quarta-feira, 19 de maio de 2010

alicerce do paraíso vol 03

ÍNDICE

Capítulo 1
A RESPEITO DO HOMEM E SUA MISSÃO
A missão do homem...............................................11
Conheça a Vontade Divina.......................................11
Camadas do Mundo Espiritual....................................14
Os três espíritos do homem.....................................16
Vença seu próprio mal.....................................17

Capítulo 2
ELEVAÇÃO DA ESPIRITUALIDADE
2.1 – Elevação espiritual
Espírito e corpo.................................................21
Sejam sempre homens do presente...................................24
Ser amado por Deus..........................................25
O segredo da boa sorte..........................................27

2.2 – Inteligência da Percepção Verdadeira
Luz da Inteligência.............................................31
O saber das coisas..............................................32
As cinco inteligências...........................................36

2.3 – Felicidade
Felicidade.........................................................39
Segredo da felicidade.......................................40
Destino e liberalismo...........................................43
Nós é que traçamos o nosso destino..............................43
Bom Senso.....................................................45

2.4 – Fé Universal
Possua Fé Universal..............................................46
Deus é Justiça.......................................................48
A Nossa Religião e o Universalismo...................................49

2.5 – Vida em Harmonia
Fé Messiânica..........................................52
Sol e Lua................................................53
O que é Limite.............................................55
Espírito de “Izunomê”....................................56

Capítulo 3
VIDA E MORTE
Vida e Morte..............................................61
O que é a morte?.........................................66
Existem Fantasmas?........................................68
Julgamento no Mundo Espiritual................................70
A Reencarnação................................................74

Capitulo 4
SAÚDE
4.1 – Verdadeira Saúde
A verdade sobre a saúde........................................79
O homem é um poço de saúde......................................81
A verdadeira saúde e a saúde aparente.............................83
Morte natural e morte antinatural..................................84

4.2 – Toxinas
Análise das toxinas..............................................86
Os três tipos de toxinas........................................89
Toxinas Urinárias................................................90
A causa dos acidentes.............................................90

4.3 – Processo de Purificação
O tratamento natural.............................................92
O que é a doença...............................................94
A verdadeira causa das doenças...................................97
O que é a doença? — A gripe...............................99
A trilogia dos órgãos internos e o Johrei......................103
A verdadeira causa da doença está no “espírito”....................106
A causa das doenças e o pecado..............................109
O que é o estado ligeiramente febril....................113
Sobre a purificação proporcional..............................115
A doença e o caráter do homem...............................116
A advertência dos antepassados...............................116

4.4 – Nutrição
Alimentação e nutrição.......................................118
A dietética....................................................120
A comédia da nutrição..........................................122



A MISSÃO DO HOMEM

O homem veio à Terra com a missão de auxiliar na concretização das condições ideais do planeta, de acordo com o Plano Cósmico. Quando ele vive em conformidade com esse Plano, é naturalmente abençoado com a saúde, a felicidade e a paz, a que tem direito inalienável.
Infelizmente, pelo fato do homem ter se desviado da Verdade, ninguém está livre das máculas espirituais transmitidas de geração a geração, bem como das máculas geradas pelos seus próprios pensamentos e atos errôneos. Além disso, existem as substâncias artificiais, consciente ou inconscientemente introduzidas no corpo, que aumentam as máculas e, conseqüentemente, o sofrimento. Enquanto o homem não se libertar, purificando-se através da compreensão e do discernimento, continuará sofrendo.
Contudo, aqueles que dedicam o seu pensamento e trabalho ao servir à Causa Divina, não necessitam afligir-se durante o período de transição da Noite para o Dia, porque são necessários ao Plano Cósmico evolutivo.
Extraído do livro “Os Novos Tempos”



CONHEÇA A VONTADE DIVINA

Volto a ventilar o assunto de que o homem foi criado para construir o Mundo Ideal planejado por Deus. E ele só trabalhará com saúde, sem desgraças, em ambiente satisfatório, se conseguir identificar-se com este objetivo Divino. Eis a Verdade Eterna.
O ser humano carrega não só as suas próprias máculas, como as de sua raiz familiar. Além disso, mesmo sem saber, ele absorve substâncias tóxicas, aumentando, inevitavelmente, o número de suas enfermidades. Ora, a existência de pessoas doentes e, conseqüentemente, inúteis para a Obra Divina, constitui um prejuízo para Deus. Por isso, é lógico que Ele deseje curá-las; nem precisaríamos preocupar-nos com o assunto. No entanto, os que ignoram esse aspecto, julgam que os remédios sejam o único recurso contra as doenças, e nada mais fazem que reprimi-las. Assim, desconhecendo a Lei de Identidade Espírito-Matéria, jamais poderão obter a cura integral.
Os males que decorrem da ignorância humana, não se restringem às questões de saúde. Todas as desgraças têm o mesmo caráter e destinam-se à purificação do homem. O processo purificador, no entanto, muda seu tipo de ação de acordo com a causa do mal.
Os pecados de furto, peculato, prejuízo ao próximo, luxo excessivo e outros, são redimidos com perda de dinheiro e de bens materiais. O farrista que esbanja a herança familiar está redimindo as máculas de seus pais e de seus antepassados. O espírito de um antepassado escolheu um descendente para que, por seu intermédio, se processe a purificação e a preservação do sangue da família, a fim de que ela venha a progredir no futuro. Nessas circunstâncias, não há conselho que surta efeito. Pode ocorrer o caso de dois irmãos com índoles diferentes: um é incorrigível e malvado; o outro é leal e honesto. Aparentemente, o primeiro é mau e desonra o nome da família. Mas, à luz da Verdade, purificando a família e eliminando as máculas dos antepassados, sua missão assume maior importância que a do outro. Por essa razão, é dificílimo definir o bem e o mal usando critérios humanos.
Incêndios, roubos, falsidade, perdas na Bolsa, falências comerciais, apostas inúteis, gastos com doenças, etc., são formas materiais de redenção de máculas também adquiridas materialmente. Portanto, embora possa fugir às sanções das leis humanas, ninguém escapa das leis eternas.
O pecado de enganar ou ludibriar os olhos humanos será redimido, conseqüentemente, pelos males da vista; aquele que se comete através da palavra, provocará doença dos ouvidos ou da língua; torturar a mente do próximo causará dores de cabeça; o uso dos braços apenas para benefício próprio, será fonte de padecimento nos braços. A purificação ocorre de acordo com o princípio da concordância.
Também o ingresso na Fé produz sofrimento, e este será tanto mais profundo, quanto maior for a dedicação. O motivo é que Deus quer beneficiar a pessoa como recompensa pela sua dedicação, e para isso é necessário eliminar suas máculas espirituais, a fim de que ela possa receber Suas Graças. Suportando as purificações sem vacilar, a pessoa receberá benefícios inesperados. Entretanto, quem não possui firmeza de fé, vacila nesses momentos decisivos.
Vou lhes falar de minha experiência sobre o assunto.
Durante vinte anos sofri em virtude de dívidas aparentemente insolúveis. Finalmente consegui saldá-las em 1941. Foi um alívio! No ano seguinte, começaram a chegar-me riquezas inesperadas, e assim me surpreendi com a profundidade da Vontade Divina.
É habitual ouvirmos comentários como este: “Fulano ficou rico após o incêndio”. Isso nada mais é que uma conseqüência da purificação. Podemos dizer o mesmo em relação ao incêndio de Atami. Se compararmos a atual cidade com o que ela era antes da catástrofe, veremos que a diferença é surpreendente.
Concluímos que, se os bons acontecimentos são apreciáveis, os maus também nos trazem benefícios, pois são purificadores, e que haverá verdadeira paz sempre que soubermos agradecer, tanto na saúde como na enfermidade. Mas isto se limita aos que têm fé. Com os descrentes ocorre o contrário: o sofrimento gera o sofrimento, a ansiedade piora a situação, e tudo caminha para o abismo.
O segredo da felicidade humana consiste em aceitar esta verdade.
2 de dezembro de 1953



CAMADAS DO MUNDO ESPIRITUAL

Já expliquei que o Mundo Espiritual está constituído dos planos Superior, Intermediário e Inferior, mas explicarei agora a estreita relação entre eles e o destino do homem.
Cada um desses planos se subdivide em sessenta camadas, de modo que, no total, são cento e oitenta camadas. Eu as chamo de Camadas do Mundo Espiritual.
O homem nasce no Mundo Material por desígnio de Deus. Creio que, nesse sentido, o elemento “mei” (desígnio), que aparece em “seimei” (vida), tem a mesma significação que o “mei” de “meirei” (ordem).
Eis uma pergunta que todos fazem: por que razão o homem nasce? Enquanto não compreender isso, o homem não poderá ter comportamento correto nem verdadeira tranqüilidade, estando sujeito a levar uma vida vazia e ociosa.
O objetivo de Deus é fazer da Terra um mundo ideal, ou melhor, construir o Paraíso Terrestre. No desenvolvimento do Seu plano, há uma grandiosidade que não pode ser expressa com palavras, pois o progresso da cultura não tem limite. Assim, todos os acontecimentos da História Mundial, até hoje, não passaram de operações básicas para concretizar o objetivo de Deus. Este, concedendo diferentes missões e características a cada pessoa e alternando a vida e a morte, está fazendo evoluir Seu plano em direção ao objetivo estabelecido. Portanto, concluímos que o bem e o mal, a guerra e a paz, a destruição e a construção são processos necessários à evolução.
Como já expliquei minuciosamente, estamos atravessando a fase de transição da Noite para o Dia. O mundo, atualmente, está prestes a dar um grande salto para a Nova Era, e a humanidade, libertando-se da selvageria, está procurando alcançar o mais alto nível da cultura. Aí, a guerra, a doença e a pobreza terão fim. É claro que o aparecimento do Johrei é o prenúncio disso e constitui mesmo um fator essencial.
Para o cumprimento de Seu plano, Deus emite ordens ao homem constantemente, através de algo que é como a semente de cada indivíduo numa das camadas do Mundo Espiritual. Dei-lhe o nome de YUKON. A ordem é primeiramente baixada ao YUKON, e este, através do elo espiritual, a transmite à alma, núcleo do corpo espiritual do homem. Entretanto, é dificílimo o homem comum conseguir perceber a ordem Divina; somente aqueles cujo corpo espiritual foi purificado até certo ponto é que o conseguem. Essa percepção é dificultada não só pela grande quantidade de máculas, mas também pela ação de Satanás, que se aproveita dessas máculas. Uma prova disso é que, às vezes, as coisas não correm como o homem deseja, e o seu destino toma um rumo que ele jamais imaginaria. Existem, também, pessoas que se sentem sempre governadas por uma força estranha e não conseguem mudar seu destino. É que, de acordo com a posição do YUKON no Mundo Espiritual, há diferença na missão e também no destino. Isto é, quanto mais alta for a camada em que estiver o YUKON de uma pessoa, melhor ela perceberá as ordens Divinas e mais feliz será. Ao contrário, quanto mais baixo ele estiver, mais infeliz a pessoa. As camadas superiores correspondem ao Céu: mundo de alegria, saúde, paz e riqueza material; em contraposição, as camadas mais baixas correspondem ao Inferno: mundo de sofrimento, doença, conflito e pobreza. Assim, para ser verdadeiramente feliz, o homem deve, antes de mais nada, elevar a posição do seu YUKON.
E como é que ele pode conseguir isso? Purificando seu corpo espiritual. Este está sempre se elevando ou baixando, dependendo da quantidade de máculas; o espírito purificado se eleva, por ser leve, e o espírito maculado desce, pelo peso das máculas. Portanto, para purificar seu espírito, o homem deve praticar boas ações e acumular virtudes.
5 de fevereiro de 1947



OS TRÊS ESPÍRITOS DO HOMEM

Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito Guardião que constantemente o protege. É comum ouvirmos dizer que o homem é filho ou templo de Deus: isso significa que ele possui a partícula Divina que lhe foi outorgada pelo Criador e que constitui seu Espírito Primordial. O espírito animal agregado após o nascimento, é o Espírito Secundário; pode ser de raposa, texugo, cão, gato, cavalo, boi, macaco, doninha, dragão, “tengu” (1) , aves, etc. Em geral, há uma espécie para cada pessoa, mas em casos menos freqüentes há mais de uma. Dificilmente os homens da atualidade acreditam nisso; creio mesmo que chegam a escarnecer. Contudo, através de inúmeras experiências, eu compreendi que se trata de uma realidade incontestável.
O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o Espírito Secundário é o mal, são os pensamentos vis. No budismo, dá-se à consciência o nome de Bodaishim (espírito do bem) ou Bushim (sentimento de misericórdia búdica), e os maus pensamentos são chamados de Bonno (desejos mundanos).
Além desses dois espíritos – Primordial e Secundário – existe o Espírito Guardião. É o espírito de um ancestral. Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus ancestrais um espírito que recebe a missão de guardá-la. Via de regra, é espírito humano, mas também podem ser espíritos híbridos de homem com dragão, raposa, “tengu” etc. Meu Espírito Secundário, por exemplo, é “Karassu-tengu” (2), e meu Espírito Guardião é dragão.
É muito freqüente, diante de um perigo, o homem se salvar miraculosamente, sendo avisado em sonho ou tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito Guardião. O mesmo se pode dizer em relação à inspiração recebida por artistas e inventores, no momento em que, compenetrados, estão criando alguma obra. No caso de querer satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-lo receber graças através da Fé, Deus atua por intermédio do Espírito Guardião. Os antigos provérbios “A verdadeira sinceridade se transmite ao Céu”, ou “A sinceridade se transmite a Deus”, significam a concessão das graças Divinas através do Espírito Guardião.
5 de fevereiro de 1947




VENÇA SEU PRÓPRIO MAL

Já escrevi a respeito da necessidade de vencer o mal, dando à expressão o sentido de não ser vencido pelo homem perverso. Agora falarei da vitória sobre o mal que existe em nosso íntimo.
Dentro de cada ser humano há uma batalha constante entre o bem e o mal. É a luta para subjugar as paixões do mundo, conforme a interpretação budista.
A ambição humana é ilimitada. Embora o homem viva tentando refrear-se em relação ao dinheiro, ao sexo, ao poder, à fama e ao egoísmo, vê-se constantemente tentado por eles. A consciência lhe adverte que seja prudente, que evite isto e aquilo que será castigado se for a determinado lugar, etc. O campo de batalha desta luta sem trégua encontra-se no interior de cada indivíduo.
A vitória do mal resulta em pecado e infelicidade; a vitória do bem cria felicidade. É tudo tão simples e nítido quando examinamos a questão, que parece fácil de praticar. Entretanto, mesmo com uma clara noção do assunto, os homens não são capazes de triunfar na luta contra o mal, principalmente quando não têm fé. Eis por que os fiéis mais esclarecidos pecam menos que os outros. Mas, para isso, é necessário que eles façam um grande esforço.
Naturalmente, a força que nos arrasta à prática do mal pertence ao Espírito Secundário, e a que nos conduz pelo caminho do bem, ao Espírito Guardião. Como, além destes, temos o Espírito Primordial, que determina o Absoluto Bem, precisamos fazer algo para aumentar-lhe o poder de atuação, porque essa é a força que domina o mal pela raiz. Sendo assim, o único recurso é adorar a Deus e solidificar a fé. Não existe outro meio para se obter a felicidade.
20 de junho de 1951



ELEVAÇÃO ESPIRITUAL


ESPÍRITO E CORPO

Se tudo que ocorre no Universo está fundamentado na precedência do espírito sobre a matéria, não há nada de estranho nos inúmeros milagres que acontecem. Para entender esses milagres, precisamos conhecer a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material.
Tal como o homem possui roupas para o corpo, o espírito também possui uma veste, que é a aura. Esta é uma espécie de éter; é a luz emanada do espírito. Não obstante ser algo vago, há quem consiga enxergá-la. Ela pode ser comparada ao tempo: ora está clara, ora está nublada. Se pensamos o bem e o praticamos, a aura fica clara; se pensamos e praticamos o mal, ela fica maculada. Assim, se cremos numa divindade verdadeira, recebemos sua Luz, que dissipa as máculas; se cremos numa divindade falsa, as máculas aumentam. Geralmente por falta de conhecimento espiritual, as pessoas pensam que toda divindade é correta e verdadeira, mas aí está um gravíssimo erro, pois, na realidade, os falsos deuses são em maior número. A prova é que muitas famílias, embora sejam devotas há várias gerações, não param de ser atormentadas pela infelicidade. Isso ocorre porque estão adorando um deus falso, ou de fraco poder. O homem deve, portanto, converter-se ao verdadeiro Deus e salvar o próximo; quanto mais méritos e virtudes ele somar, mais luminosa e maior se tornará a sua aura.
A aura de uma pessoa comum tem aproximadamente três centímetros, mas no caso de um virtuoso varia entre quinze e trinta centímetros. Os virtuosos que alcançaram nível de divindade possuem aura de alguns metros ou mesmo quilômetros. Entre os grandes religiosos há aqueles cuja aura alcança diversos países ou povos. Cristo e Sakyamuni, por exemplo. A aura do Salvador do Mundo, no entanto, possui a força máxima, ou seja, uma força que envolve em Luz toda a humanidade; mas a História mostra que até agora ainda não apareceu o Salvador do Mundo.
Como dissemos, a aura aumenta ou diminui de acordo com a boa vontade e o esforço de cada um. Os homens precisam crer nisso e praticar o bem. Exemplificando,no caso de alguém sofrer um acidente automobilístico ou ferroviário, se a sua aura for espessa, o espírito do veículo esbarrará nela e não atingirá a pessoa, salvando-a; todavia, se a aura for fina ou quase inexistente, ocorrerão ferimentos graves ou mesmo morte. É por esse motivo que os nossos fiéis conseguem escapar dos acidentes.
A sorte ou azar da pessoa obedece ao mesmo princípio. O corpo pertence ao Mundo Material, e o espírito ao Mundo Espiritual; esta é a organização dos dois mundos. O Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior, Médio e Inferior. Cada plano subdivide-se em sessenta camadas, distribuídas, por sua vez, em três níveis de vinte camadas cada um, totalizando cento e oitenta camadas. É claro que o plano mais baixo corresponde ao Inferno; em seguida vem o mundo intermediário, equivalente ao nível do Mundo Material; o mais alto é o Céu. A maior parte das pessoas se situa no plano intermediário, mas, dependendo da prática do bem ou do mal, elas podem descer ou subir de plano. Assim, se praticam o bem, sobem ao Céu; se praticam o mal, caem no Inferno. Além do mais, no Mundo Espiritual existe absoluta justiça e não há privilégios, o que é desagradável para os malfeitores. Aqueles que acreditarem nisso, poderão alcançar a verdadeira felicidade.
É evidente que no Inferno reina a inveja, o ódio, a cobiça, o ciúme, a pobreza, etc., e quanto mais se desce, mais intensos se tornam, sendo que o nível mais baixo é chamado de Reino do Fundo da Raiz ou Inferno de Trevas e Frio Absolutos. Entretanto, não só após a morte, mas desde que o corpo está no Mundo Material, o espírito se reflete nele no estado em que se encontra. É por isso que vemos até casos de suicídio de uma família inteira, após um sofrimento extremo. São ocorrências que sempre figuram nos jornais, mostrando que a sorte ou o azar dependem da posição (nível) da pessoa no Mundo Espiritual. Obviamente trata-se de uma conseqüência da lei de causa e efeito entre o bem e o mal, de modo que não há ninguém mais tolo que o malfeitor. Mesmo que consiga progredir na vida valendo-se do mal, esse êxito é passageiro; um dia ele acabará arruinado, já que no Mundo Espiritual sua posição é no Inferno. Em contrapartida, por mais azarada que uma pessoa seja, se ela praticar o bem, sua posição no Mundo Espiritual irá se elevando e algum dia ela se tornará feliz. É uma Lei Divina que jamais poderá ser infringida. Todavia, embora a pregação deste ensinamento seja a missão original das religiões, isso não ocorreu de maneira efetiva, pois, considerando os ensinamentos e os sermões como sendo o mais importante, elas não os faziam acompanhar da força que tem o real poder, ou seja, os milagres.
Entretanto, é chegado o tempo, e Deus está manifestando o Poder Absoluto, fazendo surgir surpreendentes milagres através da nossa Igreja, para despertar a humanidade da ilusão em que ela se encontra; por isso, por mais incrédulo que alguém seja, não poderá deixar de crer.
10 de setembro de 1953



SEJAM SEMPRE HOMENS DO PRESENTE

O homem deve progredir e elevar-se continuamente, sobretudo aqueles que possuem fé. Entretanto, quando tocamos em assuntos religiosos, as pessoas costumam julgar-nos antiquados e conservadores. Não podemos negar que essa é uma tendência dos fiéis em geral; porém, com os messiânicos, dá-se justamente o contrário, ou melhor, eles devem esforçar-se para ser o contrário.
Observemos a Natureza. Ela procura renovar-se e progredir constantemente, sem um minuto de interrupção. O número de seres humanos aumenta de ano para ano. As terras vão sendo exploradas todos os anos. Vemos maiores e melhores vias de transportes – obras cuja construção demonstra crescente arrojo arquitetônico – e maquinarias cada vez mais perfeitas. As ervas e as árvores crescem em direção ao Céu. Tudo isso mostra que nada regride.
Ora, se tudo continua evoluindo, é natural que os homens também devam evoluir continuamente, seguindo o exemplo da Natureza. Nesse sentido, eu mesmo faço esforço para elevar-me e progredir cada vez mais; este mês, mais do que no mês anterior; este ano, mais do que no ano passado.
Mas progredir somente na parte material, isto é, nos negócios, na profissão e na posição social, não passa de algo sem base, algo demasiado superficial, como uma planta sem raiz. É indispensável o progresso do espírito, isto é, a elevação da individualidade. Portanto, devemos prosseguir passo a passo, pacientemente, visando à perfeição, principalmente no que se refere à espiritualidade. Com a elevação gradual do espírito, a personalidade também florescerá e, sem dúvida alguma, essa atitude de contínuo progresso conquistará a confiança do próximo, facilitará os empreendimentos e tornará a pessoa feliz.
Os jovens da atualidade talvez encarem estas palavras como moral antiquada e já superada; entretanto, é pondo em ação tais palavras que as criaturas poderão, verdadeiramente, ficar atualizadas. Os homens que não pensam e não agem assim, desejando evoluir apenas materialmente, ficam estacionados. Não progridem nem são progressistas. Parecem-me antiquadíssimos, observados deste ponto de vista. Seus pensamentos e assuntos são sempre os mesmos, não apresentam nada de especial. Palestrar com essas pessoas não me desperta nenhum interesse, pois elas se limitam a assuntos triviais, não falando de Religião, de Política, de Filosofia e muito menos de Arte.
O ideal seria que todos os fiéis da nossa Igreja se interessassem em progredir e elevar-se cada vez mais. Como visamos a corrigir a civilização errônea e construir um mundo ideal, os messiânicos devem procurar, nesta época de transição do mundo, ser sempre homens atualizados, vivendo em sintonia com o século XXI, que se aproxima.
Eis o sentido do meu costumeiro conselho: sejam homens do presente.
11 de outubro de 1950



SER AMADO POR DEUS

A essência da fé, em poucas palavras, é “Ser amado por Deus” ou “Estar no agrado de Deus”. Deste modo, devemos saber que tipo de pessoa é amada por Deus. Mas deixemos isso para depois; devemos, primeiramente, conhecer a missão da nossa Igreja. Ela está relacionada ao Juízo Final, de Cristo e à extinção do budismo, de Sakyamuni, fatos esses que estão prestes a acontecer.
Deus e as entidades búdicas estão manifestando seu grande amor misericordioso, fazendo com que um maior número de pessoas ultrapasse a grande transição do mundo. E como Deus atuará? Naturalmente, Ele utilizará os homens, e acredito que fui escolhido para assumir esta grande missão.
Como é uma grande missão, jamais vista ou ouvida, acabo até achando-a difícil demais de ser realizada; porém, como é o grandioso Deus Supremo que me outorgou essa missão, não tenho alternativa.
Inicialmente, duvidei e até resisti, mas não havia meio de recusá-la , pois estava acima das minhas forças. Deus me utiliza livremente. Não são poucas as vezes em que Ele me fez sentir alegrias extremas e aquelas em que me obrigou a enfrentar situações infernais. Porém, cada vez que isso ocorria, percebia Sua mão invisível, Seu indescritível poder de atração e experimentava o gratificante sabor da vida. Talvez seja uma sensação impossível de ser expressa em palavras que, provavelmente, somente eu tenha vivido na face da Terra.
O mais importante é procurar saber o que devemos fazer para sermos do agrado de Deus. Qualquer pessoa de bom senso sabe que o que desagrada a Deus é agir fora do caminho, mentir, fazer os outros sofrer, causar incômodo à sociedade. Contudo, atualmente, existem muitas pessoas que não se importam com ninguém, achando que basta o próprio bem-estar e manifestam esse egoísmo na prática. Por se tratar de uma atitude das mais condenáveis, não há como estar do agrado de Deus. Assim, cada um precisa saber se está sendo amado por Deus ou não. É algo extremamente simples:
“Para mim, nada vai a contento. Sofro de necessidades materiais; meu trabalho não progride; meu crédito é fraco; não consigo me rodear de pessoas; minha saúde também é insatisfatória; do jeito que trabalho, não entendo por que não dá certo.” As pessoas que fazem esse tipo de comentário não estão sendo do agrado de Deus. Bastar estar no agrado d’Ele e o nosso trabalho se desenvolve satisfatoriamente; as pessoas juntam-se ao nosso redor a ponto de nos incomodar; os recursos materiais nos chegam em tão grande quantidade, que mal podemos utilizá-los em sua totalidade. O mundo, então, se torna um lugar agradável de se viver.
A fé só tem realmente valor quando somos felizes. Se a praticamos mas não alcançamos a felicidade, é porque o motivo, infalivelmente, se encontra em nosso próprio espírito.
25 de maio de 1949



O SEGREDO DA BOA SORTE
Já escrevi a respeito em outras oportunidades, mas insisto sobre o assunto porque, quanto mais observo o mundo atual, mais vejo pessoas infelizes.
É desnecessário dizer que, desde a antigüidade, a boa ou má sorte do homem constitui a questão mais difícil que existe. Talvez o ser humano esteja fadado, desde o momento em que nasce até o momento em que morre, a nunca se libertar do desejo de obter a boa sorte. Isso porque geralmente não conseguimos compreender aquilo que mais desejamos. Seria maravilhoso se o conseguíssemos, mesmo que fosse um pouco. Felizmente, eu adquiri clara compreensão dos fundamentos para se alcançar a boa sorte. Além disso, pelas minhas próprias experiências, verifiquei que eles não contêm o mínimo erro, de modo que os exponho com toda a convicção.
Conforme todos podem observar, não existe nada mais vago, abstrato e difícil de ser obtido que a boa sorte, algo tão simples. Não estando ela ao nosso alcance, a única alternativa que temos, naturalmente, é esperar por ela. Daí, talvez, o nome sorte. Concordo com as palavras: “A vida é uma grande aposta”, pois até as pessoas consideradas sábias continuam a perseguir a boa sorte, embora pareçam ter perdido as esperanças de alcançá-la. Talvez esta seja a predestinação dos homens.
É unicamente pela vontade de alcançar a boa sorte que conseguimos fazer diversas coisas, seja qual for o sacrifício. Por esse motivo, também, é que “fazemos das tripas coração” e chegamos ao fim da vida sacrificando-nos para realizar nossos desejos. Assim, talvez, seja a vida. Não existe nada mais irônico que a sorte: quanto mais tentamos agarrá-la, mais ela foge. No Ocidente, existe um ditado que diz: “A oportunidade de obter a boa sorte só aparece uma vez na vida. Se a perdermos, não encontraremos outra”. É exatamente assim.
Pela minha longa experiência, sinto que sou constantemente ludibriado pela sorte. Às vezes parece que vou consegui-la facilmente, mas tal não acontece. Quando a vejo bem diante de meus olhos e estendo as mãos para alcançá-la, ela acaba escapando. Quanto mais a perseguimos, mais rápido ela foge. É realmente difícil lidar com ela. Mas eu consegui agarrar de fato aquilo que se chama sorte. Entretanto, o que complica sua explicação é a existência de pontos desconhecidos que as pessoas dificilmente compreendem, salvo as que têm fé. Isto porque elas olham somente o lado superficial das coisas e não o seu interior; ou melhor, não o enxergam. E no caso da sorte, sua causa está justamente no interior; sem compreender isso, é impossível alcançá-la. Quando o homem movimenta o corpo, não é o corpo em si que se move; quem o faz mover-se é o espírito, que está dentro dele. Da mesma forma, o fator essencial da sorte está no interior do homem. Vou explicar melhor.
Em primeiro lugar, ampliemos a teoria acima. A parte superficial do mundo corresponde ao Mundo Material, e a parte interior, ao Mundo Espiritual, ou seja, o espaço invisível aos nossos olhos. Esta é a estrutura do mundo; assim o fez o Criador. Por isso, da mesma forma que o espírito move o corpo, o Mundo Espiritual move o Mundo Material. Em tudo, o Mundo Espiritual é soberano, e o Mundo Material, súdito. Portanto, o mesmo acontece com a sorte; basta que ela advenha ao nosso espírito, que se encontra no Mundo Espiritual, para que, refletindo igualmente na matéria, nos tornemos pessoas afortunadas.
Darei explicações mais detalhadas sobre o Mundo Espiritual.
Ele possui uma hierarquia muito mais justa e rigorosa que a do Mundo Material. É constituído de cento e oitenta camadas, distribuídas em três planos – Superior, Intermediário e Inferior – cada um composto de sessenta camadas. Naturalmente, o Plano Superior é o Céu; o Inferior é o Inferno; o Intermediário corresponde ao Mundo Material. Talvez o homem contemporâneo não acredite nisso de imediato; entretanto, como Deus me mostrou minuciosamente a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, e, através de minha longa experiência, adquiri o mais profundo conhecimento sobre o assunto, não há o menor erro no que estou afirmando. Como prova disso, existem inúmeras pessoas que, acreditando nesse princípio e colocando-o em prática, conseguiram alcançar a boa sorte. Eu me incluo entre elas. Para se certificarem do que estou dizendo, basta que me analisem imparcialmente: constatarão o estado de felicidade em que eu me encontro.
Ampliando um pouco mais o assunto, falarei sobre as camadas espirituais mencionadas acima.
Se, conforme expus, o corpo físico do homem está no Mundo Material, e o espírito, no Mundo Espiritual, este deve situar-se numa das cento e oitenta camadas, a qual seria uma espécie de “residência” do espírito. Esta “residência” não é fixa; flutua constantemente para cima ou para baixo. Uma vez que o destino acompanha essa flutuação, o homem deve esforçar-se ao máximo para elevar-se às camadas superiores.
Naturalmente, o Plano Inferior é o Inferno; um mundo de trevas, repleto de doença, pobreza, conflito e figuras horrendas, assombrosas, monstruosas, com todos os tipos de sofrimentos possíveis. Em contraposição, quanto mais alta for a camada, melhor a sua condição. O Plano Superior é o Céu, local puro, de paz, luz, saúde e riqueza. O Plano Intermediário é mais ou menos a média entre os dois extremos. Conseqüentemente, se a “residência” do Mundo Espiritual reflete-se na matéria e transforma-se em destino, é claro que o princípio fundamental da boa sorte está na elevação do nível espiritual.
Como nos mostra a realidade, existem muitas pessoas que, tornando-se importantes e invejadas por terceiros, ficam orgulhosas e pensam que continuarão assim eternamente. Um dia, porém, de forma inesperada, vêem-se decaídas, arruinadas, regredindo ao estado anterior. Isto acontece porque, desconhecendo o fundamento da boa sorte, elas se baseiam quase que somente na força humana. Além disso, maltratam os outros e forçam situações. Assim, mesmo que, aparentemente, obtenham êxito, seu espírito está decaído no Inferno. Em conseqüência, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, essas pessoas passam a ter o mesmo destino. Da mesma forma que a matéria, o espírito tem peso, de modo que, se ele for pesado, cai no Inferno, e se for leve, sobe ao Céu. A conhecida expressão “peso na consciência” refere-se exatamente a isso.
Ao contrário das más ações, que maculam o espírito e o tornam pesado, as boas ações o tornam leve, fazendo-o elevar-se. Por conseguinte, o segredo da boa sorte é evitarmos o mal, não cometermos pecados e praticarmos o bem o máximo possível, tornando leve o nosso espírito. Por se tratar da Verdade, afirmo que não há outra maneira para alcançarmos a boa sorte.
Explicada dessa forma, a teoria é realmente fácil de ser compreendida; entretanto, quando vamos colocá-la em prática, torna-se muito difícil. Existe, porém, um método facílimo para conseguirmos isso. Esse método não é outro senão a Fé. Portanto, as pessoas que realmente desejam obter a boa sorte, antes de tudo e mais do que tudo, devem se converter.
3 de fevereiro de 1954



INTELIGÊNCIA DA PERCEPÇÃO VERDADEIRA


LUZ DA INTELIGÊNCIA

Todos se referem à inteligência como se fosse uma coisa única. Mas ela pode ser de vários tipos, apresentando diferentes níveis de profundidade.
Dentre as inteligências, as mais elevadas são: a Divina, a sagrada e a superior. Precisamos aprofundar a nossa própria fé, a fim de cultivá-las. Elas surgem quando possuímos espírito correto, que admite a existência de Deus. Quando há esforço baseado na virtude, esses aspectos superiores da inteligência se desenvolvem, e a recompensa será a verdadeira felicidade.
Em nível mais baixo, estão as inteligências calculista, ardilosa, satânica e outras, que nascem do mal. Todos os criminosos servem como exemplo. Os delinqüentes intelectuais, especialistas em fraudes, possuem-nas em alto grau. Os conhecidos “heróis” de sucesso passageiro nada mais são do que portadores, em ampla escala, dessas inteligências nocivas.
É interessante notar que quanto maior for a inteligência do bem, mais profunda ela é; quanto maior a inteligência do mal, mais superficial. Basta analisar a vida dos criminosos, desde épocas remotas, para verificar o que estamos dizendo. Eles fazem planos aparentemente perfeitos, mas que, na prática, apresentam alguma falha. É essa falha que torna público e notório o seu fracasso. Por conseguinte, se o homem deseja crescente prosperidade, deve fazer esforços para aprofundar sua inteligência.
A profundidade da inteligência depende da força da sinceridade. Assim, conclui-se que o homem cuja fé não é correta, nada conseguirá. Tão logo seja aceita essa teoria, desaparecerão os males da sociedade.
O homem de hoje é superficial. Isto pode ser facilmente observado por quem examina os vários campos da atividade humana. Os políticos, por exemplo, só se ocupam de assuntos imediatos; qualquer outro é negligenciado até que tome vulto. Suas providências assemelham-se aos remédios alopatas: combatem os efeitos e não as causas. Ora, todo problema surge porque existe uma causa; nada acontece sem motivo.
A inteligência superficial não consegue prever o futuro, ficando impossibilitada de estabelecer uma verdadeira política. No jogo de xadrez, o mestre ganha a partida porque “enxerga” os lances subseqüentes; o novato é derrotado porque não os prevê.
Neste sentido, o homem deve conscientizar-se de que precisa cultivar as inteligências de nível superior, pois, sem elas, não obterá o verdadeiro êxito. E devemos compreender que a Fé é o único meio para adquiri-las.
25 de maio de 1949



O SABER DAS COISAS

Creio que, em japonês, não há expressão de sentido mais profundo e sutil do que “mono o shiru” (o saber das coisas). Considero-a de difícil interpretação, por isso vou tentar esclarecê-la o melhor possível.
Analisando essa expressão, vemos que ela significa experimentar ilimitadamente tudo que existe no mundo, penetrar, captar a essência das coisas e exprimi-la de alguma forma. Ou melhor, descobrir o segredo de medir a ação e as conseqüências de determinado problema. Ao contrário, se alguém exibir teorias infantis, agir levianamente ou praticar ações sem perceber a censura e o desprezo dos outros, significa que não tem visão nem saber das coisas. Pertence ao grupo daqueles que se costuma chamar de imaturos, infantis ou grosseiros.
Esclarecido é quem possui vasto saber. Por aí vemos quão grande é o número de homens imaturos que não possuem esse saber das coisas, inclusive entre os homens públicos. Eles procuram exagerar e fazer alarde de questões insignificantes, sem se dar conta de que estão atraindo o desprezo dos esclarecidos. Seu comportamento nada mais é que a demonstração de sua própria inferioridade. Tais indivíduos são, infalivelmente, umas nulidades, homens de conceitos restritos (“Shojo”).
A eficiência e o crédito são sempre prejudicados pela ação dessas criaturas medíocres, empenhadas somente em elevar sua própria fama. Certamente é por causa de tantos elementos sem maturidade que não se consegue chegar a conclusões e resoluções mais rápidas nos debates políticos de hoje. Se a maioria fosse esclarecida, seria fácil um acordo. O problema é que os esclarecidos se retraem no silêncio, por detestarem discutir com gente teimosa. Os imaturos aproveitam essa oportunidade para se exibir, desejando tornar-se famosos, e a fama aumenta sua probabilidade de serem eleitos, por ocasião das eleições. Sendo assim, os menos esclarecidos representam a maioria, e os esclarecidos, a minoria. Uma prova disso é o fato e a necessidade de se passar longo tempo discutindo um problema – às vezes de somenos importância – para se encontrar uma solução.
Mas a verdade é que, apesar de os homens mais esclarecidos aparecerem menos, por serem modestos, suas opiniões acabam sempre triunfando. E isso não se limita ao mundo político. É natural, em todos os setores da sociedade, que aqueles que são conhecidos pela sua competência sejam homens relativamente esclarecidos.
Até aqui me referi à parte moral. Passarei, em seguida, para o campo da Arte, que eu considero o melhor meio para explicar o presente assunto, já que a maioria dos homens esclarecidos são, ao mesmo tempo, dotados de senso estético muito elevado.
Exemplifiquemos, primeiramente, com o príncipe Shotoku, cujo vasto conhecimento sobre a cultura budista, principalmente na parte artística, ninguém poderá deixar de reconhecer. Temos a prova disso no Templo Horyuji e em outras construções, que ainda conservam o esplendor da sua magnificência. A sua famosa “Constituição dos 17 Artigos” pode ser considerada a base da lei japonesa.
Também podemos citar Yoshimassa Ashikaga, que, embora tenha sido muito criticado em outros setores, na parte artística deixou-nos uma obra notável. Além de construir o Templo Guinkakuji (Pavilhão de Prata), foi apreciador da arte chinesa, tendo colecionado objetos artísticos das eras Sung e Ming. Incentivou grandemente a arte japonesa, e as obras raras e valiosas criadas por sua iniciativa, conhecidas como “Obras preciosas de Higashi-yama”, ainda hoje deleitam o nosso senso artístico. Seu trabalho é realmente digno de louvor.
A maior honra, no entanto, desejamos conferir a Hideyoshi Toyotomi (unificador dos feudos, no ano de 1573). Ao lado de sua exuberante criação artística, intitulada “Momoyama”, devemos salientar o brilhante impulso dado por ele à arte da Cerimônia do Chá – cuja existência, até então, era obscura – protegendo Rikyu Senno, mestre da referida arte, naquele século. Graças a ele, houve um rápido desenvolvimento da cultura artística, e gênios e grandes mestres surgiram uns após outros. Não fazem exceção Enshu Kobori e Chojiro, o gênio da cerâmica. Este, como Ashikaga, além de obras japonesas e chinesas, colecionou famosos objetos artísticos da Coréia, dando um novo impulso à cerâmica no Japão. Devemos lembrar, aqui, a existência de Koetsu Honnami. Ele foi pintor e calígrafo notável, tendo criado uma nova modalidade de “makiê” (arte que utiliza laca e madrepérola); na fabricação de cerâmicas, foi inimitável, graças à sua originalidade e versatilidade. Sua maior contribuição, que ele próprio não previra, foi ter influenciado, cem anos após seu falecimento, o famoso mestre Korin Ogata, expoente máximo do Japão no setor artístico, o qual foi admirador de Koetsu e o superou, conquistando grandiosa fama. Também não podemos omitir os oleiros Ninsei e Kenzan. Desta corrente surgiu Hoitsu, que se fez notar, também, pela sua habilidade artística.
A grandeza de Hideyoshi Toyotomi reside no fato de ter compreendido a Arte ainda na mocidade e colecionado obras-primas, o que não deixa de ser algo surpreendente, dado que ele era filho de lavrador. Geralmente, além de crescer sob condições favoráveis, ou melhor, na classe acima da média, é necessário um grande esforço para se atingir o nível do “saber das coisas”. Hideyoshi, portanto, é de fato um homem extraordinário, pois atingiu esse nível apesar de sua origem humilde e de ter vivido continuamente em campos de batalha.
Lancemos, agora, uma vista sobre a arte literária.
Na poesia, sobressaem, indiscutivelmente, Saigyo e Basho. As obras destes dois expoentes revelam ter sido realizadas por quem realmente possui o “saber das coisas”. Nunca deixo de admirar estes poemas, suas obras principais:

“A solidão envolve
Até um coração indiferente,
Quando as narcejas levantam vôo do pântano,
Nos crepúsculos do outono.”
Saigyo (Waka)

“O canto das cigarras
Penetra no silêncio
E nas rochas.”
Basho (Haiku)

Uma pessoa que também merece ser lembrada é o aristocrata Unshu Matsudaira, conhecido pelo nome de Fumai. Ele colecionou inúmeras obras de arte, classificou-as, protegeu-as da dispersão e deu impulso à Cerimônia do Chá. É digno de toda a nossa consideração.
Entre os esclarecidos da época moderna, citaremos o falecido ator Danjuro Itikawa.
Vimos, em linhas gerais, alguns dos principais representantes da arte japonesa considerados esclarecidos. São homens civilizados no mais alto grau, e é escusado dizer o quanto colaboraram para alimentar a alma do povo, enriquecendo-lhe o gosto estético e elevando-lhe os sentimentos. Naturalmente, todos sabem que as invenções, as descobertas e o progresso do ensino contribuíram para a cultura da humanidade, mas convém recordar a grande contribuição que, em silêncio, as obras dos esclarecidos trouxeram à civilização.
15 de agosto de 1950



AS CINCO INTELIGÊNCIAS

Há vários tipos de inteligência. Formam uma escada de cinco degraus, na seguinte ordem: Divina, sagrada, superior, ardilosa e calculista.
A inteligência Divina é a mais elevada, e Deus a concede a certas pessoas para que cumpram missões importantes. Bem afirma o ditado: “Diz-se que a inteligência é humana, quando o conhecimento é aprendido; é Divina, quando não depende de aprendizado.”
A inteligência Divina pode ser considerada como de caráter masculino em relação à inteligência sagrada, que, por sua vez, pode ser considerada como de caráter feminino.
A inteligência superior é aquela manifestada pelas pessoas sábias. No budismo, denomina-se “Tie Shokaku” (inteligência da percepção verdadeira) ou simplesmente “Tie” (inteligência).
A ação dos espíritos malignos é que obscurece o discernimento humano. Os políticos e os intelectuais da atualidade dão-nos exemplo disto: gastam horas e horas discutindo problemas quase sempre de muito pouca importância. Quando se trata de assunto de grande monta, dezenas de pessoas passam a debatê-lo por várias horas, durante dias e dias, muitas vezes sem chegar à conclusão desejada. Isso prova a lentidão mental do homem contemporâneo, pois todo problema só apresenta uma solução. Jamais houve um problema com muitas respostas. E dizer que tantos cérebros levam vários dias só para encontrar a solução de um problema!
É desolador...
A causa dessa lentidão mental é a escassez de inteligência superior, pois as mentes se acham obscurecidas. E se elas estão obscurecidas é porque cultivam idéias satânicas, decorrentes da devoção ao materialismo. Essa devoção provém do não-reconhecimento da existência de Deus. Ora, se as pessoas não reconhecem a existência de Deus, é porque falta uma religião com o poder de inspirar-lhes essa crença. A verdadeira religião deve ser capaz de mostrar claramente que Deus existe. A própria necessidade de insistir neste assunto é decorrente da fraqueza mental do homem moderno.
De acordo com a teoria que expomos, quem possui inteligência superior, consegue resolver qualquer problema em poucos minutos. Eu, pessoalmente, limito a trinta minutos os debates de meus subalternos, seja qual for o problema discutido. Quando a questão se prolonga por mais de uma hora, aconselho que interrompam a reunião, deixando-a para outro dia, ou que me consultem sobre o assunto.
É claro que não atendo à modéstia quando digo que quase sempre consigo resolver qualquer problema em poucos minutos, por mais difícil que ele seja. Excepcionalmente, se aparece uma questão que não resolvo logo, protelo-a sem me esforçar. Momentos depois, infalivelmente, vem-me a inspiração para solucionar o caso.
Analisemos, a seguir, a inteligência calculista.
Todos a consideram uma inteligência superficial; seu sucesso é passageiro, resultando sempre em derrota, e os que dela se utilizam perdem a confiança dos outros.
A inteligência ardilosa pode ser considerada como perversidade – é a inteligência do mal. Milhares de pessoas a empregam, quase sempre pertencentes às classes dirigentes e intelectuais. Assim, é impossível a sociedade melhorar. Tão logo essa espécie de inteligência seja erradicada do Universo, surgirá uma sociedade sadia e países magníficos. Mas haverá meios de erradicá-la? Certamente que sim. Basta destruirmos sua raiz. Essa tarefa cabe a uma religião poderosa, capaz de despertar a fé em Deus.
20 de agosto de 1949






FELICIDADE


FELICIDADE

Em todos os tempos, o ser humano aspirou à felicidade, primeiro e último objetivo do homem e meta de todo preparo, esforço e aperfeiçoamento. Mas quando poderão as criaturas consegui-la de fato? A maioria, não obstante ansiar pela felicidade, permanece vítima das desgraças e deixa este mundo antes de desfrutar a alegria de vê-la concretizada.
Será, então, a felicidade algo tão difícil de se conseguir? Devo dizer que não. A felicidade baseia-se na eliminação de três fatores principais: doença, pobreza e conflito. Como essa eliminação não é fácil, a maior parte das pessoas submete-se a uma forçada resignação.
Tudo se enquadra dentro da Lei de Causa e Efeito, e a felicidade não foge a essa lei. Descobrir sua causa será, pois, descobrir a chave do problema. A solução da incógnita está na compreensão do amor altruísta. Lutar pelo bem-estar do próximo é a condição essencial para nos tornarmos felizes. O mundo, entretanto, está repleto de pessoas que buscam a felicidade apenas para si, indiferentes à desgraça alheia.
É uma tolice almejar a felicidade semeando a infelicidade. É como a água de um recipiente: se a empurramos, ela volta; se a puxamos, ela se afasta. A necessidade da Religião reside nesse ponto. O amor pregado pelo cristianismo e a caridade búdica têm por propósito infundir a fraternidade no coração humano. Contudo, essa verdade tão simples é difícil de ser reconhecida pelo homem.
Deus, por meio de Seus representantes, criou as religiões, que por sua vez estabeleceram doutrinas, através das quais são indicadas as bases do viver. São as religiões que nos ensinam a existência de um Ser Invisível, para, com a mais pura intenção, conduzir-nos ao caminho da Fé. Não é pequeno o empenho requerido para salvar uma pessoa. A vida, realmente, não tem sentido para a maioria, que, não sendo ensinada a crer no invisível, parte para o Além indiferente aos ensinamentos, ludibriada e perdida nas trevas. Todavia, para os que souberem desfrutar da alegria de viver, extasiar-se com as verdades, conseguir vida longa e o meio de serem verdadeiramente felizes, o mundo será, sem dúvida, um paraíso digno de ser vivido.
Nós afirmamos que, para nos tornarmos felizes, há um caminho cujo rumo está indicado neste livro, apresentado com tal propósito.
1º de dezembro de 1948



SEGREDO DA FELICIDADE

Quando falo em “segredo da felicidade”, parece que me refiro a algo mágico e misterioso. Nada disso, porém. O “segredo da felicidade” é muito simples. Tão simples, que poucos conseguem descobri-lo.
Quantas pessoas felizes conhecemos? Talvez nenhuma. Isso mostra que o mundo está cheio de sofrimento. Todos vivem sob o risco de fracasso, dúvida, desespero, desemprego, doença, pobreza e conflito, acorrentados pelas dificuldades, como se estivessem numa prisão.
Creio que todo ser humano, algum dia, perguntou a si mesmo: “Se Deus criou o homem, por que o faz sofrer tanto, ao invés de determinar que no mundo reine a felicidade?”Como essa interrogação permanece sem uma resposta, vamos tecer considerações a respeito.
Muitos já me perguntaram: “Se Deus é Amor e Piedade, como deixou que o homem errasse, para depois levá-lo ao Juízo Final?” E mais: “Se, desde o início, Ele não criasse o homem como um ser malvado, não haveria necessidade de castigo ou Juízo Final...” Parecem-me observações bem lógicas. Falando a verdade, eu também penso assim. Se estivesse no lugar de Deus, poderia explicar tudo a respeito do problema. Como sou apenas uma existência criada, não consigo dar a resposta que Ele daria. Entretanto, esforço-me para compreender e imagino que a resposta da questão é a que vai a seguir.
O bem e o mal se digladiam desde as eras mais remotas; jamais um predominou definitivamente sobre o outro. Refletindo bem, foi em conseqüência do atrito entre ambos que a civilização atingiu tão grande desenvolvimento.
Mas, como obter a felicidade neste mundo em que se empreende tal batalha? Deixando de lado todas as suposições com que temos tentado compreender a vontade de Deus, procuremos descobrir o meio de sermos felizes.
Como venho afirmando há muito tempo, nossa felicidade depende de fazermos os outros felizes. Esse é o meio mais seguro para alcançá-la, e eu o venho aplicando há muitos anos com resultados maravilhosos. Foi por isso que escrevi este ensinamento. Simplificando o conselho, pratiquemos o maior número possível de boas ações, pensemos em dar alegria às outras pessoas.
Que a esposa estimule o marido a trabalhar para o bem-estar da sociedade e que o marido lhe dê alegria, mostrando-se gentil com ela e inspirando-lhe confiança.
É natural que os pais amem os filhos. Mas devem fazer mais do que isso: devem cuidar do seu futuro com a máxima inteligência e eliminar atitudes autoritárias no trato com eles.
Que na vida cotidiana suscitemos esperança no coração das pessoas com quem lidamos, tendo por lema proceder com amor e gentileza em relação a chefes e subalternos, bem como seguir as normas da honestidade.
Aos políticos, cabe esquecerem a si próprios, pondo a felicidade do povo acima de tudo e erigindo-se como exemplos de boa conduta. O povo também deve praticar boas ações e esforçar-se constantemente para desenvolver sua inteligência.
Sabemos que serão mais felizes aqueles que praticarem maior número de ações louváveis. Já imaginaram que povo e que nação surgiriam, se todas as pessoas se unissem para praticar o bem? Um país assim seria alvo de respeito universal. Poderia ser considerado como uma parcela do Paraíso Terrestre, pois, com o tempo, desapareceriam todos os problemas de ordem moral, toda doença, toda pobreza e todo conflito. Seria como “bater com o martelo no chão” – a pancada não poderia falhar.
Por toda parte existem homens praticando o mal, mentindo, enganando, buscando atender às exigências de seu próprio egoísmo. É uma sociedade de seres maldosos. Assim, a felicidade mantém-se muito distante. E o pior é que há quem julgue ser natural um mundo tão perverso, achando inútil tentar reformá-lo. Temos até encontrado quem procure impedir nossas tentativas de transformar em paraíso este inferno terrestre. Essas pessoas, pelo mal que intentam, cavam sua própria desgraça, criando para si próprias o pior de todos os infernos. São merecedoras de piedade e oramos constantemente para que sejam salvas.
Tenho certeza de que, meditando sobre este ensinamento, todos perceberão que não é difícil ser feliz.
1º de outubro de 1949



DESTINO E LIBERALISMO

Como sempre me fazem perguntas sobre predestinação e destino, explicarei a diferença entre ambos.
A predestinação é algo atribuído a uma pessoa em caráter definitivo, e de maneira alguma pode ser mudada. Já o destino é livre, dentro dos limites da predestinação, e, dependendo do esforço de cada um, pode-se atingir o nível mais alto ou, ao contrário, decair ao nível mais baixo.
O liberalismo, que hoje se tornou alvo da atenção de tantas pessoas, é muito semelhante ao destino. O verdadeiro liberalismo está restrito a certos limites. É impossível existir a liberdade infinita; a verdadeira liberdade é aquela que tem limites. Assim, quando ultrapassamos esses limites, não só invadimos e prejudicamos a liberdade dos outros, como também nos tornamos traidores da cultura. Pela mesma razão, quando ultrapassamos os limites do destino, invariavelmente fracassamos.
25 de janeiro de 1949



NÓS É QUE TRAÇAMOS O NOSSO DESTINO

Ao falar em destino, devo esclarecer primeiramente que as pessoas confundem predestinação com destino. A diferença, no entanto, é radical. Devemos entender por predestinação certas condições a que estamos sujeitos antes mesmo do nascimento, ao passo que o destino depende inteiramente do homem.
A não-realização de diversos desejos deve-se à predestinação, da qual estamos impossibilitados de nos livrar. O importante é conhecer o seu limite, o que é difícil, ou seja, quase impossível. O desconhecimento desse limite faz o homem traçar planos superiores à sua capacidade e ter esperanças descabidas, que o levam ao fracasso. Se, consciente do seu erro, ele voltasse imediatamente ao ponto de partida, certamente sofreria menos, mas a ignorância da predestinação o impele a prosseguir, aumentando sua desgraça.
Isto decorre também do fato de subestimar-se o rigor do mundo. Como resultado, a maioria das pessoas só toma consciência da realidade após amargas experiências, falhando nas tentativas de recuperação ou vendo-se impedidas de recomeçar suas atividades, por causa das pedras lançadas em seu caminho. Felizes os que reconhecem o erro em tempo, ao tomarem conhecimento da realidade.
Referi-me ao destino dos descrentes. Com os crentes é diferente.
Devo abordar a questão pelo aspecto espiritual e dizer, numa palavra, que todos os sofrimentos são ações purificadoras. Ser vítima de chantagem, incêndio, acidente, roubo, desgraça familiar, prejuízo, fracasso comercial, necessidade monetária, conflito conjugal, desavença entre pais e filhos ou entre irmãos, contenda com parentes e amigos, tudo isso faz parte da ação purificadora. Nessas circunstâncias, só há um recurso: eliminar as máculas espirituais por meio do sofrimento. Enquanto houver máculas no espírito, a ação purificadora persistirá; diminuí-las, é condição essencial para melhorar o destino. O ato purificador é dispensado quando atingimos certo grau de purificação; então a desgraça se transforma em felicidade. Sendo esta a verdade, a boa sorte não se espera de braços cruzados, mas purificando.
Se a Fé é o meio para purificarmos sem sofrimentos, é natural que não haja felicidade para os descrentes. Existem diversas espécies de crenças, mas para se obter a verdadeira felicidade é preciso seguir uma fé verdadeira e de poder elevado. Daí a necessidade de se reconhecer a Igreja Messiânica Mundial como uma religião que corresponde a essa condição.
25 de outubro de 1952



BOM SENSO

Para que a Fé seja autêntica, ela deve ser professada sem ferir o bom senso. Palavras e atos excêntricos devem ser vistos com desconfiança; entretanto, as pessoas geralmente dão muito crédito a tais coisas.
É preciso muita cautela. Religiões egocêntricas, fechadas, que não mantêm relações com outras e que se isolam socialmente, também não são dignas de confiança. A Fé é verdadeira quando não prejudica a lucidez e, ao mesmo tempo, desenvolve a consciência de que sua missão é salvar a humanidade. Jamais pode ser egoística ou fechada em si mesma. O Japão é exemplo típico do que aqui se condena: sofreu amarga derrota na Segunda Guerra Mundial porque visava apenas o seu próprio bem, ficando indiferente à sorte dos países vizinhos.
A formação de homens perfeitos é um dos propósitos da Fé. Evidentemente, não se pode exigir a perfeição do mundo, mas o esforço para consegui-la passo a passo deve ser a verdadeira atitude religiosa.
A consolidação da Fé faz com que a pessoa assuma uma aparência comum. Isto significa que ela se identificou plenamente com a Fé. Chega a tal ponto, que seus atos ou palavras jamais ferem o bom senso. Sempre inspira simpatia, sem dar indícios da religião a que pertence. No seu contato com os outros, assemelha-se à suave brisa da primavera. Suas maneiras são afáveis, modestas e gentis. Deseja crescente bem ao próximo e trabalha em favor do bem-estar da comunidade.
Sempre afirmei e continuo afirmando: quem deseja ser feliz, deve primeiramente tornar feliz seus semelhantes, pois a Divina recompensa que disto provém, será a Verdadeira Felicidade. Buscar a própria felicidade com o sacrifício alheio, é criar infelicidade para si mesmo.
25 de janeiro de 1949



FÉ UNIVERSAL


POSSUA FÉ UNIVERSAL

Conforme venho insistindo, o mal de “Daijo” (fé universal) corresponde ao bem de “Shojo” (fé restrita), e vice-versa. Peço profunda reflexão aos fiéis de nossa Igreja, os quais estão esquecidos deste ponto capital.
Em poucas palavras, a maneira “Daijo” de encarar as coisas é observar tudo com visão global. Vou explicar melhor.
Há fiéis que são muito dedicados, pensando estarem praticando o bem; muitas vezes, contudo, as conseqüências de seus atos atrapalham a propagação da religião. Além disso, como todos sabem por experiência própria, tais pessoas são do tipo auto-suficiente, confiam demais na força humana e, inconscientemente, tendem a esquecer-se do santo poder de Deus.
Ouço ainda, com freqüência, o seguinte comentário: “Por que fulano, apesar de tanta dedicação, não faz muito progresso?” A razão é que essa pessoa tem fé “Shojo” e, como tal, é austera, cria um ambiente constrangedor à sua volta, não atraindo as demais, e por esse motivo não prospera. O pior de tudo é que leva as coisas ao extremo e, fugindo ao senso comum, diz e faz excentricidades. Vendo isso, as criaturas sensatas são tomadas de desprezo, achando que a nossa Igreja é uma religião supersticiosa e de baixo nível. É justamente nesse ponto que devemos tomar o máximo de cuidado.
Existem pessoas, no entanto, que fazem progresso sem que a gente espere, apesar de não darem mostras de grande dedicação. Essas sim, realmente compreendem e agem conforme a fé “Daijo”.
Desejo acrescentar que justamente as pessoas de fé “Shojo” é que procuram julgar o bem e o mal do próximo. Trata-se de um erro gravíssimo, pois só Deus sabe fazer justiça. É demasiada insolência do homem querer julgar o seu semelhante, e não há maior ofensa a Deus do que ignorarmos a profundidade dessa profanação. Tais pessoas geralmente se julgam perfeitas, são orgulhosas e, como lhes falta caráter, ao invés de progredirem, costumam criar casos detestáveis.
Tomemos como exemplo o Japão antes do término da guerra. Naquela época, julgava-se que o arrojado patriotismo do povo era uma ação justa e ditada pelo bem. Era, no entanto, um bem de caráter restrito, pois tinha-se em vista somente a felicidade do próprio país; assim, a derrota não foi nada mais que uma conseqüência desse conceito egoísta. Aliás, eu publiquei o ensinamento “Precisamos ser universais” para comprovar a veracidade dessa tese, ou seja, para demonstrar que o bem autêntico deve ser o bem de “Daijo”, isto é, o bem universal. Se partíssemos deste princípio, não teríamos sido invadidos e estaríamos livres daquele massacre e vexame. Continuaríamos gozando de paz e mereceríamos o respeito do mundo inteiro.
Em outras palavras, o amor também se divide em amor de Deus e amor do homem. Como o amor de Deus é amor “Daijo”, Ele ama a humanidade com um amor ilimitado; o amor do homem é amor “Shojo”, pois ele se limita a amar a si próprio, a seus partidários e a seu povo. Portanto, vem a ser um mal.
Os fiéis que compreenderem claramente o sentido das minhas palavras, devem manter sempre uma atitude “Daijo”, isto é, tomar consciência do amor de Deus e transmiti-lo ao próximo, o que não deixará de produzir bons frutos.
Viver de acordo com a Vontade de Deus e possuir amor fraternal, tornará a pessoa agradável a todos aqueles que a rodeiam, propiciando-lhe um sucesso garantido.
25 de novembro de 1951



DEUS É JUSTIÇA

Não deixa de ser estranho falar, agora, que Deus é Justiça. Mas insisto nesse ponto porque não só o povo, mas também os fiéis e os ministros geralmente tendem a esquecê-lo.
Embora a nossa Igreja se dedique especialmente à prática da justiça e do bem, há alguns fiéis que se desviam do caminho certo e vagueiam sem rumo. Nessas ocasiões – torno a insistir – se eles desprezarem o sinal de advertência enviado por Deus, poderão sofrer terríveis conseqüências.
No início, sensíveis e agradecidas às graças e milagres recebidos, as pessoas se mostram devotadas, fervorosas na fé. Desde que esta seja sincera, as graças se fazem evidentes, o que torna essas pessoas respeitadas por todos. Como também são beneficiadas materialmente, na verdade elas deveriam sentir-se ainda mais gratas e dedicadas; entretanto, longe de pensarem na retribuição, muitas se acostumam com as graças, tornando-se orgulhosas e vaidosas. Os espíritos do mal, que estão sempre vigilantes, aproveitam essa oportunidade para conquistá-las, e começam a controlá-las a seu bel-prazer. Isso é realmente alarmante.
Satanás espreita principalmente as pessoas ativas e
úteis. Sendo ele impotente contra a verdadeira fé, não há perigo para quem a possui. Isso se evidencia pela presença ou ausência de egoísmo. O homem que vive somente para Deus e a humanidade, sem pensar nos seus próprios interesses, não é atingido por Satanás. No entanto, quando as coisas começam a correr bem, ele pode tornar-se pretensioso, julgando ser um grande homem. Aí é que está o perigo, pois surge a ambição, e quanto mais ambicioso se torna o homem, mais ele procura engrandecer-se e mais poderes deseja conquistar. O fato é alarmante. Quando isso acontece, Satanás penetra no espírito da pessoa e acaba por dominá-la. É um poder passageiro; entretanto, como ocorre a cura de doenças e outros milagres, a vaidade é mais instigada ainda, chegando o vaidoso a se julgar a encarnação de alguma divindade.
Trata-se de uma tendência que pode ser claramente dis¬tin¬guida observando-se com atenção as atividades das religiões fun¬dadas por esses pseudodeuses. Algumas se caracterizam pe¬lo escasso amor e pela fé “Shojo”, regida por preceitos ex¬tre¬¬ma¬mente rigorosos. Os que não obedecem a eles, vêem-se ameaça¬dos de castigo, destruição ou morte, caso abandonem o grupo ou a Fé. São religiões ameaçadoras, que procuram impedir o des¬membramento de sua organização. Se uma religião apre¬sen¬tar esses indícios, pode ser julgada como de caráter diabólico.
Torno a dizer que a fé verdadeira é “Daijo”, liberal; portanto, nada impede que seja seguida ou abandonada. Além disso, ela é celestial, alegre e ativa, revelando vida. A religião que exige uma fé rigorosa e dogmática, age com heresia, é infernal. Devem acautelar-se principalmente quando houver o mínimo de segredo que seja. Se uma religião disser, por exemplo: “Isso não pode ser dito aos outros, mas...”, podem ter certeza de que ela é herética. A religião correta e autêntica é a própria imagem da clareza, sem nenhum indício de sigilo ou mistério.
18 de março de 1950



A NOSSA RELIGIÃO E O UNIVERSALISMO

Observando o mundo atual, constatamos a existência de pessoas que, dizendo-se esquerdistas, direitistas ou neutras, vivem criando conflitos. É fácil o aparecimento de choques, entre esses grupos, em virtude de cada um se firmar em sua ideologia e tentar impô-la aos demais. Existem alguns cujo propósito é justamente provocar tais choques, mas isso não vem ao caso no momento.
Após a Segunda Guerra Mundial, o objetivo do povo japonês é a democracia, que, obviamente, visa o máximo de felicidade para o maior número de pessoas. Entretanto, se cada um insistir em suas ideologias e “ismos”, isso resultará em conflitos e, ao invés de se proporcionar felicidade às pessoas, se estará acarretando o máximo de desgraças. Quem o diz não sou eu apenas. Dentro do quadro social da atualidade, é uma tendência que realmente aparece clara em todos os setores. Vejamos, por exemplo, os partidos políticos. Num mesmo partido, existem alas, ocorrem choques entre seus componentes, devido à diferença de pontos de vista, e há sempre o perigo de desagregação. Qualquer coisa que fuja a esses pontos de vista é considerada como inimiga, por isso não é fácil manter-se a coesão do partido. Planeja-se derrubar gabinetes que acabaram de ser compostos e até se insiste para que um gabinete formado apenas há dois ou três meses concretize as medidas políticas propostas por ocasião das eleições.
Raciocinemos. Por melhor que seja um político, é impossível ele cumprir suas promessas no prazo de seis meses ou mesmo um ano. É por esse motivo que o Gabinete Japonês muda tão rapidamente que nem dá tempo para esquentar as cadeiras. Nesse aspecto, assemelha-se ao da França. Na Inglaterra, o gabinete trabalhista saiu-se muito mal no primeiro ano de posse; se fosse no Japão, seria fortemente criticado, mas a tolerância dos ingleses é de fato extraordinária. Chegou a impressionar-nos a confiança que eles depositaram em Sir Attlee e a paciência com que ficaram aguardando os resultados. Passado o referido período, as coisas começaram a melhorar. Hoje em dia, parece que a situação da Inglaterra é muito boa, inclusive economicamente.
Nos Estados Unidos acontece o mesmo. Como o mandato presidencial é de quatro anos, é possível fazer uma política arrojada. Vencedores da Segunda Guerra Mundial, os americanos demonstraram grande tranqüilidade econômica, logo após o término do conflito, quando deram aquele magnífico exemplo que foi o Plano de Salvação da Europa e do Leste Asiático. Isso se deveu também às quatro eleições consecutivas do Presidente Roosevelt, o qual, governando durante dezesseis anos, pôde tomar medidas ousadas, tendo obtido bons resultados.
Como expus anteriormente, a realidade atual do Japão é que ele não consegue deixar de comportar-se como país bitolado. Portanto, neste momento, todos os japoneses devem empenhar-se, antes de mais nada, em cultivar o espírito de tolerância. É aquilo de que mais necessitamos.
Se o objetivo da nossa Igreja é a construção de uma sociedade sem conflitos, primeiramente precisamos livrar-nos do estreito sentimento de orgulho que nos faz menosprezar os outros. Torna-se necessário caminharmos sem levar em conta se os ideais são da esquerda, da direita ou do meio, mas fundindo-os num ideal grande e nobre, que abranja tudo e ao qual se possa realmente chamar de mundial. Batizamo-lo de Universalismo.
8 de abril de 1949



VIDA EM HARMONIA



FÉ MESSIÂNICA

Tudo, na vida humana, principalmente a nossa fé, tem de ser versátil (“enten-katsudatsu”), livre e desimpedido (“jiyu-mugue”). “Enten” significa “a roda gira”. Se a roda possui arestas, não pode girar. Com muita razão se diz: “Aquela pessoa perdeu as arestas porque sofreu muito.”
Entretanto, mais do que possuir arestas, existem pessoas que se assemelham ao “konpeito” (doce cheio de ângulos). Ao invés de rodarem, vivem se enroscando em toda parte. Há outras que sofrem dentro do próprio molde por elas criado, o que é desculpável, quando se limita a elas próprias; mas há quem considere boa ação atormentar o próximo, encurralando-o dentro desse molde.
Os exemplos que citamos são característicos da fé “Shojo” e não se limitam à Religião. A vida dessas pessoas cheira a mofo e causa náuseas.
“Jiyu-mugue” significa “não criar formas, normas e mandamentos” e, por extensão, “ser completamente livre de todas as limitações”. Devo lembrar-lhes que não se trata de egocentrismo, e sim, da liberdade que respeita a liberdade alheia.
Sendo “Daijo”, a Fé Messiânica difere muito da fé “Shojo”, cujos preceitos são tão rigorosos que ela própria não consegue cumpri-los. Eles são cumpridos apenas superficialmente, não na sua essência. Essa duplicidade de ação gera fracasso e, ao mesmo tempo, constitui um mal, porque dá origem à hipocrisia. Assim sendo, as pessoas de fé “Shojo” são aparentemente boas, mas interiormente ruins. Ao contrário, as de fé “Daijo” sentem-se mais livres, alegres, sem necessidade de camuflagem, porque sabem respeitar a liberdade humana; nelas, a hipocrisia não tem lugar. Esta é a verdadeira e grata Fé Messiânica.
Em outras palavras, as pessoas de fé “Shojo” sofrem de mania de grandeza, tornam-se megalomaníacas, porque caem, sem querer, na hipocrisia. Isso as torna insuportáveis e antipáticas. Além disso, elas diminuem-se, ao invés de engrandecer-se. Chamamos de “homem limitado” a esse tipo de pessoa.
Na ocasião de levantar alguma construção, por exemplo, divirjo sempre do operário que se preocupa somente com a beleza exterior. Como isso, de certo modo, causa má impressão, faço-o corrigir as suas falhas. O mesmo se aplica aos homens. Os que procuram ser modestos, são sempre mais respeitados, porque parecem mais nobres. Portanto, os que professam a nossa Fé, devem tornar-se alvo de um respeito sincero.
20 de abril de 1949



SOL E LUA

Gostaria de explicar o significado do Sol e da Lua do ponto de vista religioso. Isso constitui um grande mistério, razão pela qual talvez pensem que eu esteja dando uma interpretação forçada ao assunto. O que eu vou dizer, no entanto, é a pura verdade, e todos devem dar-lhe a máxima atenção.
O Japão possui três objetos tradicionalmente sagrados: uma pe¬dra (“tama”), uma espada (“tsurugui”) e um espelho (“kagami”).
A pedra representa o Sol; a espada, a Lua; o espelho, a Terra. A pedra tem a forma do Sol; a espada assemelha-se à Lua Crescente, e o espelho tem o formato de um polígono de oito lados. Estes lados representam os oito sentidos, ou seja, os pontos cardeais e colaterais: norte, sul, este, oeste, nordeste, noroeste, sudeste e sudoeste.
Das três representações, a Terra dispensa comentários, mas o Sol e a Lua têm um significado profundo.
Valho-me da interpretação dada pela Igreja Tenrikyo. Ela confere à Lua o significado de empurrar, afastar, aguilhoar (“tsuki”), e ao Sol, o de puxar, atrair (“hiku”). Considero interessantíssima esta interpretação.
Na Era da Noite, tudo se fazia por repulsão. Os países chocavam-se uns com outros, e o maior exemplo disso eram as guerras constantes. Ora, os choques são empurrões recíprocos. Antigamente a luta se fazia com espadas e a isto se dava o nome de “tsukiau” (golpear-se mutuamente). O mesmo termo também se aplica ao ato de cultivar amizade. Embora os sinais gráficos japoneses que representam os dois significados sejam diferentes, o som é idêntico.
O termo “tsukissussumu” significa “vitória”, mas sua tradução literal é “avançar empurrando”. É essa realmente a ação de “tsuki” (Lua), que caracteriza a Era da Noite.
Ao contrário, temos “hiki” e “hiku”, que significam “recuar”. Também significam “atrair”, “desistir da luta”, “ser derrotado”, “resignar-se”, “abnegar-se” e “ser modesto”. Assim, todas essas ações se opõem à ação da Lua.
De acordo com esse princípio, na Era do Dia tudo se baseia em “hiki” (atração). Aplicado ao homem, “hiki” é a humildade, pois esta não dá ensejo a desavenças. Eis por que sempre dizemos que é melhor perder. Com base no mesmo princípio, será possível a eliminação do conflito, a qual se inclui no objetivo final da nossa Igreja: a construção de um mundo sem doença, pobreza e conflito. Pela mesma razão dizemos ser muito bom ficar resfriado (“kase o hiku”).
Como a ação da Igreja Messiânica Mundial está baseada no Sol, isto é, na atividade do elemento Fogo, devemos conscientizar-nos de que as nossas ações devem fundamentar-se na atração, e não na repulsão. Assim, muitas pessoas serão atraídas. Além disso, como o Sol é uma esfera, é natural que precisemos ser pacíficos, puros, alegres, corteses e flexíveis.
25 de outubro de 1949



O QUE É LIMITE

Tempos atrás, em determinado lugar, fiquei admirado ao ver um quadro do professor Yamaoka Teshu. Em cima, estava escrita, com letra bem grande, a palavra LIMITE. Abaixo, em letras pequenas, lia-se: “Em tudo os homens dependem dessa única palavra.” Isso ficou gravado de forma tão profunda em minha mente, que até hoje não consegui esquecer. Durante dezenas de anos, em diversas ocasiões, lembrei-me daquele quadro, e a lembrança me foi de grande utilidade.
Muitas palavras sábias vêm sendo ditas desde os tempos antigos, mas talvez nenhuma tenha me impressionado tanto quanto aquela. É constituída de uma letra apenas, mas que força maravilhosa! Quando observamos as diversas situações do mundo tomando-a como ponto de referência, constatamos que ela se encaixa perfeitamente em todas. Ajusta-se, por exemplo, à passividade, aos exageros, aos pensamentos extremados voltados para a esquerda ou para a direita, à ostentação proveniente da riqueza e à inibição motivada pela pobreza. Não sei por que as pessoas sempre se colocam nos extremos. Talvez seja por isso que, na maioria das vezes, elas fracassam. A famosa admoestação de Confúcio no sentido de se obter o meio-termo surgiu para evitar esses fracassos. As expressões antigas “é bom não exceder o limite”, “o limite é bom”, “guardar o limite” significam, em síntese, que cada um deve proceder de acordo com a sua própria posição social.
Do ponto de vista espiritual, segundo a doutrina da nossa Igreja, se cruzarmos o vertical e o horizontal, isto é, “Shojo” e “Daijo”, efetuar-se-á, no centro, a ação de “Izunomê”. Isso resumido, significa também “limite”. Por conseguinte, antes de mais nada, o homem deve respeitar os limites. Se o fizer, tudo lhe irá às mil maravilhas.
8 de agosto de 1951



ESPÍRITO DE “IZUNOMÊ”

Já expliquei, inúmeras vezes, o que significa espírito de “Izunomê”. Vejo, porém, que é difícil praticá-lo, pelas poucas pessoas que o conseguem realmente. Na verdade não é tão difícil. Se conhecermos e assimilarmos o seu fundamento, não haverá dificuldades. A idéia preconcebida de que é difícil é que tolhe a ação. Ao mesmo tempo, como me parece que ainda não deram muita importância ao assunto, sou levado a escrever repetidas vezes sobre ele.
Em síntese, “Izunomê” significa “princípio imparcial”, isto é, manter-se sempre no centro. Não é “Shojo” nem “Daijo”: é “Shojo” e “Daijo” simultaneamente, ou seja, significa não tender aos extremos, nem decidir-se de maneira impensada.
Naturalmente não podemos fugir à decisão de determinadas questões, mas a dificuldade está no julgamento. O espírito de “Izunomê” assemelha-se à arte culinária: o alimento deve ser temperado na justa medida – nem doce, nem salgado. Assemelha-se também ao clima – nem quente, nem frio. É o clima agradável da primavera e do outono. Se os homens adotassem esse espírito e agissem de acordo com ele, seriam estimados por todos e tudo lhes correria bem. Entretanto, os homens de hoje mostram acentuada tendência ao radicalismo. Temos o melhor exemplo na Política. Os políticos professam princípios radicais, denominando-os de partido direitista ou esquerdista. Como esses pensamentos estão associados à obstinação, eles vivem em conflitos. E tudo isso prejudica grandemente o país e o povo.
O método “Izunomê” deveria ser adotado na Política; contudo, há pouca probabilidade de aparecerem políticos ou partidos que tenham consciência disso. A guerra origina-se, também, do choque gerado pela imposição de princípios extremistas.
Verificamos, através de pesquisas, que os conflitos religiosos também surgem de “Shojo” e “Daijo”, isto é, da diferença entre o sentimento e a razão. Nesse caso, deve-se estabelecer a união encurtando a linha perpendicular e a horizontal pela metade, o que significa uma solução pacífica. Assim, não é difícil entrar-se em entendimento.
A propósito desse assunto, podemos observar que sempre há conservadores e renovadores em todos os setores, mesmo no religioso. O primeiro grupo compreende os velhos crentes, aferrados à tradição, os quais detestam as novidades; o segundo compreende os progressistas, que, tendendo ao extremismo, desprezam tudo que é antigo. Daí surge a discussão, a causa do conflito, que poderia ser facilmente resolvida pelo método “Izunomê”.
A Religião, também, exige um profundo conhecimento da época. Todavia, os religiosos são indiferentes a esse ponto, demonstrando forte inclinação para considerar a tradição milenar como um código de ouro. Sendo a Fé algo espiritual – a Verdade absoluta e eterna – não é possível modificá-la. Mas o mesmo não se aplica ao setor administrativo. Este corresponde à parte material da Religião e deve acompanhar as mudanças da época.
O que acabamos de dizer implica numa perfeita ação espírito-matéria, ou seja, devemos agir sempre de acordo com o método “Izunomê”. Assim, é escusado repetir que não se conquista a alma do homem moderno praticando fielmente métodos antiquados. O essencial é compreender que a ação de “Izunomê” é a verdade fundamental de todas as coisas. Desejo que os fiéis tenham profunda consciência dessa verdade, e por isso estou sempre pregando o espírito de “Izunomê”.
25 de abril de 1952



VIDA E MORTE

Para a vida humana, talvez não haja problema tão premente quanto o da morte. Não será, pois, uma grande felicidade se o homem tiver esclarecimentos comprobatórios, e não fantásticos, a respeito dessa questão? Desejo esclarecer as dúvidas existentes transmitindo a todas as pessoas o resultado dos meus estudos sobre os fenômenos espirituais. Com relação ao problema da vida após a morte, existem no Ocidente muitas obras famosas, tais como as de Sir Oliver Joseph Lodge (1851-1940) e do Dr. Ward, que são autoridades no assunto. No Japão temos Wazaburo Assano, um profundo pesquisador com quem eu tive certo relacionamento e que deixou vários trabalhos. Infelizmente, ele faleceu há alguns anos. Falando sobre os fenômenos espirituais, no entanto, quero deixar bem claro que, na medida do possível, me basearei apenas na minha própria experiência. Agirei assim para garantir a exatidão do que digo, pois, como esses fenômenos são invisíveis, é difícil apresentá-los de forma concreta, sem cair em dogmas.
Desprendido do corpo, que se tornou inútil, o espírito retorna ao Mundo Espiritual, onde passa a habitar, começando uma nova vida. Descreverei, inicialmente, como se processa o instante da morte, observado do Mundo Espiritual.
Geralmente o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região umbilical ou pela ponta dos dedos do pé. O espírito puro sai pela testa; o que tem muitas máculas, pela ponta dos dedos do pé; o mediano, pela região umbilical. Isso se explica porque o espírito puro praticou o bem enquanto vivia, somou méritos e foi purificado; o que tem muitas máculas somou muitos pecados, e o mediano situou-se entre os tipos mencionados. Tudo está fundamentado na Lei da Concordância.
O exemplo que se segue é a experiência de uma enfermeira que “viu” a morte de um doente; sua descrição é tão perfeita, que serve de ilustração. É um exemplo ocidental, porém, tanto no Ocidente como no Japão, existem pessoas que têm a faculdade de ver espíritos. Não guardei os pormenores da descrição, mas vou reproduzir as partes mais importantes.
“Certa vez – disse ela – fitando um doente prestes a morrer, notei que de sua testa subia algo branco, uma espécie de névoa que, espalhando-se lentamente pelo espaço, tor-nou-se uma massa disforme, semelhante a uma nuvem. Pouco a pouco, entretanto, começou a tomar a forma humana; minutos depois, apresentou-se exatamente com as mesmas características físicas da pessoa. De pé, no espaço, olhava atentamente seu corpo inerte, junto do qual os familiares choravam. Parecia que desejava mostrar-lhes sua presença, mas desistiu, por saber que estava em dimensão diferente; mudou, então, de posição, dirigiu-se para a janela e saiu suavemente”.
Realmente, a descrição acima retrata muito bem os instantes da morte, que os budistas designam pela expressão “vir para nascer”. De fato, se analisarmos do Mundo Material, é “ir para morrer”, mas, se o fizermos do Mundo Espiritual, é “vir para nascer”. Da mesma forma, ao invés de dizerem “antes de morrer”, eles dizem “antes de nascer”. Assim, o espírito vive no Mundo Espiritual durante determinado tempo, às vezes dezenas, centenas ou milhares de anos, para nascer novamente. Desse modo, o homem nasce e morre muitas vezes. Para se referirem a esse nascer e renascer, os budistas usam a expressão “Rin-ne Tensho”.
Qual a relação entre o Mundo Espiritual e o homem?
O homem vem ao Mundo Material para cumprir a missão que lhe foi determinada por Deus, tenha ou não tenha consciência disso. No cumprimento dessa missão, acumula máculas no seu corpo espiritual. Chega, porém, um momento em que, por doença, velhice ou outros motivos, torna-se-lhe difícil continuar a cumpri-la. Quando isso ocorre, o espírito abandona o corpo e retorna ao Mundo Espiritual. Nesse sentido, desde tempos remotos chama-se “Nakigara” (invólucro vazio) ao corpo sem espírito, e “Karada” (invólucro) ao corpo carnal de uma pessoa viva.
Na ocasião em que o espírito entra no Mundo Espiritual, inicia-se, na maioria deles, o processo purificador das máculas. Dependendo do peso e da quantidade destas, logicamente ele vai ocupar um nível mais elevado ou mais baixo. O período de purificação é variável. Os períodos mais curtos duram poucos anos, às vezes dezenas, e os mais prolongados, centenas ou milhares de anos. Os espíritos que foram purificados até certo ponto, reencarnam, por determinação de Deus.
Essa é a ordem normal, porém, de acordo com a pessoa, há situações em que não se obedece a ela. Isso acontece com aqueles que, na ocasião da morte, têm forte apego à vida. Eles reencarnam antes de terem sido suficientemente purificados no Mundo Espiritual. Geralmente têm destino infeliz, porque lhes restam consideráveis máculas da vida anterior, que precisam ser eliminadas. Por essa razão é que muitos praticam o bem mas vivem perseguidos pelos infortúnios. São pessoas que na vida anterior cometeram muitos pecados e, quando morreram, arrependeram-se seriamente, tomando a firme decisão de não persistir no erro. Esse propósito ficou impregnado em seu espírito, mas, como reencarnaram sem terem sido suficientemente purificadas, vivem sempre cercadas de sofrimento, apesar de detestarem o mal e praticarem o bem. Entretanto, não são poucos os exemplos de pessoas que, passando um período de infelicidade e tendo redimido os seus pecados, tornam-se subitamente felizes.
Há homens que se orgulham de não conhecerem outra mulher além de sua esposa, e outros que não desejam casar-se, terminando a vida solteiros. São indivíduos a quem as mulheres causaram muita infelicidade na vida anterior, e por esse motivo morreram com uma espécie de temor ao sexo feminino, sentimento que deixou marcas em seu espírito.
Algumas pessoas têm especial aversão ou receio de aves, insetos ou outros bichos. Isso tem origem na morte que tiveram, causada por um desses animais. O mesmo pode ser dito em relação àqueles que temem a água, o fogo ou os lugares altos. Outros têm medo de lugares onde se aglomera muita gente. Quando alguém sente isso, é porque em outra vida morreu pisoteado pela multidão. É interessante o pavor que certas criaturas têm de ficar sozinhas. Ministrei Johrei numa pessoa assim. Ela não podia ficar sozinha dentro de casa. Nessas ocasiões, saía para a rua e ficava esperando alguém chegar. Provavelmente, na vida anterior, tais pessoas faleceram de um mal súbito, quando estavam sozinhas.
Pelos diversos exemplos mencionados, concluímos que, no dia-a-dia da sua vida, o homem deve se esforçar para morrer em paz, sem apegos, temores e outras preocupações.
Quando uma pessoa nasce deformada ou aleijada, geralmente é porque reencarnou antes de estar suficientemente purificada no Mundo Espiritual. Por exemplo: antes de ser curada de fratura nas mãos ou nas pernas, provocada pela queda de um lugar alto.
Além do apego do próprio falecido, há outro motivo para a reencarnação prematura: a influência do apego dos familiares. É comum o caso de mulheres que engravidam logo após o falecimento de um filho querido. Esse novo filho é aquele que morreu e reencarnou prematuramente, em virtude do apego da mãe. Geralmente essas crianças não são muito felizes.
Existem pessoas sábias e pessoas ignorantes. Por quê? Pela diferença de idade entre suas almas: as primeiras têm alma velha; as segundas têm alma nova. A alma velha, por ter reencarnado muitas vezes, possui uma larga experiência do mundo, ao passo que a nova, por ter sido criada recentemente no Mundo Espiritual, tem pouca experiência, motivo pelo qual é mais ignorante. Como vemos, também há um processo de procriação no Mundo Espiritual.
Ainda podemos citar algumas experiências pelas quais muitos já passaram.
Certas pessoas, ao encontrarem alguém que nunca viram, têm a impressão de tratar-se de pessoa já conhecida. Sentem uma grande emoção, como se fossem pai e filho, ou irmãos; podem até experimentar um sentimento mais profundo. A razão é que na vida anterior eram parentes bem próximos ou tinham laços de estreita amizade; a isso se convencionou chamar de INNEN (afinidade espiritual).
Também, por ocasião de uma viagem, encontramos lugares pelos quais sentimos especial simpatia ou atração e onde desejaríamos residir. É porque em outra vida residimos ou passamos muito tempo nesses locais.
No relacionamento entre homem e mulher, há casos em que ambos ficam em idílio ardente, que progride até se tornar um amor cego. A explicação é que na vida anterior, apesar de enamorados, eles não conseguiram unir-se. Entretanto, na vida atual, apresentando-se essa oportunidade, cria-se entre os dois um amor apaixonado.
Ao lermos ou ouvirmos falar de determinados personagens ou acontecimentos históricos, podemos sentir simpatia ou até ódio. Isso acontece porque já vivemos na época em que aqueles fatos ocorreram, ou porque tivemos algum relacionamento com aqueles personagens.
5 de fevereiro de 1947



O QUE É A MORTE?

Entre as questões relacionadas à vida humana, nenhuma é tão séria quanto o problema da morte. Todos o reconhecem; apesar disso, é a questão mais difícil de ser compreendida. Eu cheguei a uma conclusão a respeito da morte depois de prolongados estudos e pesquisas em todos os campos, incluindo diversas religiões, experiências espirituais realizadas no Ocidente, etc. Começarei minha explanação falando sobre a constituição do homem.
O homem não é formado apenas pela matéria, ou seja, pelo corpo físico, como afirmam os cientistas. É constituído por duas partes essenciais: espírito (elemento fogo) e matéria. Esta, por sua vez, compõe-se dos elementos água e terra. Entretanto, apenas com estes dois últimos elementos o homem não atua como ser vivo. Juntando-se a eles o espírito, sem forma definida, é que se inicia a atividade vital. O espírito assume, então, a forma do próprio corpo da pessoa. No momento em que ele se separa do corpo, ocorre aquilo que chamamos morte.
E por que ocorre a separação? É porque o corpo se torna inútil, seja por velhice, por doença, por ferimento ou por hemorragia intensa; no instante em que isso ultrapassa certo parâmetro, entra em vigor a lei que obriga a separação. Com a morte, imediatamente o corpo esfria, e o sangue se coagula em determinado local. O esfriamento é decorrente da anulação do elemento espírito, isto é, do elemento fogo.
O que acontece, então, com o espírito? Ele vai para o Mundo Espiritual com a forma exata do corpo. A esse respeito li, há algum tempo, o relato de uma experiência realizada no Ocidente; como se trata de um exemplo bem ilustrativo, vou reproduzi-lo a seguir.
Certa vez, fitando um doente prestes a morrer, uma enfermeira observou que de sua testa começou a subir uma fumaça esbranquiçada, como se fosse vapor d’água, o qual se tornava cada vez mais denso. A princípio essa fumaça tomou o formato de uma elipse no espaço, mas gradualmente foi adquirindo a forma de um corpo humano; por fim, assumiu as mesmas características físicas da pessoa. O espírito permanecia a uma distância de aproximadamente um metro acima do morto e parecia querer dizer alguma coisa aos familiares que choravam à sua volta; logo, porém, flutuando, saiu do quarto silenciosamente.
Em geral o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região abdominal ou pelos pés. No caso de morte por explosão, instantaneamente ele se espalha em todas as direções, na forma de inúmeros corpúsculos, mas torna a se reunir de maneira centrípeta, reassumindo o formato humano; assim, não difere nem um pouco da morte por doença.
Quando os espíritos se deslocam, por vontade própria, para determinado local, tomam a forma esférica. É com esse formato que muitas pessoas afirmam tê-los visto. Com relação à visão da enfermeira de quem falamos, trata-se de uma capacidade excepcional; aliás, existem criaturas que já nasceram com essa capacidade, e outras que a adquiriram através de treinamento. No Japão, desde a antigüidade registram-se casos verídicos desse tipo, e eu mesmo já tive inúmeras oportunidades de contatar com médiuns. Conheci uma senhora possuidora de percepção espiritual fora do comum, a qual me foi de grande valia nas experiências que realizei.

EXISTEM FANTASMAS?

Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu afirmo que eles existem. Trata-se de uma realidade que ninguém pode negar. Creio que a tese do Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim como a do Inferno, Purgatório e Céu, da “Divina Comédia” de Dante Alighieri (1265-1321), não são teses sem fundamento, absurdas ou ilusórias.
Que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo Espiritual é o mundo da vontade e do pensamento. Sem o empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no Mundo Material.
O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do que uma aeronave. No xintoísmo, as palavras “Tome assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço”, proferidas nas cerimônias litúrgicas, significam que um espírito pode cobrir a distância de mil léguas em alguns minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez com que ele se move depende da sua hierarquia. Os espíritos elevados, isto é, aqueles que conseguiram atingir os níveis de hierarquia Divina, são mais velozes. O espírito do nível mais alto da hierarquia Divina pode chegar ao local mais distante num espaço de tempo menor do que a milionésima parte de um segundo, mas o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele é, devido às suas impurezas.
Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar ou diminuir de tamanho. Numa Morada dos Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco centímetros de largura, podem tomar assento várias centenas de espíritos. Nessa oportunidade, é rigorosamente observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição adequada ao seu nível, dentro da maior disciplina e com a indumentária apropriada. No budismo, eles assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira ou de qualquer outro material; no xintoísmo, assentam num espelho, numa pedra, numa letra ou no “Himorogui” (cruz feita de fibras de linho).
Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhes são oferecidos de coração, mas o mesmo não acontece se são atos apenas formais. Assim, nas ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o máximo de sentimento e realizá-lo de forma ideal, de acordo com as condições materiais do momento.
Desde épocas remotas fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem fantasmas, mas na maioria dos casos trata-se de espíritos com poucos dias de desencarnados. O grau de densidade das células espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão pela qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Nada há de estranho, portanto, no fato de muitos terem visto a Ressurreição e Ascensão de Cristo. Porém, como o espírito de Cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu. Com o passar do tempo, o espírito é purificado, ficando menos denso, e, assim, mais difícil de ser visto.
Um fantasma pode entrar e sair livremente por um orifício do tamanho do buraco de uma agulha, pois não tem corpo carnal que lhe estorve a passagem. Em vista disso, muitos podem pensar que o Mundo Espiritual seja o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem assim. Nele existem leis que são aplicadas rigorosamente, e a liberdade é limitada.
Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos.
Os fantasmas geralmente são retratados com a expressão facial dos instantes da morte. Entretanto, com o decorrer do tempo a expressão do espírito vai mudando lentamente, amoldando-se à índole da pessoa. Por exemplo, os tímidos, os pessimistas e os solitários tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de natureza diabólica e animalesca, tomam a aparência do próprio demônio; os de pensamento vil ficam com a face disforme, e os que têm bom coração adquirem uma expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível encobrir o pensamento, pela configuração chamada corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado, aparecendo exatamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou menos um ano após a morte.
Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou menos esta referência: “Quando o homem falece, seu espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem tampouco existe Mundo Espiritual; se existisse, já estaria repleto, pois o número de pessoas que faleceram atinge vários bilhões”. Esse autor, apesar de ser um expoente do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito.
5 de fevereiro de 1947



JULGAMENTO NO MUNDO ESPIRITUAL

Enquanto vive no Mundo Material, o homem deve se esforçar para cumprir plenamente a missão que lhe foi concedida por Deus, contribuindo para o bem da sociedade. A maioria das pessoas, no entanto, fica atenta apenas aos aspectos exteriores das coisas e, inconscientemente, pratica ações subordinadas ao mal. Em conseqüência, no seu corpo espiritual vão se acumulando máculas. Passando para o Mundo Espiritual, nele se efetua uma rigorosa eliminação dessas máculas.
Realizei minuciosos estudos e pesquisas procurando ouvir o maior número possível de espíritos desencarnados, através de médiuns. De tudo que esses espíritos disseram, eliminei aquilo que pode não ser verdade, transcrevendo apenas os pontos coincidentes entre os muitos depoimentos que ouvi. Por isso, tenho certeza de que não há erros em minhas explanações.
Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida para o local a que dou o nome de Plano Intermediário. No xintoísmo, chamam-no de “Yatimata” (encruzilhada de oito direções); no Budismo, “Rokudo no Tsuji” (esquina de seis caminhos), e no cristianismo, Purgatório. Entretanto, desejo chamar a atenção para um fato: o Mundo Espiritual do Oriente é mais verticalizado que o do Ocidente, e o Mundo Espiritual do Japão é o que se apresenta mais vertical. Por isso é que a sociedade japonesa é particularmente constituída de muitos níveis hierárquicos, e a sociedade ocidental, menos hierarquizada, mais propensa à igualdade. O objeto de minhas pesquisas foi o Mundo Espiritual do Japão; espero que não esqueçam esse fator, ao lerem minhas palavras.
Fundamentalmente, o Mundo Espiritual é constituído de nove níveis, pois tanto o Plano Superior, quanto o Intermediário e o Inferior são formados de três níveis. Após a morte, o espírito das pessoas comuns vai para o Plano Intermediário, mas o espírito daqueles que foram muito bons sobe imediatamente ao Plano Superior, e o dos perversos desce incontinenti ao Plano Inferior. Podemos ter mais ou menos uma idéia disso observando a forma como ocorre a morte.
Aqueles cujo espírito vai para o Plano Superior, sabem a data aproximada em que vão morrer e, nessa ocasião, não sentem nenhum sofrimento; chamam os mais chegados, expressam seus últimos desejos e morrem em paz, como se a morte fosse a coisa mais natural. Ao contrário, aqueles cujo espírito vai para o Plano Inferior têm morte muito dolorosa, agonizando em meio a sofrimentos extremos. Os que vão para o Plano Intermediário estão sujeitos a sofrimentos menos dolorosos. A maioria dos espíritos vai para este plano, e podemos deduzir isso observando a face do cadáver. Se o espírito foi para o Plano Superior, não há nenhuma expressão de sofrimento; pelo contrário, a pessoa fica como se estivesse viva. Se foi para o Plano Inferior, a face do cadáver se apresenta escurecida ou preto-esverdeada, com uma expressão de agonia. A face daqueles cujo espírito foi para o Plano Intermediário, em geral mostra-se amarela, como é o caso da maioria dos cadáveres.
Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano Intermediário. Para chegarem lá, eles têm de atravessar um rio. Nessa ocasião, um funcionário examina-lhes a roupa; se esta é branca, o espírito passa, mas se é de cor, ele é obrigado a trocá-la por uma de cor branca. Há duas versões: segundo uns, o espírito passa por uma ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa o próprio rio. Estes últimos falam, ainda, que o rio não tem água e que as ondas que se tem impressão de ver nada mais são que as ondulações dos corpos de inúmeros dragões se movimentando.
Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a veste branca apresenta-se tingida; a cor varia de acordo com a quantidade de máculas. A dos espíritos mais maculados tinge-se de preto. A seguir, por ordem decrescente de máculas, a veste pode tornar-se azul, vermelha, amarela, etc., sendo que a dos mais puros permanece branca.
Em seguida, de acordo com a tese budista, o espírito vai para o Fórum, onde é julgado. O julgamento é bem diferente do que ocorre no Mundo Material: caracteriza-se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de favoritismo nem de equívocos. Na hora do julgamento, os espíritos vêem de forma diferente a face de Enma Daio, o juiz. Para os perversos, ele se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente, abre a boca até às orelhas, e, quando fala, cospe fogo; só de vê-lo o espírito já fica atemorizado. Entretanto, os bons vêem-no com uma expressão afável, branda e afetuosa, mas sóbria; o espírito, naturalmente, sente simpatia e respeito por ele.
Um por um, os pecados são refletidos num espelho de cristal puro e, em seguida, julgados. O julgamento é precedido de uma investigação, procedendo-se, em seguida, à comparação das condições presentes do espírito com os outros registros seus existentes no Fórum. Quem exerce a função de juiz no fórum do Mundo Material, também a exerce no Mundo Espiritual. Segundo o xintoísmo, o fiscal dos promotores é “Haraido no Kami” (deus da purificação), e o Enma Daio é a divindade chamada “Kunitokotati no Mikoto”.
Após receber a sentença, o espírito dirige-se para um dos três níveis do Plano Superior ou do Plano Inferior. Portanto, a “esquina de seis caminhos” a que aludimos, como o próprio nome indica, é a encruzilhada para ele ir a um daqueles níveis. Todavia, embora tenha ficado decidido que o espírito vai para o Plano Inferior, concede-se a ele mais uma oportunidade: fazer aprimoramento no Plano Intermediário, para a sua elevação. Aqueles que se arrependem e se convertem, ao invés de irem para o Plano Inferior como estava determinado, vão para o Plano Superior.
O trabalho de orientação é realizado pelos eclesiásticos das respectivas religiões, como faziam no Mundo Material. Tais eclesiásticos, após seu falecimento, recebem ordem para cumprir essa missão. No Plano Intermediário, o período de aprimoramento vai de alguns dias até trinta anos, e aqueles que não conseguem arrepender-se, descem ao Plano Inferior. Há um outro fator ainda. Se os parentes, amigos e conhecidos lhe oferecem cultos após a morte – cultos feitos de coração, com toda a sinceridade – ou somam méritos e virtudes praticando o bem, fazendo feliz o próximo, a purificação do espírito desencarnado será acelerada. Por essa razão, a dedicação aos pais, a fidelidade ao cônjuge, etc., aqui no Mundo Material, revestem-se de grande significado mesmo após a sua morte, e eles ficam muito contentes com os cultos feitos em sua memória.
5 de fevereiro de 1947



A REENCARNAÇÃO

O tempo que o homem leva para reencarnar é bastante variável, podendo a reencarnação ocorrer cedo ou tarde. A rapidez ou atraso são determinados pela própria vontade da pessoa. Quando alguém morre e tem muito apego a este mundo, reencarna mais cedo. Mas isso não traz bons•resultados, porque no Mundo Espiritual a purificação é mais rigorosa e, quanto mais tempo o espírito lá permanecer, mais será purificado. Quanto mais purificado estiver, mais feliz será ao reencarnar. No caso de reencarnação prematura, a purificação não foi completa, restando impurezas que deverão ser purificadas neste mundo. Ora, a purificação no Mundo Material traduz-se em sofrimentos como doenças, pobreza, acidentes, etc.: obviamente, a pessoa terá um destino infeliz.
O fato de uma pessoa ser feliz ou infeliz desde o seu nascimento, na maioria das vezes deve-se ao que acabamos de expor. Perceberão, portanto, que a felicidade ou a infelicidade não são mero acaso, existindo razões para ambas. Contudo, existe outra explicação. Quando a família do falecido lhe presta homenagens póstumas e ofícios religiosos, ou quando seus descendentes praticam o amor ao próximo e trabalham em benefício da sociedade e da nação, somando o bem e a virtude, isso ajuda a acelerar a purificação dos espíritos dos antepassados. Por esse motivo, o amor e a devoção filial devem ser praticados não só quando os pais ainda estão neste mundo, mas muito mais através de ofícios religiosos e do altruísmo, quando eles já se encontram no Mundo Espiritual. Costuma-se dizer: “Os filhos querem colocar em prática a devoção filial quando seus pais já não existem.” Quem diz tais palavras, desconhece como é aquele mundo.
Há pessoas que já nascem com anomalias físicas. Isso significa que houve reencarnação antes de ser completada a purificação no Mundo Espiritual. Exemplificando, no caso de uma pessoa cair de um lugar alto e fraturar os braços ou as pernas, se ela morrer e reencarnar antes da cura completa, poderá apresentar anomalia nesses membros.
Entretanto, a reencarnação prematura explica-se não só pelo apego da própria pessoa, como também pelo apego dos seus familiares. Por exemplo: quando uma mãe perde um filho muito querido, pode acontecer que ela engravide logo em seguida, provocando-lhe a rápida reencarnação devido ao seu forte apego. Em tais casos, normalmente esse filho não terá uma vida muito feliz.
23 de outubro de 1943



VERDADEIRA SAÚDE

A VERDADE SOBRE A SAÚDE

Para explanar sobre o assunto, devo dizer inicialmente que a verdade, em matéria de saúde, está na adaptação e no respeito à Natureza. Essa é a condição fundamental.
Antes de mais nada, deve-se pensar: com que objetivo Deus criou o homem? Segundo nossa interpretação, foi para construir um mundo perfeito, de Verdade, Bem e Belo. É de se esperar, entretanto, que uma teoria como essa não seja aceita com muita facilidade. Evidentemente, não se sabe se levará dezenas, centenas, milhares ou até milhões de anos para se concretizar o mundo ideal. Todavia, observando os fatos do passado, vemos claramente que o mundo vem caminhando passo a passo neste sentido; ninguém poderá negá-lo. Deus é o espírito, e o homem é a matéria; ambos, o espírito e a matéria, em trabalho conjunto, estão em infinita evolução, tornando-se desnecessário dizer que o homem existe como instrumento de Deus para a construção do Mundo Perfeito. Conseqüentemente, sua responsabilidade é enorme.
A condição fundamental para a execução dessa obra grandiosa é a saúde. Deus atribuiu uma missão a cada pessoa, concedendo-lhe, logicamente, a saúde necessária para cumpri-la. Com efeito, se o homem estiver doente, significa que o sagrado objetivo de Deus não será alcançado. Tomando este princípio por base, concluiremos que a saúde é inerente ao homem, devendo ser o seu estado normal. O estranho é as pessoas serem acometidas de doenças com tanta facilidade, ou seja, ficarem em estado anormal. Sendo assim, apreender claramente os princípios da saúde e fazer o homem retornar ao estado normal está coerente com o objetivo de Deus.
Mas o que descobrimos ao examinar o corpo humano em estado anormal? Em primeiro lugar ressalta que ele está em desacordo com a Natureza; perceber a real situação desse estado antinatural, corrigi-lo, fazendo voltar a normalidade, é a verdadeira Medicina. E mais: tornar possível esse retorno é a forma existencial da correta Medicina. Passarei, portanto, a explicar o que vem a ser o estado antinatural.
Quando nasce, o homem alimenta-se com o leite materno ou com leite animal, pois ainda não tem dentes, e seu aparelho digestivo, recém-formado, é muito frágil. Gradualmente, porém, nascem-lhe os dentes, e, à medida que suas funções orgânicas se desenvolvem, ele começa a ingerir alimentação adequada. Existe uma variedade de alimentos, cada um com sabor característico, sendo que o homem é dotado de paladar para comê-los com prazer. Além disso, o ar, o fogo e a água existem em proporções adequadas à saúde, de modo que tudo está ordenado de maneira realmente perfeita. Quanto ao corpo humano, vejamos: do cérebro nascem a razão, a memória e o sentimento; os objetos são criados com as mãos; a locomoção é feita livremente, por meio dos pés, e o corpo está provido de partes muito necessárias, como cabelos, pele, unhas, olhos, nariz, boca, ouvidos, etc. Acrescente-se a isso que o corpo todo, a começar pela face, está recoberto de pele, que ressalta sua beleza. Um rápido exame já evidencia que o ser humano é uma obra maravilhosa; analisando-o mais profundamente, concluiremos que ele é um milagre da Criação, difícil de se expressar com palavras.
As flores, as folhas, a beleza dos rios e das montanhas, os pássaros, os insetos, os peixes e outros animais não podem deixar de ser admirados como obras extraordinárias da Arte Divina, mas o homem é, inegavelmente, a obra-prima do Criador. Principalmente no que se refere ao processo de procriação, como preservação da espécie, a Providência é tão hábil, que não encontramos palavras para exprimir sua perfeição. Ora, sendo o homem a obra máxima de Deus, devemos pensar, séria e profundamente, que erros, que ações antinaturais estamos cometendo para a ocorrência das anormalidades chamadas doenças, as quais impedem suas atividades. Homens, eis um ponto importantíssimo, sobre o qual devem fazer uma profunda reflexão.
20 de abril de 1950
O HOMEM É UM POÇO DE SAÚDE

Costuma-se dizer, desde a antigüidade, que o homem é um poço de doenças, mas a expressão está completamente errada. Corrigindo-a, diremos que ele é um poço de saúde. Como já expliquei anteriormente, o homem é saudável por natureza. Acontece, porém, que, na atualidade, a doença é sua companheira, sendo isso considerado problema insolúvel, o que levou muitos a se conformarem, aceitando o fato como predestinação. Com efeito, uma vez a pessoa acometida pela doença, sua cura torna-se difícil. Às vezes se adoece por um longo período, ou então com freqüência; há mesmo quem passe mais tempo doente do que com saúde. Justifica-se, pois, dizer que o homem é um poço de doenças; aliás a expressão deve ter surgido devido ao prolongamento de tal situação. Isso aconteceu porque ainda não se conhecia a natureza da doença, tornando-se compreensível que tanto esta como a morte fossem inevitáveis. Foi por essa razão que Sakyamuni afirmou: “O homem tem de se resignar com o sofrimento do nascimento, da doença, da velhice e da morte.”
Falarei, agora, sobre a antinatureza, que é a fonte da doença.
Quando adoece, o homem utiliza os medicamentos como se fossem o único recurso, e aí já está o erro. Na medicina chinesa, os remédios são extraídos das raízes das plantas ou das cascas das árvores; quanto à medicina ocidental, busca seus produtos nos minerais, nas plantas nu em outras fontes. Tudo isso é fundamentalmente antinatural. Pensem bem: as substâncias assim obtidas possuem sabor amargo, odor desagradável, acidez, etc., que invariavelmente provocam aversão. A conhecida expressão “tirar da boca o gosto de remédio” ilustra bem o fato. Mas por que é tão desagradável tomar remédios? A resposta é a seguinte: Deus está mostrando que não se deve tomá-los, porque eles são tóxicos. Quanto aos alimentos, todos são produzidos de maneira que agradem ao paladar do homem; ingeri-los, portanto, é uma ação natural.
Costuma-se dizer que determinados alimentos são nutritivos e que outros não o são, mas isso também é um erro. Apesar de existir alguma diferença, dependendo do clima e das características da região, todos os alimentos são produzidos de maneira adequada às pessoas aí nascidas. Os indivíduos de raça amarela alimentam-se de arroz, e os de raça branca, de trigo; da mesma forma, como o Japão é um arquipélago, significa que seu povo deve comer bastante peixe, não havendo, também, nenhuma inconveniência em que as pessoas do continente comam carne. Pelo mesmo raciocínio,as refeições dos agricultores, à base de vegetais, estão de acordo com a Natureza. O fato deles suportarem o trabalho braçal contínuo mostra a adequação da alimentação vegetariana. Desconhecendo esse princípio, a dietética está se empenhando, atualmente, para que os agricultores comam peixe; entretanto, se eles assim fizerem, resultará na diminuição da sua capacidade produtiva. Por outro lado, devido às refeições à base de peixe, os pescadores não suportam trabalho contínuo e por isso trabalham de maneira intermitente. Além disso, esse tipo de alimentação ajuda a aguçar a sensibilidade; portanto, é apropriado à atividade da pesca, donde se conclui que a Natureza é realmente perfeita,
20 de abril de 1950



A VERDADEIRA SAÚDE
E A SAÚDE APARENTE

Podemos afirmar que a humanidade, ou, pelo menos, a maioria dos povos civilizados são doentes. A diferença está apenas em doença manifesta e não-manifesta. Pessoas doentes são aquelas em quem a doença já se manifestou; pessoas consideradas sadias, aquelas em quem a doença está para se manifestar. Torna-se desnecessária qualquer explicação sobre as primeiras; limitar-me-ei, portanto, a estas últimas.
Como já expliquei, as pessoas que estão por adoecer são aquelas em quem ainda não foi iniciada a ação purificadora dos nódulos formados pelas toxinas. Assim, a verdadeira saúde é a dos portadores de corpos físicos totalmente livres de toxinas; neles, conseqüentemente, não ocorre purificação. Há pessoas, entretanto, que, embora tenham toxinas acumuladas, ainda conseguem manter a saúde e desempenhar suas atividades diárias, agüentando trabalhos físicos; aos olhos de qualquer um, parecem saudáveis. Visto que, através dos exames feitos pela medicina atual, é difícil descobrir a presença das toxinas, tais pessoas são consideradas sadias. A elas eu denomino “pessoas de saúde aparente”. Fico, pois, apreensivo ao pensar no grande número de portadores de “bombas” que estão “dançando” no palco da vida.
Fala-se, desde os tempos antigos, que o homem é um poço de doenças, mas essa expressão refere-se exatamente à saúde aparente.
5 de fevereiro de 1947



MORTE NATURAL
E MORTE ANTINATURAL

O que vem a ser a morte? Obviamente, é a extinção da vida. Isso significa que o corpo material não consegue mais viver. É como uma árvore que seca e morre.
A morte tem várias causas, mas podemos dividi-la em dois grupos: morte natural e antinatural. A primeira é causada pelo esgotamento natural da vida; a segunda, por doença, assassinato, acidente ou suicídio. O certo é que ocorra morte natural, podendo-se dizer que a morte antinatural constitui uma anomalia.
Um fato realmente incompreensível é que, apesar do avanço da cultura, venha diminuindo cada vez mais a morte natural e aumentando a incidência de morte antinatural, principalmente a motivada por doença. E por que razão, embora se registre um grande progresso em todos os campos culturais, só na questão referente à vida humana ocorre exatamente o inverso? Deve existir aí uma enorme falha... Entretanto, ao invés de levantar dúvidas, o homem, que mostra um interesse ilimitado por outros assuntos, permanece totalmente apático, conformado, acreditando, talvez, que na questão da morte não existem alternativas. Tal atitude se explica pelo fato de, até agora, como todos sabem, nenhuma religião ou ciência ter conseguido resolver o problema. Portanto, é de se imaginar que o homem pensa em deixá-lo à mercê da natureza, como única solução.
Mas, pensemos: Deus Todo-Poderoso criou o homem como animal do mais elevado nível, e não há nada mais conflitante com a Vontade Divina que o reduzido número de mortes naturais em relação às mortes antinaturais, número esse que está diminuindo progressivamente. Ora, se Deus é Todo-Poderoso, cedo ou tarde Ele deverá trazer o homem de volta à sua hierarquia espiritual de origem. Evidentemente. Deus não fechará os olhos, por muito tempo, à anomalia ocorrida com a vida humana. Refletindo sobre tudo isso, não será motivo de espanto que Izunome-no-Okami, isto é, Kanzeon Bossatsu, o deus que recebeu do supremo Deus a incumbência de salvar o homem, esteja prolongando a vida humana, isto é, erradicando a morte antinatural.
Pelas razões expostas, o homem deve conscientizar-se de que está próxima a chegada do Mundo da Divina Luz, ou seja, o mundo isento de doenças pelo qual a humanidade vem ansiando há milênios.
19 de junho de 1936



TOXINAS



ANÁLISE DAS TOXINAS

O que é toxina? Em última análise, é o mesmo que sangue sujo e mácula espiritual. As máculas se originam do pecado, e este, naturalmente, tem origem no mal. Todos sabem que essa visão do pecado é quase que um monopólio das religiões desde a antigüidade; entretanto, agir simplesmente como se tem agido até agora, dizendo que não se deve fazer isso ou aquilo porque é pecado, já não convence as pessoas da atualidade, pois a maioria é muito inteligente e raciocina em termos científicos. Deve-se, portanto, basear a teoria em fatos e argumentos sólidos.
Este mundo em que vivemos é formado pelo Mundo Espiritual e pelo Mundo Material. Da mesma maneira, o homem é formado de espírito e corpo, e ambos, numa relação íntima e inseparável, têm por princípio a identidade espírito-matéria. Sendo assim, quando as máculas do espírito se refletem no corpo, o sangue se suja; reciprocamente, quando isso se reflete no espírito, torna-se mácula. Como este ponto é de importância fundamental, pediria que o levassem em consideração no decorrer da leitura.
Explicando do ponto de vista espiritual, se o homem pratica más ações, esse pecado gera máculas no espírito; quando o acúmulo das máculas atinge determinado nível, sobrevém a ação purificadora, na forma de doenças, acidentes ou penalidades legais. A parte que não foi atingida pela lei dos homens é punida espiritualmente, pela Lei de Deus. Entretanto, como Deus é absoluto, se a pessoa escapar habilmente a essas penalidades, o castigo se refletirá na matéria através de sofrimentos maiores. Evidentemente, as doenças sobrevindas nesses casos são malignas e, na sua maioria, colocam em risco a vida da pessoa. Quanto mais cedo ocorrerem as penalidades, mais brandas serão, podendo-se compará-las a empréstimos ou dívidas, que, quanto mais se demora a saldá-los, mais aumentam, devido aos juros. De fato, se um malfeitor conseguir escapar em vida aos julgamentos de Deus e do homem, quando morrer e o seu espírito passar para o Mundo Espiritual, irá cair no chão do Inferno, devido ao peso dos pecados. É exatamente o “Inferno Avíci” (reino de ilimitado sofrimento), citado no budismo, e o “Reino do Fundo do Inferno”, mencionado no xintoísmo. Trata-se de um mundo absolutamente sem luz e calor, onde o espírito nada enxerga, permanecendo congelado por centenas de anos; por isso, não há malfeitor, por pior que seja, que não venha a se arrepender. Para as pessoas da atualidade, talvez seja difícil acreditar em situações como estas, mas gostaria que me dessem crédito, pois são fatos que me foram transmitidos diretamente pelos espíritos, nas pesquisas por mim realizadas, e posso garantir que não existe nenhum equívoco.
Voltando à minha explanação, em conseqüência dos pecados começa-se a sentir peso na consciência, e esse sofrimento já é uma leve purificação. Seria bom que nesse momento as pessoas se arrependessem, mas isso é difícil. Assim, na maioria das vezes, os pecados tendem a se acumular. É claro que a quantidade das máculas é proporcional à maior ou menor gravidade dos pecados, mas há também outra maneira de criá-las. Quando se faz alguém sofrer, a pessoa atingida se enfurece, sente ódio por aquele que lhe causou o sofrimento, e esse ódio é transmitido, através do elo espiritual, como ondas de rádio, ao espírito do malfeitor, gerando-lhe máculas. Ao contrário, quando se pratica uma boa ação, as pessoas se alegram e sua gratidão se transmite, na forma de Luz, ao espírito do benfeitor, o que fará diminuir as máculas que o cobrem. Entretanto, mesmo quando se trata de boas ações, quanto mais elas forem praticadas sem que os beneficiados saibam, maiores serão as bênçãos de Deus; essa é a inviolável Lei dos Céus.
O que acabamos de expor é o mecanismo do Mundo Espiritual. Como representa uma verdade absoluta, a única alternativa é crer e obedecer. Portanto,já que as doenças e outros infortúnios são decorrentes da ação purificadora das máculas, o homem, se quiser alcançar a felicidade, deve deixar o mal, praticar o bem e esforçar-se para não macular seu espírito.
Passarei, agora, a falar do ponto de vista material.
A origem da doença é o sangue sujo, que, obviamente, tem como causa os tóxicos dos medicamentos. Todos os medicamentos, por natureza, são tóxicos, mas durante muito tempo, por desconhecimento dos princípios da ação purificadora, vieram sendo erroneamente interpretados como remédios.
Baseado na minha experiência, posso afirmar que há casos de reincidência da doença depois de algum tempo, mesmo em pessoas que já obtiveram melhora através do JOHREI. Chamo a isso de repurificação. O que acontece é que o JOHREI promove a eliminação das toxinas em processo de dissolução, e com isso o doente tem uma melhora temporária; entretanto, logo que ele retoma suas atividades, já com vigor razoável, surge uma ação purificadora mais intensa. Resumindo, com a purificação a pessoa ganha saúde, e com a saúde surge a purificação. Pela repetição desse processo é que se obtém o completo restabelecimento da saúde.
A repurificação manifesta-se relativamente intensa, através de febre alta, tosse forte e eliminação de antigas e solidificadas toxinas em forma de catarro, sendo isso perceptível pela densidade deste e pelo cheiro de remédio. Obviamente alguns casos são acrescidos da perda de apetite e do enfraquecimento do corpo, podendo, às vezes, o doente partir para o Mundo Espiritual.
Deus fez do homem o senhor da Terra e por isso criou alimentos suficientes para a sua subsistência, atribuindo sabor a cada um deles e, ao homem, o paladar. Portanto, comer com satisfação aquilo que desejar é suficiente para o ser humano manter a saúde, sem precisar preocupar-se com assuntos complexos como nutrição. Assemelha-se ao desejo sexual, cujo objetivo não é fazer outro homem; todavia, apesar do objetivo ser outro, inconscientemente ocorre a procriação. Sendo assim, o homem não deve ingerir nada que não esteja determinado como alimento, ou seja, deve excluir tudo que é insípido ou que tem sabor desagradável, pois essas características já definem aquilo que não é comestível. Por desconhecimento desse princípio, costuma-se dizer, desde a antigüidade, que “o bom remédio é sempre amargo”, o que constitui um flagrante equívoco.
1o de dezembro de 1952



OS TRÊS TIPOS DE TOXINAS

A origem de todas as doenças são as toxinas, que podem ser hereditárias, urinárias e medicinais.
Que são toxinas hereditárias? São heranças dos tóxicos contidos nos medicamentos; esses tóxicos, após passarem por várias gerações, transformam-se numa espécie de toxina.
As toxinas urinárias são decorrentes da urina que não é eliminada, em conseqüência do atrofiamento da atividade renal.
Não entrarei em detalhes sobre as toxinas medicinais, pois o assunto já foi abordado, mas vou explicar como elas se manifestam. Seus principais sintomas são febre, dores, coceira, diarréia, vômitos, dormência, mal-estar, etc. A febre é proporcional à quantidade de toxinas e pode-se até dizer que não se observa a ocorrência deste sintoma entre pessoas que nunca tomaram remédios. Quanto às dores, as produzidas pelos medicamentos ocidentais são mais agudas, podendo ser, por exemplo, picantes (como picada de agulha), perfurantes e rápidas. Já os medicamentos chineses, quase todos, produzem dores brandas.
5 de fevereiro de 1947



TOXINAS URINÁRIAS

Já me referi várias vezes à facilidade com que as toxinas tendem a se acumular em locais de alta concentração nervosa. Quando faz esforço físico, o homem força a região dos quadris, o que provoca a acumulação de toxinas à altura dos rins. Uma prova disso é a alta incidência de problemas renais entre os praticantes de golfe. As toxinas acumuladas pressionam os rins, atrofiando-os. Se os rins normais conseguem eliminar, por exemplo, dez unidades de urina, os atrofiados eliminam nove, sendo que uma unidade permanece no organismo sem ser eliminada. Essa unidade de urina retida constitui a toxina urinária, a qual tende a se acumular, da mesma forma que as outras toxinas, em locais de alta concentração nervosa, como na região dos rins e da barriga, nos gânglios linfáticos da região das virilhas, no peritônio, nos ombros, no pescoço, etc. O maior acúmulo de toxinas no lado esquerdo ou direito depende do maior atrofiamento de um dos rins em relação ao outro.
A quantidade de resíduos das toxinas hereditárias é limitada, e a das toxinas medicinais também se restringe ao uso dos medicamentos. As toxinas urinárias, porém, são produzidas, dia e noite, ininterruptamente; portanto, são as que causam maiores problemas. Essas três toxinas são responsáveis por todas as doenças.

A CAUSA DOS ACIDENTES

Tem crescido, ultimamente, o número de acidentes, a começar pelos de trânsito, e esse número tende a aumentar a cada ano, apesar dos esforços das autoridades competentes. O que se deve fazer, então? No momento, como a verdadeira causa dos acidentes é totalmente desconhecida, só nos resta prestar redobrada atenção para evitá-los.
Segundo interpretamos, os acidentes são motivados por problemas de sistema nervoso do homem moderno. Em outras palavras, eles ocorrem quando o sistema nervoso de quem dirige não trabalha de forma adequada. O menor atraso no procedimento a ser tomado num instante de perigo – seja ele o espaço da décima parte do segundo – pode tornar-se causa direta de um acidente, e não há outro recurso senão remediá-lo.
Neste aspecto, eu fico impressionado com a falta de agilidade dos jovens atuais. Muitos são mais lentos do que eu, que estou completando setenta anos. Várias atividades minhas realizadas em tempo normal eles dizem que são executadas rapidamente. Qual é, portanto, a causa da lentidão de reflexos do homem moderno? É que ele recorre aos remédios por qualquer coisa, e, além do mais, as bebidas que ele bebe contêm vários ingredientes químicos, como os conservantes; até mesmo os produtos agrícolas, devido à utilização de adubos e inseticidas, estão carregados de venenos, os quais, com o decorrer do tempo, vão se acumulando e gerando toxinas no organismo das pessoas.
Assim, poderíamos dizer que o homem atual está praticamente mergulhado em remédios; acrescente-se que, como a vida se torna cada vez mais agitada e complexa, ele sobrecarrega o seu cérebro, onde as toxinas se concentram e se solidificam. Em contrapartida, ocorre uma ação purificadora, fraca mas ininterrupta; por isso, normalmente as pessoas sentem-se como que atordoadas, a cabeça pesada, quente e doendo constantemente. Justifica-se, portanto, dizer que hoje em dia não há quem tenha a cabeça leve. Essa é a causa não só de desastres mas também de homicídios, tão noticiados nos jornais da atualidade.
16 de julho de 1952
PROCESSO DE PURIFICAÇÃO

O TRATAMENTO NATURAL

O homem é a obra-prima da criação de Deus, não havendo nada que se lhe possa comparar. Segundo a Bíblia, ele foi feito à imagem de Deus, o que é uma verdade inegável. Sua estrutura mística é um mistério que jamais será desvendado pela Ciência. Quando muito, esta o conhece superficialmente ou em pequena parte; assim, é impossível afirmar se levará milhares de anos para desvendá-lo ou se nunca irá conseguir isso. Pensemos com calma. O funcionamento de vários órgãos do corpo, a sutileza da vontade-pensamento, a expressão dos estados de satisfação, ira, tristeza ou prazer, a extrema sensibilidade do tato a ponto de a pessoa sentir coceira quando é picada por uma pulga, a capacidade de exprimir todas as idéias através do código lingüístico e de distinguir o sabor dos alimentos, a misteriosa diferença na expressão fisionômica dos 1,8 bilhões de habitantes do globo terrestre, cujos rostos, que não medem mais que um palmo, nunca são iguais, todos estes mistérios e maravilhas fazem-nos louvar o poder do Criador. Não há palavras principalmente para expressar a capacidade da procriação, da qual é dotado o homem, e o mistério que envolve o processo da formação de um ser humano: É óbvio, portanto, que a Ciência nunca poderá desvendar o mistério da vida, pois o homem não é criação sua, como os robôs.
Quando a pessoa adoece, logo se inicia, nela própria, uma grande atividade destinada a eliminar a doença. Dentro de seu organismo começa a ser fabricado o seu próprio remédio. É como se houvesse, no corpo humano, um grande laboratório farmacêutico e um professor em Medicina. Se o corpo é invadido pela impureza chamada doença, o médico que há no seu interior faz imediatamente o diagnóstico e ordena que o farmacêutico prepare o medicamento, iniciando logo o tratamento. Aparelhos e medicamentos, todos eles são ultra-eficazes, e a cura é maravilhosa. Se comemos algo nocivo, a farmácia existente dentro do corpo imediatamente produz um laxante para provocar a diarréia e eliminá-lo. Se entram no organismo bactérias nocivas, o tratamento asséptico baseado na febre entra em ação. Se ocorre uma intoxicação alimentar, produz-se uma reação na pele e, através de calor e coceira, procura-se neutralizá-la, a fim de que ela não atinja os órgãos internos. Dependendo da intoxicação, os rins entram em grande atividade, processando uma lavagem com líquido, o qual é eliminado na forma de urina. Quando se inspira uma grande quantidade de poeira, ela é eliminada na forma de escarros. E assim por diante. Realmente, o corpo humano é de uma infalibilidade extraordinária.
Em geral, as doenças se curam naturalmente, à mercê da Natureza; entretanto, por desconhecimento deste princípio, as pessoas recorrem aos medicamentos e aos tratamentos através da Ciência, fazendo com que a doença se prolongue, pois são impostos sérios obstáculos ao processo de cura natural.
Mas será que com o tratamento natural a Medicina não perderá sua utilidade? Não é bem assim. Entre seus ramos, existem alguns que são muito úteis, como a bacteriologia, uma parte da higiene, a cirurgia no tempo de guerra, a odontologia, as clínicas de fraturas, etc.

O QUE É A DOENÇA

Todos os homens, sem exceção, possuem toxinas hereditárias e adquiridas. Toxinas hereditárias são as que se herdam dos pais, e toxinas adquiridas são as dos medicamentos tomados após o nascimento. Talvez achem estranha tal afirmação, pois normalmente se acredita que os medicamentos existem para curar as doenças e restabelecer a saúde.
É crença geral que com a obtenção de melhores remédios se conseguirá resolver o problema da doença, sendo este o principal objetivo dos tratamentos médicos. Todos sabem que especialmente os Estados Unidos têm voltado sua atenção para esse aspecto, concentrando grandes esforços na descoberta de novos medicamentos. Ora, se os remédios possibilitassem a cura das doenças, estas deveriam diminuir gradualmente; por que, então, ocorre justamente o inverso? Não há contradição maior.
Por natureza, na Terra não existe nada que se possa chamar de remédio. O que há são produtos tóxicos que, justamente por isso, fazem efeito. Com a ação do veneno chamado remédio verifica-se uma diminuição dos sintomas da doença, dando a impressão de que houve cura; não se trata, porém, de cura verdadeira.
Mas por que os remédios são venenos?
Quando criou o homem, Deus criou também os alimentos, para manutenção da sua vida. A eles, atribuiu sabor, e ao homem, o sentido do paladar. Portanto, basta a pessoa comer com satisfação aquilo que desejar, para estar nutrida. Só de atentarmos para esse aspecto, perceberemos a perfeição do Criador. Assim, a expressão correta é “o homem vive pela alimentação”, e não “o homem se alimenta para viver.” É o mesmo que acontece com a procriação: apesar do homem e da mulher se unirem por motivos que não são especificamente esse, dessa união resultam filhos, o que constitui um grande mistério.
Em conseqüência do que acabamos de dizer, as funções orgânicas do homem não estão habilitadas a eliminar de maneira completa as substâncias que não são determinadas como alimentos. Encontram-se neste caso os tóxicos dos medicamentos. O mais agravante, no entanto, é que esses tóxicos se concentram em vários pontos do organismo e, com o passar do tempo, acabam se solidificando. Isso se restringe às regiões de atividade nervosa, tal como a parte superior do corpo, principalmente do pescoço para cima. Mais especificamente, o cérebro, seguido pelos olhos, ouvidos, nariz, boca, etc. Antes, porém, as toxinas se solidificam nas proximidades do pescoço, razão pela qual as pessoas sentem nódulos nesse local e nos ombros. Quando elas atingem certo nível, ocorre o processo natural de eliminação, ou seja, a ação purificadora. Nesse caso, as toxinas se dissolvem devido à ação da febre, sendo eliminadas através de tosse, catarro, escarro, suor, urina e outros meios. A isso denominamos gripe; logo, esta é um processo de eliminação de toxinas. Embora seja um pouco penoso, basta a pessoa suportar e deixar a Natureza agir. Com a eliminação das toxinas, o corpo ficará limpo e obter-se-á a cura. A gripe, portanto, é a mais simples ação fisiológica criada pela Divina Providência, e por ela devemos ter gratidão. Ignorando isso, o homem interpreta mal os sofrimentos e as dores da purificação e, para cortá-los, inventou os tratamentos médicos.
Quanto maior a vitalidade da pessoa, mais facilmente ocorrerá a ação purificadora. Para impedi-la, basta enfraquecer essa vitalidade. Daí a utilização do veneno denominado remédio. Desde a antigüidade, ele é extraído de ervas, raízes, cascas de árvores, minerais, vísceras de animais e outras fontes, sendo aplicado sob diversas formas, como chás, pós, medicamentos líquidos, comprimidos, ungüento, injeções, etc. Aplica-se o veneno em pequenas doses, várias vezes ao dia; se as doses forem grandes, coloca-se em risco a vida da pessoa. É considerado bom remédio aquele cujo veneno é razoavelmente forte, mas não a ponto de causar intoxicação.
Através de medicamentos venenosos, o homem veio solidificando toxinas que estavam para ser eliminadas, podendo-se imaginar a grande quantidade de toxinas que o homem moderno possui em seu corpo. Dessa forma, ele se torna uma presa fácil das doenças, fato evidenciado pelo aparecimento da medicina preventiva e pelo temor da gripe. Por outro lado, as pessoas estão contentes porque a vida média do ser humano alcançou a casa dos sessenta anos. Grande erro, pois, se conseguir libertar-se das doenças, o homem poderá viver tranqüilamente por mais de cem anos. A morte antes dessa idade é antinatural; uma vez livre das doenças, ele morrerá de morte natural e, obviamente, sua vida irá se prolongar.
Os tratamentos médicos, por conseguinte, não curam as doenças; simplesmente minoram durante algum tempo seus sintomas. Todos os tratamentos recomendados – repouso absoluto, aplicação de compressas, ungüentos, bolsas de gelo, eletricidade, banhos de luz e outros – são métodos para solidificar as toxinas. Entre eles, diferem um pouco os tratamentos por meio de calor e a moxa, mas estes apenas conduzem as toxinas para determinado ponto. Através do estímulo do calor consegue-se alívio, mas, com o passar do tempo, elas voltam à sua posição original. Portanto, o único método que promove a verdadeira cura das doenças é aquele que dissolve e elimina as toxinas.
1o de janeiro de 1953



A VERDADEIRA CAUSA DAS DOENÇAS

Já me referi, anteriormente, à existência de vários tipos de toxinas no corpo do homem desde o seu nascimento. Devido a essas toxinas é que ele não consegue manter plena saúde, e por isso seu corpo é feito de maneira que lhe possibilite eliminá-las fisiologicamente. A tal fenômeno denominamos processo natural de purificação. Quando ele ocorre, sobrevêm sofrimentos de certo nível, e essa fase de dor e mal-estar constitui aquilo que se chama de doença. Para explicar tal fenômeno, vamos tomar como exemplo a doença mais comum, ou seja, a gripe, pois não há uma única pessoa que não a tenha contraído. A Medicina ainda desconhece suas causas, mas, segundo descobri, ela é uma das mais simples formas da ação purificadora, vindo acompanhada de sofrimentos como febre, dor de cabeça, tosse, escarro, catarro, perda de apetite, suor, indisposição, etc.
Antes de mais nada, o que vem a ser o processo de purificação? A grosso modo, ele compreende duas etapas. A primeira consiste na concentração e solidificação das diversas toxinas contidas no sangue em diferentes pontos do corpo, especialmente os locais de grande atividade nervosa e as partes que ficam em posição inferior quando o corpo se encontra em repouso. Com o passar do tempo, as toxinas concentradas vão endurecendo, o que vem a ser causa de enrijecimento dos músculos. Às vezes não há sofrimento algum: quando muito, rigidez nos ombros. A segunda etapa da purificação começa quando a solidificação ultrapassa determinado nível, sobrevindo aí o processo natural de eliminação. Para facilitá-lo, surge uma ação destinada a dissolver as toxinas, isto é, a febre.
O grau da febre depende não só da natureza, quantidade e rigidez das toxinas, mas também da própria natureza do doente. Muitas vezes, a febre aparece como resultado do cansaço, após a prática de exercícios físicos, pois estes aceleram o processo de purificação. As toxinas liquefeitas são eliminadas na forma de suor, catarro, secreção nasal, etc. A tosse e o espirro são como ações de bombeamento: a primeira, para eliminação de catarro; o segundo, para eliminação de secreção nasal. Isso se tornará bastante claro se observarmos que realmente eliminamos catarro quando tossimos, e secreção nasal quando espirramos. Por outro lado, a perda de apetite é causada pela febre, pela tosse e pelos medicamentos. As dores de cabeça e nas juntas são decorrentes da dissolução das toxinas existentes nesses pontos, as quais excitam os nervos no momento de sua eliminação em estado líquido. A dor de garganta ocorre porque as toxinas contidas no catarro irritam a mucosa que a reveste, ocasionando sua inflamação; a rouquidão baseia-se no mesmo princípio, sendo causada pela inflamação das cordas vocais.
Eis, portanto, o que é a gripe. Não há necessidade de tratamento algum; basta a pessoa deixar seu organismo em paz, sem tomar medicamentos, que em poucos dias, terminado o processo de purificação, estará curada. Desde que a cura seja natural, com a redução de toxinas, a saúde aumentará.
Apesar da gripe ser altamente recomendável, por constituir o mais simples processo de purificação, as pessoas a temem, e a Medicina chega a dizer que preveni-la é a condição número um para não contraí-la. Os leitores precisam compreender que isso é um grande erro. Desde a antigüidade acredita-se que a gripe é a origem de mil doenças, mas na verdade ela é a única maneira de se escapar a essas mil doenças. Desconhecendo-lhe a causa, a Medicina toma várias medidas quando a pessoa fica gripada, todas elas no sentido de deter o processo purificador. Tais medidas começam com a tentativa de baixar a febre através de medicamentos antitérmicos, bolsas de gelo, compressas e outros meios. Isso faz com que o processo de purificação retroceda ao primeiro estágio, ou seja, que as toxinas que começaram a ser dissolvidas voltem a se solidificar. Com a solidificação, a pessoa sente-se aliviada dos sofrimentos causados pela febre, escarro, secreção nasal, etc., e tanto ela como o médico têm a ilusão de que a gripe está melhorando. Quando ocorre a solidificação completa, pensam que a cura está selada. Na realidade, porém, voltou-se à situação anterior; logo, é natural que haja uma recaída.
Chamo atenção para o fato de que os tratamentos baseados em antitérmicos, bolsas de gelo, compressas e outros semelhantes, detendo o processo purificador, constituem a causa de sintomas mais intensos nas próximas doenças que o indivíduo contrair. Pode-se compreender, portanto, que as doenças graves são causadas pela repetida interrupção dos processos purificadores de menor intensidade, através da utilização sucessiva de remédios, o que aumenta o acúmulo de toxinas, tornando necessária a ocorrência de um processo purificador muito intenso.
5 de fevereiro de 1947



O QUE É A DOENÇA? — A GRIPE

A própria Medicina reconhece que o homem tem, “a priori”, várias toxinas. Elas são eliminadas por um processo fisiológico natural, que nós chamamos processo de purificação. Primeiramente as toxinas se concentram em vários locais, notadamente naqueles onde há mais atividade nervosa. No homem, isso ocorre na metade superior do corpo. Quanto mais próximo do cérebro, maior a concentração, porque, enquanto se está acordado, o cérebro, os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca, etc., trabalham ininterruptamente, mesmo que os braços e as pernas estejam em repouso. Portanto, as toxinas tendem a se concentrar nos ombros, no pescoço, nos gânglios linfáticos, no encéfalo, na parótida e em outros pontos. Com o passar do tempo, elas vão se solidificando gradualmente. Quando o acúmulo ultrapassa determinado limite, começa o processo de purificação. Aí podemos ver o benefício que a Natureza nos proporciona. A solidificação das toxinas provoca má circulação sangüínea, rigidez dos ombros e do pescoço, dor de cabeça acompanhada de sensação de peso, diminuição da capacidade visual, auditiva e olfativa, entupimento do nariz, inflamação dos alvéolos, enfraquecimento dos dentes, falta de fôlego, flacidez dos músculos dos braços e das pernas, dor nos quadris, inchação, etc. Tais fatores determinam uma acentuada diminuição da atividade, de modo que o homem fica impossibilitado de cumprir sua missão. Foi justamente por isso que Deus criou o excelente processo de purificação denominado doença.
Conforme dissemos, se a doença é o sofrimento decorrente da eliminação de toxinas, ela é processo de purificação do sangue, indispensável à manutenção da saúde. Portanto, podemos considerá-la a maior bênção que Deus nos concedeu. Se a eliminarmos, o homem irá enfraquecendo gradativamente e, por fim, estará até ameaçado de extinção. Os leitores poderão achar que se trata de uma incoerência, pois eu sempre afirmo que construirei um mundo sem doenças. Entretanto, não há nenhuma incoerência em minhas palavras, visto que, se o homem se livrar das toxinas, não haverá mais necessidade de processo purificador; conseqüentemente, as doenças desaparecerão. Vou expor minha teoria de maneira mais aprofundada e de modo a facilitar ao máximo sua compreensão.
Logo que uma pessoa contrai gripe, sobrevém-lhe a febre. Para facilitar a eliminação das toxinas, a Natureza faz com que elas se dissolvam através do calor. Na forma líquida, as toxinas infiltram-se rapidamente nos pulmões. Trata-se de um processo realmente misterioso. Do mesmo modo, quando as dissolvemos através do Johrei, elas penetram imediatamente nos pulmões, atravessando os músculos e até os ossos. Se as toxinas se encontram solidificadas em um ou dois pontos, as doenças são leves, mas estas se agravam na medida em que é maior o número de pontos. É por isso que uma gripe que a princípio parecia fraca, vai se agravando cada vez mais. No caso de serem pouco densas, as toxinas liquefeitas são eliminadas imediatamente, na forma de catarro; ao contrário, quando sua densidade é maior, ficam temporariamente nos pulmões, aguardando a ação de bombeamento denominada tosse, e aí são eliminadas pelas vias respiratórias. Isso se evidencia pelo fato de a tosse ser sempre seguida de catarro. Obedecendo ao mesmo princípio, o espirro vem sempre seguido de secreção nasal. Assim, as dores de cabeça e de garganta, a inflamação dos ouvidos, dos gânglios linfáticos, das articulações dos pés, das mãos e da região inguinal decorrem da dissolução das toxinas e do seu deslocamento em busca de saída do corpo. Esse movimento pressiona os nervos, provocando a dor.
As toxinas líquidas estão divididas em concentradas e diluídas. As concentradas são eliminadas na forma de catarro, secreção nasal, diarréia, etc., e as diluídas, na forma de suor e urina. A ação purificadora se processa de modo tão natural, que não podemos deixar de louvar a Providência do Criador. Foi Deus que criou o homem, e por isso não haveria razão para lhe proporcionar sofrimentos e atrapalhar sua atividade através da doença. O ser humano precisa estar sempre saudável, mas ele próprio cria toxinas e, com base em teorias errôneas, faz com que elas se acumulem, surgindo então a necessidade de eliminá-las. Eis, portanto, o que é a doença. No caso da gripe, se a deixarmos desenvolver-se sem nenhuma interferência, por conta da Natureza, a purificação decorrerá normalmente e a cura será completa, aumentando, assim, a saúde da pessoa.
Por incrível que pareça, e não se sabe desde quando, o homem interpretou de maneira inversa o referido processo de purificação. Dessa forma, quando a doença se declara, ele emprega todos os recursos para estancá-la. Confundindo-se no tocante às dores do processo, acha que elas são decorrentes do agravamento da doença. Baseado nisso, trata de fazer baixar a febre. Com a diminuição desta, interrompe-se a dissolução das toxinas e diminuem os sintomas, como a tosse, o catarro e outros. Parece, então, que está ocorrendo a cura. Em outras palavras, faz-se retornar ao estado sólido as toxinas que tinham começado a se dissolver. Essa solidificação é promovida pelos tratamentos médicos, entre os quais se inclui a aplicação de compressas, bolsas de gelo, remédios, etc. Quando ocorre a completa solidificação das toxinas e desaparecem os sintomas, as pessoas ficam contentes, julgando-se curadas. Mal sabem elas que estão prendendo a mão que executaria a limpeza de seu corpo. E os fatos o comprovam. Fala-se muitas vezes em recaída, mas esta nada mais é que o resultado do choque entre duas ações: a do corpo, que procura executar a purificação, e a do tratamento, que tenta impedi-la, provocando, assim, o prolongamento da doença. Isso pode ser constatado pela reincidência da gripe que se pensava ter sido curada. Posso afirmar, portanto, que o tratamento médico é apenas uma forma de adiar a doença e não de curá-la. O verdadeiro processo de cura consiste em eliminar as toxinas do corpo, purificando-o, ou seja, acabando com a causa da doença.
A verdadeira Medicina é aquela que, ocorrendo o processo purificador, acelera a dissolução das toxinas e faz com que elas sejam eliminadas na maior quantidade possível. Não há outro tratamento além deste.
15 de agosto de 1951



A TRILOGIA DOS ÓRGÃOS
INTERNOS E O JOHREI
Os órgãos internos mais importantes para a vida do homem são certamente o coração, os pulmões e o estômago. Como sempre venho expondo, isso decorre da ação de três elementos fundamentais: o fogo, a água e a terra. Em síntese, o coração, os pulmões e o estômago correspondem, respectivamente, a esses três elementos, pois o coração tem a função de absorver o elemento fogo; os pulmões, a função de absorver o elemento água; o estômago, a função de absorver o elemento terra. Mas a explicação dada pela Medicina, até agora, sobre os órgãos em questão, era bastante superficial. No que se refere à purificação do sangue sujo, dizem que ela é decorrente do oxigênio absorvido pelos pulmões, mas é óbvio que apenas isso não atinge o cerne do fenômeno. Vou dar uma explicação baseada na revelação de Deus e para isso devo partir da verdade relativa ao Mundo Espiritual. A existência desse mundo está fora do alcance dos sentidos do homem e corresponde praticamente ao nada, mas na realidade ele é a fonte onde tudo se origina. Sem conhecer isso, é impossível apreender a Verdade.
Já me referi ao princípio do fogo arder pela água e da água se mover pelo fogo. Esse princípio constitui justamente a chave para a solução de tudo. Para explicar o Mundo Espiritual, que é invisível, começarei falando do Mundo Atmosférico. O que a Ciência chama de oxigênio é a essência do fogo; o hidrogênio é a essência da água, e o nitrogênio é a essência da terra. Essas três essências formam uma trilogia, constituindo a natureza de tudo que existe no Universo. Se tanto o calor intenso, como o frio exagerado e a temperatura amena estão apropriados à manutenção da vida, deve-se à força vital desses três elementos extremamente misteriosos. Se, por acaso, conseguíssemos eliminar o elemento água da Terra, ocorreria uma explosão imediata; se eliminássemos o elemento fogo, tudo se congelaria num instante; se eliminássemos o elemento terra, tudo desmoronaria e se tornaria zero. Essa é a Verdade.
Raciocinando nesses termos, poderão compreender o sentido básico do coração, dos pulmões e do estômago. O coração absorve o elemento fogo do Mundo Espiritual através da pulsação. Da mesma forma, os pulmões absorvem o elemento água através da respiração. O estômago absorve o elemento terra pela digestão dos alimentos. Mas vamos aprofundar ainda mais esse princípio.
Para dissolver as toxinas solidificadas, que são a origem de todas as doenças, necessita-se de calor. Esta é a primeira atividade do processo de purificação. Se esse processo constitui os sintomas das doenças, a febre alta, em tal oportunidade, é necessária, para dissolução das toxinas. Ao mesmo tempo, a pulsação torna-se acelerada, para absorver o calor. Quanto ao frio que se sente, é causado pela concentração do calor no local enfermo e pela diminuição temporária da temperatura em outras partes. Da mesma maneira, a respiração se acelera para estimular a atividade do coração, e, para evitar o ressecamento, os pulmões absorvem o elemento água em grande quantidade.
A origem do elemento fogo é a energia emitida pelo Sol; a do elemento água é a energia emitida pela Lua; a do elemento terra, a energia emitida pela Terra. É claro que dos três órgãos que citamos o mais importante é o coração, pois ele movimenta os pulmões, que, por sua vez, movimentam o estômago. De acordo com este raciocínio, não há perigo imediato de vida mesmo que falte alimento ao estômago; entretanto, os pulmões só mantêm a vida por poucos minutos, e para o coração é impossível mantê-la durante mais de alguns segundos. Isso se evidencia por ocasião da morte, que a Medicina atribui, invariavelmente, à parada cardíaca, nada falando sobre pulmões ou estômago. Nesse momento, caracterizado primeiramente pela cessação da atividade do coração, o espírito, isto é, o elemento fogo, que ocupava todo o corpo, abandona-o, e o corpo fica sem calor. Logicamente, isso ocorre porque o espírito retorna ao Mundo Espiritual. Com a parada dos pulmões, o elemento água existente no interior do corpo retorna ao Mundo Atmosférico e o corpo começa a secar. Com a parada do estômago, a ingestão de alimentos torna-se impossível, e começa o processo de endurecimento do corpo. Todos esses fenômenos constituem evidências que atestam a veracidade do que foi exposto.
Portanto, como o corpo humano é formado pela trilogia fogo-água-terra, o método lógico para a erradicação das doenças deve basear-se nessa trilogia. Isso constitui o princípio do JOHREI da nossa Igreja, o qual está baseado no PODER KANNON. Esse poder é a Luz transmitida por Kanzeon Bossatsu, uma luz espiritual, invisível aos olhos humanos. A luz visível, como a do Sol, a das lâmpadas, a do fogo, etc., é o “corpo” da luz. A natureza da luz é resultante da união do fogo e da água, ou seja, é formada pelos elementos fogo e água. E será mais forte quanto maior for a quantidade do elemento fogo. Acontece que a força proveniente da luz constituída apenas por esses elementos ainda é insuficiente, tornando-se necessária a essência da terra. A manifestação da força perfeita da trilogia fogo-água-terra torna-se uma extraordinária força de purificação. As ondas dessa Luz atravessam o corpo, extinguindo as máculas do espírito, o que se reflete no físico, como erradicação da doença.
O meio concreto para se obter o que foi exposto é uma folha de papel dobrada, com a palavra HIKARI, ou seja, LUZ, escrita em letra grande, a qual se usa no peito, pendurada ao pescoço. Nessa palavra está impregnada, de forma concentrada, a energia das ondas de Luz transmitidas através do meu braço para o pincel, e deste para as letras. Assim, a palavra HIKARI está unida, por elos espirituais, à fonte da Luz, situada dentro do meu corpo, a qual lhe transmite ondas incessantemente. É claro que a atividade do elo espiritual que me liga a Kanzeon Bossatsu ocorre de maneira idêntica, e d’Ele me são transmitidas, ilimitadamente, as ondas de Luz para a salvação da humanidade.
Sendo o corpo formado pela trilogia fogo-água-terra, conforme expusemos, poder-se-á dizer que o método purificador das máculas baseado na força dessa trilogia constitui a própria Verdade. É evidente, portanto, que se consegue obter uma força de purificação jamais vista. Apesar da explicação deste princípio ser extremamente difícil, acredito que os leitores tenham conseguido entender até certo ponto como isso se processa.
6 de agosto de 1949



A VERDADEIRA CAUSA DA DOENÇA
ESTÁ NO “ESPÍRITO”

Tudo que existe no mundo é composto de matéria e espirito, sendo que a deterioração e decomposição da matéria é causada pelo abandono do espírito. Mesmo em relação às pedras, existe um tipo, chamado pedra morta, que se esfarela com facilidade, e isso também se deve à ausência de espírito. A ferrugem que se forma no ferro tem a mesma causa, podendo-se dizer que ela é o cadáver do ferro. A existência de pouca ferrugem em espadas bastante polidas ou espelhos antigos, explica-se pelo fato de estar impregnado neles o espírito do artesão.
O homem é constituído pela união inseparável do espírito com o corpo físico; a partida do espírito para o Mundo Espiritual constitui aquilo a que chamamos morte. Todos os animais possuem, no centro do espírito, a consciência e, no centro deste, a alma. O tamanho da consciência é 1% do espírito, e o da alma é 1% da consciência. Assim, primeiramente há ação da alma e da consciência; com a ação desta última, verifica-se a ação do espírito e, com esta, a ação do corpo físico. Dessa forma, todas as ações do homem e fenômenos do corpo físico têm origem na alma. Relacionando com o bem e o mal, o corpo físico representa o mal; a consciência, o bem. Da mesma forma, a consciência representa o mal, e a alma, o bem. O repetido atrito entre o bem e o mal gera a harmonia, manifestando-se como força e capacidade de viver.
De acordo com o princípio exposto, o aparecimento da própria doença ocorre numa parte do espírito, que move o corpo material. Apesar de pequena, a alma é auto-elástico: quando o homem está acordado e em atividade, ele toma a forma humana; quando o homem está dormindo, toma a forma esférica. A bola de fogo que se observa muitas vezes por ocasião da morte, é a alma, que, nesse momento, assume o formato esférico, acontecendo o mesmo com a consciência e com o espírito. Essa bola de fogo é ocasionalmente visível porque tem luz. O aparecimento da doença numa parte da alma significa que nessa parte a luz ficou escassa. Isso se reflete na consciência, no espírito e, por fim, no corpo, em forma de doença. Portanto, se não surgirem máculas em seu espírito, a pessoa jamais ficará doente.
Mas por que razão se formam máculas no espírito? Por causa do pecado. Para explicar isso, eu teria de entrar no campo da Religião, de modo que vou parar por aqui e falar apenas sobre a manifestação da doença no corpo físico.
Como eu já disse, se surgem máculas numa parte do espírito (a parte correspondente à região pulmonar, por exemplo), o sangue dessa área fica sujo. E isso não se restringe às doenças pulmonares; praticamente todas as doenças têm essa origem. O princípio da cura deve basear-se na eliminação das máculas do espírito. Entretanto, desconhecendo esse princípio, a Medicina empenha-se em tratar apenas os sintomas que aparecem no corpo, porque só tem conhecimento do efeito, e não da causa do problema. Desse modo, mesmo que se consiga uma pequena melhora, não se obtém a cura completa da doença.
Com o JOHREI, eliminam-se as máculas do espírito através da Luz de KANNON; ao mesmo tempo, ocorre a eliminação das toxinas, e a doença melhora ou desaparece. Por conseguinte, a purificação do espírito reflete-se no corpo, ocasionando a cura da doença. Ainda assim, não podemos afirmar que o mal foi cortado pela raiz. Isso porque, se a alma não foi elevada é impossível estar-se verdadeiramente tranqüilo e seguro. A elevação da alma só poderá ser obtida se a pessoa apreender a correta fé e praticá-la. Esse aprimoramento constitui a prática messiânica. Chegando a esse ponto, a pessoa não cometerá mais pecados; pelo contrário, começará a acumular virtudes. Assim, além de ficar isenta de doenças e desgraças, poderá viver repleta de alegria e obter a graça de uma vida longa e virtuosa. Dessa forma, haverá progresso de toda a sua linha familiar.
Falarei, agora, sobre outro aspecto relacionado ao espírito. Há pessoas que ficam aflitas por qualquer coisa, e outras que estão sempre inseguras e inquietas. Isso acontece porque a sua alma está fraca e a sua resistência aos choques externos é pequena. Os neuróticos, cujo número tem aumentado muito ultimamente, enquadram-se nesse tipo. A causa da neurose são as máculas existentes no espírito; por isso os portadores desse mal são fracos. A maioria possui toxinas solidificadas no pescoço; dissolvendo-se essas toxinas, eles ficarão curados. Quando o mal se agrava, produz-se a insônia. Mesmo após obter a cura, o melhor meio de evitar uma recaída é a pessoa ingressar na Igreja Messiânica Mundial, a fim de que seu espírito seja iluminado pela Luz Divina e não volte a criar máculas.

A CAUSA DAS DOENÇAS E O PECADO

A causa das doenças são os nódulos constituídos pela mistura de sangue sujo e pus, os quais se formam como reflexos das máculas do espírito. Mas de onde surgiram e como vieram essas máculas? Elas se originam dos pecados.
Há dois tipos de pecados: os gerados nesta vida e os hereditários. Estes últimos são o acúmulo global dos pecados cometidos por muitos antepassados; os primeiros representam a soma dos atos pecaminosos praticados pela própria pessoa.
Nós que vivemos atualmente, não somos seres surgidos do nada, sem relação com nada. Na verdade, representamos a síntese de centenas ou milhares de antepassados e existimos na extremidade desse elo. Somos, portanto, seres intermediários de uma seqüência infinita, formando uma existência individualizada no tempo. Em sentido amplo, somos um elo da corrente que une os antepassados com as gerações futuras; em sentido restrito, somos uma peça como a cunha, destinada a firmar a ligação entre nossos pais e nossos filhos.
Para explicar as doenças causadas pelos pecados dos antepassados, preciso falar sobre a vida após a morte, isto é, sobre a constituição do Mundo Espiritual.
Ao deixar este mundo e passar pelo portão da morte, o homem tem de despir a roupa denominada corpo. Este pertence ao Mundo Material, e o espírito, ao Mundo Espiritual. Quando o corpo, devido à doença ou à idade avançada, torna-se imprestável, o espírito abandona-o e vai para o Mundo Espiritual. Aí ele deve se preparar para renascer no Mundo Material, ou seja, reencarnar. Este preparo constitui o processo da purificação do espírito.
A maior parte das pessoas carrega uma quantidade considerável de máculas, originadas dos pecados. Assim, quando são submetidas ao julgamento do Mundo Espiritual, feito com absoluta imparcialidade, a maioria acaba caindo no Inferno. Devido ao sofrimento da pena imposta, o espírito vai pouco a pouco se elevando, mas os resíduos da purificação dos pecados fluem contínua e incessantemente para os seus descendentes que vivem no Mundo Material. Isso é como uma lei redentora, baseada na causa e efeito, em que o descendente – resultado da soma global dos seus antepassados – arca com uma parte dos pecados cometidos por eles. Trata-se de uma Lei Divina inerente à criação; por conseguinte, o homem não tem outro recurso senão obedecer a ela. Esses resíduos espirituais fluem sem cessar para o cérebro e a coluna vertebral do descendente, e, penetrando em seu espírito, imediatamente se materializam na forma de pus, que é a origem de todas as doenças.
Agora vou falar sobre o segundo tipo de pecados, isto é, os pecados individuais, que todos entendem com facilidade.
Ninguém consegue viver sem cometer pecados. Estes podem ser graves, médios e leves, admitindo cada um desses tipos uma infinidade de classificações. Exemplificando, há pecados contra a lei, contra a moral ou contra a sociedade; pecados de natureza carnal, que se evidenciam nas ações do indivíduo, e também pecados psicológicos, cometidos apenas na mente da pessoa. Conforme disse Cristo, só o fato de desejar a mulher do próximo já constitui crime de adultério. É uma afirmação correta, apesar de bastante rigorosa. Portanto, embora não se esteja violando nenhuma lei, pecados leves cometidos no dia-a-dia, os quais ninguém considera pecados, como ter raiva do próximo, querer que alguém sofra ou desejar adultério, se forem acumulados por longo tempo, acabarão assumindo proporções consideráveis. Vencer uma competição ou alcançar sucesso na vida, condutas que envolvem disputa e acabam provocando a inveja e o conseqüente ódio do perdedor, também constitui uma espécie de pecado, pois envolve o ódio. Matar animais, ser preguiçoso e desperdiçado, agredir as pessoas, não cumprir os compromissos, mentir, dormir demais pela manhã, etc., tudo isso são pecados que as pessoas acumulam sem saber. Essa infinidade de pecados leves, acumulando-se ao longo do tempo, refletem-se no espírito em forma de mácula. É comum pensar que os recém nascidos não possuem pecado algum, mas não é bem assim. Todos os homens, até se tornarem independentes, vivem sob a tutela dos pais e por isso devem dividir com eles a carga dos pecados. Poderão entender melhor este raciocínio fazendo uma analogia com as árvores: os pais constituem o tronco, enquanto os filhos são os galhos, e os netos, os galhos menores. Assim, é impossível as máculas dos pais não exercerem influência sobre os filhos.
Os pecados gerados nesta vida tornam-se bem claros através de exemplos. Vou expor alguns deles.
Conheci duas pessoas que, após enganarem a terceiros, ficaram cegas. Uma delas era um especialista em confecção de painéis chamado Kyoguin, o qual residia em Senzoku-cho, Assakussa, Tóquio. Ele produzia quadros falsos com uma técnica aprimorada e fazia painéis novos parecerem antigos, vendendo os como autênticos. Em poucos anos acumulou considerável fortuna, mas foi acometido de cegueira incurável, vindo, mais tarde, a falecer. Lembro-me de que quando eu era criança ia brincar em sua casa e ouvia as histórias diretamente dele. O outro caso ocorreu em Hanakawa-do, também em Assakussa, onde havia uma casa de móveis e utensílios chamada Hanagame. Certa vez, o bonzo responsável por um templo de Shizuoka expôs em Tóquio a imagem principal do templo. Acontece que a exposição foi um completo fracasso e, ficando sem meios para voltar, ele tomou dinheiro emprestado na Casa Hanagame, deixando a imagem como garantia do pagamento da dívida. Após conseguir o dinheiro, foi devolvê-lo, mas Hanagame, o dono da loja, que vendera a imagem, por altíssimo preço, a um interessado, cinicamente alegou que nunca a tivera sob sua guarda. No auge do desespero, o bonzo acabou se enforcando no teto da referida loja. O proprietário investiu a vultosa quantia obtida com a venda da imagem na ampliação dos seus negócios, que foram de vento em popa. Em pouco tempo ele estava milionário. Entretanto, na velhice, ficou cego e seu herdeiro acabou esbanjando toda a fortuna com bebidas e mulheres. Por fim, em estado lastimável de profunda decadência, Hanagame perambulava pela cidade conduzido por sua mulher, também já idosa. Lembro-me de tê-los visto algumas vezes e de ter tomado conhecimento de sua história por intermédio de meu pai. O que ocorreu, só pode ter sido causado pelo profundo ódio do bonzo.
O exemplo que se segue diz respeito ao reflexo dos pecados dos pais sobre os filhos. Refere-se a uma empregada que eu tive, moça de dezessete ou dezoito anos aproximadamente, a qual era cega de um olho. Perguntando-lhe eu a causa desse problema, ela me disse que o filho de um casal para quem trabalhara havia disparado acidentalmente uma espingarda de pressão, atingindo seu olho. Indagando maiores detalhes, eu soube que o pai dela havia enriquecido vendendo coral falso. No início da Era Meiji, por volta de 1867, utilizando látex, ele fabricara gemas falsas de coral. Levando-as para o interior, conseguira vendê-las a preços altos, como se fossem verdadeiras. Acredito que o ódio das pessoas enganadas se refletiu em sua filha, que acabou perdendo uma vista. Pareceu-me realmente uma pena, pois ela era muito bonita e, se não tivesse esse defeito, teria progredido bastante na vida.
Outro caso é referente a um ancião que veio me procurar por causa de uma dor que sentia no pulso. Ministrei-lhe JOHREI por mais de dez dias, mas ele não apresentava melhora. Intrigado, indaguei-o a respeito de sua fé, e ele me disse que venerava certa divindade há mais de vinte anos. Vendo que estava aí a causa do problema, convenci-o a parar com as orações. A partir desse dia, o ancião começou a melhorar gradativamente; após uma semana, já estava totalmente curado. Portanto, professar uma fé errada ou venerar falsas divindades provoca paralisia ou dores nas mãos, impossibilidade de dobrar os joelhos, etc. Casos desse tipo ocorrem com certa freqüência.
Através dos exemplos citados, podemos ver que não se devem menosprezar nem mesmo os pecados cometidos sem querer. As pessoas que sofrem constantes acidentes ou são acometidas de doenças precisam refletir sobre seus pecados e, encontrando-lhes a causa, regenerar-se imediatamente.

O QUE É O ESTADO LIGEIRAMENTE FEBRIL

Provavelmente não há ninguém que não apresente um pouco de febre, mas muitas pessoas nem têm consciência disso. Esse estado ligeiramente febril exerce uma forte influência sobre o homem. Vejamos.
O indivíduo sente dor e peso na cabeça, sua capacidade de concentração diminui, torna-se disperso, sua memória enfraquece, não faz nada com afinco, tudo lhe parece difícil, sente o corpo pesado e por qualquer coisa vai para a cama. Além disso, quase não tem apetite, mostra muitas preferências e restrições em matéria de comida, toma muito líquido e irrita-se com facilidade. Como nada lhe vai bem, passa a encarar as coisas com pessimismo. A histeria também é motivada pela febre branda. Essas pessoas são passivas em tudo, preferem o tempo chuvoso ao tempo bom, contraem gripe com freqüência, ficam com o nariz entupido, ouvem zumbidos, suas amígdalas inflamam facilmente, perdem o fôlego ao subir ladeiras ou quando andam rápido, e suas pernas ficam pesadas. Em rápida análise, esse é o quadro que se apresenta, e que não é nada desprezível.
Com tudo o que dissemos, é fácil deduzir que tais indivíduos não se dão bem com os amigos. Aliás, não se dão bem com ninguém, nem com os próprios familiares. No lar, isso se reflete no mau relacionamento entre o casal e entre pais e filhos. Eles tentam impor seus pontos de vista, agem de maneira egoísta e ainda procuram apresentar razões para a sua conduta. A justificativa mais alegada é o liberalismo. Como acham desagradável a vida no lar, facilmente abandonam a família. Ultimamente muitos rapazes e moças têm fugido de casa, e a explicação deve ser a que estamos expondo. Os casos mais trágicos acabam em suicídio coletivo da família.
E não fica por aí. No tocante ao convívio social, muitas pessoas procuram justificativas egoístas para suas condutas e dessa forma criam desarmonia ao seu redor, discutem por motivos insignificantes e brigam sem nenhuma necessidade. Tudo isso é causado pelo excesso de egocentrismo. Parece que tais ocorrências são freqüentes entre os políticos. Mesmo nas associações, em caso de discussão de determinado assunto, há muito falatório, levando-se um tempo enorme para chegar-se a um acordo. Parece que as pessoas não conseguem perceber a causa desses fatos e também não têm interesse nisso.
Numa sociedade complicada como a que acabamos de mencionar, as criaturas estão crivadas de problemas e, logicamente, procuram fugir dos aborrecimentos. Aí vem a bebida. Deve ser por essa razão que, por mais que esta suba de preço, seu consumo não diminui. Além disso, na ânsia de fugir dos problemas, as pessoas acabam procurando diversões que lhes proporcionem fortes estímulos. Os jovens procuram cabarés, discotecas, fliperamas, etc. Os indivíduos de mais idade, desde que tenham algumas posses, procuram refúgio em concubinas ou em relacionamentos de caráter leviano. Assim é que, no mundo atual, proliferam diversões insanas.
Se a origem de um quadro tão sombrio, conforme dissemos, é o estado ligeiramente febril que as pessoas normalmente apresentam, não há nada mais temível que esse estado. Mas qual é a causa da febre? São as toxinas medicinais, as quais se encontram solidificadas em vários pontos do corpo, determinando um processo brando de purificação. Para eliminá-la de verdade, não há absolutamente nada a não ser o JOHREI. À medida que aumentam os fiéis de nossa Igreja, tende a desaparecer o quadro sombrio que descrevemos, não havendo, portanto, a menor dúvida de que surgirá uma sociedade extremamente agradável. Esta é justamente a imagem do Paraíso Terrestre.
5 de setembro de 1951

SOBRE A PURIFICAÇÃO PROPORCIONAL

Existe um ponto que preciso esclarecer. Refere-se à ocorrência da purificação proporcional.
Suponhamos que a pessoa esteja sentindo dor no braço direito. Quando a dor melhora, pela ministração do JOHREI, o braço esquerdo começa a doer. Parece, então, que a dor se deslocou, mas isso é que se chama purificação proporcional. Eliminadas as toxinas do braço direito e havendo toxinas no esquerdo, ocorre aí o processo de purificação natural, para estabelecer o equilíbrio. Evidentemente isso não se limita ao braço. Seja no ventre ou nas costas, não existe deslocamento da dor. Trata-se tão somente de purificação proporcional.
22 de abril de 1950

A DOENÇA E O CARÁTER DO HOMEM

Através da minha larga experiência, constatei que a doença e o caráter do homem se encaixam perfeitamente. Isso se tor¬na bem visível por ocasião do tratamento das doenças. As pessoas de caráter dócil curam-se sem tropeços; nas pessoas simples, a doença também apresenta sintomas simples. Ao contrário, nas criaturas de gênio forte, ela tende a se prolongar. Assim, naquelas que são obstinadas, a doença também o é. Em pessoas cujo comportamento é fácil de mudar, a doença muda facilmente; em pessoas irônicas, ela também toma aspectos irônicos.
Pela razão acima, quando uma pessoa adoece, se fizermos com que ela mude os aspectos negativos do seu caráter, isso influenciará positivamente sobre a cura da doença. O melhor a fazer é as pessoas se tornarem dóceis.

A ADVERTÊNCIA DOS ANTEPASSADOS

Os antepassados desejam a felicidade de seus descendentes e a prosperidade de sua linha familiar. Por conseguinte, não negligenciam sua guarda um instante sequer, impedindo-os de cometerem erros e pecados, ou seja, evitando que trilhem o mau caminho. Se um descendente, induzido pelo demônio, comete uma má ação, aplicam-lhe castigos na forma de acidentes ou doenças, não só como advertência mas também para a limpeza dos pecados cometidos anteriormente. No caso do enriquecimento ilícito por parte do descendente, fazem com que este tenha prejuízos, ocasionando, por exemplo, um incêndio ou outras formas de perda, que lhe esgotam a fortuna. Conforme o pecado, aplica-se também a doença como processo de purificação.
Suponhamos que uma criança contraia gripe. Uma gripe comum seria facilmente solucionada através do JOHREI; nesse caso, entretanto, não se verificam bons resultados. A criança tem vômitos freqüentes, perda de apetite, acentuado enfraquecimento em poucos dias e acaba morrendo. É uma situação estranha, que se enquadra justamente no que falamos acima: advertência dos antepassados. As causas pode ser várias, entre elas o relacionamento amoroso do pai com outra mulher. Se ele não perceber na primeira advertência, poderão ocorrer-lhe sucessivas perdas de filhos. Estes são sacrificados por um prazer passageiro; trata-se, portanto, de uma conduta bastante reprovável. Os antepassados evitam sacrificar o chefe da família por ser ele o seu sustentáculo, de modo que os filhos tomam o seu lugar.
Vejamos outro exemplo. O chefe de uma família, homem de aproximadamente quarenta anos, nunca havia rezado perante o oratório de antepassados que havia em sua casa. Sua filha, preocupada, conversou com um tio, irmão do pai, e transferiu o oratório para a casa dele. Pensando no futuro, o tio foi à casa do irmão e pediu-lhe que reconhecesse, por escrito, a transferência do oratório, que havia sido transmitido por várias gerações e que estava agora sob a sua guarda. O irmão concordou, mas, quando pegou a caneta, sua mão começou a tremer em espasmos, sua língua contraiu-se e ele não conseguiu mais falar nem escrever. Tentaram vários tratamentos sem nenhum resultado, e por fim vieram a um discípulo meu em busca de cura. Lembro-me de ter ouvido dele a história que a filha desse homem lhe contara. No caso em questão, os antepassados não admitiram que o oratório fosse retirado definitivamente da casa do primogênito, que, por tradição, deveria guardá-lo. Se isso acontecesse, a linhagem da família ficaria alterada, podendo, então, ocorrer a sua extinção.
5 de fevereiro de 1947









NUTRIÇÃO


ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO

Gostaria de alertar aos especialistas que não há nada tão errado quanto a alimentação e a nutrição da atualidade. Eles transformaram-nas em teorias acadêmicas, demasiado distantes da realidade. Durante mais de dez anos fiz pesquisas profundas sobre o assunto e, surpreendentemente, os resultados obtidos foram exatamente o oposto do que a Dietética recomenda. Vou explicá-los partindo da minha própria experiência.
Até cerca de quinze ou dezesseis anos atrás, eu era um grande apreciador de carne, e o meu jantar consistia quase sempre de comida ocidental à base desse alimento, ou, eventualmente, de comida chinesa. Esse tipo de alimentação, segundo os nutricionistas, é o mais próximo do ideal, mas naquele tempo eu era magro e ficava doente com a maior facilidade. Vivia sempre gripado, com problemas de estômago, e não havia um só mês em que não fosse ao médico. Na tentativa de melhorar meu estado de saúde, experimentei todos os tratamentos que estavam em moda, na época, e mais outras práticas, como respiração profunda, banhos de água fria, meditação, etc. Eles fizeram algum efeito, mas não a ponto de melhorar minha constituição física.
Quando eu soube que a carne não fazia bem, voltei a alimentar-me de comida japonesa, que consiste em verduras e peixes. Então meu peso aumentou de 56 para 60 quilos em dois ou três anos; ao mesmo tempo, tornei-me resistente às gripes. Acabei até esquecendo que sofria do estômago e dos intestinos e pude sentir pela primeira vez a alegria de gozar boa saúde. De lá para cá, e isso já faz mais de dez anos, tenho trabalhado sempre com bastante disposição.
Resolvi, então, experimentar o método em mais de dez pessoas da minha família, inclusive meus seis filhos, e obtive bons resultados, conseguindo banir do meu lar o fantasma da doença. O mais interessante foi que experimentei ministrar-lhes uma dieta pobre em elementos protéicos. Assim, mandei que minha mulher e minha empregada dessem refeições pobres às crianças. Foi utilizado arroz 70% refinado, bastante verdura e, de vez em quando, peixe, mas apenas salmão salgado, sardinha seca e peixes comuns. Além disso, “ochazuke” (arroz embebido em chá) ou “shiomussubi” (bolinho de arroz com sal) acompanhados de picles japonês, ou, ainda “norimaki” (bolinho de arroz envolto em alga marinha) feito em casa, etc. Do ponto de vista da Dietética, uma alimentação carente de valor protéico.
O resultado foi surpreendente: durante os cursos primário e secundário meus filhos tiveram porte físico dos melhores. A nutrição foi boa porque, começando pelo mais velho, de dezesseis anos, até o mais novo, de quatro anos, nenhum teve doença grave. Todos os anos eles monopolizavam o prêmio de assiduidade, por não terem faltado um dia sequer às aulas.
Aproveitando a valiosa experiência obtida através dessa prática, tentei o mesmo método em centenas de pessoas que me procuraram desde que comecei a tratar de doentes, há oito anos. Os resultados foram excelentes, sem exceção. A alimentação à base de verduras tem sido muito eficaz principalmente no caso de pessoas portadoras de problemas pulmonares e pleurite. Gostaria, portanto, que os médicos pesquisassem como essa alimentação é benéfica para tais casos.
Pelos fatos que expus, poderão ver que a Dietética, cujo progresso é vertiginoso em nossos dias, apresenta um erro fundamental. Não me acanho de apontá-lo, pois constitui um sério problema do ponto de vista da saúde. E estou alertando firmemente não só os estudiosos do assunto como também as pessoas em geral. Se esta nova alimentação que tenho defendido se tornar uma prática comum, será uma grande boa nova, até mesmo do ponto de vista da economia nacional. Os agricultores do nosso país possuem resistência física ao trabalho porque têm uma alimentação pobre; caso eles passassem a se alimentar de carne, cujo valor protéico é muito alto, garanto que não suportariam o trabalho da lavoura.
Junho de 1935



A DIETÉTICA

O erro fundamental da dietética moderna é basear suas pesquisas em apenas um dos dois aspectos da nutrição. Ela toma o alimento como objeto principal dessas pesquisas, negligenciando a parte que se refere às funções orgânicas.
As funções orgânicas do homem são tão perfeitas que, ao nível da Ciência atual, não se consegue entendê-las. A partir dos alimentos, elas transformam e produzem livremente os nutrientes necessários. Vejam: esse verdadeiro cientista chamado aparelho digestivo transforma os alimentos ingeridos, como arroz, pão, verduras, batatas, feijão, etc., em sangue, músculos e ossos. Por mais que se analisem os componentes desses alimentos, não se conseguirá descobrir um glóbulo sangüíneo sequer, nem um milímetro de células musculares. Por outro lado, por mais que se dissequem os alimentos, não será possível localizar uma só molécula dos componentes das fezes ou da urina, nem tampouco traços da amônia. Assim, se fornecermos vitaminas ou plasma sangüíneo ao corpo, considerando-os nutrientes, qual será o resultado? Acentuar-se-á o enfraquecimento do corpo.
Suponhamos que haja uma fábrica destinada a determinada produção. Dispondo-se de matéria-prima como ferro e carvão e do trabalho dos operários, da ação das máquinas, da queima do carvão e de vários outros processos, conseguir-se-á um produto acabado. Portanto, esse processo constitui a própria vida de uma fábrica. Se, desde o início, transportássemos para lá produtos já acabados, não haveria mais necessidade do carvão, nem do trabalho dos operários e das máquinas, e a fábrica deixaria até de soltar fumaça pelas chaminés. Não havendo atividade, dispensar-se-iam os operários, e as máquinas acabariam enferrujando. Analogamente, se ingerimos alimentos já processados, a fábrica produtora de nutrientes fica sem atividade e o corpo enfraquece. Assim, é necessário estarmos cientes de que a vitalidade do homem provém da atividade de transformação dos alimentos inacabados em acabados. É claro que todos os nutrientes industrializados, como as vitaminas, são produtos acabados, sintéticos.
A dietética atual também menospreza o valor nutritivo dos cereais, acreditando que os nutrientes estão contidos, em sua maior parte, nos pratos complementares, e não no prato principal. Isso também constitui um erro. Na verdade, o valor nutritivo dos cereais é o mais importante; o dos pratos complementares é secundário. Pode-se dizer que eles servem para tornar mais apetitosos os cereais.
O organismo do homem foi criado de modo a se adaptar ao meio ambiente. Se comemos pratos pobres continuamente, nosso paladar se modifica e começamos a achá-los saborosos. Entretanto, parece que pouca gente tem conhecimento disso. Caso a pessoa se acostume com belos pratos, passará a não mais se satisfazer, exigindo iguarias cada vez melhores. Isso se observa em pessoas extravagantes.
A seguir explicarei o significado dos alimentos. Eles foram concedidos não apenas ao homem, mas a todos os seres, para que estes possam se manter vivos. Foram feitos de forma adequada a cada espécie. O Criador destinou o alimento certo ao homem, aos animais quadrúpedes e às aves. Quais são, então, os alimentos atribuídos ao homem? É fácil reconhecê-los, porque eles têm sabor e as pessoas têm paladar. Portanto, saboreando os alimentos e ficando satisfeitos, elas absorvem os nutrientes naturalmente, o que irá constituir a base da saúde. Deverão, pois, saber que tomar cápsulas de vitaminas, por exemplo, que não precisam ser mastigadas nem exigem o trabalho da função digestiva, não só representa um grave erro como até faz mal. Dessa maneira, como as condições ambientais, profissionais e orgânicas são diferentes, basta a pessoa comer aquilo que estiver desejando comer, porque é isso que ela está necessitando. Ou seja, cada um deve se alimentar de modo natural, sem se apegar às teorias da Dietética.
As verduras contêm grande quantidade de nutrientes. Assim, do ponto de vista da nutrição, elas e os cereais já proporcionam alimentação suficiente. Os fatos comprovam minhas palavras: os agricultores e os monges budistas, que se alimentam principalmente de verduras, gozam de saúde e longevidade, enquanto as pessoas da cidade, que se alimentam continuamente de carnes, peixes e aves, contraem doenças com facilidade e têm vida curta.
5 de fevereiro de 1947



A COMÉDIA DA NUTRIÇÃO

Os leitores provavelmente estranharão o título deste artigo. Eu também não gostaria de utilizá-lo, mas não encontro outra expressão adequada. Assim, pedirei a compreensão de todos.
Atualmente temos nutrientes com formas e aplicações diversas, como vitaminas, aminoácidos, glicose, carboidratos, gorduras, proteínas, etc. Todos estão a par do aumento que ocorre, a cada ano, na variedade de vitaminas. Todavia, a ingestão ou injeção dessas substâncias não produz efeitos permanentes, e sim temporários. No fim das contas, o que se observa é o efeito oposto: quanto mais se tomam vitaminas, mais o corpo enfraquece.
Não seria preciso explicar, a essas alturas, que o alimento serve para manter a vida; na interpretação desse aspecto, porém, há uma grande diferença entre a teoria atual e a realidade. Quando o homem ingere um alimento, em primeiro lugar ele o mastiga; passando pelas vias digestivas, o bolo alimentar vai para o estômago e, daí, para o intestino. As partes necessárias são absorvidas, enquanto que o resto é eliminado. Até chegar a esse processo, entram em ação diversos órgãos, como o fígado, a vesícula biliar, os rins, o pâncreas e outros, que extraem, produzem e distribuem os nutrientes necessários ao sangue, músculos, ossos, pele, cabelos, dentes, unhas, etc. Assim, é realizada incessantemente a atividade de manutenção da vida. Trata-se de uma misteriosa obra da Criação, impossível de ser expressa por meio de palavras. É esse o estado normal da Natureza.
Conforme dissemos, os nutrientes indispensáveis à manutenção da vida humana estão presentes em todos os alimentos. Se há uma grande variedade de alimentos, é porque todos eles são necessários. A quantidade e a preferência variam conforme a pessoa e a hora; a variedade do que se quer comer também depende da necessidade do organismo. Por exemplo, a pessoa come quando tem fome; bebe água quando está com sede; se deseja comer algo doce, é porque tem falta de açúcar em seu organismo; se lhe apetece algo salgado, é porque tem falta de sal, e assim por diante. Por conseguinte, as necessidades naturais do homem evidenciam o princípio exposto. A melhor prova é que quando a pessoa está desejando algo, esse algo lhe é saboroso. Por isso podemos compreender o quanto está errado ingerir contra a vontade coisas que não são saborosas, como os remédios, por exemplo. A frase “Todo bom medicamento é amargo” também encerra um grande erro. O sabor amargo já é indicação do Criador de que aquilo é veneno e não deve ser ingerido. Assim, quanto mais saboroso o alimento, mais nutritivo ele é, porque a sua energia espiritual é mais densa e contém uma grande quantidade de nutrientes. Pela mesma razão, quanto mais frescos forem os peixes e as verduras, mais saborosos eles são; com o passar do tempo, a energia espiritual vai aos poucos abandonando-os, razão pela qual seu sabor vai diminuindo.
Vou dar uma explicação sobre os compostos vitamínicos. O organismo produz todos os nutrientes indispensáveis – sejam eles vitaminas ou não – a partir de quaisquer alimentos, e na quantidade exata que for preciso. Em outras palavras, a misteriosa função nutritiva do organismo consegue produzir vitaminas, na quantidade necessária, até mesmo a partir de alimentos que não as contêm. Assim, a atividade de produção de nutrientes constitui a própria força vital do homem, ou seja, a transformação do alimento inacabado em alimento acabado não é senão o próprio viver. Por essa razão, quando se ingerem compostos vitamínicos, que são produtos sintéticos, os órgãos encarregados da produção de vitaminas tornam-se inúteis e acabam se atrofiando naturalmente. Com isso, os outros órgãos relacionados também se atrofiam, oque vai enfraquecendo gradativamente o corpo. Vou citar alguns exemplos.
Houve uma época, nos Estados Unidos, em que esteve em moda um regime alimentar chamado Fletcher’s. Esse método consistia em mastigar ao máximo os alimentos, considerando que quanto mais pastosos eles estivessem ao serem engolidos, melhor seria a digestão. Segui o método à risca durante um mês. Acontece que fui ficando fraco, não podendo fazer força como desejava. Desapontado, acabei abandonando o método, e assim as minhas energias voltaram ao normal. Foi aí que descobri que é um grande erro mastigar excessivamente os alimentos, pois, como os dentes os trituram bem, torna-se desnecessária a atividade do estômago e isso o enfraquece. Portanto, o melhor é mastigar os alimentos pela metade. Desde os tempos antigos, dizem que as pessoas que comem depressa e na hora de defecar também o fazem rapidamente são pessoas sadias. Nesse aspecto, o homem daquela época estava mais avançado que o homem moderno.
Por outro lado, se ingerimos medicamentos destinados a facilitar a digestão, a atividade estomacal se reduz, o que acaba enfraquecendo o estômago. Aí a pessoa toma remédio de novo, e esse órgão enfraquece mais ainda. Assim, a causa das doenças estomacais está realmente na utilização de remédios para o estômago. É comum ouvirmos pessoas que sofriam de problemas estômaco-intestinais crônicos dizerem que, não conseguindo curar-se com uma alimentação baseada em alimentos de fácil digestão, optaram por alimentos de digestão mais difícil, como o “ochazuke” e o picles japonês, e com isso conseguiram ficar curadas.
Comparemos essa força vital baseada na transformação dos alimentos inacabados em alimentos acabados com a atividade de uma fábrica de máquinas. Em primeiro lugar, adquirimos o material necessário. A fábrica queima o carvão, movimenta as máquinas e, pelo trabalho dos operários, produzem-se novas máquinas. Essa é a razão da existência da fábrica. Suponhamos, agora, que compremos máquinas prontas. Não haverá mais necessidade da queima do combustível, do movimento das máquinas nem do trabalho dos operários, e por isso não há outra alternativa senão fechar a fábrica.
20 de abril de 1950

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