxinas medicinais; espiritualmente, são as máculas geradas pelo Mal. Com o aumento do elemento fogo no Mundo Espiritual, a purificação se intensificará e no final haverá um decisivo acerto de contas. Se isso for o “Juízo Final” profetizado por Cristo, então o ser humano precisa ultrapassar essa barreira. Se fracassar, seja ele quem for, será extinto para sempre. Isso não foi afirmado agora por mim, mas vem sendo profetizado por vários profetas e sábios há milhares de anos. Crer ou não crer, fica a critério das pessoas. Atualmente, como prova para as pessoas crerem, estou manifestando milagres que não dão margem a qualquer dúvida.
10 de fevereiro de 1954


SUA PERSONALIDADE DEUS EXISTE?

Pude intuir esta maravilha que é o Johrei graças ao conhecimento que tive sobre a existência do espírito e ao princípio fundamental de que, com a purificação do espírito, o corpo volta à normalidade.
Esse princípio deve ser considerado como um prenúncio da cultura do futuro. Realmente ele representa uma grande revolução para a Ciência, e, se o aplicarmos em todos os setores da vida, o bem-estar da humanidade aumentará incalculavelmente. E não é só isso. Aprofundando-se a pesquisa desse princípio fundamental, pode-se prever que ele influenciará até a essência da própria Religião.
A controvérsia sobre a existência de Deus é uma questão que tem desafiado os tempos e continua sempre presente. E isso se justifica porque, apenas do ângulo de visão materialista, obviamente as pessoas nada podem compreender a respeito de Deus, que é Espírito, o qual, para elas, equivale ao Nada. Mas, pela Ciência Espiritual que estou propondo, é possível reconhecer a existência de Deus e, ao mesmo tempo, responder a indagações sobre problemas como a vida após a morte, a reencarnação, a verdade sobre o Mundo Espiritual, os fenômenos de encosto e incorporação e outras questões relativas ao Mundo Desconhecido, que chamo também de Mundo Intemporal.
Primeiramente devo explicar como se processou a evolução do meu pensamento. Quando jovem, eu era extremamente materialista. Até mais ou menos quarenta anos nunca entrei em templo algum. Achava tolice adorar ou rezar para uma pedra, um espelho ou um papel escrito, que constituem a imagem de Deus nos templos xintoístas e são colocados num recipiente com formato de caixa, feito por carpinteiros, com tábuas de cânfora, e chamado “Omiya”. Nos templos budistas também se adora um Buda desenhado em papel, ou as estátuas de Kannon, Amida e Buda talhadas em madeira, pedra ou metal. Eu costumava afirmar que Kannon e Amida só existiam na imaginação do homem; por conseguinte, achava que era uma adoração ainda mais sem sentido, não passando de idolatria.
Naquele tempo, li a tese do famoso filósofo alemão Rudolf Eucken (1846-1926), o qual diz que o homem possui o instinto inato de adorar qualquer coisa e, assim, criou e adora os seus próprios ídolos, caindo na auto-satisfação. Como prova disso, acrescenta ele, todas as oferendas depositadas no altar estão voltadas para o lado dos homens e não para o lado de Deus.
Senti-me perfeitamente identificado com a tese e até considerava que a existência de templos era prejudicial ao progresso da Pátria, porque as nações que possuíam muitos templos estavam em declínio e aquelas que quase não os tinham achavam-se em franco desenvolvimento. Apesar disso, mensalmente eu contribuía com uma modesta quantia para o Exército da Salvação, e por esse motivo era visitado por um sacerdote que sempre insistia em que eu me convertesse ao cristianismo. Ele me dizia: “As pessoas que contribuem para o Exército da Salvação geralmente são cristãs. Por que o senhor contribui, se não é cristão?” Então expliquei: “O Exército da Salvação trabalha para a recuperação de ex-presidiários, transformando-os em pessoas de bem. Se não existisse, talvez um deles tivesse entrado em minha casa para me roubar. Portanto, se o Exército da Salvação está impedindo que isso aconteça, é natural que eu seja agradecido e colabore nas suas obras”.
Houve muitos casos semelhantes, porém, na época, apesar de fazer o bem, eu não acreditava em Deus nem em Buda. Sendo assim, poderão compreender quão forte era a minha tendência a jamais acreditar naquilo que não se pode ver.
Naquele tempo, as minhas atividades comerciais iam muito bem, e eu estava no auge da autoconfiança, mas um de meus empregados me fez perder tudo. A sorte adversa, manifestada através do falecimento de minha primeira esposa, dos embargos judiciais sofridos da falência e de outras desgraças, arrastaram-me para o fundo do abismo. Como resultado, acabei recorrendo àquilo a que todos recorrem nessas ocasiões: a Religião. Também eu fui à procura da salvação no xintoísmo e no budismo, como era de praxe, e assim tive conhecimento da existência de Deus, do Mundo Espiritual, da vida após a morte, etc. Refletindo sobre o meu passado, arrependi-me da vida inútil que levara até então.
Após esse despertar, meu conceito sobre a vida deu uma volta de cento e oitenta graus. Compreendi que o homem é protegido por Deus e que, se ele não reconhecer a existência do espírito, não passa de um ser vazio. Também entendi que, mesmo na pregação moral, se não fizermos com que as pessoas reconheçam a existência do espírito, ela não terá nenhum valor. Por isso, caros leitores, faço votos de que “abram os olhos” para os esclarecimentos que darei sobre os fenômenos espirituais.
5 de fevereiro de 1947

O VALOR DO HOMEM RESIDE NO SEU ESPÍRITO DE JUSTIÇA

O meio mais eficiente para a avaliação de uma pessoa, é o conhecimento do grau do seu espírito de justiça. O processo mais correto é determinar o padrão de honestidade, o senso de responsabilidade e a confiança que ela inspira. Realmente, creio que o espírito de justiça é a essência do homem. Quem não o possui, assemelha-se à medusa, vulgarmente conhecida como água-viva, a qual é destituída de ossos, de modo que não merece confiança alguma.
Devemos distinguir, em primeiro lugar, o certo e o errado das coisas. Se a pessoa que de nós discorda estiver desorientada, é nosso dever ajudá-la com espírito de justiça, sem nos intimidarmos. Essa atitude poderá causar momentos amargos, em nossa vida, mas promete a realização dos nossos desejos, não havendo motivos para preocupação.
Atualmente, o mundo está repleto de pessoas más. Basta a menor distração para cairmos nas malhas de seus enganos e explorações. Isso provém da falta de um espírito de justiça inabalável. Minha longa experiência é a melhor prova do que estou dizendo, e por essa razão vou tomá-la como exemplo.
Na época em que eu era comerciante (antes de me tornar religioso), muitas vezes fui vítima de embustes e experiências pavorosas. Por felicidade, possuo inquebrantável espírito de justiça. Lutei contra todos os obstáculos, indiferente às conseqüências monetárias. O esforço empreendido na preservação da justiça acarretou-me muitas desvantagens, que felizmente foram passageiras. Com o tempo, a situação melhorou e acabei por vencer, não só recuperando como ganhando muito mais do que tinha perdido. Involuntariamente tive três ou quatro casos judiciais, e um deles vem se prolongando até hoje.
No tempo em que eu vivia na pobreza, uma associação perseguiu-me, aproveitando-se do seu dinheiro e posição. Com o decorrer do tempo, fui favorecido pelas circunstâncias e essa associação teve de desistir. Foi o seguinte:
Eu possuía uma fábrica de objetos de fantasia e obtive, em dez países a patente de um artigo que teve extraordinária aceitação, propiciando-me um contrato especial com certa firma. Como o artigo tivesse entrado em moda, recebi uma proposta sumamente egoísta de uma associação de lojas varejistas de objetos de fantasia, sediada em Tóquio, a qual me pedia que lhe vendesse uma das duas exclusividades reservadas àquela firma. Vendo-se rejeitada pela minha honestidade, tentou boicotar-me com a colaboração de todas as lojas do gênero, a fim de obrigar-me a ceder. Dois anos de resistência me acarretaram considerável prejuízo, mas a associação deu-se por vencida e entramos em acordo.
Outro caso interessante foi quando, em protesto contra uma injustiça comercial, tentei suspender determinada transação. O encarregado, surpreso, disse-me ter sido eu a primeira pessoa que rompera a tradicional obediência às imposições feitas aos comerciantes. Reconhecendo que eu estava com a razão, a firma desculpou-se, e o caso foi resolvido.
Após tornar-me religioso, por diversas vezes passei momentos agitadíssimos, de sério perigo. Nessa época, bastava a religião ser nova para sofrer pressão e perseguição. Não havia meios para reagir, e eu padeci bastante. Mas, afinal, a pressão e a perseguição cessaram, o que prova a vitória da justiça.
Por essas experiências, vemos que, embora o bem se renda temporariamente ao mal, a perseverança assegurará a sua vitória definitiva. Daí a conclusão de que o homem deve abraçar a justiça e marchar destemidamente, tornando-se, assim, sustentáculo da comunidade, baluarte contra o mal social e construtor de uma sociedade sadia, porque Deus não deixará de ajudar os justos, como jamais deixou.
10 de outubro de 1951


ESTÁ ERRADO DIZER QUE OS HONESTOS SAEM PERDENDO

Há muito tempo ouve-se dizer que as pessoas honestas saem perdendo. Entretanto, refletindo profundamente, pergunto a mim mesmo se essas palavras não soam mal para a sociedade e para os indivíduos. Sendo assim, ainda que pouco adiante afirmar o contrário, pois os fatos parecem comprovar a veracidade daquela afirmação, minha experiência me faz garantir que não existe nada tão falso. Vejamos.
Quando observamos minuciosamente a sociedade, notamos que existem duas maneiras de ver as coisas: a curto prazo e a longo prazo. Em geral, os homens tendem a julgar o bem ou o mal através de resultados momentâneos. Ao verem, por exemplo, o sucesso obtido por pessoas desonestas que enganam o próximo ou vendem gato por lebre, ficam deslumbradas e definem que os honestos sempre saem perdendo. Mas é preciso que tais coisas sejam vistas a prazo mais longo, pois, inevitavelmente, a farsa virá à tona e aquelas pessoas passarão por grandes vexames, podendo-se até afirmar que acabarão arruinadas. Em contrapartida, ainda que por um momento os honestos sejam mal interpretados, prejudicados ou colocados em posição desvantajosa, com o passar do tempo, infalivelmente, a verdade será esclarecida. Vou contar minha experiência a esse respeito.
É constrangedor eu falar de mim mesmo, mas desde jovem eu era muito honesto. Não conseguia mentir de maneira alguma. Por isso, sempre me diziam: “Um rapaz honesto como você nun¬ca vai alcançar sucesso. Se você não mudar seu pensamento e não for hábil no mentir, dificilmente será bem-sucedido na vi¬da”. Achando que essas palavras eram sensatas, menti bastante durante algum tempo, mas não estava bem comigo mesmo. Sentia uma angústia insuportável, minha vida se tornava sombria, meus dias eram só de tristeza. Não havia, pois, condição para eu obter bons resultados nos meus empreendimentos.
Naquela época, eu era comerciante, de modo que as “técnicas” de negociar deveriam ser muito mais vantajosas para mim. Mas eu não conseguia me sair bem e acabei decidindo voltar à honestidade, traço próprio de meu caráter. O engraçado é que, depois disso, os resultados começaram a ser melhores do que eu esperava. Em primeiro lugar, adquiri maior crédito no mundo dos negócios, as coisas passaram a se processar num ritmo excelente e em pouco tempo consegui um grande capital. Com isso, deixei-me levar pela corrente. Quando já tinha estendido demais a mão, deparei com a crise do mundo econômico e decaí a ponto de não conseguir mais recuperar-me. Foi isso que me fez abraçar a vida religiosa.
Entretanto, até hoje continuei seguindo os princípios da honestidade, da qual determinei jamais me apartar. Obviamente, os resultados são ótimos. Durante um período relativamente longo, houve ocasiões em que fui mal interpretado, criticado, pressionado, enfrentando caminhos espinhosos, cheios de dificuldades, mas nunca perdi a confiança das pessoas, o que ainda hoje atribuo, com toda convicção, à minha honestidade.
Parece que os homens contemporâneos têm uma visão a curto prazo e se deixam encantar por resultados momentâneos. É, pois, necessário que, diante de qualquer situação, eles observem os fatos com os olhos voltados para a eternidade. Isso é válido para todas as circunstâncias. Exemplifiquemos. Um político que força a situação para conseguir o poder, não o reterá nas mãos por muito tempo. É o mesmo que colher um caqui ainda verde, não esperando que ele amadureça e caia, e ficar frustrado com a sua cica. Existe um ditado que diz: “Os grandes políticos pensam em termos de cem anos; os políticos de nível médio, em termos de dez anos; os de nível inferior, em termos de um ano”. É exatamente assim. Entretanto, hoje em dia, por infelicidade, parece que o número de políticos de nível inferior é bem maior.
O mesmo princípio se aplica à Agricultura Natural, por mim preconizada. Vemos que a agricultura praticada até hoje conseguiu bons resultados com o uso de adubos, mas, como os adubos corroem a terra, esta se torna cada vez mais pobre. Sem perceber isso, as pessoas mostram-se deslumbradas com os resultados momentâneos. Por fim, tanto a terra como o homem ficam intoxicados.
O princípio também é válido para a medicina atual. Durante algum tempo, os medicamentos e os tratamentos através de aparelhos surtem efeito; pouco a pouco, no entanto, surgem efeitos contrários e a pessoa piora. Sempre deslumbrada com os resultados momentâneos, ela volta a utilizar o mesmo método e vai piorando cada vez mais.
Meu objetivo, com esses exemplos, é chamar atenção para as conseqüências da visão a curto e a longo prazo, a que me referi inicialmente.
20 de abril de 1949


MINHA NATUREZA

Já escrevi um artigo intitulado “Como eu me vejo”. Agora, ao invés de me colocar na posição de terceiros, tentarei analisar-me de forma subjetiva, dando uma visão mais profunda de mim mesmo.
Creio que, atualmente, não existe uma pessoa tão feliz quanto eu, e por isso minha gratidão a Deus é constante e profunda. Mas qual será a causa da minha felicidade? De fato, eu não sou uma pessoa comum, sobretudo porque Deus me atribuiu uma grandiosa missão. Esforço-me dia e noite para cumpri-la, e todos os messiânicos sabem que, através dela, um incontável número de pessoas está sendo salvo. Entretanto, a felicidade tem um segredo fácil de ser praticado mesmo pelas pessoas comuns, ou melhor, por aqueles que não têm uma missão especial como eu.
Primeiramente, desejo abrir meu coração, mostrando aquilo que é uma tônica em meu íntimo.
Desde jovem gosto de dar alegria ao próximo, a ponto de isso se tornar quase um “hobby” para mim. Sempre estou pensando no que devo fazer para que todos fiquem felizes. Quando acordo pela manhã, por exemplo, minha primeira preocupação é saber o estado de ânimo dos meus familiares. Se houver uma só pessoa mal-humorada, já não me sinto bem. Na sociedade acontece justamente o contrário: os subordinados é que se preocupam com o estado de ânimo dos seus superiores. Como sou diferente, acho isso estranho e até fico um pouco desapontado. Por esse motivo, algo que me deixa muito triste é escutar gritos de raiva, lamentações inúteis e reclamações. Também me é difícil ouvir repetidas vezes um mesmo assunto. Minha natureza é sempre pacífica e alegre.
O resultado do que acabo de expor é um dos fatores determinantes da minha felicidade. Por isso eu sempre afirmo: “Se não fizermos a felicidade do próximo, não poderemos ser felizes.” Acredito que meu maior objetivo – o Paraíso Terrestre – estará concretizado quando meu estado de espírito encontrar ressonância e expansão no coração de todos os homens.
Este artigo parece um auto-elogio, mas se, depois de sua leitura, ele puder levar algum benefício às pessoas, ficarei satisfeito.
30 de agosto de 1949


OSTENTAÇÃO RELIGIOSA

Todos que vêm a mim pela primeira vez, dizem a mesma coisa: “Antes de conhecê-lo, eu pensava que o senhor fosse uma criatura pouco acessível, que sempre estivesse rodeado de pessoas. Imaginava que, para dirigir-me ao senhor, deveria fazê-lo com o maior protocolo. Foi com muito medo que resolvi visitá-lo, mas, ao contrário do que esperava, tudo foi tão simples e fácil que fiquei surpreso.”
Realmente, quando se trata de um fundador de religião ou de um chefe, a tendência geral é pensar que eles vivem cercados de aparato. Em tempos passados, vários de meus subordinados quiseram que eu procedesse dessa forma. Entretanto, eu não sentia vontade alguma de agir assim e continuei a ser a pessoa simples que sempre fui.
Muita gente deve estar curiosa, perguntando a si mesma por que eu não assumo uma atitude ostentosa, comportando-me como se fosse um deus. Vou explicar a razão.
Talvez pelo fato de ter nascido em Tóquio, jamais gostei de exibicionismo. Como detesto a falsidade, acho que aparentar aquilo que não sou e criar diversos aparatos é uma forma de mentir; além do mais, à vista dos outros, pode ser até uma atitude desagradável. Afinal de contas, o melhor é a pessoa se mostrar como realmente é.
Na posição em que me encontro, talvez fosse melhor eu ficar no fundo da nave, junto ao altar, como um deus, e ali dar audiências, porque assim eu me valorizaria muito mais. Não gosto disso, porém. Àqueles que não aprovam meu procedimento, eu sempre digo que não precisam permanecer comigo. Todavia, com o passar do tempo, como a realidade mostra a constante expansão da nossa Igreja, constato que o número de pessoas que aceitam minha maneira de agir é cada vez maior, e isso me deixa muito satisfeito.
Devo acrescentar que considero minha natureza muito diferente da de outras pessoas. Detesto imitar o que os outros fazem. Esse é um dos motivos pelos quais não me porto com ostentação. Quero ter sempre a aparência de pessoa comum. Agindo assim, também estou quebrando a tradição geral, mas esta característica contribuiu muito para que eu pudesse descobrir a forma revolucionária de curar todos os males: o Johrei. Como os fiéis sabem, manifesto o poder de curar doenças através do Ohikari, que confecciono escrevendo uma letra numa folha de papel, não diferencio Deus de Buda, estou construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, empenho-me na promoção da Arte, evito a ostentação religiosa, etc. Se eu quisesse, poderia enumerar uma infinidade de realizações minhas que realmente quebram a tradição. A propósito, dias atrás, fui visitado por uma jornalista do Fujim Koron, que me disse ter ficado surpreendida ao chegar à entrada da Sede Provisória e não ver nenhum aparato que lembrasse uma Igreja. Ela achou muito estranho. Daqui por diante pretendo realizar uma intensa atividade religiosa em todos os campos da sociedade, mas de forma absolutamente inédita.
13 de maio de 1950


MINHA MANEIRA DE PENSAR

Tenho o costume de pensar profundamente sobre todas as coisas. Suponhamos que eu faça um projeto qualquer. A maioria das pessoas, quando elaboram um projeto, ficam ansiosas, querendo logo pô-lo em prática, e, mais do que isso, com a esperança de poderem contar com a ajuda da sorte e obterem resultados positivos. As coisas, porém, não ocorrem como elas esperavam e geralmente redundam em fracasso. Tais pessoas só pensam no sucesso, não levando em conta a possibilidade de fracasso, o que é muito perigoso. Eu, no entanto, faço o contrário. Desde o começo imagino o insucesso. Elaboro, também, um plano à parte, para quando isso acontecer. Assim, se o projeto falhar, o fato não me atinge muito; eu aguardo um pouco mais. Agindo dessa maneira, é fácil eu me recuperar, em caso de fracasso.
Em relação ao dinheiro, procedo do mesmo modo. Divido-o em três partes: se a primeira não der, começo a usar a segunda; caso esta ainda seja insuficiente, recorro à terceira. Seguindo esse método, a probabilidade de falta de recursos é mínima.
À primeira vista, parecerá perda de tempo fazer um planejamento muito detalhado, tomando todas as precauções para as eventualidades que possam surgir; contudo, se procedermos dessa forma, tudo correrá mais rapidamente, pois não haverá falhas. Fazendo como eu faço, não há desperdício de dinheiro, nem de tempo, nem de trabalho. Somando tudo isso, representa um inesperado e considerável lucro. Todos sabem que tenho planejado grandes empreendimentos, uns após outros, e os tenho executado sem qualquer preocupação; tudo sempre corre muito bem. Ainda que eu haja elaborado um plano detalhadamente e todos os preparativos estejam em ordem, não o ponho logo em prática; aguardo o tempo certo. Quando aparece uma boa oportunidade, começo a executá-lo com todo o empenho. Depois, é só esperar, sem pressa ou afobação. O homem nunca deve precipitar-se. Se o fizer, estará forçando a situação e, procedendo assim, nada dará certo. Pensando naqueles que fracassaram, vemos que, por sua pressa, todos eles, sem exceção, forçaram situações.
A propósito, lembro-me sempre da Segunda Guerra Mundial. No início, as coisas corriam bem, e por esse motivo os japoneses ficaram orgulhosos, vaidosos; mesmo quando tudo mudou, eles pensaram que não era nada e forçaram a situação. Como se mantiveram nessa atitude, o resultado foi aquele triste fim. Naquela época, senti que, com tanta afobação, as autoridades fatalmente nos levariam a perder tudo, mas silenciei, pois não podia comentar esse meu pensamento com ninguém. Se, desde o começo, tivessem considerado a hipótese da derrota, o resultado não teria sido tão desastroso, por isso foi grande a minha decepção. Obviamente, o fato ocorreu devido à falta de planejamento por parte das autoridades competentes.
Quando as pessoas me observam, às vezes me acham apressado; outras vezes, calmo e despreocupado. À primeira vista, é natural que elas fiquem confusas. Tudo se deve, logicamente, à grande proteção de Deus, mas todos se espantam pela maneira rápida com que as minhas obras são executadas. Poderão compreendê-lo melhor atentando para a incrível rapidez com que se processa a expansão da nossa Igreja.
Desejo, agora, chamar atenção para a necessidade de uma mudança na mentalidade do homem. Existem pessoas que se concentram num único trabalho, sem descanso; muitas vezes, entretanto, não conseguem ser eficientes. Isso acontece porque elas acabam entediadas, saturadas, mas ficam agüentando e insistindo no trabalho. Esse procedimento não é certo. Nessas ocasiões, o melhor é parar um pouco e até mesmo procurar uma recreação, a fim de espairecer a mente. Muitos pintores dizem que, quando não se sentem inspirados ou quando estão sem vontade, não pegam de modo algum no pincel. Na minha opinião, é uma atitude bastante sensata. Até certo ponto, a liberdade pode gerar muito mais eficiência. Nesse sentido, não gosto de ficar preso a uma só tarefa; estou sempre mudando de uma para outra. Agindo dessa forma, sinto-me mais disposto, trabalho com satisfação e minha cabeça funciona melhor. Pode acontecer, no entanto, de acordo com a situação de cada um, que essa recomendação seja impraticável. Por isso, conhecendo bem o princípio que acabo de expor e procedendo de acordo com as possibilidades e circunstâncias do momento, a pessoa terá um grande proveito. É isso que estou tentando ensinar.
25 de junho de 1952


SUA FORÇA DE SALVAÇÃO EU E A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A Igreja Messiânica Mundial é completamente diferente das outras religiões, e quem nela ingressar entenderá por quê. Mas em que aspecto ela difere das demais? No momento ainda não posso entrar em detalhes, mas falarei em linhas gerais.
Em primeiro lugar, observando bem as religiões existentes, parece-nos que elas se classificam em dois tipos. A umas nem cabe o nome religião, tal a sua simplicidade; trata-se, em poucas palavras, de fé passiva. É aquela que consiste em•ir ao templo rezar de vez em quando, receber talismãs e amuletos, queimar incenso, ver a sorte e, se a pessoa tem posses, mandar executar músicas sacras, fazer doações e oferendas e voltar para casa agradecida, sentindo-se bem. É uma fé popular, que se costuma chamar de devoção. Entretanto, esse tipo de fé pode ser considerado religião, pois, no fundo, possui normalmente uma estrutura religiosa. O outro tipo poderia ser chamado de fé pura. Nela se faz o registro de todos os fiéis, havendo dirigentes, funcionários, ministros e até encarregados de difusão, que se dedicam profissionalmente às atividades religiosas. Constitui, portanto, genuinamente, uma religião. Ao contrário da fé passiva, seus fiéis agem com seriedade e, quando se aprofundam, dedicam-se fervorosamente, de corpo e alma, às suas tarefas. Entre essas religiões, existem as recentes e as antigas. As antigas, em sua maioria, são pouco atuantes, devido, talvez, à mudança dos tempos; algumas, segundo dizem, só a muito custo conseguem manter-se na atual posição. As recentes foram fundadas aproximadamente do fim do xogunato ao início da Era Meiji, (1867), e são as que apresentam maior atividade e progresso. Entre elas, destaca-se o xintoísmo. No campo do budismo, só uma seita – a Nitiren – apresenta algum fôlego; as demais são praticamente inativas.
Num rápido exame das religiões, observamos que elas apresentam várias formalidades, mas em geral têm como alicerce os ensinamentos de seu fundador ou o espírito que norteou sua fundação, os quais são divulgados e transmitidos aos fiéis. Estes, por sua vez, oferecem-lhes sua devoção, em agradecimento pela proteção recebida de Deus. Obviamente não se pode generalizar, pois até mesmo na fé existem altos e baixos.
Concordamos plenamente que todas as religiões têm como objetivo a concretização de um mundo melhor e por isso tentam satisfazer o conceito de felicidade do homem. A maioria, entretanto, toma como principal fator o aspecto espiritual, demonstrando pouco interesse pelos benefícios materiais.

A VERDADEIRA SALVAÇÃO

Na Igreja Messiânica Mundial, não negligenciamos de maneira alguma a salvação do espírito, mas julgamos que, salvando o homem apenas espiritualmente, sua salvação não é perfeita, ou seja, ele não está realmente salvo. Temos de salvar-lhe também a parte material, e neste ponto é que reside a grande diferença entre a nossa religião e as demais. Ainda que como ser humano seu espírito esteja salvo, essa idéia não basta para ele ser verdadeiramente feliz. Numa sociedade complexa como esta em que vivemos, não se sabe quando tal felicidade será destruída, e isso está claramente provado pela realidade que nos cerca.
Exemplificando, há pessoas que adoecem, que são roubadas, que têm prejuízos, que são enganadas por indivíduos inescrupulosos, que sofrem devido a elevadas taxações de impostos, etc. No caso dos impostos elevados, podemos apontar, entre outras causas, a existência de malfeitores, que justifica a necessidade de polícia e tribunais; o surto de muitas doenças, cujo combate requer a aplicação de dinheiro; uma pessoa errada que provoca uma grande guerra, acarretando despesas decorrentes de indenizações, e assim por diante. Devido a tais fatores, atingir um estado de segurança e de paz espiritual torna-se utopia. Portanto, num mundo como este, se não houver salvação espiritual e material, não se poderá obter a verdadeira felicidade. A nossa Igreja promove a salvação em ambos aspectos. Individualmente, isso se expressa através de benefícios materiais; socialmente, através do progresso da cultura. Entretanto, segundo a Revelação Divina, há um grande erro na cultura moderna, apesar de, até agora, ninguém o ter percebido. É um erro tão surpreendente, que o que se faz pensando ser bom, na verdade é o contrário, e por causa disso a humanidade tem sofrido sérios danos. Em poucas palavras, o que se julgava contribuir para o aumento da felicidade acabava por resultar em aumento da infelicidade. Os fatos, melhor do que qualquer outra coisa, comprovam o que estamos dizendo.
Houve um grande progresso da cultura, mas a felicidade deixou de acompanhar esse ritmo; aliás, o sofrimento do homem é cada vez maior. Se a cultura moderna foi edificada graças ao esforço conjunto de sábios, santos e outros grandes personagens que vêm se sucedendo há milênios, poder-se-á dizer que se trata de uma cultura do mais elevado nível. É difícil, portanto, imaginar que em seu conteúdo possa existir um erro marcante. Como eu já disse, conhecendo o grande erro da cultura moderna, desejo, o mais breve possível, não só fazer com que o maior número de pessoas o compreendam, mas também compartilhar com elas dessa felicidade e, ao mesmo tempo, mostrar-lhes as diretrizes para a formação do Novo Mundo, caracterizado por uma cultura nova, ideal. Essa é a Vontade de Deus.
Agora vou falar sobre mim. Pelo que já passei em minha vida, sou uma pessoa comum, igual a tantas outras. Tenho, porém, uma vida tão mística, que não encontra paralelo na história de toda a humanidade. Digo isso porque me fizeram nascer com a grande missão de salvar o mundo, completamente diferente da missão de famosos religiosos como Sakyamuni, Cristo e Maomé. Ou seja, fui investido do poder de executar aquilo que esses grandes personagens não puderam realizar. Isso é absoluta verdade, como todos os fiéis estão cientes.
Por exemplo, qualquer coisa que eu desejar saber, eu fico sabendo. Tomo conhecimento de tudo que for importante, a começar dos três mundos – Divino, Espiritual e Material – assim como também do passado, do presente e do futuro. É claro que isso está limitado ao que concerne à salvação da humanidade e à construção do Paraíso Terrestre. Antevejo como será o mundo daqui a um ano ou a vários anos, e também o meu próprio destino. É até engraçado. E note-se, pela experiência que tenho tido até agora, que geralmente os fatos previstos por mim acabam acontecendo, isto é, as visões tornam-se realidade. Tenho elaborado e executado vários planos, e tudo tem corrido conforme os meus desejos.
Com relação à literatura, se penso em escrever um artigo, as palavras me fluem naturalmente, o quanto eu desejar. Como todos sabem, dedico-me também à composição de poemas e não encontro nenhuma dificuldade nisso; componho cerca de cinqüenta em uma hora. Gostaria, inclusive, de escrever haicais, poemas satíricos, obras de ficção, dramas, etc. mas não o tenho feito por falta de tempo. Além desses gêneros, escrevo sátiras e comédias; como elas têm sido publicadas; os leitores devem conhecê-las. As orações entoadas pelos fiéis também são de minha autoria, e parece-me que, apesar de eu não ter tido, anteriormente, qualquer experiência nesse sentido, elas ficaram muito boas.
Por outro lado, já é do conhecimento de todos que estou construindo um protótipo do Paraíso Terrestre de grande porte; nessa obra, as pedras, as árvores, as flores, enfim, tudo sou eu quem escolho e planejo. Naturalmente, o projeto do jardim e dos prédios e até a ornamentação também são trabalhos meus. O Templo Messiânico, que se erguerá no Solo Sagrado de Atami, mas que ainda está em fase de projeto, seguirá um estilo mais moderno que o do arquiteto suíço Le Corbusier, estilo esse que nos últimos anos se tornou moda arquitetônica no mundo inteiro. Portanto, quando o templo for inaugurado, deverá ser alvo da atenção mundial. Só de estar no local e olhar o terreno, us prédios e os jardins se projetam aos meus olhos, não havendo necessidade de pensar. Na verdade nunca estudei esses assuntos, nem ninguém me ensinou nada a respeito; entretanto, se quero fazer algo, imediatamente brotam, dentro de mim, excelentes idéias. Além disso, faço vivificações florais, escrita a pincel e pinto quadros. Dessas atividades, a única que estudei um pouco foi pintura, mas nas outras sou totalmente leigo. Com relação à Política, Educação, Economia, Filosofia e Medicina, sei das coisas que irão acontecer até daqui a um século. Sei principalmente o erro em que está baseada a cultura atual e fico impaciente quando penso que, se ele fosse logo corrigido, a humanidade seria salva e a felicidade reinaria no mundo. Nada, porém, pode ser feito enquanto não chegar o tempo certo. Atualmente, seguindo a ordem Divina, estou apenas apontando o problema da doença e os erros da agricultura, questões fundamentais para a construção do Paraíso Terrestre.

UTILIZAÇÃO DO ESPÍRITO

O que eu acho mais misterioso em mim é que, utilizando o espírito, estou fazendo com que os fiéis erradiquem as doenças. Os resultados são realmente excelentes. Cristo e muitos santos e profetas também praticaram milagres em relação às enfermidades; entretanto, na maioria das vezes eram curas de uma pessoa para outra. Ora, uma só pessoa não poderia salvar milhões; para salvar toda a humanidade é preciso que seja concedida a cada indivíduo uma força ilimitada, capaz de eliminar as doenças. É o que estou fazendo atualmente, com resultados admiráveis. A expansão da nossa Igreja é a melhor prova do que digo. Como já falei, é uma obra que nem Cristo nem Buda puderam realizar.
Não pretendo dizer que a minha força seja superior à dos grandes santos, mas expresso a realidade tal como ela se apresenta, e isso porque, chegado o tempo, Deus me faz falar sobre o assunto. Quando penso que uma força tão grandiosa foi concedida à minha pessoa, sinto a enorme importância da minha missão. Naturalmente Deus não cria nada além do que é preciso. Tudo é criado e eliminado de acordo com as necessidades. Sendo essa a Verdade, que eu sempre afirmo, fica bem clara a minha missão, determinada pelos Céus. A mim é dado conhecer todos os mistérios, sendo-me atribuído, de maneira ilimitada, o poder da Inteligência Superior. Sob a Orientação Divina, estou trabalhando para levar esse fato ao conhecimento de toda a humanidade e edificar a nova cultura, a cultura ideal. Todavia, como o homem da atualidade possui uma inteligência muito desenvolvida, ele não iria aceitar que lhe dessem uma explicação de maneira simples como nos tempos antigos. Segundo a Vontade de Deus, é necessário mostrar-lhe milagres comprobatórios e, ao mesmo tempo, transmitir-lhe as teorias de forma que elas possam ser aceitas. É por essa razão que Ele faz ocorrer milagres em grande quantidade. Nesse sentido, por um lado apontam-se os erros; por outro, dão-se provas através de milagres. Sinto-me, portanto, extremamente grato e sensibilizado pela grandeza da Providência de Deus.
Observando-se a Divina tarefa que no momento estou executando, não haverá qualquer margem para dúvidas sobre a veracidade de minhas palavras. Provavelmente a humanidade jamais sonhou com uma obra de tão grande porte e de absoluta salvação. Por conseguinte, se uma pessoa, tomando conhecimento dela, não consegue despertar, é porque é cega de alma e não tem possibilidade de ser salva pela eternidade. Além disso, se forem submetidos, no futuro próximo, ao supremo perigo representado pelo “Fim do Mundo”, aqueles que não estiverem preparados serão tomados de pânico e irão se arrepender, mas aí já será demasiado tarde.
25 de novembro de 1950


ESTADO DE UNIÃO COM DEUS

Desde os tempos antigos, muito se tem falado sobre pessoas que vivem em estado de perfeita união com Deus, mas eu creio que jamais existiu alguém que realmente tivesse vivido nesse estado. De fato, os três grandes religiosos – Sakyamuni, Jesus Cristo e Maomé – pareciam unos com Deus, mas, em verdade, eram apenas mensageiros da Vontade Divina; em termos mais claros, eram mensageiros de Deus. Dessa forma, não se sabia fazer diferença entre uma pessoa em estado de união com Deus e um mensageiro de Deus.
Os mensageiros de Deus atuam através de encostos ou seguindo as determinações Divinas. Por esse motivo, sempre rezam a Deus e pedem Sua proteção. Eu, porém, não faço nada disso. Como os fiéis sabem, não oro a Deus nem lhe peço orientação. Basta-me agir de acordo com a minha própria vontade, o que é muito fácil. Visto que poderão estranhar o que estou dizendo, por ser algo inédito, explanarei apenas os pontos que não acarretam nenhum problema.
Como sempre digo, há uma Bola de Luz em meu ventre. Essa Bola é o Espírito de Deus, de modo que Ele mesmo maneja livremente meus atos, minhas palavras, tudo. Ou seja: em mim não há distinção entre Deus e o homem. Este é o verdadeiro Estado de União com Deus. Como o Espírito Divino que habita o meu ser é o mais elevado, não existindo nenhum deus superior a este, não faz sentido reverenciar outros deuses. A melhor prova são os milagres manifestados diariamente pelos fiéis. Ora, se até os meus discípulos evidenciam milagres que não são inferiores aos manifestados por Cristo, poder-se-á, através desse único fato, imaginar a minha hierarquia divina.
Acrescente-se, ainda, que todos os religiosos existentes até agora previram a concretização de um mundo paradisíaco, mas não disseram que seriam eles os construtores desse mundo. Isto porque seu nível divino era inferior, e seu poder, insuficiente. Mas eu afirmo que o Paraíso Terrestre, mundo sem doença, pobreza e conflito, será construído por mim. Daqui para a frente evidenciarei inúmeras realizações surpreendentes, nunca vistas até agora, e por isso gostaria de que as observassem com muita atenção. Surgirão inúmeras ocorrências inconcebíveis em termos de realização humana.
07 de maio de 1952


MINHA LUZ

Escrevi, sobre o budismo, muitas coisas que ninguém até hoje havia explicado. Os leitores talvez se surpreendam, mas todo o meu conhecimento eu o obtive através da Revelação Divina. São revelações que não tinham sido feitas até agora devido ao fator Tempo. Ainda não se havia chegado ao grande marco de épocas que é a Transição da Noite para o Dia, ou seja, o desaparecimento do prolongado mundo das trevas para dar lugar a um mundo esplendoroso de luz solar. Entretanto, embora fosse um mundo de trevas, podia-se enxergar alguma coisa, pois existia a luz da Lua, e o homem se contentava com esse pouco. Essa luz eram os ensinamentos da aparente verdade da Lua, isto é, o budismo.
As coisas não podiam ser enxergadas nitidamente porque a intensidade da luz da Lua é cerca de 1/60 da luz solar. Durante a noite, é óbvio que nada se enxergava direito, inclusive as religiões; por isso os homens estavam desorientados e não obtinham a verdadeira tranqüilidade. Com a chegada do dia, sob a luz solar, tudo sobre a face da Terra ficará visível e não existirá mais dúvida alguma. Assim, cabendo a mim a missão de criar a Civilização do Dia, é lógico que eu tenha conhecimento de tudo.
Vou aprofundar a relação que existe entre minha pessoa e o Mundo do Dia.
Meu corpo abriga a bola de Luz Divina conhecida desde a antigüidade pela expressão CINTAMANI (palavra sânscrita que serve para designar a fabulosa bola com poder de atender a todos os pedidos do homem). Já me referi a isso antes, mas vou explicar mais detalhadamente.
Falando-se em Luz, os leitores poderão pensar na luz solar, mas não é bem assim. Na verdade, trata-se da união do Sol e da Lua. Como a natureza da Luz que se abriga em meu corpo é constituída pelos dois elementos extremos, forma-se a trilogia fogo-água-terra, já que o corpo é constituído pelo elemento terra. Mas será que as pessoas comuns são formadas apenas por esse elemento? Absolutamente. Elas também possuem luz, embora pouca e fraca. Minha Luz, no entanto, é extraordinariamente forte: é milhões de vezes superior à de uma pessoa comum, ultrapassando os limites da imaginação; chega praticamente ao infinito.
Tomemos como exemplo o OHIKARI, que pode ser de três tipos: HIKARI (Luz), KOMYO (Luz Divina) e DAIKOMYO (Grande Luz Divina). Colocando-o junto ao corpo, manifesta-se imediatamente a força capaz de conseguir a erradicação das doenças. Isso se deve à força da Luz irradiada da palavra escrita por mim no OHIKARI. Entretanto, nunca precisei rezar ou fazer qualquer coisa especial para escrevê-la. Simplesmente escrevo rapidamente, palavra por palavra. Levo em média sete segundos em cada uma e escrevo facilmente cerca de quinhentas por hora. Com apenas essa folha de papel, milhares de doentes podem ser beneficiados; doravante, mesmo que eu conceda milhares ou milhões de OHIKARI, o efeito de cada um será o mesmo. Creio que com isso poderão compreender o quanto é poderosa a força da minha Luz.
Possuindo tal força, não há nada que eu desconheça. Como os fiéis sabem, nunca tenho dificuldade em responder a qualquer pergunta que me é dirigida. Às vezes recebo telegramas solicitando-me auxílio para pessoas distantes e muitas obtêm a graça apenas com esse pedido. Isso ocorre porque, no momento em que tomo conhecimento do problema, minha Luz se subdivide e liga-se a essa pessoa. Assim, através do elo espiritual, ela recebe a graça. Dessa forma, é uma Luz muito prática e eficiente, pois pode aumentar milhões de vezes e alcançar qualquer local, por mais distante que ele seja. Para melhor compreensão, a Luz irradiada de mim é como se fossem “balas” de luz. A diferença entre ela e uma bala de fuzil, por exemplo, é que esta mata, mas eu dou vida às pessoas; aquela é limitada, ao passo que eu sou infinito.
A explicação acima corresponde apenas a uma pequena parte da minha força. Não é fácil explicá-la totalmente. O ideal seria que os leitores acompanhassem atentamente o trabalho que vou realizar daqui para frente. Se forem ágeis de inteligência, poderão entender até certo limite. Do ponto de vista da fé, as pessoas compreendem de acordo com o seu nível espiritual, e por isso o melhor a fazer é polir a alma e deixá-la sem máculas, pois aí terão sabedoria para compreender a virtude do meu poder.
25 de maio de 1952


QUEM É O SALVADOR?

Acho o título acima bem inusitado, e sem dúvida os leitores pensarão da mesma forma. A propósito dele, pretendo fazer uma análise psicológica da minha pessoa. Gostaria, porém, de deixar claro que se trata de uma análise objetiva do meu interior e que não há nada inventado ou fictício. Portanto, espero que leiam com esse espírito.
A palavra Messias, ou seja, Salvador, é muito usada no mundo inteiro, sem distinção de tempo e de lugar, tanto no Ocidente como no Oriente. Com exceção de uma parcela de pessoas religiosas, a grande maioria considera que a vinda ou o nascimento do Salvador tão esperado, possuidor de poder sobre-humano, não passa de um grande sonho, ou uma grande esperança utópica. É verdade que já apareceram pessoas que se auto-proclamavam Messias, mas, com o passar do tempo, acabaram desaparecendo, donde se conclui que ainda não surgiu o verdadeiro Salvador.
Devo confessar que não gosto de afirmar que sou o Salvador, mas por outro lado também não posso dizer que não o seja. Sendo algo tão sério, inédito em toda a história da humanidade, a vinda do Salvador é um assunto que não pode ser discutido de maneira leviana. Contudo, não se pode também afirmar que se trate apenas de um sonho, nem deixar de acreditar na sua viabilidade, pois a Segunda Vinda do Cristo, a Vinda do Messias e o Nascimento de Miroku foram previstos por grandes profetas e santos.
Há muito tempo venho pensando na condição número um que deve ser preenchida pelo Salvador. Antes de tudo, ele deve ter força para livrar as pessoas das doenças. Por conseguinte, além de conceder-lhes o método absoluto para obterem plena saúde e completarem o tempo de vida que lhes foi predestinado, ele deve possuir força para a concretização desse objetivo. Essa é a qualificação fundamental do Salvador.
É óbvio que a saúde do corpo deve acompanhar a saúde do espírito. Cristo disse que de nada adianta o homem ganhar o mundo se vier a perder a vida. Parece-nos que essa afirmativa evidencia a verdade acima. Assim, as religiões e os líderes religiosos que não possuem força para eliminar as doenças da humanidade, têm valor limitado. Eu sempre abracei essa tese, e certo dia, mais de dez anos após entrar na vida da fé, obtive conhecimento sobre o princípio fundamental das doenças e a sua solução. Ah, ninguém poderá imaginar o espanto e a alegria que senti naquela hora, pois nunca ninguém fizera uma descoberta tão importante! Se a compararmos com as grandes descobertas ou as grandes invenções, estas não chegariam a seus pés.
Realmente eu sou uma pessoa que nasceu com um destino misterioso.
20 de outubro de 1948


O HERÓI DA PAZ

Atualmente, só de ouvir a palavra “herói” algumas pessoas sentem uma espécie de admiração. Por outro lado, existem outras, como eu, que sentem uma certa rejeição, porque essa palavra lhes inspira um pouco de tristeza. Como podemos ver através da História, por trás das magníficas realizações dos heróis, estão ocultos os crimes que eles cometeram, fazendo do povo de sua época uma vítima de seus desejos egoístas e causando-lhe, conseqüentemente, grandes prejuízos. São fatos que não podemos ignorar e tampouco apagar da nossa memória. Não obstante, devemos agradecer-lhes os temas que proporcionaram à literatura, ao teatro, ao cinema, etc., e que tanto têm contribuído para o nosso deleite.
Não levando em conta o aspecto artístico, parece que o mundo confunde herói com grande personagem. Cristo, Sakyamuni e Maomé, por exemplo, são realmente grandes religiosos, mas não são heróis. Se pensarmos um pouco, poderemos entender que a diferença está em suas realizações. É desnecessário dizer que esses três grandes religiosos tentaram, a qualquer preço, salvar a humanidade, mas salvar no sentido espiritual. Assim, comparando suas realizações às da Ciência, torna-se evidente que o mérito da construção da magnífica civilização atual pertence a esta última.
Isso é apenas o aspecto que veio à tona e se tornou perceptível, mas não podemos deixar passar despercebidas as atividades dos religiosos no outro aspecto da questão. O que acontece é que, não sendo visíveis, elas não atraíram muita atenção. Muito pelo contrário: vieram sendo interpretadas erroneamente, como se fossem coisas separadas, e não se pode imaginar quanta infelicidade isso causou aos seres humanos. Na realidade, é justamente com a força dos dois lados – matéria e espírito, frente e verso, luz e sombra – que a civilização pôde alcançar o nível atual. Naturalmente, isto foi obra da Providência de Deus. Em termos humanos, o progresso da parte material pode ser considerado como contribuição dos heróis e cientistas, e o da parte espiritual, fruto da realização dos grandes religiosos.
Todavia, embora a civilização tenha alcançado tão grande progresso, não podemos esperar que ela vá além disso. Significa que a civilização chegou a um beco sem saída. Realmente, como podemos constatar, a infelicidade e a intranqüilidade dos homens aumentam a cada dia; se continuar assim, nem poderemos ter idéia de quando virá o mundo de Paz e Felicidade, que é o ideal de todos os seres humanos. Conseqüentemente, faz-se necessária a construção de uma civilização ainda mais elevada, através de um grande salto da civilização atual. Por grande felicidade, este momento chegou. Deus mostrou-me claramente os fundamentos desse Mundo Ideal e atribuiu-me um grande poder, de modo que já comecei a executar a sua construção. Talvez as pessoas se espantem com as minhas palavras e cheguem a pensar que se trata de auto-elogio, mas não tenho outra alternativa, porque o que estou dizendo é a pura verdade. Observando a transformação que se processará no mundo daqui para frente e o desenvolvimento paralelo de meus trabalhos, poderão entender que não estou mentindo.
Retrocedendo ao que dizia antes, falarei mais um pouco sobre a Ciência e a Religião.
Até hoje, os fundamentos das religiões eram de caráter “Shojo”, isto é, as pregações dos fundadores não eram muito profundas. Poderão certificar-se disso observando que sempre houve muita hesitação e que a verdadeira Paz e Iluminação não foram alcançadas. Isso era inevitável, devido ao Tempo. Mas Deus revelou-me até os fundamentos absolutos e infinitos, só que não me é permitido expô-los agora, razão pela qual escrevo apenas até certo ponto.
A esse respeito, como podemos ver pelas religiões tradicionais, geralmente as religiões se utilizam de dois meios de salvação: os Ensinamentos Sagrados, através das escrituras, e os sermões, através das palavras.
Além das religiões, restam-nos, como herança principal de nossos antepassados, o desbravamento de matas e terras, construções, objetos artísticos, etc. Entretanto, quando faço uma análise mais profunda, vejo que é imperioso o aparecimento de uma força com capacidade para liderar o mundo daqui para frente.
Agora, torna-se necessário que eu fale a meu respeito. Como todos sabem, escolhi três locais para Solo Sagrado – Hakone, Atami e Kyoto, no Japão – lugares extremamente aprazíveis, onde estou construindo, atualmente, um pequeno protótipo do Paraíso Terrestre. Meu objetivo é criar um ambiente paradisíaco cujas características internas e externas estejam harmonizadas: enormes jardins com a beleza das montanhas e das águas, um palácio das belas-artes, construções inéditas entre as religiões, etc. Dedico-me, também, ao desenvolvimento revolucionário da medicina e da agricultura; além disso, através de infinitos e fabulosos milagres, empenho-me em fazer com que o homem se conscientize da existência de Deus. Enfim, faço difusão religiosa por métodos ainda não explorados, ainda não utilizados por nenhum homem. Estas atividades constituem o importantíssimo alicerce do mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo.
Gostaria de acrescentar que todas as atividades de construção a serem realizadas de agora em diante, da primeira à última, já estão elaboradas na minha mente, só restando esperar pelo tempo certo. Com o passar do tempo, tudo irá se concretizando. Trata-se de um plano por demais grandioso; pode-se dizer que é a criação da nova civilização mundial.
Como se pode ver, a Igreja Messiânica Mundial não é propriamente uma religião, e não estamos conseguindo sequer dar-lhe um nome adequado. Além do mais, tudo veio se concretizando conforme o Plano de Deus; chega mesmo a assustar-me a exatidão com que isso vem se processando. Iniciada como re¬ligião em agosto de 1947, nossa Igreja conseguiu, em apenas seis anos, a magnífica expansão que vemos atualmente. Se ob-servarmos que ela conseguiu tamanho progresso enfrentando a pressão das autoridades, a incompreensão dos jornalistas e os mais variados obstáculos durante esse período, teremos de ad¬mitir que isso não seja obra do homem. Naturalmente, daqui por diante, continuaremos caminhando de acordo com o programa definido por Deus e, dessa forma, um dia se descortinará o grande Drama Divino que tem o mundo como palco. A esse simples pensamento, sentimo-nos tomados de grande interesse e curiosidade. Além disso, doravante se evidenciarão, uns após outros, milagres surpreendentes e cenas de eufórica alegria. Portanto, desejo que aguardem com muita atenção.
Em suma, eu me considero o Herói da Paz.
11 de maio de 1953

Um comentário:

  1. Estou realmente arrependida ao ter ingressado no Google. Não encontro meus arquivos. E-mails desaparecem. Se é musicado ficam sem música e uma série de irregularidades que tomam horas do meu tempo para conseguir o quero ou desisto. Nem nos downloads consigo encontrar da forma original as mensagens que procuro. Vocês precisam urgentemente contratar técnicos da Microsoft para consertar o que seus técnicos não entendem como funciona. Se a Google é um veículo de comunicação tem que funcionar como a Microsoft, sem mexer nos assuntos dos assinantes, fazer modificações que eles não entendem e quando clicamos "Ajuda", aí é que complica. São tantos itens e as coisas não funcionam como pensamos que vão funcionar e voltamos à estaca zero. Porque não ser simples como o Hotmail, Yahoo e tantos outros? Lamento mas se continuar assim vou ter que desistir! O Gmail antigo não era dos melhores, mas dava para o gasto!
    Desculpem-me, isto é uma crítica construtiva!!! O computador foi inventado para ser usado por pessoas de todos os níveis sociais inclusive para os de uma formação intelectual, educacional e faixa etária abrangente. Este e-mail acima estava na minha página de entrada, com estrela !!! O fundo musical sumiu, recorri ao download e não consegui recupera-lo.
    Espero que consigam realmente chegar ao que estão se propondo de ser o melhor meio de comunicação, mas para isso temos que falar a mesma língua na essência do que estão querendo que aconteça. Leuce Maria Pessoa Raposo - E-mail: leucemariapessoa@gmail.com.

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