domingo, 22 de fevereiro de 2015

Ser amado por Deus

A essência da fé, em poucas palavras, é “Ser amado por Deus” ou “Estar no agrado de Deus”. Deste modo, devemos saber que tipo de pessoa é amada por Deus. Mas deixemos isso para depois; devemos, primeiramente, conhecer a missão da nossa Igreja. Ela está relacionada ao Juízo Final, de Cristo e à extinção do budismo, de Sakyamuni, fatos esses que estão prestes a acontecer. 
Deus e as entidades búdicas estão manifestando seu grande amor misericordioso, fazendo com que um maior número de pessoas ultrapasse a grande transição do mundo. E como Deus atuará? Naturalmente, Ele utilizará os homens, e acredito que fui escolhido para assumir esta grande missão.
Como é uma grande missão, jamais vista ou ouvida, acabo até achando-a difícil demais de ser realizada; porém, como é o grandioso Deus Supremo que me outorgou essa missão, não tenho alternativa.
Inicialmente, duvidei e até resisti, mas não havia meio de recusá-la , pois estava acima das minhas forças. Deus me utiliza livremente. Não são poucas as vezes em que Ele me fez sentir alegrias extremas e aquelas em que me obrigou a enfrentar situações infernais. Porém, cada vez que isso ocorria, percebia Sua mão invisível, Seu indescritível poder de atração e experimentava o gratificante sabor da vida. Talvez seja uma sensação impossível de ser expressa em palavras que, provavelmente, somente eu tenha vivido na face da Terra.
O mais importante é procurar saber o que devemos fazer para sermos do agrado de Deus. Qualquer pessoa de bom senso sabe que o que desagrada a Deus é agir fora do caminho, mentir, fazer os outros sofrer, causar incômodo à sociedade. Contudo, atualmente, existem muitas pessoas que não se importam com ninguém, achando que basta o próprio bem-estar e manifestam esse egoísmo na prática. Por se tratar de uma atitude das mais condenáveis, não há como estar do agrado de Deus. Assim, cada um precisa saber se está sendo amado por Deus ou não. É algo extremamente simples:
“Para mim, nada vai a contento. Sofro de necessidades materiais; meu trabalho não progride; meu crédito é fraco; não consigo me rodear de pessoas; minha saúde também é insatisfatória; do jeito que trabalho, não entendo por que não dá certo.” As pessoas que fazem esse tipo de comentário não estão sendo do agrado de Deus. Bastar estar no agrado d’Ele e o nosso trabalho se desenvolve satisfatoriamente; as pessoas juntam-se ao nosso redor a ponto de nos incomodar; os recursos materiais nos chegam em tão grande quantidade, que mal podemos utilizá-los em sua totalidade. O mundo, então, se torna um lugar agradável de se viver.
A fé só tem realmente valor quando somos felizes. Se a praticamos mas não alcançamos a felicidade, é porque o motivo, infalivelmente, se encontra em nosso próprio espírito.
25 de maio de 1949

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O que é a Igreja Messiânica Mundial?

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.
Não há dúvida de que "Paraíso Terrestre" é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O "Mundo de Miroku", anunciado por Buda, a chegada do "Reino dos Céus", profetizada por Cristo, a "Agricultura Justa", proclamada por Nitiren, e o "Pavilhão da Doçura", idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É hora da "Destruição da Lei", prevista por Buda, e do "Fim do Mundo" ou "Juízo Final", profetizado por Cristo.
Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.
Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:
a) Tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) Um homem que se libertou do sofrimento da pobreza;
c) Um homem que ama a paz e detesta o conflito.
Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará como entes precioso, no mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideias do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como poderemos obtê-las?
Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais condições.


25 de Janeiro de 1949

sábado, 13 de dezembro de 2014

Minha natureza

Já escrevi um artigo intitulado "Como eu me vejo". Agora, ao invés de me colocar na posição de terceiros, tentarei analisar-me de forma subjetiva, dando uma visão mais profunda de mim mesmo.
Creio que, atualmente, não existe uma pessoa tão feliz quanto eu, e por isso minha gratidão a Deus é constante e profunda. Mas qual será a causa da minha felicidade? De fato, eu não sou uma pessoa comum, sobretudo porque Deus me atribuiu uma grandiosa missão. Esforço-me dia e noite para cumpri-la, e todos os messiânicos sabem que, através dela, um incontável número de pessoas está sendo salvo. Entretanto, a felicidade tem um segredo fácil de ser praticado mesmo pelas pessoas comuns, ou melhor, por aqueles que não têm uma missão especial como eu.
Primeiramente, desejo abrir meu coração, mostrando aquilo que é uma tônica em meu íntimo.
Desde jovem gosto de dar alegria ao próximo, a ponte de isso se tornar quase um "hobby" para mim. Sempre estou pensando no que devo fazer para que todos fiquem felizes. Quando acordo pela manhã, por exemplo, minha primeira preocupação é saber o estado de ânimo dos meus familiares. Se houver uma só pessoa mal-humorada, já não me sinto bem. Na sociedade acontece justamente o contrário: os subordinados é que se preocupam com o estado de ânimo dos seus superiores. Como sou diferente, acho isso estranho e até fico um pouco desapontado. Por esse motivo, algo que me deixa muito triste é escutar gritos de raiva, lamentações inúteis e reclamações. Também me é difícil ouvir repetidas vezes um mesmo assunto. Minha natureza é sempre pacífica e alegre.
O resultado do que acabo de expor é um dos fatores determinantes da minha felicidade. Por isso eu sempre afirmo: "Se não fizermos a felicidade do próximo, não poderemos ser felizes". Acredito que meu maior objetivo - o Paraíso Terrestre - estará concretizado quando meu estágio de espírito encontrar ressonância e expansão no coração de todos os homens.
Este artigo parece um auto-elogio, mas se, depois de sua leitura, ele puder levar algum benefício às pessoas, ficarei satisfeito.


30 de Agosto de 1949

A dialética da Harmonia

Harmonia é um velho termo que impressiona bem e sugere um princípio da Verdade. Contudo, não deve ser aceito cegamente, pois, embora essa interpretação não esteja errada, é muito superficial. Sendo assim, precisamos aprofundá-la.
Tudo que há no Universo acha-se em perfeita harmonia. Só há desarmonia para quem vê as coisas superficialmente - é um erro de ponto de vista. A desarmonia que se apresenta aos olhos do homem, é apenas aparente. Isso porque ela é criada pelos homens, e a sua causa é a ação antinatural. Ou seja, do ponto de vista da Grande Natureza, a desarmonia decorrente da ação antinatural é a verdadeira harmonia. Essa é a Verdade Absoluta.
Neste sentido, basta que o homem obedeça às Leis do Universo, para que todas as coisas se harmonizem e progridam normalmente. Assim, quando se provoca desarmonia, surge a desarmonia; caso contrário, surge a harmonia. Nisto consiste a Grandiosa Harmonia da Natureza. Para ser feliz, o homem precisa aprofundar seu conhecimento sobre este assunto. Temos tido freqüentes provas de que, com o tempo, a desarmonia momentânea se transforma em harmonia, e vice-versa. Essa é a realidade da vida, e reclama profunda reflexão.
Sintetizando: a desarmonia é produto da visão estreita ("Shojo"); a harmonia, produto da visão ampla ("Daijo").

1º de Outubro de 1952

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Treino de Humildade

Na vida, o treino de humildade é importante, constituindo uma prática tradicional entre os religiosos. Observamos, entretanto, que falta humildade a muitos pregadores. Os velhos axiomas "O falcão inteligente oculta as garras" e "Quanto mais carregada de grãos, mais se curva a espiga de arroz" referem-se à humildade.
Orgulho, mania de grandeza, pedantismo e vaidade produzem efeitos negativos. O ponto fraco do ser humano é gostar de se exibir, tão logo comece a se elevar socialmente. Por exemplo, quando um homem que exerce uma profissão comum passa a ser respeitado dentro da vida religiosa, recebendo uma função de destaque, sendo chamado de "professor", "ministro", etc., poderá indagar a si próprio: "Será que sou tão importante?" De início, ele se sentirá emocionado, feliz, agradecido. Com o tempo, no entanto, terá ânsia de ver reconhecida sua importância. Até então tudo ia bem, mas, com esse novo pensamento, a pessoa começará a se tornar impertinente e desagradável, embora não tome consciência do que lhe ocorre.
Deus desaprova a presunção. Empurrar as pessoas nas conduções, no meio da multidão, enfim, em qualquer lugar, para obter situação privilegiada, é falta de humildade, é uma atitude desprezível, que revela feio egoísmo.
Formar uma sociedade harmoniosa e agradável foi, em todas as épocas, ideal da verdadeira Democracia.

25 de janeiro de 1949

Bondagem e Cortesia

Bondade e cortesia são as qualidades que mais faltam ao homem da atualidade.
Há um método que nos permite avaliar o nosso progresso na Fé e o nosso aprimoramento espiritual. Primeiro, devemos evitar as desavenças; depois, desenvolver a bondade; por fim, nos tornarmos mais corteses. Se conhecermos alguém com tais atributos, veremos logo que é pessoa polida, que se aprimorou e que possui o intrínseco valor da Fé. Essa pessoa será estimada e respeitada por todos; suas atitudes valerão como uma silenciosa divulgação de Fé; servirá como exemplo de Fé concretizada em atos.
Mas o mundo atual mostra-nos, a todo instante, como é carente dessa bondade e cortesia. Por toda parte, o ser humano vive a esmiuçar os defeitos alheios, odiando e recriminando a toda gente, salientando sempre os seus aspectos desagradáveis. Podemos afirmar que quase não existe cortesia no homem moderno. Há, nele, um requinte de egoísmo, grosseria, espírito calculista e constante desculpa para todos os erros que comete. Não lhe importa ser desagradável aos outros.
Tal procedimento jamais foi liberdade democrática; é um exagero nocivo, um abuso de egoísmo. Em tudo isso, o mais desprezível é que o homem se transforma em delator e perseguidor de seu próprio irmão, porque escasseia o sentido de amor humano. O aumento desse tipo de gente obscurece a sociedade, esfria o relacionamento entre os homens e engrossa a fileira dos desiludidos. Por isso é que os suicídios aumentam cada vez mais.
A verdadeira civilização resultará do crescente número de pessoas que agem conforme o cavalheirismo inglês ou a filantropia americana. Ser fiel às regras morais permite a formação de uma sociedade agradável, onde reina o conforto. Se tal sociedade puder ser criada, o Paraíso será uma realidade para o homem.
No Japão, há um assunto que tem interessado a muitos: a necessidade econômica de desenvolver o turismo. As instalações materiais são importantes; mais importante, no entanto, é a boa impressão que possam ter aqueles que nos visitam. Bondade, higiene e cortesia não custam dinheiro e são elementos essenciais, que atraem os turistas.
A formação desse homem bondoso e cortês depende unicamente da Fé e constitui a diretriz de nossa Igreja, que, nesse sentido, vem se desenvolvendo cada vez mais.

25 de outubro de 1950

domingo, 7 de setembro de 2014

Fé é confiança

          Existem muitas pessoas que seguem uma religião, mas o homem de verdadeira fé é raro. O fato de alguém se considerar um verdadeiro religioso, nada significa, porque o julgamento está baseado num critério subjetivo. Só é de fato um verdadeiro religioso aquele que assim for reconhecido objetivamente.
          É necessário distinguir claramente como age um autêntico homem de fé. Teoricamente é simples: que inspire confiança nos que convivem com ele; que todos confiem nas suas palavras; que, no contato com as pessoas, elas sintam que só lhes advirá o bem, porque ele é uma pessoa excelente.
          Obter tal confiança não é difícil. O essencial é não mentir e favorecer primeiramente o próximo, deixando os interesses pessoais relegados a segundo plano. As pessoas devem comentar a respeito desse homem: "É alguém que me ajudou, que me salvou... É uma pessoa muito bondosa... Seria um grande prazer tê-lo como amigo. É uma criatura muito agradável..." Tal indivíduo certamente terá o respeito e a estima de todos, o que é muito compreensível. Nós mesmos, se encontrássemos uma pessoa assim, desejaríamos cultivar sua amizade, confiar-lhe nossos problemas e nos sentiríamos ligados a ela. Essa dedicação, entretanto, não pode ter caráter passageiro. Exemplifiquemos com o arroz: quem se habitua com ele, a cada dia o acha mais saboroso. O homem de verdadeira fé pode ser comparado ao arroz.
          No mundo, predominam pessoas que contrariam tudo o que acabamos de dizer: suas ações comprometedoras levam-nas a perder a confiança do próximo, sem que isto as preocupe. Mentem de tal forma, que podem ser desmascaradas a qualquer momento. Embora possuam boas qualidades, suscitam desconfiança e se desvalorizam aos olhos dos outros.
          Mentir é uma grande tolice; baste uma pequena mentira para se ficar desacreditado. Se investigarmos por que certas pessoas não melhoram de situação, embora sejam esforçadas e assíduas no trabalho, veremos que elas não merecem crédito, devido às suas mentiras.
          A confiança é realmente um tesouro. Quem a merece jamais passará por dificuldades monetárias, pois todos sentirão prazer em lhe fazer empréstimos. Estou me referindo à confiança entre os homens; mas obter a confiança de Deus é algo de valor inestimável. Se a conseguirmos, tudo correrá bem e teremos uma vida repleta de alegrias.

18 de Julho de 1949